{"id":25009,"date":"2007-05-29T11:14:58","date_gmt":"2007-05-29T11:14:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/29\/ensino-religioso-escolar\/"},"modified":"2007-05-29T11:14:58","modified_gmt":"2007-05-29T11:14:58","slug":"ensino-religioso-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ensino-religioso-escolar\/","title":{"rendered":"Ensino Religioso Escolar"},"content":{"rendered":"<p>Poder\u00e1 um projecto educativo de uma escola moderna, laica, aberta, estatal alhear-se do contributo que o ensino religioso pode dar? <!--more--> Vivemos num tempo de globaliza\u00e7\u00e3o, de pluralismo, de multiculturalidade e de Cidadania Universal. Assistimos a um agudizar do \u201cindividualismo\u201d acompanhado de fortes tend\u00eancias secularizadoras e materialistas. Tendo em conta este contexto, a escola tornou-se um espa\u00e7o de exig\u00eancias acrescidas que apressaram a eros\u00e3o de esquemas de funcionamento centrados essencialmente na instru\u00e7\u00e3o e real\u00e7aram preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas com a necessidade da educa\u00e7\u00e3o \u201ccontribuir para a realiza\u00e7\u00e3o do educando, atrav\u00e9s do pleno desenvolvimento da personalidade, da forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter e da cidadania, preparando-o para uma reflex\u00e3o consciente sobre os valores espirituais, est\u00e9ticos, morais e c\u00edvicos e proporcionando-lhe um equilibrado desenvolvimento f\u00edsico\u201d (LBSE, Lei n\u00ba 49\/005, art\u00ba3). Falar em educa\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, abordar a quest\u00e3o dos valores, \u00e9 reflectir sobre valores \u00e9tico-morais e sobre a sua hierarquiza\u00e7\u00e3o. Nesta linha, as perguntas: para qu\u00ea educar? e para qu\u00ea ensinar valores? podem fundir-se numa s\u00f3, pois t\u00eam a ver com as grandes finalidades da educa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o com e para os valores implica, por isso, a aus\u00eancia de fundamentalismos (n\u00e3o impor ou inculcar valores) e exige a humildade s\u00e9ria da reflex\u00e3o, do di\u00e1logo, da coopera\u00e7\u00e3o e da honestidade. Estas exig\u00eancias aplicam-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a todos os intervenientes nesse processo.  <b>Escola e Religi\u00e3o<\/b> \u00c9 aqui que se destaca (deve-se destacar) a presen\u00e7a do Ensino Religioso no contexto educativo estatal, ou, dito de outro modo, o Ensino Religioso Escolar (ERE) cujo objectivo principal \u00e9 \u201csuscitar e favorecer a harmonia pessoal\u201d, ajudando \u201ca formar pessoas felizes e realizadas\u201d e a reconhecerem a \u201ccomponente religiosa, como factor insubstitu\u00edvel para o seu crescimento em humanidade e em liberdade\u201d, apresentando igualmente \u201ca mensagem e o acontecimento crist\u00e3o\u201d. A presen\u00e7a do Ensino Religioso nas escolas estatais (n\u00e3o se reduz \u00e0 Escola Cat\u00f3lica) n\u00e3o \u00e9, por isso, uma proposta educativa amb\u00edgua, nem neutra e afirma n\u00e3o ser poss\u00edvel um processo educativo sem refer\u00eancias, sem projecto e sem valores. Ao contr\u00e1rio de outras propostas \u201cperdidas\u201d num emaranhado de ideologias, (pre)conceitos, princ\u00edpios e (pseudo)valores, o ERE assenta na vis\u00e3o crist\u00e3 da pessoa e da sociedade (alicerces da civiliza\u00e7\u00e3o europeia) que se abre \u00e0 universalidade e na Pessoa de Jesus Cristo (vida, exemplo, ensinamentos) como alicerces para a sua proposta educativa. A escola do nosso tempo sabe que tem por tarefa primordial a forma\u00e7\u00e3o da pessoa na sua totalidade e a plena maturidade das suas