{"id":248475,"date":"2022-07-27T11:26:38","date_gmt":"2022-07-27T10:26:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=248475"},"modified":"2022-07-27T11:26:38","modified_gmt":"2022-07-27T10:26:38","slug":"aumento-dos-funerais-civis-sinal-dos-tempos-e-desafio-a-acao-pastoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aumento-dos-funerais-civis-sinal-dos-tempos-e-desafio-a-acao-pastoral\/","title":{"rendered":"Aumento dos funerais civis: sinal dos tempos e desafio \u00e0 a\u00e7\u00e3o pastoral"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jorge Guarda, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-177645 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A Associa\u00e7\u00e3o de Empresas de Servi\u00e7os Funer\u00e1rios da Catalunha (Espanha) publicou recentemente os dados da sua atividade relativos a 2021. Neles se informa que h\u00e1 uma tend\u00eancia crescente para os funerais laicos ou civis, atingindo j\u00e1, na cidade de Barcelona, no ano referido, 69% de todos os realizados. Nas zonas rurais e noutras cidades menos descristianizadas, as percentagens s\u00e3o diferentes, predominando as ex\u00e9quias crist\u00e3s. J\u00e1 se conheciam estat\u00edsticas preocupantes para a Igreja noutras \u00e1reas como a pr\u00e1tica da missa dominical, os matrim\u00f3nios, batizados e outras celebra\u00e7\u00f5es festivas. Agora, \u00e9 \u00e0 volta da morte que surgem estat\u00edsticas alarmantes.<\/p>\n<p>\u00c9 um facto cada vez mais observ\u00e1vel que as pessoas est\u00e3o a perder um dado fundamental do credo crist\u00e3o: a f\u00e9 na Vida Eterna e que a morte n\u00e3o \u00e9 o fim de tudo. Persistem ainda, \u00e9 certo, muitas manifesta\u00e7\u00f5es desta f\u00e9, expl\u00edcita ou impl\u00edcita, nos comportamentos e sentimentos das pessoas: pedido de funerais crist\u00e3os, sinais religiosos e inten\u00e7\u00f5es de missas pelos defuntos, etc. S\u00e3o express\u00f5es de alguma f\u00e9 na vida futura, mas o seu impacto no modo de encarar a morte e na viv\u00eancia do luto parece ser, em muitos casos, bastante d\u00e9bil. O sentimento e a dor da perda t\u00eam um peso tal sobre familiares e amigos que a f\u00e9 e a esperan\u00e7a na continuidade da vida para al\u00e9m da morte e da rela\u00e7\u00e3o espiritual com os defuntos exercem pouca influ\u00eancia sobre quem sofre o luto.<\/p>\n<p>Que reflex\u00f5es nos sugerem estes dados e factos? Que desafios nos suscitam? N\u00e3o basta pensar que entre n\u00f3s ainda n\u00e3o \u00e9 assim, pois tamb\u00e9m aqui diminui em muitos a vis\u00e3o crist\u00e3 sobre a vida e a morte e v\u00e3o aumentando os funerais sem qualquer celebra\u00e7\u00e3o religiosa. As ag\u00eancias funer\u00e1rias, por seu lado, com criatividade, v\u00e3o avan\u00e7ando com propostas alternativas de cerim\u00f3nias f\u00fanebres com mem\u00f3rias dos defuntos, m\u00fasica, palavras e gestos para honrar aqueles e dar conformo aos familiares e amigos. \u00c9 de esperar que o futuro nos traga cada vez mais este tipo de cerim\u00f3nias.<\/p>\n<p>Sem preju\u00edzo do respeito que nos merece a liberdade de pensamento e de convic\u00e7\u00e3o das pessoas, n\u00e3o podemos deixar de nos sentirmos interpelados enquanto crist\u00e3os e pastores. Da\u00ed que, no meu entender, este fen\u00f3meno nos lance desafios pastorais na \u00e1rea da espiritualidade, da compaix\u00e3o e solidariedade e da liturgia.<\/p>\n<p>O desafio da espiritualidade. Se cresce o n\u00famero de pessoas que prescindem da Igreja e dos seus ministros para os acompanhar na morte ou no luto, muitas delas n\u00e3o est\u00e3o, todavia, totalmente longe de Deus e da espiritualidade. Esta \u00e9 o recurso em que buscam sentido e conforto para a vida e para a morte. O homem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corpo material. \u00c9 tamb\u00e9m espirito e vive a partir da sua interioridade e do divino que nela se revela. Estamos n\u00f3s, comunidades crist\u00e3s e pastores, aptos a proporcionar experi\u00eancias, ritos, s\u00edmbolos e mensagens que ajudem a avivar e fortalecer esta dimens\u00e3o fundamental da pessoa humana j\u00e1 na doen\u00e7a, na prepara\u00e7\u00e3o para a morte e depois no luto? Que podemos oferecer e por que meios?<\/p>\n<p>O segundo desafio \u00e9 o da compaix\u00e3o e solidariedade. No passado, havia confrarias, ritos e apoios v\u00e1rias por parte da comunidade crist\u00e3 para ajudar as fam\u00edlias enlutadas, sepultar os corpos e dar apoio espiritual aos vivos e defuntos. E hoje, como \u00e9 encarada a morte, celebradas as ex\u00e9quias e dado apoio nas comunidades crist\u00e3s a quem sofre a perda de entes queridos? As obras de miseric\u00f3rdia indicam sepultar os mortos e rezar<\/p>\n<p>pelo vivos e defuntos como express\u00e3o de ajuda fraterna aos irm\u00e3os. Tais obras n\u00e3o podem ser praticadas somente de forma individual, institucional e profissional, mas devem tornar-se a\u00e7\u00f5es essencialmente comunit\u00e1rias e significativas. A morte de uma pessoa, mais ou menos conhecida, e o luto que sofrem os seus familiares e amigos devem envolver a pr\u00f3pria comunidade de que era membro, mesmo que, em muitas situa\u00e7\u00f5es, de modo distante e passivo. N\u00e3o chega ir participar no funeral e apresentar as condol\u00eancias. \u00c9 preciso tomar iniciativas para ajudar as pessoas a enfrentarem a morte e a fazerem a despedida dos seus entes queridos.