{"id":25124,"date":"2007-06-04T11:05:46","date_gmt":"2007-06-04T11:05:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/06\/04\/santuario-de-fatima-celebrou-a-solenidade-da-santissima-trindade\/"},"modified":"2007-06-04T11:05:46","modified_gmt":"2007-06-04T11:05:46","slug":"santuario-de-fatima-celebrou-a-solenidade-da-santissima-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/santuario-de-fatima-celebrou-a-solenidade-da-santissima-trindade\/","title":{"rendered":"Santu\u00e1rio de F\u00e1tima celebrou a solenidade da Sant\u00edssima Trindade"},"content":{"rendered":"<p>Este Domingo, 3 de Junho, a Eucaristia Dominical foi presidida por D. Augusto C\u00e9sar, Bispo Em\u00e9rito de Portalegre-Castelo Branco. Durante a homilia, o prelado evidenciou que o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade, celebrado pela Igreja, inspira aquilo que somos: Fam\u00edlia.  Para al\u00e9m dos in\u00fameros fi\u00e9is que individualmente ou em fam\u00edlia participaram nesta Eucaristia, procederam \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o no Servi\u00e7o de Peregrinos do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima 24 grupos organizados: 5 grupos de Espanha, 1 das Filipinas, 2 da Irlanda, 3 de It\u00e1lia e 13 de Portugal, entre os quais, o Grupo da Fam\u00edlia Redentorista, com 3500 peregrinos, e o da Fam\u00edlia Dehoniana, com 6000 peregrinos.\t Tamb\u00e9m os antigos \u00e1rbitros de futebol nacional e suas fam\u00edlias, num total de 250 pessoas, participaram nesta Eucaristia, incluindo-se nos 24 grupos que esta manh\u00e3 estiveram no recinto do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. Esta peregrina\u00e7\u00e3o, inserida no 13.\u00ba Conv\u00edvio do N\u00facleo dos Antigos \u00c1rbitros de Futebol, teve a inten\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria dos antigos \u00e1rbitros e familiares j\u00e1 falecidos.  <b>Sant\u00edssima Trindade: Um caminho a descobrir<\/b> O mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade, que hoje celebramos, foi revelado, plenamente, por Jesus Cristo. E, a partir da\u00ed, a f\u00e9 adquiriu um sabor novo, urna vez que o nome de Deus passou a ser assim: Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo! Trata-se dum nome em rela\u00e7\u00e3o, que nos atrai \u00e0 confian\u00e7a e nos inspira o que somos: fam\u00edlia!  Mas vai mais longe, quando rezamos o Pai Nosso: pois, dizendo desse modo, sentimo-nos tamb\u00e9m fam\u00edlia de Deus, uma vez que Jesus Cristo nos introduz nesse movimento de amor e confian\u00e7a e segreda o que mais tarde ensinar\u00e1: onde Eu estiver, v\u00f3s estareis tamb\u00e9m! Ficamos, ent\u00e3o, a saber que ser pai ou m\u00e3e, filho ou filha, irm\u00e3o ou irm\u00e3, \u00e0 maneira humana \u00e9, por assim dizer, urna resson\u00e2ncia do que Deus \u00e9: Amor! E o modo como nos devemos relacionar uns com os outros e com Deus, deve passar por a\u00ed. Por isso, Bento XVI ensina que o amor do cora\u00e7\u00e3o (o amor humano que n\u00f3s experimentamos), \u00e9 sinal do &#8216;mais&#8217; de Deus e express\u00e3o do que Ele disse, no come\u00e7o: Fa\u00e7amos o homem \u00e0 Nossa Imagem e semelhan\u00e7a. Ao inverso, o pecado afasta-nos desse horizonte de esperan\u00e7a e sugere ego\u00edsmo, gan\u00e2ncia e viol\u00eancia; podendo mesmo levar-nos, como a Judas e a outros &#8216;judas&#8217; do tempo, at\u00e9 \u00e0 mediocridade e ao desespero.  Foi por isso que o Verbo de Deus se veio revelando discretamente na hist\u00f3ria do homem, a fim de o iluminar; e chegou mesmo a mostrar-se, na plenitude dos tempos, como &#8216;Filho do Homem&#8217;, a fim de o redimir. E, depois, ocultando-se, de novo, pela Ascens\u00e3o ao c\u00e9u, instituiu a Igreja para que ela desse continuidade vis\u00edvel \u00e0 Sua presen\u00e7a invis\u00edvel, mediante a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Quer dizer, Deus veio de tal maneira ao nosso encontro que se tomou, em Jesus Cristo, Deus-connosco ou Emanuel; e pela Igreja (corpo de Cristo, de que Ele \u00e9 cabe\u00e7a), adoptou-nos corno filhos e alimenta-nos com o p\u00e3o do c\u00e9u (a Eucaristia). Isto \u00e9: somos, em Deus, o que somos; e, sem Ele, n\u00e3o somos nada. Mas a respira\u00e7\u00e3o da moda, da descren\u00e7a e do laicismo, tenta encher-nos o peito de gan\u00e2ncia, deixando um sabor a medo ou inspirando agressividade.  