{"id":24793,"date":"2007-05-17T15:23:38","date_gmt":"2007-05-17T15:23:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/17\/bom-era-que-nao-fosse-preciso-o-banco-alimentar\/"},"modified":"2007-05-17T15:23:38","modified_gmt":"2007-05-17T15:23:38","slug":"bom-era-que-nao-fosse-preciso-o-banco-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bom-era-que-nao-fosse-preciso-o-banco-alimentar\/","title":{"rendered":"\u00abBom era que n\u00e3o fosse preciso o Banco Alimentar\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Banco Alimentar da Cova da Beira comemora cinco anos   Em entrevista ao Not\u00edcias da Covilh\u00e3, Ricardo Pinheiro Alves, do Banco Alimentar, faz o balan\u00e7o dos cinco anos de actividade, em que se apoiou muita gente que, aparentemente, pela forma que veste, n\u00e3o \u00e9 pobre. Mas a realidade, no terreno, \u00e9 bem diferente   <b>Not\u00edcias da Covilh\u00e3 <\/b>&#8211; Que balan\u00e7o faz destes cinco anos de actividade?  <b>Ricardo Pinheiro Alves <\/b>&#8211; O balan\u00e7o \u00e9 positivo. Quando come\u00e7\u00e1mos a preocupa\u00e7\u00e3o foi avaliar se havia necessidade de um banco alimentar nesta regi\u00e3o. E ap\u00f3s mais um ano de trabalho cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o que era preciso. Desde essa altura at\u00e9 agora especializ\u00e1mo-nos em recolher alimentos e conseguimos cumprir com o objectivo inicial que era construir uma entidade que recolhesse alimentos vindos do desperd\u00edcio e ajudar as pessoas que necessitassem. J\u00e1 o fizemos com mais de tr\u00eas mil pessoas.  NC &#8211; Mas depois do per\u00edodo inicial alargaram a actividade a outras zonas\u2026  RPA &#8211; Sim, fomos mais para a Guarda, Seia, Gouveia e Pinhel, ajudando cada vez mais pessoas. Se por um lado \u00e9 bom, porque demonstra o nosso crescimento, por outro lado \u00e9 mau porque mostra que h\u00e1 pessoas necessitadas. E o que era bom \u00e9 que n\u00e3o fosse preciso o Banco Alimentar existir.  <b>\u201cH\u00e1 pobreza quando se gasta dinheiro em coisas sup\u00e9rfluas\u201d<\/b>  NC &#8211; Tendo em conta este trabalho, pode-se dizer haver muita gente pobre na regi\u00e3o?  RPA &#8211; \u00c9 preciso perceber que o conceito de pobreza mudou de h\u00e1 uns anos a esta parte. H\u00e1 40 ou 50 anos atr\u00e1s pobreza significava mis\u00e9ria. Hoje em dia, os casos de mis\u00e9ria j\u00e1 s\u00e3o raros. O que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja pobreza.  O que acontece \u00e9 que h\u00e1 pessoas que t\u00eam rendimentos muito reduzidos para fazer face \u00e0s suas necessidades. Um caso muito comum s\u00e3o os idosos, com pens\u00f5es muito baixas, que muitas precisam do dinheiro para comprar medicamentos e ficam com muito pouco para alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 este tipo de pobreza que existe, mais localizada em zonas urbanas, no centro das cidades. As pessoas s\u00e3o aquelas que vemos na rua, mas que t\u00eam dificuldade em assumir a sua condi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 me deparei com casos de pais de fam\u00edlia com crian\u00e7as ao colo que est\u00e3o no desemprego h\u00e1 v\u00e1rios meses, mas que ainda n\u00e3o come\u00e7aram a receber o respectivo subs\u00eddio e precisam mesmo de ajuda. Mas muitas vezes, at\u00e9 pela forma como est\u00e3o vestidas, nem parece que estejam muito necessitadas. Tamb\u00e9m h\u00e1 pobreza rural, mas essa \u00e9 mais f\u00e1cil de identificar. Est\u00e1 frequentemente ligada a problemas de alcoolismo e droga. E \u00e0 falta de cultura das pr\u00f3prias pessoas, que o dinheiro que t\u00eam, gastam-no em coisas sup\u00e9rfluas, e n\u00e3o o guardam para coisas essenciais. Por\u00e9m, aqui, h\u00e1 sempre gente com um peda\u00e7o de terra para cultivar e isso acaba por ser uma ajuda.  