potencialidades. Sabe tamb\u00e9m que a sua proposta educativa, para ser consistente, precisa de um enraizamento numa tradi\u00e7\u00e3o de valores que lhe confira identidade e projecto. A forma\u00e7\u00e3o das pessoas, a come\u00e7ar pelas crian\u00e7as, n\u00e3o se faz no vazio; precisa de promover todos os valores aut\u00eanticos e perenes da humanidade e da civiliza\u00e7\u00e3o, onde naturalmente se integra a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, portadora de uma mundivid\u00eancia pr\u00f3pria que aponta um caminho preciso de realiza\u00e7\u00e3o humana numa constante abertura \u00e0 Transcend\u00eancia. Neste contexto, o ERE d\u00e1 um contributo espec\u00edfico para qualidade da educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se limita \u00e0 dimens\u00e3o instrucional, mas atende ao desenvolvimento global e integral da pessoa e \u00e0 multiplicidade de todas as suas dimens\u00f5es constitutivas. Assume princ\u00edpios fundamentais, tais como: a dignidade da pessoa humana, o car\u00e1cter sagrado da vida, a fraternidade universal, a conviv\u00eancia pac\u00edfica, o servi\u00e7o ao bem comum. Promove a qualidade da rela\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, a capacidade de ir mais longe, ultrapassar a perspectiva superficial e epid\u00e9rmica das coisas e da vida e abrir os olhos dos jovens para a profundidade e interioridade das coisas e da vida.  <b>Sinais dos tempos<\/b> O ERE prop\u00f5e grelhas de leitura dos \u201csinais dos tempos\u201d, ou seja, \u201cinstrumentos\u201d que permitem aos alunos olhar para as mudan\u00e7as que ocorrem no Mundo de hoje, procurando compreender as raz\u00f5es, as causas e as origens destas mesmas transforma\u00e7\u00f5es. Apresenta uma vis\u00e3o cr\u00edtica desta sociedade (vis\u00e3o prof\u00e9tica), ajudando os alunos a fazerem uma leitura correcta desta e facilitando a sua inser\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel no meio social. N\u00e3o \u00e9 nem pode ser apenas reprodutora do socialmente correcto, nem instigadora do revolucionariamente desej\u00e1vel O essencial \u00e9, ent\u00e3o, definir bem os valores e os objectivos (pedag\u00f3gicos e humanistas) sobre os quais desejamos construir a nossa escola, n\u00e3o de uma forma abstracta num universo intemporal e desencarnado, mas na sociedade pluralista e multicultural de hoje, onde muitos jovens andam em busca de sentido. O ERE ousa propor a todos esses um sentido, um caminho. N\u00e3o pode deixar de o fazer. Se o n\u00e3o fizer nega a raz\u00e3o da sua exist\u00eancia e a fonte da sua autenticidade. O ERE deve ter, como afirma Jo\u00e3o Paulo II, \u201cum objectivo comum: promover o conhecimento e o encontro com o conte\u00fado da f\u00e9 crist\u00e3, segundo as finalidades e os m\u00e9todos pr\u00f3prios da escola e, portanto, como facto de cultura. Esse ensino dever\u00e1 fazer conhecer de maneira documentada e com esp\u00edrito aberto ao di\u00e1logo, o patrim\u00f3nio objectivo do Cristianismo, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e integral que lhe \u00e9 dada pela Igreja Cat\u00f3lica, de modo a garantir quer o car\u00e1cter cient\u00edfico do processo did\u00e1ctico pr\u00f3prio da escola, quer o respeito pelas consci\u00eancias dos alunos\u201d (15 de Abril de 1991). Pode, ent\u00e3o, dizer-se que o ERE promove a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o escolar que tem por base a pessoa, \u00e9 fundada nas rela\u00e7\u00f5es, baseada na esperan\u00e7a e no servi\u00e7o aos outros. Coloca o cuidado antes da efici\u00eancia, as pessoas antes dos recursos, os outros antes do eu e a (com)paix\u00e3o antes