{"id":25031,"date":"2007-05-30T09:49:52","date_gmt":"2007-05-30T09:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/30\/violacoes-dos-direitos-humanos-no-darfur\/"},"modified":"2007-05-30T09:49:52","modified_gmt":"2007-05-30T09:49:52","slug":"violacoes-dos-direitos-humanos-no-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/violacoes-dos-direitos-humanos-no-darfur\/","title":{"rendered":"Viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos no Darfur"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Guterres, Alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados, denuncia a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o sudanesa, apesar dos acordos de paz de Abuja <!--more--> Ant\u00f3nio Guterres iniciou fun\u00e7\u00f5es de Alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados em 15 de Junho de 2005. Dirige uma das principais ag\u00eancias humanit\u00e1rias a n\u00edvel mundial, que conta mais de 6 mil funcion\u00e1rios presentes em 115 pa\u00edses. O ex-primeiro ministro de Portugal (1996-2002) aborda, nesta entrevista colectiva \u00e0s publica\u00e7\u00f5es da Miss\u00e3o Press, o drama dos refugiados, especialmente os do conflito do Darfur, no Sud\u00e3o.   <i>Miss\u00e3o Press (MP) &#8211; Neste momento quais os pontos negros no que diz respeito \u00e1 mobilidade for\u00e7ada no mundo? Ant\u00f3nio Guterres (AG) &#8211;<\/i> Em primeiro lugar \u00e9 importante reconhecer que o s\u00e9culo XXI vai em grande medida ser marcado pelos movimentos de popula\u00e7\u00e3o. Grande parte desses movimentos de popula\u00e7\u00e3o \u00e9 motivada por factores de natureza econ\u00f3mica. Infelizmente, um n\u00famero reduzido de oportunidades de imigra\u00e7\u00e3o legal faz com que prolifere a imigra\u00e7\u00e3o ilegal, e no quadro da imigra\u00e7\u00e3o ilegal, se tenham criado condi\u00e7\u00f5es que favorecem a ac\u00e7\u00e3o de contrabandistas, traficantes, com crimes hediondos em que identificamos imensa gente sofrendo situa\u00e7\u00f5es horrorosas. \u00c9 tamb\u00e9m cada vez mais verdade, que face a estes enormes movimentos de popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um n\u00famero muito significativo de pessoas que se integram em movimentos mistos mas que t\u00eam necessidade de protec\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o refugiados, mulheres v\u00edtimas de tr\u00e1fico, crian\u00e7as n\u00e3o acompanhadas. Por outro lado, h\u00e1 movimentos estritamente determinados por raz\u00f5es estranhas \u00e0 vontade das pessoas, por raz\u00f5es ambientais em certos casos, e infelizmente por raz\u00f5es ligadas \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o e ao conflito. N\u00f3s estamos a assistir neste momento ao agravar de um conjunto de situa\u00e7\u00f5es de guerra, ou pelo menos de viol\u00eancia, muito significativa, e quando olhamos para um arco que vem do Afeganist\u00e3o, que passa pelo Iraque e pela Palestina, desce para o Sud\u00e3o e para a Som\u00e1lia, encontraremos porventura a \u00e1rea do mundo mais preocupante em mat\u00e9ria de deslocamento for\u00e7ado.  <b>A situa\u00e7\u00e3o em Darfur<\/b>  <i>MP- Qual \u00e9 o ponto da situa\u00e7\u00e3o no Darfur? AG &#8211;<\/i> A situa\u00e7\u00e3o continua extremamente dif\u00edcil. Como \u00e9 sabido, continua a haver conflito entre o governo e v\u00e1rios movimentos rebeldes, apesar dos acordos de paz de Abuja [assinados a 5 de Maio de 2006], mas que apenas foram subscritos por um n\u00famero limitado de actores. Continua a existir uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a generalizada, com viola\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas dos direitos humanos para a popula\u00e7\u00e3o em geral, e finalmente um grande esfor\u00e7o de apoio humanit\u00e1rio a essa mesma popula\u00e7\u00e3o(..). No ponto de vista da ajuda humanit\u00e1ria, de manter as pessoas