{"id":247715,"date":"2022-07-20T11:07:33","date_gmt":"2022-07-20T10:07:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=247715"},"modified":"2022-07-20T11:08:51","modified_gmt":"2022-07-20T10:08:51","slug":"saber-aprender-a-reconhecer-pontos-de-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-reconhecer-pontos-de-apoio\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A reconhecer pontos de apoio"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Existem assuntos que entre familiares e amigos frequentemente levam \u00e0 discuss\u00e3o, como \u00e9 o caso da pol\u00edtica, futebol ou religi\u00e3o. As pessoas pensam que terem ideias fixas sobre as coisas confere-lhes assertividade e seguran\u00e7a naquilo que est\u00e3o a defender. Poucos s\u00e3o os que est\u00e3o cientes de que ter ideias fixas n\u00e3o faz l\u00e1 muito bem \u00e0 sa\u00fade mental. Recentemente partilharam-me um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DGEAr1PL_JA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">video<\/a>; da neurocientista brasileira Rosana Alves que refere este assunto e pensei numa experi\u00eancia recente que tive na organiza\u00e7\u00e3o de uma confer\u00eancia internacional.<\/p>\n<figure id=\"attachment_247716\" aria-describedby=\"caption-attachment-247716\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-247716 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-1080x608.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-980x551.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/PontoApoio-480x270.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-247716\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Vinicius Amano em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos momentos importantes das confer\u00eancias internacionais s\u00e3o os banquetes. No nosso caso, escolheu-se um espet\u00e1culo dedicado a \u201cPortugal e os Descobrimentos\u201d que continha alguns textos que achei um pouco exagerados porque me levavam a pensar como fomos outrora t\u00e3o longe e, o hoje de Portugal, parece t\u00e3o longe desses feitos. Mas, no dia seguinte, recebemos o retorno de uns estudantes estrangeiros que teriam ficado incomodados com o espet\u00e1culo pelo tom colonialista. Sinceramente, quando recebi aquela impress\u00e3o, pensei \u2014 <em>&#8220;ter\u00e3o ido ao mesmo espet\u00e1culo que eu?\u201d<\/em> \u2014 mas talvez tenha sido outra coisa.<\/p>\n<p>O nosso c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 muito virado para acolher ideias diferentes. Quando algu\u00e9m expressa uma ideia que vai contra as minhas convic\u00e7\u00f5es \u00e9 muito dif\u00edcil esvaziarmo-nos daquilo que pensamos para acolher plenamente a ideia do outro. E a raz\u00e3o \u00e9 biol\u00f3gica. Pois, ao fazer o esfor\u00e7o para compreender bem aquilo que o outro est\u00e1 a dizer, bem diferente daquilo que eu penso, o meu c\u00e9rebro \u00e9 obrigado a fazer novas liga\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas, exigindo um maior esfor\u00e7o cognitivo. Uma das reac\u00e7\u00f5es para contradizer a adversidade do novo \u00e9 a coloca\u00e7\u00e3o de um \u201cfiltro\u201d \u00e0quilo que o outro est\u00e1 a dizer. Ali\u00e1s, por essa raz\u00e3o tantos casais entram em conflito quando aquilo que um ouve do outro, filtrado pelo seu c\u00e9rebro, e repetido verbalmente, pode soar diferente daquilo que o outro realmente disse. Creio que algo semelhante ter\u00e1 acontecido na mente daqueles estudantes estrangeiros.<\/p>\n<p>Em muitos jovens sente-se uma certa polariza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a muitas coisas que se vivem no mundo. \u00c9 como se fosse imperativo evitar as zonas cinzentas que as ideias diferentes das nossas suscitam. No espect\u00e1culo, Vasco da Gama protagoniza os Portugueses e os Descobrimentos. Atrav\u00e9s do personagem vamos a \u00c1frica, \u00e0 \u00cdndia e ao Brasil. Quando l\u00e1 chega, Vasco da Gama procura comunicar com os povos diferentes do seu e acaba por aprender a dan\u00e7ar a dan\u00e7a de cada povo. Nunca imp\u00f5e um estilo portugu\u00eas de ser e dan\u00e7ar. Logo, a mensagem que compreendi foi a de um povo que no in\u00edcio procurou fazer-se um com os outros povos nos relacionamentos comerciais e culturais que estabelecia. N\u00e3o sou capaz de entender qualquer mensagem colonialista nisto, mas ser\u00e1 que filtrei algo?<\/p>\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41593-019-0549-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>; de 2019 publicado na <em>nature neuroscience<\/em> procurou perceber o mecanismo neurol\u00f3gico por detr\u00e1s das opini\u00f5es polarizadas e o resultado foi que, independentemente da aten\u00e7\u00e3o que prestamos aos outros, quando as nossas opini\u00f5es se contradizem, a sensitividade neuronal no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal m\u00e9dio posterior reduz-se, e essas opini\u00f5es deixam, biologicamente, de ter qualquer for\u00e7a sobre n\u00f3s. Quer isso dizer que n\u00e3o vale a pena falarmos sobre assuntos em que temos opini\u00f5es contr\u00e1rias?<\/p>\n<p>A \u201creceita\u201d \u00e9 simples: come\u00e7ar o di\u00e1logo, ou orient\u00e1-lo, em primeiro lugar, para aquilo que nos une, em vez de nos esfor\u00e7armos por mostrar como \u201cn\u00f3s\u201d temos evid\u00eancias para estarmos certos e os outros errados.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o os factos que alteram a nossa opini\u00e3o sobre os assuntos dif\u00edceis, mas antes os relacionamentos que estabelecemos com aqueles que pensam de uma maneira diferente de n\u00f3s. E assentar qualquer di\u00e1logo sobre uma base comum, na pr\u00e1tica, \u00e9 o passo natural para fortalecer qualquer relacionamento. S\u00f3 depois se pode pensar em amadurecer a nossa opini\u00e3o com a contr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quando algo n\u00e3o nos parece correcto \u00e9 importante manifest\u00e1-lo, mas a polariza\u00e7\u00e3o impede muitas vezes a opini\u00e3o razo\u00e1vel que n\u00e3o nega o valor da opini\u00e3o do outro, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sobrevaloriza a nossa. E se isto \u00e9 v\u00e1lido quando partilhamos a mesma cultura, mais v\u00e1lido ainda se torna quando somos de culturas diferentes.<\/p>\n<p>Atribui-se a Arquimedes a frase \u2014 <em>\u00abD\u00ea-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo.\u00bb<\/em> \u2014 Coisas que nos unem, valores que partilhamos, experi\u00eancias comuns apesar de diferentes convic\u00e7\u00f5es s\u00e3o pontos de apoio que nos ajudam a levantar o mundo das areias movedi\u00e7as da polariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso saber a ser sensato e a evitar as vis\u00f5es do mundo e da hist\u00f3ria a preto e branco. A vida enche-se de gradientes de cores subtis que perfazem uma diversidade de padr\u00f5es e tonalidades. E essa diversidade confere ao ambiente que nos rodeia uma unidade maravilhosa feita de muitos contrastes. Alfred North Whitehead dizia que se tudo fosse belo seria mon\u00f3tono, e se tudo fosse feio seria ca\u00f3tico. A beleza est\u00e1 na harmonia dos contrastes que n\u00e3o se contradizem, mas manifestam unidade na diversidade para que juntos cheguemos \u00e0 verdade sobre a realidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-247715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}