do desempenho. Estes termos n\u00e3o devem ser vistos como alternativas, mas trata-se de sublinhar o que \u00e9 priorit\u00e1rio, sem a inten\u00e7\u00e3o de subestimar os outros. Trata-se, portanto, de um contributo para fazer da escola uma verdadeira comunidade e de ajudar os jovens a desenvolverem a sua personalidade de forma global e harmoniosa. Nesta sua tarefa, serve-lhe de itiner\u00e1rio e ponto de refer\u00eancia a experi\u00eancia do Povo da Alian\u00e7a, chamado por Deus a encontrar a \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d na experi\u00eancia da comunh\u00e3o com Deus e com os outros homens reconhecidos como irm\u00e3os.  O ERE procura orientar a cultura humana para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa, possibilitando que o conhecimento, o mundo, a vida e a Humanidade sejam iluminados pela proposta crist\u00e1 assente na f\u00e9 em Cristo. E a f\u00e9 \u00e9 uma for\u00e7a profundamente personalizante, onde cada homem se descobre como pessoa. Assim, se educar foi sempre a arte mais nobre, \u201ceducar integralmente \u00e9 o ideal mais ambicioso, j\u00e1 que procura obter a mais bela das maravilhas: uma pessoa humana bem formada\u201d (CEP, 2002). Portanto, em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em causa a produ\u00e7\u00e3o de objectos, em educa\u00e7\u00e3o existe um sentido mais profundo que guia e orienta os esfor\u00e7os educativos: a forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa do aluno. Uma educa\u00e7\u00e3o (uma escola) que quer realizar esta forma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 necessariamente por base a pessoa, fundar-se-\u00e1 em rela\u00e7\u00f5es, orientar-se-\u00e1 pelo futuro da esperan\u00e7a e ser\u00e1 alicer\u00e7ada nos princ\u00edpios da responsabiliza\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o. Neste \u00e2mbito, o ERE assume claramente uma perspectiva educativa Personalizadora, ou seja, centra-se na pessoa do aluno, contribui para que ele seja mais pessoa. Procura, na limita\u00e7\u00e3o das suas possibilidades, responder de forma pessoal aos ideais de cada aluno. Alimentar o sonho sem desfalecer. Deixar crescer o sonho de cada aluno de modo a que, de repente, este possa sentir que ele existe sem sonhar! Que \u00e9 tempo de lutar e de procurar a felicidade. Que \u00e9 tempo de perceber a fragilidade da vida, que nasce de um sopro, de um desejo, e sentir a sua grandeza que lhe adv\u00e9m da for\u00e7a de querer n\u00e3o parar de viver. \u00c9 ousar viver sem se limitar a repetir de forma est\u00e9ril caminhos j\u00e1 tra\u00e7ados. Este \u00e9 o desafio! Ensinar a sonhar. Ensinar a desfrutar o prazer do Saber e da Sabedoria. Erguer as m\u00e3os e ter o c\u00e9u como horizonte. Ser pessoa a tempo inteiro. Assim, poder\u00e1 um projecto educativo de uma escola moderna, laica, aberta, estatal alhear-se do contributo que o ensino religioso pode dar para esse \u201cdesenvolvimento global\u201d da personalidade dos jovens? Achamos que n\u00e3o, sob pena de a pr\u00f3pria escola n\u00e3o atingir os objectivos e as finalidades que justificam a sua exist\u00eancia. <i>Marco Gomes Director pedag\u00f3gico da APEL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder\u00e1 um projecto educativo de uma escola moderna, laica, aberta, estatal alhear-se do contributo que o ensino religioso pode dar?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,193,237,285],"class_list":["post-25009","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-educacao","tag-joao-paulo-ii","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25009\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}