{"id":24799,"date":"2007-05-17T21:23:20","date_gmt":"2007-05-17T21:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/17\/bispo-da-cultura-e-de-casos-fracturantes\/"},"modified":"2025-08-25T15:46:49","modified_gmt":"2025-08-25T14:46:49","slug":"bispo-da-cultura-e-de-casos-fracturantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-da-cultura-e-de-casos-fracturantes\/","title":{"rendered":"Bispo da cultura e de casos fracturantes"},"content":{"rendered":"<p>O perfil cultural de D. Teodoro de Faria e as repercuss\u00f5es de casos como o do Pe. Frederico em 25 anos de minist\u00e9rio episcopal <!--more--><\/p>\n<p><b>Bispo da cultura e de casos fracturantes<\/b><\/p>\n<p>Nas v\u00e9speras de dar lugar, na S\u00e9 do Funchal, a D. Ant\u00f3nio Carrilho, a Ag\u00eancia Ecclesia foi \u00e0 procura do perfil cultural de D. Teodoro de Faria e avaliou a repercuss\u00e3o de casos como o do Pe. Frederico em 25 anos de minist\u00e9rio episcopal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Homem da cultura b\u00edblica<\/b><\/p>\n<p><i>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) &#8211; \u00c9 um homem da cultura, nomeadamente a b\u00edblica, o que foi Bispo do Funchal durante 25 anos? <\/i><\/p>\n<p><i>D. Teodoro de Faria (TF) \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Desde jovem que fui atra\u00eddo pela Sagrada Escritura. Tive um \u00f3ptimo professor no Semin\u00e1rio do Funchal. Depois foi necess\u00e1rio que algu\u00e9m se preparasse na mat\u00e9ria e mandaram-me para Roma e depois para para Jerusal\u00e9m. Sempre tive o desejo de conhecer os lugares da Sagrada Escritura. Tive a felicidade de visitar todos<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Isso marcou o seu minist\u00e9rio <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Marcou. O Bispo n\u00e3o pode deixar de ser o homem da B\u00edblia. Tem que lidar com ela continuamente. Ter o sentido da Terra B\u00edblica, o lugar onde a mensagem divina foi promulgada, ver as pessoas, as tradi\u00e7\u00f5es, ajuda a compreender a mensagem b\u00edblica de uma forma completamente diferente. Estar aqui a falar de Abra\u00e3o que vem de Ur ou ir a Ur \u00e9 completamente diferente. E eu fui sozinho a Ur, quando ningu\u00e9m sabia como se \u00eda at\u00e9 l\u00e1, no tempo da guerra.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 At\u00e9 que ponto essa aposta de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00edzes b\u00edblicas o ajudou na aproxima\u00e7\u00e3o ao povo madeirense? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Primeiro, a B\u00edblia foi escrita para o povo de Deus. Eu sempre tive professores que tinham grande sabedoria, mas os melhores eram aqueles que estavam em contacto com o povo porque a sabiam transmitir \u00e0s pessoas. E isso ajudou-me muito, chegando c\u00e1. Al\u00e9m disso, quando estive em Roma, depois do Conc\u00edlio, fui convidado muitas vezes para fazer confer\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 sobre a B\u00edblia, mas sobre a Teologia da Paix\u00e3o e sobre o Santo Sud\u00e1rio. Fui ao Brasil falar em diversas universidades (em Bras\u00edlia, S. Paulo, na Aparecida) e tamb\u00e9m em It\u00e1lia.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como viveu o Conc\u00edlio Vaticano II? <\/i><\/p>\n<p><i>TF <\/i>\u2013 Vivi-o sobretudo na sua prepara\u00e7\u00e3o. Estava em Roma, no tempo do Papa Jo\u00e3o. Era um Papa que, \u00e0s vezes, fazia as coisas parecendo que n\u00e3o sabia o que estava a fazer. Mas sabia. Ele fez um S\u00ednodo Romano, em prepara\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio. E a \u00fanica marca que ficou do S\u00ednodo foi os sinos n\u00e3o tocarem antes das 7 horas (o que para o Col\u00e9gio Portugu\u00eas foi uma del\u00edcia porque havia uma igreja perto, dos espanh\u00f3is, que nos acordava muito cedo\u2026). E outra coisa: ele obrigou, sem resultados, a usar o chap\u00e9u romano sempre na cabe\u00e7a. Mas foi uma experi\u00eancia que levou a pensar no Conc\u00edlio Vaticano II. No meu tempo, foi interessante aperceber-me das ideias que j\u00e1 circulavam e a tens\u00e3o que havia nalguns ambientes romanos. Houve mesmo professores, at\u00e9 meus, que sofreram muito porque eram considerados quase hereges. E eram esses que tinham o fermento do Vaticano II. Tinham a forma\u00e7\u00e3o do Pe. Lagrange, que abriu a B\u00edblia \u00e0 ci\u00eancia. Sofreu muito, mas permaneceu sempre fiel a Roma e \u00e0 Igreja. Obedeceu. \u00c9 por isso que ele foi grande.