{"id":24988,"date":"2007-05-28T14:37:31","date_gmt":"2007-05-28T14:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/28\/a-igreja-e-o-primeiro-fruto-visivel-da-accao-do-espirito-santo\/"},"modified":"2007-05-28T14:37:31","modified_gmt":"2007-05-28T14:37:31","slug":"a-igreja-e-o-primeiro-fruto-visivel-da-accao-do-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-e-o-primeiro-fruto-visivel-da-accao-do-espirito-santo\/","title":{"rendered":"\u00abA Igreja \u00e9 o primeiro fruto vis\u00edvel da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca de Lisboa na Solenidade do Pentecostes , 27 de Maio de 2007  <!--more--> 1. O Pentecostes, como \u00e9 narrado nos Actos dos Ap\u00f3stolos, aparece-nos como a visibilidade de um mist\u00e9rio insond\u00e1vel e discreto, o Esp\u00edrito Santo como plenitude dos dons de Deus, a sua presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o na realidade humana da Igreja e no cora\u00e7\u00e3o de cada crist\u00e3o. Ao natural desejo daqueles que escutam e seguem o Senhor de O verem e sentirem, Deus respondeu bondosamente com experi\u00eancias de visibilidade do Seu mist\u00e9rio e da Sua solicitude amorosa, sob formas adaptadas a cada etapa da realiza\u00e7\u00e3o do Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o. Mois\u00e9s no Sinai, depois de pedir a Deus que acompanhe e esteja presente na caminhada do Povo, ousa implorar-lhe: Deixa-me ver o Teu rosto (cf. Ex. 33,15-17e18). Este desejo de Mois\u00e9s, Deus cumpri-lo-\u00e1 plenamente em Jesus Cristo. A encarna\u00e7\u00e3o do Verbo eterno \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima da visibilidade de Deus no meio do Seu Povo. Puderam contemplar o Seu rosto, sentir a for\u00e7a do Seu amor, escutar a Sua Palavra. O pr\u00f3prio Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o confessa: \u201cA Deus nunca ningu\u00e9m O viu. O Filho unig\u00e9nito, que est\u00e1 no seio do Pai, deu-no-l\u2019O a conhecer\u201d (Jo. 1,18). O pr\u00f3prio Jesus afirma a Sua identidade com o Pai: \u201cQuem Me v\u00ea, v\u00ea o Pai\u2026 Eu estou no Pai e o Pai est\u00e1 em Mim\u201d (Jo. 14,9-10). Com a Sua morte redentora, interrompe-se esta visibilidade de Deus. A ressurrei\u00e7\u00e3o pertence j\u00e1 ao mist\u00e9rio invis\u00edvel. H\u00e1 um tempo em que n\u00e3o Me vereis, mas depois voltareis a ver-Me (cf. Jo. 16,16). Mas para que os disc\u00edpulos pudessem ser testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o, o Senhor proporcionou-lhes, ainda, experi\u00eancias de visibilidade da Sua nova vida de ressuscitado, tal como permitiu que o vissem elevar-Se ao C\u00e9u, para junto do Pai. O Esp\u00edrito Santo \u00e9, depois da P\u00e1scoa, a nova forma de presen\u00e7a de Jesus no meio dos seus disc\u00edpulos. Mas era importante que estes o sentissem, experi\u00eancia sens\u00edvel marcante que gravar\u00e1 na mem\u00f3ria da Igreja a realidade da Sua presen\u00e7a cont\u00ednua.  2. O Pentecostes \u00e9 a plena realiza\u00e7\u00e3o do des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus, toda ela obra da Trindade, consistindo a sua plenitude na participa\u00e7\u00e3o dos homens na realidade da comunh\u00e3o de vida e de amor das Pessoas divinas. Como diz o Conc\u00edlio, \u201ca Igreja aparece como um Povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (LG. n\u00ba 4). Esta plenitude s\u00f3 se tornou poss\u00edvel na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, pois s\u00f3 unidos a Ele, formando com Ele um mesmo corpo, podemos penetrar na intimidade de Deus. \u00c9 porque fazemos um com Cristo, que podemos receber o Esp\u00edrito Santo, pois este \u00e9 uma realidade \u00edntima de Deus. S\u00f3 ao seu Filho o Pai pode comunicar o Esp\u00edrito; n\u00f3s recebemo-lo, porque somos um com Cristo, e ao receb\u00ea-lo, Ele radicaliza essa unidade com Cristo e faz-nos participar nessa experi\u00eancia insond\u00e1vel, que \u00e9 o amor do Deus amor. \u00c9 como nascer de novo, e o aprofundar, em n\u00f3s, dessa experi\u00eancia de amor \u00e9 fruto do facto de comungarmos, com Cristo, do Esp\u00edrito que o Pai nos d\u00e1. Nunca sentimos Deus e o Seu Filho t\u00e3o presentes em n\u00f3s como neste dom e ac\u00e7\u00e3o transformadora do Esp\u00edrito. A intensidade da sua presen\u00e7a dispensa a sua visibilidade. Esta \u00e9 a realidade da Igreja, como Povo do Senhor, este \u00e9 o desafio da santidade na vida de cada um de n\u00f3s: o nosso ser profundo, a nossa verdade e a nossa alegria, s\u00e3o obra criadora desse