Entretanto, o livro dos Prov\u00e9rbios, embora distante desta leitura, deixa pressentir Algu\u00e9m que acompanha o homem e lhe inspira confian\u00e7a e fidelidade \u00e0 miss\u00e3o recebida. E vai-lhe sugerindo, tamb\u00e9m, a curiosidade do mist\u00e9rio ou dos segredos de Deus. Mas \u00e9 o Evangelho segundo S. Jo\u00e3o e, \u00e0 continua\u00e7\u00e3o, os chamados Padres da Igreja, que ajustam a linguagem \u00e0 revela\u00e7\u00e3o: foi pelo Verbo de Deus, Jesus Cristo, sabedoria e Palavra criadora de Deus, que &#8220;tudo foi criado&#8221;(Jo.l, 3)! E, assim, nos damos conta de que a eternidade e o tempo souberam sempre dialogar o caminho.  <i>A esperan\u00e7a como caminho<\/i> Todavia, se Deus se respira na hist\u00f3ria dos homens&#8230; em Jesus Cristo, alcan\u00e7a visibilidade e motiva\u00e7\u00e3o. Por isso, S. Paulo, na carta aos Romanos, fala da &#8216;vida&#8217; repetidas vezes e diz corno ela se deve expandir: atrav\u00e9s da paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o, da gra\u00e7a, do amor, da esperan\u00e7a e da ressurrei\u00e7\u00e3o. E acrescenta: se os crist\u00e3os n\u00e3o fizerem esta experi\u00eancia, permanecem mortos ou distantes da verdadeira vida. E isto exige urna aprendizagem, em ordem \u00e0 maturidade da f\u00e9, com sabor trinit\u00e1rio, tamb\u00e9m sacramental e mesmo escatol\u00f3gico.  Deixai-me sublinhar tr\u00eas aspectos, dos mencionados pelo Ap\u00f3stolo.  Primeiramente, a paz: n\u00e3o se trata duma dimens\u00e3o meramente sociol\u00f3gica (tranquilidade de consci\u00eancia e serenidade de \u00e2nimo); mas duma atitude de confian\u00e7a em Deus, lembrando as promessas do passado e os bens futuros (pois, Deus \u00e9 tudo isso). Em segundo lugar, a esperan\u00e7a: n\u00e3o como forma de alimentar optimismos f\u00e1ceis ou de responder com pregui\u00e7a aos desafios do tempo presente; mas como vontade de assumir responsavelmente a miss\u00e3o confiada a cada um, a partir do baptismo. Pois, ainda que as dificuldades aumentem, o crist\u00e3o saber\u00e1 esperar sempre, uma vez que em Cristo ressuscitado reside o seu triunfo. E finalmente, o amor: na realidade, o crist\u00e3o tem firme consci\u00eancia de que Deus o ama; e, para isso, basta ouvir a s\u00faplica de Jesus, no pat\u00edbulo da cruz: Pai, perdoai-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem! \u00c9 desta experi\u00eancia que n\u00f3s temos necessidade de beneficiar, sabendo depois transmitir. Com efeito, o nosso mundo reivindica mas n\u00e3o sabe perdoar.  Entretanto, Jesus vai falando do Esp\u00edrito-Par\u00e1clito, que ser\u00e1 enviado como protector, mestre, testemunha, juiz e revelador. Mas, sempre, a favor dos disc\u00edpulos e no contexto da Igreja. Desse modo, aparece numa linha de continuidade, como sendo &#8216;outro&#8217; Jesus. E, assim como a P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o consolou e superou a orfandade dos disc\u00edpulos, assim o Esp\u00edrito-Par\u00e1clito supera as fronteiras hist\u00f3ricas do tempo e, o &#8216;sempre&#8217;, est\u00e1 presente. Apesar de tudo, aparece a novidade&#8230; mas esta consiste menos em apresentar coisas novas e, mais, em recordar e ensinar de novo o que Jesus tinha dito e ensinado; ou seja, a actualiza\u00e7\u00e3o faz-se na base da tradi\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1, assim, no ambiente das nossas fam\u00edlias? A miss\u00e3o dos pais (em quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e de f\u00e9) abranda, s\u00f3 porque os filhos estudaram mais ou sabem navegar no mundo da Internet? Ser testemunha \u00e9 participar dum processo que modela o interior e caracteriza o exterior. E no caso do Esp\u00edrito-Par\u00e1clito, Ele \u00e9 testemunha de Jesus, enquanto ilumina a f\u00e9 dos disc\u00edpulos e lhes garante convic\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia de vida. Da\u00ed, as nossas atitudes pessoais e comunit\u00e1rias, face aos desafios do tempo e \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do mundo.  