{"id":24967,"date":"2007-05-28T10:52:30","date_gmt":"2007-05-28T10:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/28\/sinais-vivos-da-vida-ressuscitada\/"},"modified":"2007-05-28T10:52:30","modified_gmt":"2007-05-28T10:52:30","slug":"sinais-vivos-da-vida-ressuscitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinais-vivos-da-vida-ressuscitada\/","title":{"rendered":"Sinais vivos da vida ressuscitada"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto no DOmingo de Pentecostes <!--more--> Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s  Aqui nos encontramos de novo, na novidade constante do Esp\u00edrito de Deus. Aqui nos encontramos decerto, para a experi\u00eancia leg\u00edtima e autenticamente crist\u00e3 da presen\u00e7a do Ressuscitado entre os seus; e seus porque vivem do mesmo Esp\u00edrito que Ele recebe do Pai e nos comunica a n\u00f3s. Nenhum de n\u00f3s, de facto, nenhum de n\u00f3s, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s estaria hoje aqui, nesta bendita catedral do Porto, se o Esp\u00edrito Santo de Cristo e do Pai n\u00e3o o trouxesse c\u00e1&#8230;  Claro que poder\u00edamos pensar mais ou menos assim: vim para cumprir o preceito dominical. E estaria certo. Ou tamb\u00e9m assim: vim porque \u00e9 Pentecostes, e quero concluir o tempo pascal com o meu bispo, na sua e nossa catedral. E seria louv\u00e1vel. Ou ainda: vim para ser crismado, ou para acompanhar algum familiar ou amigo que o vai ser nesta celebra\u00e7\u00e3o. E tudo estaria bem e consequente. Ainda que n\u00e3o bastasse. N\u00e3o bastaria, realmente. Porque nada explicaria que, ano ap\u00f3s ano, s\u00e9culo ap\u00f3s s\u00e9culo, quase dois mil\u00e9nios depois, tantos nos reun\u00edssemos por um motivo humanamente t\u00e3o gratuito e socialmente t\u00e3o inusitado. Ou seja, para lembrar algo acontecido com um pequen\u00edssimo grupo de disc\u00edpulos de um jovem rabi judeu, que tinha sido crucificado e sepultado. Nada explicaria esta celebra\u00e7\u00e3o, pois nunca tal aconteceu com acontecimentos muito mais vistosos e at\u00e9 espectaculares, lembrados durante alguns anos e olvidados depois pela inevit\u00e1vel \u201clei da morte\u201d. Estamos ent\u00e3o aqui, amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, porque a aut\u00eantica \u201catrac\u00e7\u00e3o universal\u201d do Esp\u00edrito Santo de Deus nos traz aos sinais vivos da presen\u00e7a de Cristo, vencedor da morte e restaurador de toda a exist\u00eancia da humanidade e do mundo. O Esp\u00edrito que procede do Pai, para nos conduzir a Cristo; o Esp\u00edrito que procede de Cristo, para nos reconduzir ao Pai, incluindo-nos assim na comunh\u00e3o da vida \u00edntima de Deus, de onde tudo parte como dom, aonde tudo se realiza como finalidade e sentido. E porque Deus n\u00e3o \u00e9 um princ\u00edpio abstracto e s\u00f3, mas uma vida partilhada e din\u00e2mica, circulando entre o Pai e o Filho no amor m\u00fatuo do Esp\u00edrito, \u00e9 que apenas em comunh\u00e3o O podemos experimentar tamb\u00e9m, na vida circulante entre todos n\u00f3s, a\u00ed sim, \u00e0 \u201cimagem e semelhan\u00e7a\u201d de Deus. Quer isto dizer, em Igreja.   Oi\u00e7amos ent\u00e3o, releiamos de novo: \u201cNa tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os disc\u00edpulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: \u2018A paz esteja convosco\u2019. Dito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado. Os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor\u201d. At\u00e9 aqui a experi\u00eancia pascal, como nunca mais a deix\u00e1mos de fazer. E aten\u00e7\u00e3o ao evangelista: diz-nos que era o primeiro dia da semana, ou seja, o dia a seguir ao s\u00e1bado judaico, que para n\u00f3s passou a ser o Domingo, palavra que quer dizer \u201cDia do Senhor\u201d; diz-nos tamb\u00e9m que estavam cheios de medo e de portas fechadas, coisa perfeitamente natural, pois lhes tinham tirado e morto o seu Jesus e era sempre poss\u00edvel fazerem-lhes o mesmo a eles; e ainda \u2013 e sobretudo \u2013 que, espanto dos espantos, eis que, mesmo continuando as portas fechadas, O viram ali, no meio deles, com os sinais da sua morte, mas pleno de vida e irradiando paz\u2026 Foi assim com eles, naquele primeir\u00edssimo dia. \u00c9 assim connosco, precisamente assim, neste dia de P\u00e1scoa e Pentecostes, nesta igreja catedral e sempre e onde, em toda a redondeza do mundo, se reunirem disc\u00edpulos de Cristo. Conforme a promessa: \u201cOnde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles\u201d.  &#8211; Ent\u00e3o e os medos, n\u00e3o os temos tamb\u00e9m? Ent\u00e3o e as portas, n\u00e3o as temos trancadas? N\u00e3o falo dos medos de h\u00e1 dois mil\u00e9nios, falo dos de agora. N\u00e3o aponto as portas grandes desta catedral, adivinho sim as dos cora\u00e7\u00f5es\u2026 Car\u00edssimos irm\u00e3os, estimados crismandos: como s\u00e3o grandes, certas e definitivas a liberdade e a alegria crist\u00e3s! Brotam da vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte, vit\u00f3ria verdadeira sobre uma morte igualmente real e atroz. O Ressuscitado trazia as chagas que n\u00e3o iludira; eram agora sinais de vit\u00f3ria. Da vit\u00f3ria dum amor total e vitorioso, que enchera de vida um abismo de morte, a que ali\u00e1s n\u00e3o fugira. E eles ficaram cheios de alegria, vendo-O precisamente assim. Como nunca mais deixaram nem deixamos de ficar, finalmente livres dos \u00faltimos medos.  Car\u00edssimos irm\u00e3os e crismandos, tendes em cada altar imagens de santos e santas, de tempos e lugares t\u00e3o variados. Une-os a todos &#8211; fossem ap\u00f3stolos, fossem m\u00e1rtires, fossem da sua terra ou de fora, fossem novos fossem velhos -, une-os a todos a vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte, que os fez venc\u00ea-la tamb\u00e9m, assim como aos medos reais e imagin\u00e1rios que sempre nos agoiram a vida. Une-os a todos o amor de Cristo, que os tocou e sarou, que os levantou e fez partir, ao encontro do Pai e dos irm\u00e3os, na lufada revigorante do Esp\u00edrito. Do Esp\u00edrito que aqui nos trouxe, do Esp\u00edrito que dentro de momentos vos confirmar\u00e1 tamb\u00e9m. Sendo jovens, sabeis como a liberdade seduz a imagina\u00e7\u00e3o e parece justificar tudo e mais alguma coisa. Sabeis at\u00e9 como o abuso dela se torna no seu contr\u00e1rio, fazendo-nos realmente cativos do que a destr\u00f3i e nos destr\u00f3i a n\u00f3s. Falo da liberdade como mera disponibilidade para fazer isto ou aquilo. Fraca liberdade, grande caricatura\u2026 Mas, sendo crist\u00e3os, sabeis sobretudo da grande alegria que os primeiros tiveram, quando experimentaram a liberdade de Cristo, toda preenchida das vit\u00f3rias do amor, porque \u201ca felicidade est\u00e1 mais no dar do que no receber\u201d, como Ele fez e disse.   A esta descoberta essencial os levou tamb\u00e9m o Esp\u00edrito. Ouvimo-lo de seguida: \u201cJesus disse-lhes de novo: \u2018A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u2019. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: \u2018Recebei o Esp\u00edrito Santo: \u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados; e \u00e0queles a quem os retiverdes ser-lhes-\u00e3o retidos\u2019\u201d. A paz, de novo e sempre. A paz, que unicamente se estabelece no amor que vence a morte. N\u00e3o chega a dos tratados, se n\u00e3o h\u00e1 a dos cora\u00e7\u00f5es. E o perd\u00e3o, igualmente, pois n\u00e3o h\u00e1 paz nos cora\u00e7\u00f5es que n\u00e3o perdoam. O rancor, o desejo de vingan\u00e7a, os mil pretextos duma justi\u00e7a demasiado curta, onde n\u00e3o caiba a recupera\u00e7\u00e3o do outro, tudo nos envenenaria a alma e nos tiraria inexoravelmente a paz. A paz do Ressuscitado e dos que nele come\u00e7am a ressuscitar tamb\u00e9m, \u00e9 a da reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus e com os outros, ou seja, a do perd\u00e3o dos pecados.  H\u00e1 no mundo, no grande e no pequeno mundo, da cena internacional \u00e0s comuns realidades da sociedade, das empresas, das escolas e das fam\u00edlias, muito conflito de interesses, muita contradi\u00e7\u00e3o de projectos, muita chaga mal sarada\u2026 A P\u00e1scoa de Cristo, o Pentecostes do seu Esp\u00edrito, a vontade salv\u00edfica do Pai respondem a tudo isso, comunicando-nos as virtudes teologais da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade. Por isso o Esp\u00edrito que recebereis no sacramento vos fortalecer\u00e1, caros crismandos, para serdes em cada tempo e circunst\u00e2ncia, na vossa comunidade crist\u00e3 e na vasta sociedade do mundo, sinais vivos da vida ressuscitada, da alegria plena e da reconcilia\u00e7\u00e3o pacificadora. N\u00e3o \u00e9 pequena a miss\u00e3o. Tamb\u00e9m por isso, a P\u00e1scoa de Cristo e o Pentecostes do Esp\u00edrito n\u00e3o acabam nunca. Ser\u00e3o a vossa for\u00e7a. Como o \u00e9 agora a nossa ora\u00e7\u00e3o un\u00e2nime.                  Igreja Catedral do Porto, 27 de Maio de 2007 <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto no DOmingo de Pentecostes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,206,275],"class_list":["post-24967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24967\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}