{"id":25011,"date":"2007-05-29T11:19:07","date_gmt":"2007-05-29T11:19:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/29\/auschwitz-consentido\/"},"modified":"2007-05-29T11:19:07","modified_gmt":"2007-05-29T11:19:07","slug":"auschwitz-consentido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/auschwitz-consentido\/","title":{"rendered":"Auschwitz consentido"},"content":{"rendered":"<p>Temos direito a perguntar-nos se a justi\u00e7a e a paz s\u00e3o acontecimentos com d\u00e9fice ou com excesso de informa\u00e7\u00e3o. As imagens de viol\u00eancia despertam-nos para a urg\u00eancia da paz ou dela nos desinteressam pela insensibilidade que geram face \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o excessiva dos dramas humanos? E como lemos, para al\u00e9m da n\u00e1usea ou do apego ao espect\u00e1culo, a rela\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a com a paz, do desenvolvimento com a harmoniza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, da pobreza com a destrui\u00e7\u00e3o, do terror com as situa\u00e7\u00f5es opressivas pr\u00f3ximas ou long\u00ednquas de pa\u00edses, culturas, religi\u00f5es, imp\u00e9rios de tirania, riquezas usurpadas aos mais fracos, esquecimentos geradores de revoltas, tens\u00f5es pr\u00f3ximas da explos\u00e3o por excesso de sil\u00eancio e cumplicidade dos mais capazes de fazer funcionar uma justi\u00e7a para todos? N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o mundo j\u00e1 foi muito pior do que \u00e9 hoje. H\u00e1 passos gigantes j\u00e1 andados no debelar de enfermidades e car\u00eancias extremas em tantos recantos da terra. H\u00e1 sinais de pobrezas vencidas, com caminhos fraternos de desenvolvimento. Mesmo com o desequil\u00edbrio do mapa Norte-Sul &#8211; um esc\u00e2ndalo cuja vergonha deve ser repartida por todos &#8211; n\u00e3o podemos dispensar a justi\u00e7a no julgamento do que j\u00e1 foi feito por uma melhor reparti\u00e7\u00e3o de todos os bens essenciais a cada povo e a cada indiv\u00edduo. Mas a verdade \u00e9 que o conforto de alguns \u2013 poucos &#8211; na casa comum que \u00e9 a Terra, gera desleixos no olhar e no agir, no sentir e no lutar por uma reparti\u00e7\u00e3o mais justa dos bens. N\u00e3o se trata duma quest\u00e3o secund\u00e1ria do nosso tempo, nem duma fatalidade entregue \u00e0s leis cegas do mercado. N\u00e3o se trata duma quest\u00e3o de consci\u00eancias mais sens\u00edveis ou marcadas por escr\u00fapulos religiosos. As manchas de pobreza e mis\u00e9ria, de esmagamento e humilha\u00e7\u00e3o de povos, culturas e religi\u00f5es, s\u00e3o um Auschwitz consentido pelo mundo moderno teoricamente sens\u00edvel a valores e direitos humanos, mas confuso na sua an\u00e1lise e t\u00edbio na sua aplica\u00e7\u00e3o. Estamos perante uma quest\u00e3o de cidadania, perten\u00e7a da humanidade, responsabilidade de todos e cada um, quest\u00e3o central na consci\u00eancia do mundo de hoje. A cada um \u00e9 colocada a dram\u00e1tica pergunta: \u201cquantos p\u00e3es tendes?\u201d Neste terreno se moveu a Confer\u00eancia da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz. E mais de uma dezena de organismos que reflecte estas quest\u00f5es com car\u00e1cter de urg\u00eancia do nosso tempo. O problema \u00e9 fazer chegar esta sensibilidade a quem de direito. Ou seja a todos n\u00f3s. E a cada um. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos direito a perguntar-nos se a justi\u00e7a e a paz s\u00e3o acontecimentos com d\u00e9fice ou com excesso de informa\u00e7\u00e3o. As imagens de viol\u00eancia despertam-nos para a urg\u00eancia da paz ou dela nos desinteressam pela insensibilidade que geram face \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o excessiva dos dramas humanos? 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