Esp\u00edrito de Deus. Se Jesus disse aos disc\u00edpulos \u201csem Mim nada podeis fazer\u201d, isto significa que sem o Esp\u00edrito que Ele nos d\u00e1 nada acontece em n\u00f3s da ordem do Reino de Deus. J\u00e1 S\u00e3o Paulo o reconhece na Carta aos Cor\u00edntios: \u201cNingu\u00e9m \u00e9 capaz de dizer \u00abJesus \u00e9 Senhor\u00bb a n\u00e3o ser pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d (1Cor. 12,3). O Esp\u00edrito Santo realiza na Igreja a obra da salva\u00e7\u00e3o, que as nossas melhores capacidades humanas s\u00e3o incapazes de realizar. Toda a vida crist\u00e3 \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo, e ignor\u00e1-lo \u00e9 esvaziar a vida crist\u00e3 do seu mist\u00e9rio e da sua beleza profunda. \u201cSem o Esp\u00edrito Santo, Deus fica longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho \u00e9 letra morta; a Igreja \u00e9 uma simples organiza\u00e7\u00e3o; a autoridade \u00e9 um poder; a miss\u00e3o \u00e9 propaganda; o culto, uma velharia; e o agir moral um agir de escravos\u201d. Esta ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo exprimiu-se, sobretudo, na fecundidade sacramental da Igreja. \u00c9 o Esp\u00edrito que realiza a Eucaristia, actualiza\u00e7\u00e3o, pela Igreja, da oferta pascal de Cristo. Antes da consagra\u00e7\u00e3o, o sacerdote reza assim: \u201csantificai estes dons, derramando sobre eles o vosso Esp\u00edrito, de modo que se convertam, para n\u00f3s, no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d. \u00c9 por Ele que a Igreja perdoa os pecados, como ouvimos agora na leitura do Evangelho: \u201cDito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: \u201crecebei o Esp\u00edrito santo; os pecados ficar\u00e3o perdoados \u00e0queles a quem os perdoardes\u201d (Jo. 20,23). Todo o agir e toda a fecundidade da Igreja s\u00e3o sobrenaturais por natureza. Esquec\u00ea-lo \u00e9 reduzir a Igreja a uma dimens\u00e3o natural, obra das nossas m\u00e3os, mesmo exprimindo o melhor de que somos capazes.  3. Esta ac\u00e7\u00e3o misteriosa, porque sobrenatural, do Esp\u00edrito Santo, n\u00e3o se justap\u00f5e \u00e0 ac\u00e7\u00e3o humana da Igreja, antes a eleva, conduzindo-a \u00e0 sua verdade total. \u00c9 assim com a prega\u00e7\u00e3o e o testemunho apost\u00f3lico: a nossa palavra humana, por mais sincera e convicta que seja, \u00e9 incapaz de comunicar a f\u00e9. Esta \u00e9 fruto da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que exprime, atrav\u00e9s da palavra humana, a sua capacidade de transformar os cora\u00e7\u00f5es. \u00c9, sobretudo, assim, com o amor. Amar \u00e9 a mais bela das capacidades humanas. Mas o amor humano, o mais aut\u00eantico, \u00e9 incapaz de se transformar em caridade, a maneira de Deus amar derramada nos nossos cora\u00e7\u00f5es. Confundir o amor humano com a caridade \u00e9 o mais grave sinal de quem n\u00e3o conta com a novidade da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na sua vida. Mas pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o amor humano torna-se caridade. E o que dizer da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito na nossa busca de fidelidade e de autenticidade? Nas dificuldades, ele \u00e9 for\u00e7a; nas d\u00favidas, \u00e9 luz; no des\u00e2nimo, \u00e9 alento; no sofrimento, \u00e9 consola\u00e7\u00e3o; na morte, \u00e9 esperan\u00e7a; na tristeza, \u00e9 promessa de alegria. Porque Ele \u00e9 sempre, em ac\u00e7\u00e3o, no concreto da nossa vida, a presen\u00e7a amorosa de Deus, manifesta\u00e7\u00e3o da solicitude de Jesus Cristo, nosso Bom Pastor.  4. Queridos jovens que ides ser confirmados, atrav\u00e9s deste sacramento da Igreja, ides receber o dom mais precioso de Deus, j\u00e1 prometido no dia do vosso Baptismo, garantia da vossa fidelidade e da vossa felicidade, fonte das surpresas mais maravilhosas que a vida vos proporcionar\u00e1. Quando, ao ungir a vossa fronte, eu vos disser, \u201crecebe, por este sinal, o Esp\u00edrito Santo, o dom de Deus\u201d, v\u00f3s sentireis, como nunca, que sois de Jesus Cristo desde o vosso Baptismo, pois Deus s\u00f3 d\u00e1 este dom do Esp\u00edrito ao Seu Filho Jesus e \u00e0queles que lhe pertencem e com Ele formam um s\u00f3 corpo.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca de Lisboa na Solenidade do Pentecostes , 27 de Maio de 2007<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[275],"class_list":["post-24988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24988\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}