{"id":24908,"date":"2007-05-23T10:47:08","date_gmt":"2007-05-23T10:47:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/23\/so-o-amor-guarda-a-cidade\/"},"modified":"2007-05-23T10:47:08","modified_gmt":"2007-05-23T10:47:08","slug":"so-o-amor-guarda-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/so-o-amor-guarda-a-cidade\/","title":{"rendered":"S\u00f3 o Amor guarda a cidade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Leiria-F\u00e1tima no Dia da Cidade de Leiria <!--more--> \u00c9 para mim motivo de grande e \u00edntima alegria estar aqui convosco a presidir \u00e0 Eucaristia, neste dia comemorativo da funda\u00e7\u00e3o da Igreja diocesana e da cidade de Leiria (462 anos ab urbe condita, como diriam os romanos). Com esta alegria sa\u00fado a todos muito fraternalmente. Celebramos esta data no contexto do Ano Europeu para a igualdade de oportunidades para todos, no respeito da dignidade de cada pessoa humana para al\u00e9m das suas diferen\u00e7as. Sa\u00fado tamb\u00e9m cordialmente os representantes das associa\u00e7\u00f5es empenhadas nesta nobre causa. Este \u00e9 um momento de reflex\u00e3o que nos convida a meditar com um olhar novo, um olhar espiritual, quer a Igreja quer a cidade, \u00e0 luz da palavra de Deus que acabamos de escutar.  1. A Igreja \u201ccasa e escola de Amor\u201d na cidade dos homens  O evangelho de hoje pertence ao col\u00f3quio \u00edntimo de Jesus com os disc\u00edpulos na hora da despedida antes da paix\u00e3o, e por isso com sabor a testamento. Jesus responde \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos que ficam no mundo: que vai ser de n\u00f3s? Qual o nosso futuro? O texto do evangelho revela o que constitui o n\u00facleo mais profundo da exist\u00eancia crist\u00e3 e da Igreja no mundo, na cidade dos homens: \u201cPai Santo, guarda-os no Teu nome, o nome que me deste, para que sejam um comos N\u00f3s\u2026 Eu dei-lhes a gl\u00f3ria (o esplendor do amor) que Tu me deste para que sejam um como N\u00f3s somos um\u201d. O Nome de Deus \u00e9 Amor. O sentido das palavras de Jesus \u00e9 pois: \u201cguarda-os no mist\u00e9rio \u00edntimo do Teu amor, na comunh\u00e3o e na imensidade do Teu amor eterno e santo para que vivam unidos nele e por ele\u201d. A Igreja dos disc\u00edpulos \u00e9 convidada a olhar-se a partir do mist\u00e9rio da sua origem como comunidade do amor, \u201ccasa e escola do amor\u201d: daquele amor do Pai que quer fazer da humanidade uma \u00fanica fam\u00edlia, unida por um v\u00ednculo que vai para al\u00e9m dos la\u00e7os da carne e do sangue e dos interesses individuais ou de parte. Toda a actividade da Igreja \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o dum Amor de origem divina que procura o bem integral do homem: atrav\u00e9s do an\u00fancio do evangelho e atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da pessoa nos v\u00e1rios \u00e2mbitos da vida e da actividade humana, para uma vida digna e condigna de cada homem e mulher, criados \u00e0 imagem de Deus. Numa sociedade ferida e chagada por tantas formas de ego\u00edsmo, individualismo, indiferen\u00e7a, exclus\u00e3o, invejas, divis\u00f5es, viol\u00eancias e conflitos, a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o plenamente leg\u00edtima e absolutamente necess\u00e1ria \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o do amor: a que transforma as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e as vivifica no amor. Nada pode mudar tanto o mundo como a renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas no amor. Eis a raz\u00e3o do segundo ponto da nossa medita\u00e7\u00e3o: \u201cs\u00f3 o amor guarda a cidade\u201d.   2. S\u00f3 o Amor guarda a cidade   Num tempo de espalhada indiferen\u00e7a e de cultivada apatia e desafei\u00e7\u00e3o para com os problemas da cidade, por parte de muitos cidad\u00e3os, fruto do individualismo reinante, o amor de Cristo urge-nos, impele-nos a amar cada vez mais a nossa cidade. Porque \u201cuma cidade \u00e9 muito mais que um territ\u00f3rio, uma \u00e1rea econ\u00f3mica produtiva, uma realidade pol\u00edtica. \u00c9, sobretudo, uma