vivas, garantir a alimenta\u00e7\u00e3o e garantir at\u00e9, em muitas circunst\u00e2ncias, o acesso a alguns cuidados de sa\u00fade, ou at\u00e9 algum n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um esfor\u00e7o admir\u00e1vel da comunidade internacional, apoiando cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas que beneficiam desta assist\u00eancia e cuja situa\u00e7\u00e3o, e neste dom\u00ednio, tem registado algumas melhorias nestes \u00faltimos meses. Mas infelizmente e em contrapartida, do ponto da protec\u00e7\u00e3o das pessoas e da inseguran\u00e7a, a\u00ed estamos perante um fracasso generalizado e por isso o risco para a seguran\u00e7a destas comunidades, a viola\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas, casos dram\u00e1ticos de morte, viola\u00e7\u00e3o, continuam a proliferar e neste dom\u00ednio todos temos que reconhecer que n\u00e3o foi ainda poss\u00edvel \u00e0 comunidade internacional alterar este estado de coisas.  <i>MP &#8211; Na confer\u00eancia que deu h\u00e1 dias na S\u00e9 de Lisboa dizia que \u201ca soberania da pessoa, no caso de Darfur, foi sacrificada no altar da soberania do Estado\u201d. O que \u00e9 que queria dizer com isto? AG &#8211;<\/i> N\u00f3s assistimos nos anos 90 e, lembro-me bem disso, porque nessa altura desempenhava fun\u00e7\u00f5es oficiais, a uma tend\u00eancia para nas rela\u00e7\u00f5es internacionais se estabelecer um equil\u00edbrio entre a soberania do Estado que naturalmente deve ser respeitada e a soberania da pessoa humana. N\u00f3s assistimos em Timor Leste, na B\u00f3snia, no Kosovo, a uma interven\u00e7\u00e3o da comunidade internacional feita em nome dos Direitos Humanos, da protec\u00e7\u00e3o das pessoas, e foi-se consagrando um princ\u00edpio de direito de inger\u00eancia humanit\u00e1ria. Mais tarde h\u00e1 uma comiss\u00e3o que trabalhou sobre os ausp\u00edcios do governo Canadiano que produziu um relat\u00f3rio muito interessante que define um novo conceito da responsabilidade de proteger, considerando que \u00e9 atributo do Estado e da soberania do Estado a responsabilidade de proteger os seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os. Mas quando o Estado n\u00e3o \u00e9 capaz ou n\u00e3o o quer fazer, sobra um dom\u00ednio de responsabilidade para a comunidade internacional. Este principio foi acolhido pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas a sua concretiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem tradu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. E de alguma forma n\u00f3s assistimos, porventura de maneira mais agravada ap\u00f3s a invas\u00e3o do Iraque, a uma resist\u00eancia de muitos pa\u00edses do mundo em desenvolvimento \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o deste princ\u00edpio da responsabilidade de proteger com o argumento que ele pode esconder, por parte das grandes pot\u00eancias, agendas escondidas, desejos de hegemonia, desejo de interven\u00e7\u00e3o com outras finalidades. E isso levou a uma reafirma\u00e7\u00e3o da soberania dos Estados. A verdade \u00e9 que no caso de Darfur essa afirma\u00e7\u00e3o se faz em detrimento dos direitos da soberania da pessoa humana, e a comunidade internacional, na pr\u00e1tica, tem sido incapaz nos \u00faltimos anos de criar as condi\u00e7\u00f5es para que possam ser efectivamente protegidos os direitos das popula\u00e7\u00f5es.  <b>A ajuda humanit\u00e1ria<\/b>  <i>MP &#8211; As associa\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias t\u00eam podido desenvolver a sua miss\u00e3o no Darfur?  