{"id":247633,"date":"2022-07-19T12:08:10","date_gmt":"2022-07-19T11:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=247633"},"modified":"2022-07-19T12:15:32","modified_gmt":"2022-07-19T11:15:32","slug":"a-cruz-escondida-194","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-194\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>O extraordin\u00e1rio exemplo de vida de D. Enrique Figaredo no Camboja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-247636\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ACN-20200519-101290-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>O bispo dos amputados<\/h4>\n<p>A princ\u00edpio, foi a compaix\u00e3o que o moveu. Compaix\u00e3o pelas v\u00edtimas das minas, talvez a arma mais trai\u00e7oeira inventada pelos homens. No Camboja, onde est\u00e1 desde 1985, este jesu\u00edta espanhol iniciou um trabalho not\u00e1vel junto dos amputados, junto dos mais pobres, dos exclu\u00eddos, os que a sociedade sempre ignorou. Agora, \u00e9 com paix\u00e3o que cumpre todos os dias essa miss\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m perguntar no Camboja pelo prefeito apost\u00f3lico de Battambang, provavelmente n\u00e3o saber\u00e3o de quem se trata. Mas se falarem no bispo das cadeiras de rodas, a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o restar\u00e3o d\u00favidas. O jesu\u00edta espanhol Enrique Figaredo, 62 anos de idade, est\u00e1 no Camboja h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas. Chegou a este pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico em 1985 e desde ent\u00e3o tem sido incans\u00e1vel o seu trabalho. J\u00e1 fundou escolas, hospitais, centros de ajuda para marginalizados e dedicou, desde sempre, uma aten\u00e7\u00e3o especial aos amputados, \u00e0s v\u00edtimas das minas. O passado, relativamente recente, da guerra no Camboja deixou esse legado trai\u00e7oeiro de bombas escondidas no ch\u00e3o, numa espera silenciosa pelas suas v\u00edtimas. E s\u00e3o tantas\u2026 D. Enrique Figaredo explicou, a uma equipa da Funda\u00e7\u00e3o AIS, que ainda h\u00e1 cerca de 200 acidentes por ano com minas. As minas terrestres ainda por explodir s\u00e3o, essencialmente, as que est\u00e3o longe das cidades, longe das estradas mais movimentadas, longe das preocupa\u00e7\u00f5es do poder. S\u00e3o minas que est\u00e3o escondidas nos campos, nos lugares frequentados pelos mais pobres, gente que procura numa agricultura de subsist\u00eancia o alimento para o dia-a-dia. \u00c9 nos campos de arroz ou nas florestas que essas minas escondidas esperam pelas suas presas. De viagem para Prey Thom, D. Enrique levou consigo uma equipa de reportagem da Funda\u00e7\u00e3o AIS. O objectivo era mostrar uma aldeia especial. Uma aldeia que nasceu da sua preocupa\u00e7\u00e3o precisamente para com estas v\u00edtimas, para com os sobreviventes das minas.<\/p>\n<h4>Verdadeira p\u00e1tria<\/h4>\n<p>\u201cDecidimos criar um lar para eles e para as suas fam\u00edlias, para que possam viver juntos e organizar a sua pr\u00f3pria vida\u201d, diz o jesu\u00edta espanhol enquanto conduz um carro Toyota j\u00e1 estafado por quil\u00f3metros de estradas empoeiradas. H\u00e1 serenidade na sua voz, no olhar, nos gestos. Dir-se-ia que D. Enrique assimilou por completo a amabilidade dos Cambojanos. \u201cToda esta \u00e1rea estava cheia de minas terrestres. Era terra de ningu\u00e9m, era onde eles combatiam\u201d, explica, ao mesmo tempo que vai levando o carro na direc\u00e7\u00e3o da aldeia. \u201cTemos milhares de sobreviventes de minas terrestres, amputados\u2026\u201d Um deles \u00e9 Pat. \u00c9 duplo amputado. Ficou sem as m\u00e3os enquanto combatia no ex\u00e9rcito dos Kmers Vermelhos. A verdadeira batalha da sua vida come\u00e7ou a\u00ed. Tem cinco filhos e o trabalho nos campos tornou-se imposs\u00edvel com os ferimentos. Ele precisava de trabalho para sobreviver e D. Enrique conseguiu um lugar para ele como guarda da igreja. \u201cNunca nos vamos habituar ao sofrimento do povo. \u00c9 imposs\u00edvel\u201d, diz o \u2018bispo das cadeiras de rodas\u2019, falando j\u00e1 para a c\u00e2mara de televis\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201c\u00c9 o nosso cora\u00e7\u00e3o que nos faz reagir. E tamb\u00e9m tenho de dizer que o sofrimento vem muitas vezes com centelhas de esperan\u00e7a\u2026\u201d O prefeito apost\u00f3lico de Battambang foi adoptado pelas gentes do Camboja. Todos sorriem \u00e0 sua presen\u00e7a. Ele transporta consigo uma simplicidade natural que o confunde com as gentes da terra. \u00c9 como se tivesse nascido no Camboja. \u00c9 um entre iguais. D. Enrique Figaredo nasceu em Espanha, h\u00e1 62 anos, mas a sua verdadeira p\u00e1tria est\u00e1 agora por ali, entre os mais pobres e esquecidos, entre os amputados, entre os que, com ele, reaprenderam a sorrir. \u201cTalvez porque temos f\u00e9, acreditamos. Aquele que nos vai levar \u00e0 luz n\u00e3o somos n\u00f3s. Deus d\u00e1-nos a for\u00e7a para irmos, para sermos humildes\u2026 Mas tamb\u00e9m temos de saber que n\u00e3o somos n\u00f3s que vamos resolver o problema com as nossas for\u00e7as. O que podemos fazer \u00e9 ser am\u00e1veis, acompanhar e Deus guiar-nos-\u00e1.\u201d Humilde e am\u00e1vel. Bastam duas palavras para se fazer quase o retrato completo deste Bispo dos amputados.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O extraordin\u00e1rio exemplo de vida de D. 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