{"id":25017,"date":"2007-05-29T13:38:19","date_gmt":"2007-05-29T13:38:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/29\/o-belo-uma-experiencia-de-eternidade-e-de-divino\/"},"modified":"2007-05-29T13:38:19","modified_gmt":"2007-05-29T13:38:19","slug":"o-belo-uma-experiencia-de-eternidade-e-de-divino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-belo-uma-experiencia-de-eternidade-e-de-divino\/","title":{"rendered":"O Belo: uma experi\u00eancia de eternidade e de divino"},"content":{"rendered":"<p>Depois de se reflectir sobre a verdade e o bem, o ciclo de confer\u00eancias \u201cEis o Homem\u201d, da responsabilidade do Patriarcado de Lisboa, terminou com uma confer\u00eancia sobre o belo.   Jorge Silva Melo come\u00e7ou por considerar que o artista faz entender aos outros o que entende. O Director Art\u00edstico da sociedade Artistas Unidos relembrou Diderot, pois este referia-se in\u00fameras vezes \u00e0 C\u00fapula da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro como uma coisa imposs\u00edvel, \u201cuma experi\u00eancia est\u00e9tica que considerou ser um esc\u00e2ndalo, que considerava belo porque ultrapassava as necessidades, porque a sua concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o era necess\u00e1ria para as coisas pr\u00e1ticas\u201d. No S\u00e9c. XVIII, continuou, o que \u00e9 belo \u201c\u00e9 aquilo que \u00e9 justo e adequado. Nos anos 20, j\u00e1 no S\u00e9c. XX, no cinema, um plano era belo pela sua adequa\u00e7\u00e3o, a justeza correspondia \u00e0 beleza\u201d. A beleza pode-se adequar ao bem, \u201csendo esta a ponte que nos liga ao bem, a adequa\u00e7\u00e3o\u201d.   Actualmente \u201co belo j\u00e1 n\u00e3o interessa, mas antes o s\u00f3rdido e o feio\u201d. O belo est\u00e1 no limite da verdade. \u201cA verdade vai deitando abaixo o que antes consideramos belo. Algumas obras belas v\u00e3o sendo recuperadas porque novos elementos surgem para nos iluminar e voltar a considerar o passado &#8211; \u00e9 o renascer\u201d.   \u201cO que me parece ser o trabalho de quem cria \u00e9 que, e estando n\u00f3s em tempo de Pentecostes, poucos conseguem em alguma coisa, ir transformando. O que os artistas oferecem sempre, o belo como norma como aproxima\u00e7\u00e3o do justo e bem, ou como destru\u00eddo pela verdade, ou transformado numa santa verdade, aparece como um trabalho militante de quem quer encontrar as novas formas\u201d.  O Director da Cinemateca Portuguesa iniciou a sua participa\u00e7\u00e3o na confer\u00eancia com tr\u00eas quest\u00f5es. \u201cPorqu\u00ea e o que chamamos belo, o que faz todos estarmos de acordo que este s\u00edtio &#8211; referindo-se \u00e0 S\u00e9 Catedral de Lisboa -, mesmo que n\u00e3o estivesse afecta ao culto, imp\u00f5e pela sua estrutura, o sentimento do belo?\u201d   E prosseguiu. \u201cPorque \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 na religi\u00e3o cat\u00f3lica mas em todas as religi\u00f5es os templos e lugares de ora\u00e7\u00e3o foram lugares de beleza?\u201d, referindo-se a exemplos do Ocidente a Oriente, da Gr\u00e9cia antiga, \u201cos grande templos s\u00e3o sempre das grandes obras dessas civiliza\u00e7\u00f5es? Um lugar para rezar e n\u00e3o para ver uma coisa bela?\u201d   E terceira quest\u00e3o &#8211; \u201cSe lermos os Evangelhos, n\u00e3o h\u00e1 praticamente refer\u00eancias est\u00e9ticas, n\u00e3o se diz se Jesus Cristo era ou n\u00e3o belo\u201d, e afirmou apenas ter encontrado uma excep\u00e7\u00e3o no momento em que Cristo faz a compara\u00e7\u00e3o entre os l\u00edricos do campo e as vestes do Rei Salom\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 abordado directamente, mas fica impl\u00edcito\u201d, explica Jo\u00e3o B\u00e9nard da Costa.  