{"id":24961,"date":"2007-05-26T16:24:26","date_gmt":"2007-05-26T16:24:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/26\/familias-portuguesas-ameacadas-pela-pobreza\/"},"modified":"2007-05-26T16:24:26","modified_gmt":"2007-05-26T16:24:26","slug":"familias-portuguesas-ameacadas-pela-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familias-portuguesas-ameacadas-pela-pobreza\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias portuguesas amea\u00e7adas pela pobreza"},"content":{"rendered":"<p>\u00abPor um desenvolvimento global e solid\u00e1rio &#8211; um compromisso de cidadania\u00bb tra\u00e7ou quadro portugu\u00eas <!--more--> Uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 nova, onde os dados s\u00e3o mais que conhecidos. A pobreza n\u00e3o d\u00e1 destaques na comunica\u00e7\u00e3o social porque sempre houve pobres. Sobre isto se debru\u00e7ou Alfredo Bruto da Costa na participa\u00e7\u00e3o que manteve na Confer\u00eancia Nacional \u201cPor um desenvolvimento global e solid\u00e1rio &#8211; um compromisso de cidadania\u201d, uma iniciativa de dois dias da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz.  O Presidente do Conselho Econ\u00f3mico e Social sublinhou a import\u00e2ncia que ao longo da hist\u00f3ria Portugal foi demonstrando de aten\u00e7\u00e3o e de assist\u00eancia aos pobres. \u201cAtrav\u00e9s de muitos gestos individuais, de institui\u00e7\u00f5es de solidariedade e de pol\u00edticas sociais, a sociedade sempre exibiu a sua preocupa\u00e7\u00e3o com os pobres\u201d. Mas se esta an\u00e1lise \u00e9 justa \u201ccomo se explica que apesar de um contexto de longevidade, a pobreza exista e continue a existir em larga escala?\u201d.  A sociedade desenvolveu uma cultura b\u00e1sica de \u201cbem-estar, remetendo para o Estado a solu\u00e7\u00e3o de todos os problemas\u201d, explica Alfredo Bruto da Costa, como sendo uma das raz\u00f5es do afastamento do compromisso e do sentido de dever dos cidad\u00e3os. Ao enfraquecimento da responsabilidade individual acresce-se \u201ca persist\u00eancia desta situa\u00e7\u00e3o constante de pobreza criou uma habitua\u00e7\u00e3o, e passou a ser vista como normal\u201d. Segundo o conferencista, um estudo junto da opini\u00e3o p\u00fablica sobre as raz\u00f5es da pobreza, \u201cum ter\u00e7o dos inquiridos atribui aos pobres a pouca sorte, ou seja, assumem uma postura fatalista, enquanto que equivalente percentagem acredita que a situa\u00e7\u00e3o de pobreza se deve \u00e0 pregui\u00e7a\u201d.   Comparando com os n\u00fameros de pobreza em Portugal, \u201ctemos dois milh\u00f5es de pregui\u00e7osos no nosso pa\u00eds\u201d, ironizou Alfredo Bruto da Costa.  O Presidente do Conselho Econ\u00f3mico e Social acrescenta ainda que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa manifesta \u201cuma reserva generalizada sobre a autenticidade da pobreza &#8211; \u00e9 encarada como fraudulenta\u201d. A emerg\u00eancia da cultura consumista \u201caltera a no\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e de justi\u00e7a moral\u201d.  \u201cN\u00e3o existe uma verdadeira no\u00e7\u00e3o de pobreza em Portugal\u201d sublinha Alfredo Bruto da Costa, acrescentando que 47 % das fam\u00edlias portuguesas passaram por uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza. \u201cMetade das fam\u00edlias estiveram um ano em estado de pobreza\u201d, enfatizou.   \u201cTodos compreendemos os geradores de pobreza, mas o que de facto fazemos para atingir esses mecanismos? H\u00e1 uma d\u00favida nas ac\u00e7\u00f5es e nas pol\u00edticas\u201d. Nunca as pessoas estiveram t\u00e3o pr\u00f3ximas umas das outras e \u201cna era da globaliza\u00e7\u00e3o e da abund\u00e2ncia, a justi\u00e7a e a solidariedade nunca foram t\u00e3o poss\u00edveis\u201d. Por isso a \u201cpersist\u00eancia da pobreza \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o moral dos nossos tempos\u201d.  