{"id":24891,"date":"2007-05-22T12:28:34","date_gmt":"2007-05-22T12:28:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/22\/cnjp-traca-quadro-da-pobreza-em-portugal\/"},"modified":"2007-05-22T12:28:34","modified_gmt":"2007-05-22T12:28:34","slug":"cnjp-traca-quadro-da-pobreza-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cnjp-traca-quadro-da-pobreza-em-portugal\/","title":{"rendered":"CNJP tra\u00e7a quadro da pobreza em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>A poucos dias da Confer\u00eancia promovida pela Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) sobre o tema \u201cPor um Desenvolvimento Global e Solid\u00e1rio \u2013 Um Compromisso de Cidadania\u201d, este organismo eclesial vem lan\u00e7ar um alerta sobre a situa\u00e7\u00e3o de pobreza no nosso pa\u00eds. O Grupo de Trabalho &#8220;Economia e Sociedade&#8221;  da CNJP apresenta &#8211; a partir de dados do Eurostat &#8211; uma &#8220;Caracteriza\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o da pobreza em Portugal&#8221;, indicando que &#8220;a pobreza assume em Portugal uma incid\u00eancia muito preocupante, atingindo mesmo um dos valores mais elevados, no contexto da Uni\u00e3o Europeia&#8221;.  Assim, em Portugal, cerca de 20% das pessoas (cerca de 2 milh\u00f5es) detinham, em 2005, um rendimento dispon\u00edvel familiar equivalente, depois das transfer\u00eancias sociais, abaixo dos 60% da mediana nacional. Esta taxa de risco de pobreza, apenas era ultrapassada pela da Pol\u00f3nia e da Litu\u00e2nia (21%), sendo igual \u00e0s da Irlanda, Gr\u00e9cia e Espanha.  A elevada taxa de pobreza registada em Portugal est\u00e1 associada &#8220;a uma desigualdade de rendimentos, que \u00e9 a mais alta de todos os pa\u00edses da UE&#8221; a 25. Entre as preocupa\u00e7\u00f5es apresentadas est\u00e3o &#8220;a persist\u00eancia das situa\u00e7\u00f5es de pobreza e a necessidade de repensar o sistema de protec\u00e7\u00e3o social, bem como as pol\u00edticas sociais, de forma a torn\u00e1-los mais eficazes na correc\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da pobreza&#8221;. &#8220;A pobreza infantil assume uma incid\u00eancia muito elevada, hipotecando o futuro das crian\u00e7as. Acresce que as taxas de abandono escolar, apesar de alguma redu\u00e7\u00e3o, se mant\u00eam em n\u00edveis muito preocupantes&#8221;, aponta ainda o documento (http:\/\/cnjp.ecclesia.pt) A situa\u00e7\u00e3o de pobreza infantil \u00e9 particularmente gravosa entre as fam\u00edlias monoparentais (34%) ou nas fam\u00edlias mais numerosas (30%), acrescentando que h\u00e1 grupos sociais particularmente vulner\u00e1veis ao risco da pobreza: &#8220;a popula\u00e7\u00e3o imigrante, as pessoas portadoras de defici\u00eancia, certas minorias \u00e9tnicas ou pessoas com baixa qualifica\u00e7\u00e3o escolar&#8221;. Mesmo entre a popula\u00e7\u00e3o activa, existem taxas de incid\u00eancia de pobreza elevadas que derivam de situa\u00e7\u00f5es de desemprego, precariedade no emprego e baixos sal\u00e1rios. Manuela Silva, presidente da Comiss\u00e3o, considera que &#8220;n\u00e3o \u00e9 toler\u00e1vel  que em Portugal persistam n\u00edveis de pobreza t\u00e3o elevados como presentemente  sucede e que o crescimento econ\u00f3mico que o Pa\u00eds tem conhecido ao longo  dos anos n\u00e3o tenha servido para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida de  cerca dos 20% da popula\u00e7\u00e3o cujos rendimentos ficam abaixo do limiar  de pobreza&#8221;. O estudo, refere, mostra que &#8220;o crescimento econ\u00f3mico vem sendo apropriado  por uma minoria e n\u00e3o tem servido para erradicar a  pobreza, incluindo as suas manifesta\u00e7\u00f5es mais extremas&#8221;. &#8220;Ser pobre em Portugal tem muitos rostos e causas. Afecta mais as mulheres (21%), as pessoas idosas (28%), as crian\u00e7as (24%)&#8221;, observa a presidente da Comiss\u00e3o. A CNJP n\u00e3o se limita a analisar a pobreza monet\u00e1ria e olhar para o &#8220;n\u00edvel e o risco de priva\u00e7\u00e3o&#8221;, explicando que &#8220;as condi\u00e7\u00f5es de alojamento, as redes de sociabilidade e a posse de bens de conforto s\u00e3o as que mais contribuem para o grau de priva\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias&#8221;.  &#8220;Viver em certas zonas do Pa\u00eds ou em bairros degradados das cidades e suas periferias \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que, s\u00f3 por si, configura um quadro de pobreza, mesmo que o rendimento auferido possa eventualmente ultrapassar o limiar da pobreza monet\u00e1ria&#8221;, explica Manuela Silva, numa nota de apresenta\u00e7\u00e3o dirigida aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.  <b>Confer\u00eancia Nacional<\/b> A Confer\u00eancia Nacional 2007 pretende comemorar as enc\u00edclicas Populorum Progressio (de Paulo VI) e Sollicitudo Rei Socialis (de Jo\u00e3o Paulo II). Nos dias 25 e 26 de Maio, o Col\u00e9gio de S. Brito, em Lisboa, acolhe v\u00e1rios especialistas, jornalistas, membros de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais e representantes das comunidades \u00e1rabe e ismailita, entre outros.  Na sess\u00e3o de abertura ser\u00e1 orador o Subdirector Geral da UNESCO, Pierre San\u00e9. Para al\u00e9m das confer\u00eancias e debates em torno dos diferentes pain\u00e9is, est\u00e3o ainda preparadas actividades complementares como exposi\u00e7\u00e3o de posters tem\u00e1ticos e de trabalhos audiovisuais sobre o tema, com a participa\u00e7\u00e3o de escolas e centros sociais, exposi\u00e7\u00e3o e venda de livros e sess\u00f5es de v\u00eddeo. Segundo os organizadores da iniciativa, esta pretende, entre outras coisas, \u201cdar a conhecer a crentes e n\u00e3o crentes a riqueza da mensagem evang\u00e9lica e da Doutrina Social Cat\u00f3lica\u201d, oferecendo \u201cplataformas de di\u00e1logo\u201d abertas a outras igrejas crist\u00e3s, fomentando o \u201ctrabalho em rede\u201d e \u201cabrindo caminhos de esperan\u00e7a e motiva\u00e7\u00e3o para um maior empenhamento na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e na constru\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento global e solid\u00e1rio para todos\u201d.  Manuela Silva, presidente da CNJP, indica que &#8220;o clamor dos empobrecidos sobe  de tom, mas ainda \u00e9 d\u00e9bil a sua voz para fazer face aos interesses  dominantes no mercado global e na sociedade de opul\u00eancia&#8221;.   Esta respons\u00e1vel lamenta que a opini\u00e3o p\u00fablica dos pa\u00edses mais ricos ainda n\u00e3o tenha tomado consci\u00eancia de que a &#8220;supera\u00e7\u00e3o da grande pobreza \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a  e de solidariedade humana incontorn\u00e1vel na concretiza\u00e7\u00e3o da cidadania,  como tamb\u00e9m um desafio ao desenvolvimento global sustent\u00e1vel e ao  futuro da Paz em todo o Planeta&#8221;.  Lembrando que, todos os dias, morrem mais de cinquenta mil crian\u00e7as e cerca de mil milh\u00f5es de pessoas vivem em bairros miser\u00e1veis urbanos, Manuela Silva deixa um alerta: &#8220;a crescente acumula\u00e7\u00e3o de riqueza e rendimento por  parte de alguns exibe-se hoje como um esc\u00e2ndalo que abre caminho a  inevit\u00e1veis tens\u00f5es, conflitos e disfun\u00e7\u00f5es sociais, com destaque  para os elevados fluxos de migra\u00e7\u00e3o desregulada e milh\u00f5es de refugiados,  e alimenta o terrorismo internacional&#8221;.   A presidente da CNJP deseja que esta Confer\u00eancia contribua &#8220;para a identifica\u00e7\u00e3o de plataformas  de compromisso c\u00edvico e pol\u00edtico que permitam encontrar caminhos para  erradicar a pobreza no nosso Pa\u00eds e reduzir a pobreza no Mundo, de  modo a que o s\u00e9culo XXI fique na hist\u00f3ria com a marca positiva  de ter vencido o desafio da erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da exclus\u00e3o  social&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poucos dias da Confer\u00eancia promovida pela Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) sobre o tema \u201cPor um Desenvolvimento Global e Solid\u00e1rio \u2013 Um Compromisso de Cidadania\u201d, este organismo eclesial vem lan\u00e7ar um alerta sobre a situa\u00e7\u00e3o de pobreza no nosso pa\u00eds. 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