comunidade de pessoas e, em particular, de fam\u00edlias com os seus filhos e os seus problemas humanos. \u00c9 uma experi\u00eancia humana viva, historicamente enraizada e culturalmente distinta\u201d (Jo\u00e3o Paulo II). \u00c9 por isso que afirmamos: s\u00f3 o Amor guarda a cidade! Este amor n\u00e3o \u00e9 algo de superficial e simplesmente emotivo, fruto porventura de um bairrismo provinciano. \u00c9 algo de profundo e verdadeiramente empenhativo. \u00c9 um sentir \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o que se manifesta e concretiza no pensar com intelig\u00eancia, no agir com determina\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o e mesmo no rezar com paix\u00e3o e compaix\u00e3o pelo bem comum da cidade. Nesta perspectiva o amor \u00e0 cidade \u00e9 o segredo e a pr\u00f3pria alma da nossa responsabilidade para com ela; \u00e9 a raiz viva que inspira a coragem da participa\u00e7\u00e3o de todos no seu desenvolvimento, que n\u00e3o se reduz ao mero crescimento econ\u00f3mico. Naturalmente, para que sejam respeitados os direitos e cumpridos os deveres dos cidad\u00e3os (membros da cidade) s\u00e3o necess\u00e1rias as leis e \u00e9 indispens\u00e1vel a justi\u00e7a. Mas quer as leis quer a justi\u00e7a n\u00e3o bastam; pedem um suplemento de alma que s\u00f3 o amor pode assegurar. Se no desenvolvimento da cidade est\u00e1 o bem comum (de todos e cada um), s\u00f3 o amor \u2013 que por natureza se abre indistintamente a todos &#8211;  pode tornar-se servi\u00e7o desinteressado e generoso (acima dos interesses de parte) por toda a comunidade citadina, em particular pelos mais necessitados, esquecidos, marginalizados, abandonados \u00e0 sua sorte, que n\u00e3o conseguem fazer ouvir a sua voz nem alcan\u00e7ar a sua vez. O que vale para cada fam\u00edlia, vale tamb\u00e9m para a grande fam\u00edlia da cidade: o amor \u00e9 fonte de comunh\u00e3o, energia de colabora\u00e7\u00e3o, for\u00e7a geradora e motriz duma cultura de solidariedade \u2013 realidades que s\u00e3o essenciais para uma conviv\u00eancia fraterna, construtiva e inclusiva. O amor \u00e9 fonte de sabedoria, que v\u00ea mais fundo e mais longe, e de coragem incans\u00e1vel, elementos fundamentais para pensar, programar e realizar o futuro cada vez mais humano da cidade.  3. A b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor para a cidade  Como Jesus amou Jerusal\u00e9m, a sua cidade \u2013 at\u00e9 chorar por ela \u2013 assim por intercess\u00e3o de Nossa Senhora da Encarna\u00e7\u00e3o, padroeira da cidade de Leiria, seja-nos concedido amar sempre mais a nossa cidade e prestar-lhe o nosso melhor contributo para o seu desenvolvimento integral e para o seu amanh\u00e3 mais belo e solid\u00e1rio. Para n\u00f3s crist\u00e3os, o caminho para uma cidade mais bela, isto \u00e9, mais unida, mais verdadeira, mais fraterna e solid\u00e1ria, passa por Jesus Cristo e o seu evangelho, como fonte perene de vida verdadeira e de um novo humanismo. Como diz o salmista: \u201cSe o Senhor n\u00e3o guarda a cidade, em v\u00e3o vigiam as sentinelas\u201d(Sl 127,1). Uma palavra particular para os autarcas, mas tamb\u00e9m extensiva a todos os que t\u00eam responsabilidades na cidade: considerai o vosso mandato como uma oportunidade preciosa para fazer o bem e melhorar realmente o mundo em que vivemos e nos foi confiado. Fazei bem o bem que fazeis! Que o Senhor vos ilumine e apoie os vossos esfor\u00e7os! Sobre todos v\u00f3s e as vossas iniciativas a favor de uma cidade mais humana, como tamb\u00e9m sobre as vossas fam\u00edlias e os vossos colaboradores, sobre toda a cidade invoco as mais abundantes b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus. \u00c1men!  <i>\u2020 Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Leiria-F\u00e1tima <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Leiria-F\u00e1tima no Dia da Cidade de Leiria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,177,206,207,237,314],"class_list":["post-24908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-leiria-fatima","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}