Oi\u00e7amos, de novo, Jesus a falar do Pai: o Pai e Eu somos um; e, ainda: o que \u00e9 de Meu Pai, \u00e9 Meu. Quer dizer: a unidade existente entre o Pai e o Filho, \u00e9 que justifica a continuidade da palavra de Deus e de Jesus, na Igreja, sob a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. E a revela\u00e7\u00e3o das coisas futuras (a que se refere quando diz: Ele ensinar-vos-\u00e1 o que Eu n\u00e3o tive tempo de vos dizer), n\u00e3o se baseia em milagrismos ou truques, tanto ao gosto do nosso tempo, mas em apontar Jesus ressuscitado e presente na Igreja, como caminho de esperan\u00e7a, aberto at\u00e9 ao Pai. Com efeito, a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mera liberta\u00e7\u00e3o do pecado, mas \u00e9 inser\u00e7\u00e3o na vida trinit\u00e1ria, que s\u00f3 atinge perfei\u00e7\u00e3o, na eternidade. Mesmo assim, precisamos de sinais vis\u00edveis que nos apontem o caminho e ajudem a dizer: eu &#8216;creio&#8217;&#8230; eu &#8216;quero&#8217;! E, um deles \u00e9, decerto, este Santu\u00e1rio com o perfume das Apari\u00e7\u00f5es e os apelos que atraem multid\u00f5es de peregrinos; e o outro, mais recente, \u00e9 a Igreja da Sant\u00edssima Trindade, ali ao fundo e ao servi\u00e7o dos mesmos peregrinos, que vale como monumento de f\u00e9 e de louvor ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo. Tudo o mais, \u00e9 esfor\u00e7o nosso, para que este lugar de recolhimento e ora\u00e7\u00e3o seja preservado de banalidades que distraem ou de interesses que corrompem.  Entretanto, recordemos as palavras que o Anjo rezou e ensinou a rezar aos Pastorinhos, diante do Sant\u00edssimo Sacramento: Sant\u00edssima Trindade, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, adoro-vos profundamente&#8230; Na realidade, a f\u00e9 nada tem de abstracto; e o mist\u00e9rio das Apari\u00e7\u00f5es trouxe a este lugar a mesma advert\u00eancia do Sinai: descal\u00e7a-te, que este lugar \u00e9 sagrado! Isto \u00e9, Deus olha, desde aqui, para o mundo, atrav\u00e9s de tr\u00eas crian\u00e7as e confia-lhes uma &#8216;mensagem&#8217; de liberta\u00e7\u00e3o: pois, \u00e9 Ele quem liberta! Saibamos escutar e dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz do c\u00e9u. Santo Afonso Maria de Lig\u00f3rio, bispo da Igreja e fundador dos Padres Redentoristas, sentiu o mesmo apelo e dedicou-se \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o com tanto zelo, que atraiu numerosos filhos espirituais e, com eles, organizou as chamadas &#8216;miss\u00f5es populares&#8217;. Trata-se dum meio privilegiado de despertar o povo para o essencial da f\u00e9 e de tornar as comunidades mais abertas \u00e0 caridade fraterna e ao apostolado.  Tamb\u00e9m n\u00f3s, depois do baptismo, sentimos o murm\u00fario que o nosso Deus \u00adPai, Filho e Esp\u00edrito Santo, deixa ouvir no interior do nosso cora\u00e7\u00e3o. E a resposta que Lhe devemos, deve ser dada com fidelidade e com amor pelos irm\u00e3os, mormente os mais necessitados.  Pe\u00e7amos a Nossa Senhora de F\u00e1tima que nos atraia, como aos Pastorinhos, at\u00e9 ao mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade e que nos fa\u00e7a ap\u00f3stolos do Seu amor, diante dum mundo distra\u00eddo e descrente dos valores da f\u00e9. Assim seja! F\u00e1tima, 3 de Junho de 2007  <i>+ Augusto C\u00e9sar  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este Domingo, 3 de Junho, a Eucaristia Dominical foi presidida por D. Augusto C\u00e9sar, Bispo Em\u00e9rito de Portalegre-Castelo Branco. 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