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 \u00c9 por essa experi\u00eancia que passam os renovadores na Igreja? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Exacto, exacto\u2026 Eu conheci mais esta prepara\u00e7\u00e3o. Depois vim para o Funchal e segui c\u00e1 o Conc\u00edlio. Depois fui para Roma, para vice-reitor, e senti a grande dificuldade que foi o p\u00f3s-conc\u00edlio: colocar aquela m\u00e1quina toda em movimento, a C\u00faria Romana a transformar-se\u2026 Esse momento foi muito dif\u00edcil: as ideias come\u00e7aram a debater-se, come\u00e7ou a debandada dos sacerdotes, dentro do Col\u00e9gio t\u00ednhamos os estudantes que os Bispos mandavam para ver se os salvavam, mas n\u00e3o havia nada a salvar\u2026 Foi um momento muito cr\u00edtico. At\u00e9 ao Conc\u00edlio sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o. A\u00ed as coisas come\u00e7aram a alterar-se. Paulo VI era um homem de uma grande sensibilidade espiritual, de um grande conhecimento da Igreja. O povo romano chamava-lhe o \u201cPaulo triste\u201d. Tinha dentro de si um sofrimento muito grande, com todas estas lutas e, principalmente, com a quest\u00e3o de Lefebvre. Foi para o Papa uma dor muito grande e quase um trauma que ele n\u00e3o conseguiu ultrapassar. Aquela divis\u00e3o da Igreja, n\u00e3o!<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ontem, disse que o Museu Diocesano de Arte Sacra \u00e9 o melhor de Portugal\u2026 <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Dizem-me que \u00e9, entre os que est\u00e3o filiados nos Museus Nacionais. \u00c9 muito visitado, muito estudado! Foi preciso colocar na devida ordem tudo o que t\u00ednhamos do passado. O Museu tem sempre muitas dificuldades para arranjar dinheiro para os trabalhadores e, principalmente, para recuperar. Durante este tempo (por causa da forma\u00e7\u00e3o romana e dos museus que eu vi, porque conhe\u00e7o todos os museus da It\u00e1lia e da Europa e participei em muitos cursos) a arte e a beleza foi qualquer coisa que me levou at\u00e9 Deus. E a B\u00edblia ajudou-me a compreender esse mundo da arte, ligando-a \u00e0 liturgia.<\/p>\n<p><i>AE &#8211; Ela \u00e9 fundamental para a miss\u00e3o da Igreja? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> A beleza\u2026 Deus \u00e9 a beleza por excel\u00eancia. Gosto muito dos escritores russos que falam sobre a beleza. Sempre apreciei a teologia dos padres orientais que falam sobre a beleza, para n\u00e3o viver s\u00f3 da teologia dos europeus, por vezes muito racionalista. \u00c9 importante unir as duas tradi\u00e7\u00f5es, a do Oriente e do Ocidente. Sen\u00e3o ficamos como que uma ave com uma asa s\u00f3. S\u00e3o os dois pulm\u00f5es da Igreja, como dizia Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 A aposta na arte causou preju\u00edzo noutras \u00e1reas da pastoral? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> N\u00e3o causou, antes ajudou. Cheguei aqui numa ocasi\u00e3o em que havia muitas par\u00f3quias, criadas pelo meu antecessor, D. David de Sousa, e sem igreja. E havia pressa em fazer igrejas de qualquer maneira: desde que se entrasse l\u00e1 dentro e n\u00e3o chovesse, bastava. Mas n\u00e3o. Depois, com a evolu\u00e7\u00e3o que houve na Madeira, com o acabar com todas as barracas, colocou-se um \u201canel\u201d ao redor do Funchal com muita gente. E foram necess\u00e1rias novas igrejas. Felizmente foi um per\u00edodo em que houve uma boa rela\u00e7\u00e3o com o Estado e conseguimos construir igrejas com maior beleza, com maior sentido de dignidade e com todas as infra-estruturas que s\u00e3o necess\u00e1rias para as igrejas.<\/p>\n<p><i>AE &#8211; Como renovou a actividade s\u00f3cio-caritativa? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Foi preciso recriar a Caritas, os Centros Sociais paroquiais, as IPSS, as Miseric\u00f3rdias\u2026 N\u00f3s v\u00ednhamos de um per\u00edodo revolucion\u00e1rio. Al\u00e9m disso, as organiza\u00e7\u00f5es estavam nas m\u00e3os de leigos, n\u00e3o para ajudar, mas para ganharem dinheiro. Foi preciso regularizar tudo isso. Foi uma guerra terr\u00edvel. Muito sofri, porque n\u00e3o havia uma \u00fanica destas organiza\u00e7\u00f5es que estivesse regularizada, com problemas l\u00e1 dentro, com as religiosas que l\u00e1 estavam a pedirem para sair\u2026 Foi um trabalho muito duro!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O Semin\u00e1rio e a Universidade Cat\u00f3lica<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Que aposta na forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes e leigos? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Quando cheguei \u00e0 Diocese, dei prioridade \u00e0 quest\u00e3o do Semin\u00e1rio. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos semin\u00e1rio, n\u00e3o t\u00ednhamos padres. T\u00ednhamos um grupo de estudantes em Lisboa, donde n\u00e3o veio nenhum sacerdote. Depois foi outro grupo para Braga, mas n\u00e3o gostaram. Depois foram para o Porto, depois novamente para Lisboa\u2026 Era terr\u00edvel. Era preciso come\u00e7ar tudo de novo. Gra\u00e7as a Deus, orden\u00e1mos muitos padres que est\u00e3o nos lugares centrais de toda a Diocese. Os outros n\u00e3o foram afastados, envelheceram (como eu!) ou faleceram! Ao mesmo tempo, os leigos que passaram pela Universidade Cat\u00f3lica. Tive tanta pena que ela sa\u00edsse de c\u00e1! Porque Universidade Cat\u00f3lica na Madeira nunca perdeu dinheiro e os professores gostavam de c\u00e1 vir\u2026 E tenho que agradecer muito aos padres jesu\u00edtas de Braga, que sempre quiseram vir ao Funchal<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Porque saiu a Cat\u00f3lica? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Acabaram com as extens\u00f5es, diziam que a Madeira ficava longe\u2026 Ainda continua, mas apenas atrav\u00e9s de cursos (como o de bio\u00e9tica). Ficamos muito agradecidos aos jesu\u00edtas de Braga. Muito menos aos professores e reitores da Universidade Cat\u00f3lica de Lisboa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Grupo dos dez e o Pe. Frederico<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Os padres aparecem hoje fracturados, nomeadamente por esse grupo dos dez? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Surgiu uma fractura de um padre, sobre o qual me empenhei muito, porque era inteligente e tinha qualidades (cujo nome \u00e9 Edgar) e que arranjou um grupo de dez, naquele momento, com uma ideia um pouco da Am\u00e9rica Latina, da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o c\u00e1 dentro. Conseguiu, num primeiro momento, arranjar esse pequenino grupo, que era aquele com quem eu trabalhava mais directamente, eram dos primeiros que eu tinha mandado estudar. Depois vi que a inten\u00e7\u00e3o dele era outra! Naturalmente, o clero jovem quer avan\u00e7ar mais, outros querem avan\u00e7ar um pouco menos. Mas essa tens\u00e3o a mim nunca me preocupou muito\u2026<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Acha que \u00e9 salutar? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Sim, ajuda um pouco. Sempre me dei bem com eles. Eu nunca tive motivos para suspender um padre. Mesmo aquela quest\u00e3o do Martins J\u00fanior, foi uma quest\u00e3o de momento, do tempo revolucion\u00e1rio. Eu n\u00e3o chegaria at\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como aconteceu a fractura com o Pe. Edgar? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Eu coloquei o Pe. Edgar em lugares de grande responsabilidade na Diocese. A fractura n\u00e3o se deu tanto c\u00e1, mas depois de ter ido para o Continente trabalhar com os estudantes. L\u00e1, a situa\u00e7\u00e3o modificou-se e chegamos a uma certa ruptura. Ele diz, de vez em quando, que n\u00e3o rejeita os grandes valores que recebeu. Eu penso que sim. Que \u00e9 verdade.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O ser deputado do partido comunista n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> N\u00e3o sei se ele \u00e9 comunista\u2026 Est\u00e1 l\u00e1!