AG &#8211;<\/i> T\u00eam e \u00e9 de facto um \u00eaxito extraordin\u00e1rio. H\u00e1 milhares de trabalhadores humanit\u00e1rios das mais diversas associa\u00e7\u00f5es, nomeadamente muitas organiza\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja, h\u00e1 milhares de trabalhadores humanit\u00e1rios, os nossos pr\u00f3prios est\u00e3o a\u00ed envolvidos, com enormes riscos. N\u00f3s tivemos, h\u00e1 duas semanas, seis dos nossos colaboradores raptados no sul, felizmente sem consequ\u00eancias, apesar das suas viaturas terem sido roubadas, mas tem havido gente que morre, que sofre outras formas de ataque, mas que t\u00eam conseguido manter um apoio humanit\u00e1rio not\u00e1vel \u00e0s popula\u00e7\u00f5es. Como disse h\u00e1 pouco, 4 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o alimentadas por dinheiro internacional, servi\u00e7os de presta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade est\u00e3o espalhados por todo o territ\u00f3rio, em condi\u00e7\u00f5es de extrema dificuldade mas com grande abnega\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muitas escolas abertas no Darfur, em muitos destes campos de pessoas deslocadas as crian\u00e7as t\u00eam, apesar de tudo, por vezes mais oportunidades do que tinham nas suas aldeias origin\u00e1rias, e isso revela de facto, um extraordin\u00e1rio \u00eaxito da ac\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria da comunidade internacional. Infelizmente, esse \u00eaxito deve ser posto em paralelo com o fracasso da capacidade de dar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es seguran\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o.  <i>MP &#8211; Se n\u00e3o se encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social \u00e9 sustent\u00e1vel a presen\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias?  AG &#8211;<\/i> O nosso dever \u00e9 continuar, \u00e9 continuar at\u00e9 ao limite das nossas possibilidades. Infelizmente n\u00e3o \u00e9 esta a \u00fanica crise que perdura, n\u00f3s temos refugiados palestinianos desde 1948, temos na Tanz\u00e2nia refugiados do Burundi desde 1972, temos em Tindouf [na Arg\u00e9lia] os Sarauis que est\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas e d\u00e9cadas. H\u00e1 inclusive muitas situa\u00e7\u00f5es destas que se arrastam e \u00e9 nosso dever mobilizar os esfor\u00e7os da comunidade internacional para apoiar estas popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 sofrem tanto. Agora, espero que seja poss\u00edvel ultrapassar o impasse presente e nomeadamente que os esfor\u00e7os de media\u00e7\u00e3o que est\u00e3o no terreno, da L\u00edbia, Eritreia, e agora de uma forma sistem\u00e1tica das Na\u00e7\u00f5es Unidas e da Uni\u00e3o Africana, em conjunto, possam conduzir a que um acordo de paz efectivo seja estabelecido abrangendo todos os actores no terreno, como condi\u00e7\u00e3o essencial para que a seguran\u00e7a seja estabelecida e para se restabelecer um equil\u00edbrio entre os diversos grupos e das diversas tribos no Darfur que foi rompido. No Darfur n\u00f3s temos o que alguns chamam \u00e1rabes e africanos, ou n\u00f3madas e sedent\u00e1rios, ou agricultores e pastores. O que \u00e9 verdade \u00e9 que estas comunidades viveram durante s\u00e9culos em harmonia, mas \u00e9 tamb\u00e9m verdade quando os recursos diminuem, nomeadamente quando a \u00e1gua diminui, e porventura aqui as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas vir\u00e3o a ser um factor agravante deste problema, h\u00e1 uma tend\u00eancia para o conflito. \u00c9 evidente que quando essa tend\u00eancia \u00e9 manipulada politicamente pode conduzir aquilo a que n\u00f3s podemos assistir, a Janjauid armados, e que simultaneamente conduziam, em vez do ex\u00e9rcito, o confronto com movimentos rebeldes, e atacavam aldeias de popula\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas para poderem aproveitar os recursos nomeadamente o acesso aos pontos de \u00e1gua relevantes. Uma vez estabelecida a paz ser\u00e1 poss\u00edvel reencontrar condi\u00e7\u00f5es e um grande esfor\u00e7o ter\u00e1 que ser feito, quer do ponto de vista do di\u00e1logo social, quer eventualmente do ponto de vista econ\u00f3mico. Para se solucionar materialmente algumas das dificuldades existentes e uma vez estabelecida a paz, um grande esfor\u00e7o ter\u00e1 que ser promovido para restabelecer o equil\u00edbrio entre as diversas comunidades. A complexidade da situa\u00e7\u00e3o exige v\u00e1rias respostas, agora nenhuma dessas respostas \u00e9 poss\u00edvel num clima de confronto.  <i>MP &#8211; O que sentiu quando visitou o Darfur?  AG &#8211;<\/i> Penso que o que marca mais s\u00e3o os testemunhos que n\u00f3s recebemos daquela popula\u00e7\u00e3o, do medo, da inseguran\u00e7a. Falar com mulheres que t\u00eam que ir apanhar lenha porque t\u00eam que cozinhar para as suas fam\u00edlias, que ao faz\u00ea-lo est\u00e3o sujeitas a serem raptadas, violadas; falar com jovens que t\u00eam visto amigos seus serem mortos, ou serem mobilizados \u00e0 for\u00e7a para diversas mil\u00edcias. Esses testemunhos s\u00e3o profundamente marcantes e comoventes e de alguma forma conduzem a uma certa frustra\u00e7\u00e3o e incapacidade de dar respostas a esses problemas.  <b>O papel das religi\u00f5es<\/b>  <i>MP &#8211; Como v\u00ea a interven\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica, das outras Igrejas e doutras religi\u00f5es neste tipo de situa\u00e7\u00f5es onde se joga o limite da condi\u00e7\u00e3o humana?  AG &#8211;<\/i> Acho que \u00e9 essencial. N\u00f3s temos v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja que s\u00e3o nossas parceiras no terreno de forma extremamente generosa, dedicada e depois vivemos num mundo em que a intoler\u00e2ncia se tem afirmado, em que o confronto entre culturas, civiliza\u00e7\u00f5es se arrisca a desenvolver-se e creio que a postura do di\u00e1logo, e toler\u00e2ncia da Igreja \u00e9 absolutamente essencial neste dom\u00ednio. Recordo-me nomeadamente das in\u00fameras interven\u00e7\u00f5es do Papa Jo\u00e3o Paulo II em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o Palestiniana, \u00e0 quest\u00e3o do di\u00e1logo com o mundo mu\u00e7ulmano, em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Iraque que foram um factor muito importante de atenua\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es internacionais. E isso \u00e9 essencial para que n\u00e3o se produzam situa\u00e7\u00f5es como aquelas do deslocamento for\u00e7ado, movimento for\u00e7ado de popula\u00e7\u00f5es e que afectam directamente aqueles que est\u00e3o sob o mandato que me foi conferido.  <i>MP &#8211; V\u00ea o futuro com um olhar positivo?  AG &#8211;<\/i> Eu acho que temos que ver sempre o futuro com um olhar positivo, no sentido que temos que nos empenhar. H\u00e1 uma frase que um costumo citar que \u00e9 de Jean Monnet em que ele diz que n\u00e3o \u00e9 optimista nem pessimista: \u00e9 determinado! E essa \u00e9 que \u00e9 a quest\u00e3o. O optimismo pode ser uma atitude pouco inteligente se nos levar a estar parados em vez de contribuir para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas. Se o pessimismo tamb\u00e9m nos levar ao des\u00e2nimo, tamb\u00e9m n\u00e3o creio que seja uma forma inteligente de estar na vida. Temos que reconhecer a enorme complexidade dos problemas mas achar que as coisas s\u00e3o para n\u00f3s um desafio. E s\u00e3o um apelo, de alguma forma um sinal que recebemos de Deus para que nos empenhemos. Se os problemas n\u00e3o existissem, porventura o empenhamento n\u00e3o seria necess\u00e1rio. Os talentos n\u00e3o fariam falta. Como os problemas s\u00e3o muitos n\u00f3s n\u00e3o temos o direito de ficar com os talentos enterrados. Temos mesmo que os p\u00f4r a render.  <b>A cimeira Europa-\u00c1frica<\/b>  <i>MP &#8211; Na agenda duma cimeira Europa-\u00c1frica, o Darfur poder\u00e1 ter um lugar? E o que \u00e9 que eventualmente se pode fazer para levar o governo portugu\u00eas a \u201cimpor\u201d esse ponto da agenda?  