Todas as perguntas apontam para \u201ca mesma ordem de mist\u00e9rio\u201d. Ao colocar a quest\u00e3o, em todas as medita\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o belo, \u201co que \u00e9 a imutabilidade ou perman\u00eancia do belo, como se estabelecem conceitos em torno do belo\u201d, o Director da Cinemateca Portuguesa aponta que \u201ctudo \u00e9 relativo, o belo hoje deixar\u00e1 de o ser amanh\u00e3, porque o c\u00f3digo de beleza muda\u201d. Mas ao mesmo tempo aponta que \u201cencontramos o desmentido permanente a isso mesmo, porque uma est\u00e1tua grega, apesar de transformada ou contestada, continua a ser o mesmo ideal\u201d.   \u201cA beleza cada vez se percebe menos e n\u00e3o mais\u201d, reflectiu. O fundamental do encontro surge na \u201cordem do mist\u00e9rio e perfeitamente inexplic\u00e1vel\u201d. A arte \u201cn\u00e3o permitia admitir um crit\u00e9rio ou termo\u201d.   Plat\u00e3o entendeu que \u201cn\u00e3o era s\u00f3 no mundo sens\u00edvel que o belo se impunha\u201d. Surgindo daqui nova interroga\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o B\u00e9nard da Costa questionou &#8211; \u201chaver\u00e1 beleza noutro mundo para quem acredita nele? A bondade e verdade podem existir fora de um contexto sens\u00edvel? Mas num mundo s\u00f3 belo ou s\u00f3 de bondade perdia-se o conceito de belo e de bondade\u201d, acrescenta, pois considera que \u201ca obra de arte \u00e9 uma compensa\u00e7\u00e3o a um terror que a vida inspira\u201d, valores que \u201cn\u00e3o existem fora do nosso mundo sens\u00edvel\u201d.  Jo\u00e3o B\u00e9nard da Costa recorda um quadro portugu\u00eas, de autor que afirma desconhecer, que representa o momento em que Pilatos apresenta Cristo \u00e0 multid\u00e3o, eis o homem &#8211; Ecce Homo. \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o outros, que representem a mesma cena onde Cristo tem os olhos fechados\u201d, e explica que nesse momento da condena\u00e7\u00e3o, em que se cumpre o que estava destinado, \u201cs\u00f3 h\u00e1 as trevas e a morte, e a beleza desaparece\u201d. Por isso conclui que a beleza \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da vida e \u201cda nossa vida sens\u00edvel, da nossa carnalidade e da nossa sensibilidade, algo que ultrapassa a nossa pr\u00f3pria dimens\u00e3o\u201d.  No final, o Cardeal D. Jos\u00e9 Policarpo referir que a ac\u00e7\u00e3o central da Igreja se podia resumir em dois verbos &#8211; convencer e atrair. \u201cConvencer \u00e9 o objectivo da palavra, atrair \u00e9 inevitavelmente o efeito da beleza. A palavra convence, a beleza atrai\u201d.  Discordando com Jo\u00e3o B\u00e9nard da Costa, acerca da aus\u00eancia de express\u00f5es da beleza de Jesus Cristo, D. Jos\u00e9 Policarpo recordou algumas passagens \u201cirresistivelmente atraentes\u201d.   \u201cPorque que \u00e9 que os tempos s\u00e3o belos? Pod\u00edamos continuar a pergunta e chegar at\u00e9 \u00e0 quest\u00e3o de porque \u00e9 que a liturgia deve ser bela? Porque \u00e9 que esta noite foi bela? E porque \u00e9 que a Igreja n\u00e3o se limitou a tentar convencer, mas percebeu sempre que era preciso atrair e inevitavelmente p\u00f5e a quest\u00e3o da beleza e da verdade\u201d, considerou.   Jo\u00e3o Paulo II chamou \u201co esplendor da verdade\u201d ao amor praticado pelos crist\u00e3os. A palavra e a beleza \u201cs\u00e3o duas linguagens de abordagem do mist\u00e9rio, da revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio. A palavra revela, a beleza desvela\u201d, afirmou o Cardeal patriarca, que considerou a beleza \u201cuma experi\u00eancia de eternidade e de divino\u201d.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de se reflectir sobre a verdade e o bem, o ciclo de confer\u00eancias \u201cEis o Homem\u201d, da responsabilidade do Patriarcado de Lisboa, terminou com uma confer\u00eancia sobre o belo. Jorge Silva Melo come\u00e7ou por considerar que o artista faz entender aos outros o que entende. 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