<\/p>\n<p><i>AE \u2013 O caso do Pe. Frederico foi um momento que marcou negativamente estes 25 anos? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Sim. Foi o caso mais dif\u00edcil que eu tive. Foi\u2026 \u00c9 preciso ver que o caso do Pe. Frederico pode acontecer em qualquer lugar. Ele veio dentro de um contexto. Veio para c\u00e1 de uma forma muito especial. J\u00e1 c\u00e1 estava quando eu cheguei. Veio com os padres Cruzios, da Alemanha. Depois aconteceu tudo aquilo que n\u00f3s sabemos \u2013 e eu n\u00e3o queria abrir esse dossier -, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social deram-lhe uma amplitude exagerada e fizeram qualquer coisa que n\u00e3o dignifica a justi\u00e7a: transmitir uma decis\u00e3o do tribunal directamente para todo o pa\u00eds. Tudo isso come\u00e7ou com um acto de vingan\u00e7a para com o Bispo. Foi depois da visita do Papa. Por essa ocasi\u00e3o come\u00e7aram a nascer aqui, na diocese, diversos lugares de divers\u00e3o nocturna inteiramente repreens\u00edveis. E eu, uma ou outra vez, falei, sem acentuar muito esse facto. E aqueles que se sentiram atingidos quiseram vingar-se na pessoa do bispo e encontrar algu\u00e9m que pudesse servir de bode expiat\u00f3rio.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Mas aconteceram factos conden\u00e1veis? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> A quest\u00e3o do jovem, eu n\u00e3o acredito. Ele nunca conheceu aquele jovem, ele nunca o viu. Quando \u00e0 quest\u00e3o da sua vida moral, isso \u00e9 outro problema. Mas misturou-se tudo\u2026 Nesse momento, para esta Diocese como para qualquer outra, isso causou uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. Foi um trauma, foi um momento dif\u00edcil. De qualquer forma, Deus esteve presente e ajudou a que a f\u00e9 do povo n\u00e3o ficasse por terra por causa disso. Quem olha para Cristo como o Senhor da sua vida, n\u00e3o \u00e9 por causa de um padre, por pior que ela seja, que O vai deixar!<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Na altura, o Bispo n\u00e3o deveria ter esclarecido para colocar um ponto final nesse problema? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> O que \u00e9 que eu deveria ter dito mais que n\u00e3o dissesse e que, no fim de contas, me atacassem\u2026 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tradi\u00e7\u00e3o dos Bispos do Continente<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 H\u00e1 avers\u00e3o na Madeira a Bispos madeirenses? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> N\u00e3o h\u00e1 avers\u00e3o. H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de bispo do Continente: religiosos not\u00e1veis que vinham para c\u00e1, estavam algum tempo e depois voltavam para o Continente. E houve espa\u00e7os muito grandes que a Madeira n\u00e3o tinha bispos (9 anos, 10 anos\u2026). O povo madeirense, separado do continente, um pouco desprezado&#8230; Os governadores vinham de l\u00e1, depois os bispos tamb\u00e9m vinham de l\u00e1\u2026 Havia esta tradi\u00e7\u00e3o de estar subjugado&#8230; Faltava uma liberta\u00e7\u00e3o, que veio com a autonomia. Eu vim como bispo (vim para c\u00e1 porque estava em Roma, sen\u00e3o n\u00e3o viria!) e mostr\u00e1mos que tamb\u00e9m somos gente, tamb\u00e9m nos sabemos reger por n\u00f3s. Depois, outras dioceses de Portugal come\u00e7aram a ter bispos da pr\u00f3pria diocese (os a\u00e7oreanos ficaram preocupados, quando eu estava c\u00e1, que n\u00e3o tinham bispos da sua diocese. Agora j\u00e1 o t\u00eam!). Esta ideia de identidade e ao mesmo tempo de liberta\u00e7\u00e3o apareceu com a autonomia (que agora est\u00e3o a querer domin\u00e1-la!). Chegar c\u00e1, ver a Madeira de um hotel e dizer que se conhece a Madeira \u00e9 irreal porque a alma do povo n\u00e3o \u00e9 essa. \u00c9 preciso olhar \u00e0s ra\u00edzes. Depois h\u00e1 outra coisa: os irm\u00e3os do Jos\u00e9, do Egipto. Num clero mais ou menos novo, n\u00e3o querem que seja um irm\u00e3o a estar \u00e0 frente. \u00c9 preciso que estes irm\u00e3os v\u00e3o crescendo\u2026<\/p>\n<p><i>AE &#8211; Vem D. Ant\u00f3nio Carrilho, com capacidade para se entranhar na cultura do povo? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> \u00c9 do reino dos Algarves\u2026 J\u00e1 fica perto de \u00c1frica, como n\u00f3s ficamos tamb\u00e9m. talvez isso ajude. Eu conhe\u00e7o-o. Eu julgo que ele vai acertar. \u00c9 o primeiro bispo do Algarve que vem para c\u00e1!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A Madeira pelo Mundo e o Mundo na Madeira<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 Que mensagem transmite aos madeirenses espalhados pelo mundo quando os visita? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> A primeira: sede fortes na f\u00e9. Depois, a vossa identidade \u00e9 importante, mas terei de pensar que haveis de viver nestas comunidades. Tem que haver, portanto, uma incardina\u00e7\u00e3o: n\u00e3o podeis rejeitar a igreja deste lugar porque a maior parte de v\u00f3s haveis de aqui ficar. Depois, o empenho na evangeliza\u00e7\u00e3o: nos locais onde n\u00e3o havia evangeliza\u00e7\u00e3o, hoje h\u00e1 por causa daquelas comunidades que levaram a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora, levaram a festa do Sant\u00edssimo Sacramento e conservaram a sua f\u00e9.<\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como foi promovendo o ecumenismo nesta diocese? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> Sendo uma terra de turismo, mais de metade dos turistas que nos visitam (v\u00eam da Inglaterra, da Alemanha e dos pa\u00edses n\u00f3rdicos) n\u00e3o s\u00e3o cat\u00f3licos. Eles n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o presentes como come\u00e7aram a acontecer casamentos mistos. E foram exemplares: um cat\u00f3lico da madeira que n\u00e3o pratica muito e que casa com uma senhora inglesa, por exemplo e que ela diz que vai respeitar, que os seus filhos h\u00e3o-de ser cat\u00f3licos\u2026 isto \u00e9 muito duro! E quando o pai que n\u00e3o sabe nada de religi\u00e3o cat\u00f3lica e a m\u00e3e, que \u00e9 protestante, \u00e9 que a vai ensinar o catolicismo aos filhos, que os leva \u00e0 S\u00e9\u2026 Admirei esta gente! A dificuldade \u00e9 com as seitas. N\u00e3o sabemos bem se crescem se diminuem. H\u00e1 sempre aqueles grupos, que encontramos em Portugal, com uma percentagem pequenina.<\/p>\n<p><b>Colabora\u00e7\u00e3o com quem promove o povo madeirense<\/b><\/p>\n<p><i>AE \u2013 H\u00e1 quem afirme que a causa da estabilidade do Governo Regional se deve \u00e0 Igreja? <\/i><\/p>\n<p><i>TF \u2013<\/i> S\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es. Um bispo que conhece o povo madeirense e que sabe que tem l\u00edderes \u00e0 frente que est\u00e3o a promov\u00ea-lo, que amam esse povo, que se dedicam a ele, o Bispo o que \u00e9 que pode fazer? Se eu fazia uma guerra ao Governo Regional, perdia o povo todo\u2026! E com \u00e9 que ficava? Com um grupo muito pequenino, que vive na lua\u2026! Agora, aquilo que ele estava a fazer para o mesmo povo, tendo que haver colabora\u00e7\u00e3o, isso era necess\u00e1rio. Trata-se de compreender aquela palavra de Paulo VI: a pol\u00edtica \u00e9 uma arte nobre. N\u00e3o a pol\u00edtica partid\u00e1ria, porque a\u00ed ningu\u00e9m me pode atacar de nada. Eu recebi todos os pol\u00edticos que aqui chegaram. Uma vez veio c\u00e1 o Dr. M\u00e1rio Soares fazer propaganda e o Bispo do Funchal recebeu-o\u2026 A ideia que eu tenho \u00e9 que se eu fizesse uma oposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao Dr. Alberto Jo\u00e3o &#8211; o que era injusto &#8211; eu \u00e9 que ca\u00eda, n\u00e3o era ele!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O perfil cultural de D. Teodoro de Faria e as repercuss\u00f5es de casos como o do Pe. Frederico em 25 anos de minist\u00e9rio episcopal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[119,295,144,186,237,246,320],"class_list":["post-24799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-arte-sacra","tag-biblia","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-funchal","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24799\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}