AG &#8211;<\/i> Eu penso que porventura n\u00e3o ser\u00e1 no quadro de uma cimeira destas que o problema encontrar\u00e1 solu\u00e7\u00e3o. Uma cimeira dessas pode ajudar, mas n\u00e3o ser\u00e1 a\u00ed seguramente que o essencial do esfor\u00e7o para resolver as contradi\u00e7\u00f5es existentes, ter\u00e1 que ser realizado. A cimeira pode ser um factor que contribua para atenuar tens\u00f5es e para facilitar contactos, mas \u00e9 bom n\u00e3o esquecer que entre os pr\u00f3prios pa\u00edses africanos h\u00e1 grandes tens\u00f5es, por exemplo, entre Chade e o Sud\u00e3o t\u00eam existido tradicionalmente situa\u00e7\u00f5es de grande tens\u00e3o. E h\u00e1 rebeldes Chadianos que est\u00e3o no Darfur e h\u00e1 rebeldes do Darfur que est\u00e3o no territ\u00f3rio do Chade. E isto naturalmente cria um relacionamento complexo entre os pa\u00edses. Agora, o que me parece indiscut\u00edvel \u00e9 que o grande esfor\u00e7o da comunidade internacional, no presente momento tem que ser de press\u00e3o sobre todas as partes, sobre o governo, sobres os v\u00e1rios movimentos rebeldes, para que rapidamente cheguem a um acordo de paz. E \u00e9 esse clima que eu espero que uma cimeira como esta possa ajudar a criar. N\u00e3o deixa de ser curioso que tenha havido at\u00e9 agora uma \u00fanica cimeira Euro Africana, e que essa cimeira tenha ocorrido durante a presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia. E eu recordo-me qu\u00e3o dif\u00edcil foi, lembro-me de debates parlamentares em que diziam, ridicularizando o governo, que a cimeira n\u00e3o podia ser realizada, foi muito dif\u00edcil, finalmente conseguiu-se. E agora \u00e9 de novo uma presid\u00eancia portuguesa que est\u00e1 a fazer todos os esfor\u00e7os para uma nova cimeira Europa \u2013\u00c1frica. E entretanto nada aconteceu. O que \u00e9 tamb\u00e9m revelador de que a Europa como tal n\u00e3o tem querido assumir as suas responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o ao continente africano. O continente africano \u00e9 um continente v\u00edtima das mais diversas circunst\u00e2ncias, desde logo dos efeitos do pr\u00f3prio colonialismo, depois de ter sido um continente palco da guerra fria, enquanto as grandes pot\u00eancias se degladiavam, n\u00f3s pr\u00f3prios somos testemunhas de quanto isto foi evidente. E depois todo um conjunto de factores, de tens\u00e3o interna, de dificuldades de estabelecer o chamado \u201cbom governo\u201d. \u00c9 um continente que em grande medida tem passado \u00e0 margem da globaliza\u00e7\u00e3o, do progresso social, econ\u00f3mico, tecnol\u00f3gico. E \u00e9 um continente que exige um apoio maci\u00e7o, um investimento maci\u00e7o e uma compreens\u00e3o maci\u00e7a dos seus problemas. A Europa tem a\u00ed uma responsabilidade evidente, pela hist\u00f3ria e pela solidariedade que deve existir em qualquer caso. E a verdade \u00e9 que a Europa enquanto tal, independentemente dos esfor\u00e7os individuais, foi at\u00e9 agora incapaz de ter uma verdadeira estrat\u00e9gia para \u00c1frica e um verdadeiro empenhamento para ajudar os africanos a ultrapassar as grav\u00edssimas dificuldades que eles t\u00eam.  <i>Miss\u00e3o Press &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa Mission\u00e1ria<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Guterres, Alto Comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados, denuncia a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o sudanesa, apesar dos acordos de paz de Abuja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[101,154,189,193,203,206,237,266,291,314,318],"class_list":["post-25031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-africa","tag-crianca","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-nacoes-unidas","tag-refugiados","tag-solidariedade","tag-timor-leste"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25031\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}