NC &#8211; H\u00e1 hip\u00f3tese de alargar a actividade a outros concelhos? RPA &#8211; O Banco est\u00e1 integrado na Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Bancos Alimentares, que agrupa neste momento 13 bancos alimentares. O objectivo \u00e9 cobrir todo o territ\u00f3rio nacional, o que j\u00e1 est\u00e1 praticamente feito, faltando apenas a Madeira. Aqui no Continente falta o Interior norte do Pa\u00eds, a zona de Bragan\u00e7a e Vila Real. Para n\u00f3s chegar a essa \u00e1rea \u00e9 dif\u00edcil, porque ir l\u00e1 recolher se calhar fica muito dispendioso. Por isso, n\u00e3o faz sentido o Banco Alimentar estender-se para essa \u00e1rea. Na zona de Castelo Branco, o Banco Alimentar de Abrantes j\u00e1 est\u00e1 a trabalhar.  <b>\u201cEstamos a negociar novo armaz\u00e9m junto \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o\u201d<\/b> NC &#8211; O sucesso que tem tido fez com que surgissem mais dificuldades, como s\u00edtio para armazenar os alimentos\u2026  RPA &#8211; Temos um armaz\u00e9m que j\u00e1 pequeno para as nossas necessidades, na Boidobra. \u00c0s vezes n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de l\u00e1 por mais coisas. Por isso estamos em contacto com a REFER, que nos ir\u00e1, em princ\u00edpio, ceder um espa\u00e7o junto \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o da Covilh\u00e3 para l\u00e1 armazenarmos os alimentos. Ser\u00e1 preciso fazer pequenas obras e esperamos que at\u00e9 final do ano j\u00e1 esteja a funcionar.  NC &#8211; Tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios mais volunt\u00e1rios permanentes\u2026  RPA &#8211; Temos dois tipos de volunt\u00e1rios: os das campanhas e os permanentes, pessoas que trabalham ao longo do ano consoante a sua disponibilidade. \u00c9 que o Banco funciona todo o ano e pouca gente se apercebe disso. Temos cerca de 20, uns a trabalhar mais tempo, outros menos, mas precis\u00e1vamos de mais gente, em especial para trabalho administrativo. Por exemplo, n\u00e3o agradecemos pessoalmente, por carta, \u00e0s pessoas que participam nas campanhas porque, pura e simplesmente, n\u00e3o temos gente para fazer esse trabalho. E gost\u00e1vamos de o fazer.  NC &#8211; Quanto \u00e0 \u00faltima campanha, como \u00e9 que decorreu?  RPA &#8211; Se olharmos s\u00f3 para a campanha dos sacos, e a compararmos com o per\u00edodo hom\u00f3logo do ano passado, houve uma diminui\u00e7\u00e3o, pois no ano passado recolhemos cerca de 34 toneladas e este ano 31,7 toneladas. Por\u00e9m, decorre tamb\u00e9m a campanha de vales, ao mesmo tempo, que ainda n\u00e3o est\u00e1 contabilizada. Houve gente que participava nos sacos e que agora preferiu o vale. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que tenha havido um aumento tamb\u00e9m aqui.  <b>\u201cJ\u00e1 tivemos que cancelar acordos\u201d<\/b> NC &#8211; Como \u00e9 que os alimentos chegam \u00e0s pessoas?  