<\/p>\n<p>Nestes dias, participei numa celebra\u00e7\u00e3o exequial. Nos familiares, havia muita como\u00e7\u00e3o e l\u00e1grimas de dor. Por desejo expresso da pessoa defunta, al\u00e9m da Eucaristia, houve o canto do of\u00edcio de defuntos. Senti que o canto, os sil\u00eancios, a palavra de Deus, os ritos, a comunh\u00e3o espiritual e sacramental com Cristo, as ora\u00e7\u00f5es, a mem\u00f3ria sobre a vida humana e crist\u00e3 da defunta, tudo isso dava conforto, suavizava a perda e alimentava a comunh\u00e3o e a esperan\u00e7a na vida eterna e na liga\u00e7\u00e3o espiritual entre vivos e defuntos. Ser\u00e1 que assim acontece normalmente nas celebra\u00e7\u00f5es e funerais? \u00c9 este o desafio da liturgia: proporcionar celebra\u00e7\u00f5es que toquem o \u00edntimo das pessoas, revitalize e reforce nelas a f\u00e9 e a confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Pastores e comunidades crist\u00e3s precisamos de discernir e procurar novas formas de avivar a espiritualidade, exercer a compaix\u00e3o, acompanhar as fam\u00edlias em luto e celebrar as ex\u00e9quias com qualidade lit\u00fargica e espiritual. N\u00e3o deveria existir nas comunidades crist\u00e3s, um servi\u00e7o pastoral envolvendo padres e leigos que se fa\u00e7am pr\u00f3ximas dos familiares e amigos dos defuntos, proponham momentos de ora\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00f5es que testemunhem a verdadeira f\u00e9 da Igreja, deem apoio espiritual, esperan\u00e7a e conforto? Este servi\u00e7o n\u00e3o deveria circunscrever-se ao redor da morte, mas proporcionar tamb\u00e9m acompanhamento e apoio no luto: grupos de partilha e entreajuda, momentos de mem\u00f3ria e ora\u00e7\u00e3o nos anivers\u00e1rios, celebra\u00e7\u00f5es da eucaristia\u2026 Sem preju\u00edzo do respeito pelos sentimentos e sensibilidade das pessoas, a proximidade, entreajuda, propostas inovadoras oportunas\u2026 poder\u00e3o ser express\u00f5es de uma comunidade crist\u00e3 que cr\u00ea na vida eterna e o manifesta de modo concreto no amor ao pr\u00f3ximo ferido pelo luto.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o pastoral das ex\u00e9quias \u00e9 um dos que dever\u00e1 ser renovado no caminho sinodal em curso. N\u00e3o se trata tanto de evitar a concorr\u00eancia das novas propostas civis, quanto de viver, testemunhar e propor a genu\u00edna f\u00e9 crist\u00e3 na vida eterna e na ressurrei\u00e7\u00e3o, que se celebra na liturgia cat\u00f3lica. E tamb\u00e9m de praticar, em formas adequadas aos tempos atuais, as obras de miseric\u00f3rdia em rela\u00e7\u00e3o aos defuntos e aos seus familiares e amigos. \u00c9 preciso criatividade e inova\u00e7\u00e3o, a partir de iniciativas que aqui ou ali j\u00e1 s\u00e3o praticadas. Por exemplo, quando fui ao Canad\u00e1, na comunidade portuguesa, morreu uma pessoa e o p\u00e1roco foi comigo, na v\u00e9spera do funeral, \u00e0 casa mortu\u00e1ria para cumprimentar os familiares, proporcionar um momento de ora\u00e7\u00e3o, a possibilidade de se confessar a quem o quisesse fazer e preparar com eles a celebra\u00e7\u00e3o exequial. Os sacerdotes podem n\u00e3o ter a disponibilidade para isto em todos os casos, mas se houver uma equipa de pessoas volunt\u00e1rias, como acontece com outros servi\u00e7os da par\u00f3quia, certamente que alguma coisa ser\u00e1 poss\u00edvel fazer. Haja pastores e fi\u00e9is criativos e ousados para abrir novos caminhos pastorais.<\/p>\n<p>Fonte da not\u00edcia referida:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.religionenlibertad.com\/espana\/654881685\/funerales-laicos-barcelona-mayoria.html?eti=5735#%23STAT_CONTROL_CODE_3_654881685%23%23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.religionenlibertad.com\/espana\/654881685\/funerales-laicos-barcelona-mayoria.html?eti%3D5735%23%2523STAT_CONTROL_CODE_3_654881685%2523%2523&amp;source=gmail&amp;ust=1658942352825000&amp;usg=AOvVaw2wQ82dy_RT2jUX-di4E3uz\">https:\/\/www.<wbr \/>religionenlibertad.com\/espana\/<wbr \/>654881685\/funerales-laicos-<wbr \/>barcelona-mayoria.html?eti=<wbr \/>5735#%23STAT_CONTROL_CODE_3_<wbr \/>654881685%23%23<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jorge Guarda, Diocese de 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