A percentagem citada pelo conferencista referem-se a dados de fam\u00edlias empregadas. \u201cEsta situa\u00e7\u00e3o torna claro que a pobreza n\u00e3o \u00e9 um problema de redistribui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais, mas acima de tudo uma reparti\u00e7\u00e3o do rendimento. O princ\u00edpio de \u00abvamos crescer primeiro para distribuir depois\u00bb n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido\u201d, sublinha porque o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 importante mas \u201ca redistribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o elimina as desigualdades\u201d.   Alfredo Bruto da Costa enfatiza o muito que se faz \u201c\u00e9 bom e indispens\u00e1vel, n\u00e3o para eliminar a pobreza, mas para reduzir a car\u00eancia e atenuar o sofrimento\u201d e lembra que \u201cse actuarmos juntos e com coragem, todos ser\u00e3o mais seguros, pr\u00f3speros e capazes de gozar os seus direitos fundamentais\u201d.   Isabel Baptista apontou que proliferam pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o mas que \u201cn\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de ser avaliadas\u201d. A conferencista referiu, no painel \u201cErradicar a pobreza em Portugal &#8211; um compromisso nacional\u201d, que o Plano Estrat\u00e9gico para a Inclus\u00e3o \u201c\u00e9 pouco conhecido\u201d. A investigadora no CESIS &#8211; Centro de Estudos para a Interven\u00e7\u00e3o Social, relembrou ainda que uma das medidas entre 2006 e 2008 seria \u201celiminar a pobreza entre os idosos e as crian\u00e7as, esquecendo o facto de que as crian\u00e7as vivem em fam\u00edlias\u201d. O Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u201ce importante, mas o seu valor de 80 euros por pessoa, n\u00e3o elimina a pobreza ao n\u00edvel que conhecemos\u201d, sublinhando no entanto o benef\u00edcio da sua \u201cregularidade\u201d.   \u201cParticipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dar a conhecer o que se passa, \u00e9 envolver as pessoas desde o diagn\u00f3stico at\u00e9 \u00e0 efectiva\u00e7\u00e3o de medidas concretas\u201d, sublinha, acrescentando ainda que \u201cs\u00f3 indo ao encontro das pessoas \u00e9 poss\u00edvel perceber se de facto mudou alguma coisa, se determinada medida teve ou n\u00e3o impacto efectivo na sua vida\u201d.  Portugal precisa de motivar mais os debates e as reflex\u00f5es para reverter a sua situa\u00e7\u00e3o de \u201cestar constantemente na cauda da Europa\u201d, afirmou Maria Barroso, a participar na reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o portuguesa. \u201cEsta Confer\u00eancia \u00e9 um bom exemplo de como se deve procurar as ra\u00edzes dos problemas para ganhar em entusiasmo para combater\u201d. Com entusiasmo afirma que \u201ctodos gostamos do nosso pa\u00eds, por isso \u00e9 preciso estarmos na primeira fila prontos para actuar\u201d.  Maria Barroso destaca ainda a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o social em veicular not\u00edcias que \u201cintroduzam estas quest\u00f5es e n\u00e3o tanto em mostrar esc\u00e2ndalos ou malef\u00edcios\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abPor um desenvolvimento global e solid\u00e1rio &#8211; um compromisso de cidadania\u00bb tra\u00e7ou quadro portugu\u00eas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,203,206,314,316],"class_list":["post-24961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-europa","tag-familia","tag-solidariedade","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}