RPA &#8211; O Banco n\u00e3o entrega alimentos directamente a ningu\u00e9m. H\u00e1 institui\u00e7\u00f5es no terreno, que conhecem melhor o terreno e os casos de car\u00eancia. Entram em contacto com o Banco Alimentar, assinam um acordo de coopera\u00e7\u00e3o e depois s\u00e3o fornecidos a eles os alimentos. O Banco verifica se as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o ou n\u00e3o cred\u00edveis, e depois, ao longo do ano, acompanha-as. \u00c9 que \u00e0s vezes n\u00e3o cumprem o estipulado.  NC &#8211; Como?  RPA &#8211; A ajuda que prestamos \u00e9 gratuita. N\u00e3o se pode exigir nada em troca. E n\u00f3s j\u00e1 detect\u00e1mos casos em que tivemos que cancelar acordos porque as pessoas da institui\u00e7\u00e3o usavam a entrega dos alimentos em troca de favores.  NC &#8211; N\u00e3o existe, neste trabalho, a d\u00favida se os alimentos chegam ou n\u00e3o a quem precisa?  RPA &#8211; De vez em quando recebemos den\u00fancias de que os alimentos est\u00e3o a ser dados a quem n\u00e3o necessita. J\u00e1 recebemos den\u00fancias em que a pessoa se identifica e explica o caso. Quanto isso acontece, vamos esclarecer o caso com a institui\u00e7\u00e3o e caso n\u00e3o haja uma altera\u00e7\u00e3o do comportamento, podemos acabar com o acordo. O que acontece \u00e9 que muitas vezes recebemos den\u00fancias an\u00f3nimas, e que denunciam em termos gerais, talvez por receio. Nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil detectar anomalias.    <b>O Banco Alimentar em n\u00fameros<\/b> *Em cinco anos de actividade, o Banco Alimentar Contra a Fome da Cova da Beira distribuiu 345 toneladas de alimentos em oito concelhos da regi\u00e3o, atrav\u00e9s de 35 institui\u00e7\u00f5es.  *O Banco Alimentar funciona durante todo o ano, e a ajuda permanente vem de 23 pessoas.  * Em 2006 eram j\u00e1 35 as entidades ajudadas, que beneficiavam directamente 2 mil e 800 pessoas. De 31 toneladas de g\u00e9neros, passou-se para a distribui\u00e7\u00e3o de 135 toneladas.  *A Covilh\u00e3 e Fund\u00e3o s\u00e3o os munic\u00edpios onde os tent\u00e1culos do Banco Alimentar mais auxiliam, mas canaliza tamb\u00e9m bens alimentares para os concelhos de Belmonte, Guarda, Manteigas, Gouveia, Seia e Pinhel.   <b>Confer\u00eancia para assinalar 5 anos de actividade<\/b> O Banco Alimentar Contra a Fome da Cova da Beira assinala o quinto anivers\u00e1rio no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, 19, com uma confer\u00eancia relativa ao \u201cCombate contra a Pobreza\u201d. A iniciativa tem lugar no anfiteatro da parada da Universidade da Beira Interior, \u00e0s 16h30.  Isabel Jonet, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Bancos Alimentares, \u00e9 uma das oradoras, que vai falar da ajuda tempor\u00e1ria dada por estas estruturas, at\u00e9 que as pessoas possam retomar uma vida com menos dificuldades. Lu\u00eds Vasconcelos, da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Direito ao Cr\u00e9dito, \u00e9 o outro convidado, para abordar o micro-cr\u00e9dito. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Banco Alimentar da Cova da Beira comemora cinco anos Em entrevista ao Not\u00edcias da Covilh\u00e3, Ricardo Pinheiro Alves, do Banco Alimentar, faz o balan\u00e7o dos cinco anos de actividade, em que se apoiou muita gente que, aparentemente, pela forma que veste, n\u00e3o \u00e9 pobre. Mas a realidade, no terreno, \u00e9 bem diferente Not\u00edcias da Covilh\u00e3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[154,168,172,183,206],"class_list":["post-24793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-vila-real","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}