{"id":24753,"date":"2007-05-16T12:24:00","date_gmt":"2007-05-16T12:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/16\/expectativas-e-esperancas-da-igreja-na-bolivia\/"},"modified":"2007-05-16T12:24:00","modified_gmt":"2007-05-16T12:24:00","slug":"expectativas-e-esperancas-da-igreja-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/expectativas-e-esperancas-da-igreja-na-bolivia\/","title":{"rendered":"Expectativas e Esperan\u00e7as da Igreja na Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"<p>Na Bol\u00edvia estamos a viver mudan\u00e7as profundas: umas convidam a olhar a marcha  com esperan\u00e7a e confian\u00e7a e outras preocupam-nos  e suscitam interroga\u00e7\u00f5es e d\u00favidas.  O ciclo do dom\u00ednio do liberalismo econ\u00f3mico que nunca conseguiu obter resultados palp\u00e1veis, chegou a seu fim em Dezembro de 2005. O actual Presidente (Evo Morlaes, ndr) alcan\u00e7ou uma vota\u00e7\u00e3o jamais obtida nos anos de vig\u00eancia democr\u00e1tica: irrompem assim, na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, os ind\u00edgenas, camponeses e sectores sociais quase sempre relegados e esquecidos.  No seu discurso program\u00e1tico anunciou mudan\u00e7as radicais no social e pol\u00edtico. Desejava assim terminar com a exclus\u00e3o hist\u00f3rica dos povos origin\u00e1rios e criar um Estado social-comunit\u00e1rio.  Para isso, entre outras medidas, impulsionou a Assembleia Constituinte para refundar a Bol\u00edvia com uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, promulgou a Lei Terra e Territ\u00f3rio Produtivo, em favor de ind\u00edgenas e camponeses, e a Lei contra a corrup\u00e7\u00e3o e impunidade. Tamb\u00e9m se empenhou na recupera\u00e7\u00e3o da propriedade e comercializa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e os recursos naturais para reafirmar o sentido de soberania nacional e obter melhores lucros. Isto indubitavelmente beneficia o pa\u00eds.  Em geral, este in\u00edcio causou gozo e esperan\u00e7a nuns, sofrimentos e desilus\u00f5es noutros. A pouco mais de um ano deste processo, constata-se em diversos sectores sociais e regi\u00f5es uma certa pressa para exigir os benef\u00edcios econ\u00f3micos  profusamente publicitados, multiplicando desta maneira press\u00f5es e conflitos.  A isto se acrescenta o despertar de um indigenismo sobretudo andino, desconhecedor da forte mesti\u00e7agem boliviana. Suscitam-se posturas vindicativas, a incita\u00e7\u00e3o \u00e0s confronta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 se fala de resist\u00eancia armada.  Esta polariza\u00e7\u00e3o e o centralismo estatal que debilita o ideal auton\u00f3mico das regi\u00f5es, paralisam o pa\u00eds incidindo fortemente na Assembleia Constituinte e afastando a possibilidade de contar com uma nova constitui\u00e7\u00e3o dentro dos termos propostos.  Apesar da vig\u00eancia da lei que impulsiona a transpar\u00eancia e dos melhores ganhos pela venda do g\u00e1s, n\u00e3o diminuiu a pobreza nem estamos livres de sinais de corrup\u00e7\u00e3o e de divis\u00e3o. A pura ret\u00f3rica n\u00e3o melhora a qualidade de vida do povo em geral e por isso n\u00e3o cessa a emigra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de tantos bolivianos em busca de dias melhores.  Al\u00e9m disso suscita temores a aten\u00e7\u00e3o, muito chamativa por parecer desinteressada, que manifestam alguns dignit\u00e1rios deste Continente pelo que acontece na Bol\u00edvia. Ningu\u00e9m desejaria sair de uma depend\u00eancia  estrangeira  para cair noutra.  Propaga-se o discurso de \u201cdescolonizar a Bol\u00edvia\u201d e considera-se a Igreja como co-autora do colonialismo. Isto \u00e9 evidente na nova vis\u00e3o de pa\u00eds que se defende, uma mostra clara \u00e9 a nova lei educativa estatista e laicista.  Neste ponto a Igreja na Bol\u00edvia n\u00e3o defende privil\u00e9gios, a n\u00e3o ser o direito \u00e0 liberdade religiosa para continuar a anunciar o Evangelho da vida.  Nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s pastores devemos responder \u00e0 perplexidade e aos temores que expressam os crentes. N\u00e3o desejamos evas\u00f5es nem c\u00famplices neutralidades, tampouco compromissos cegos ou fundamentalistas.  Sabemos que  a Verdade nos far\u00e1 livres.  Faremos toda a nossa obra que defenda e beneficie a dignidade do homem ainda que \u00e0 custa das incompreens\u00f5es que provoca sempre o Evangelho de Jesus. Assim o faremos, dando testemunho da nossa f\u00e9 com valentia, denunciando profeticamente tudo o que atenta contra a vida e  a pessoa humana.  Por isso \u00e9 preciso: &#8211; Olhar a realidade com uma metodologia que permita ver, julgar e agir como aut\u00eanticos disc\u00edpulos  e mission\u00e1rios de Jesus.  &#8211; Aprofundar e real\u00e7ar os conte\u00fados da mensagem evang\u00e9lica que correspondem ao conceito de pessoa, de vida humana  e de liberdade.  &#8211; Promover um estudo para detectar as ra\u00edzes culturais, filos\u00f3ficas e ideol\u00f3gicas dos fen\u00f3menos s\u00f3cio-pol\u00edticos em curso, para n\u00e3o cair em ingenuidades.  Os Bispos na Bol\u00edvia tamb\u00e9m esperam  luzes desta V Confer\u00eancia que reafirmem e orientem as respostas pastorais aos desafios que nos prop\u00f5e o mundo de hoje:  &#8211;  Que se destaque a urg\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos e mission\u00e1rios com identidade cat\u00f3lica, em particular os leigos para um compromisso mais decidido na transforma\u00e7\u00e3o das realidades tempor\u00e1rias de acordo ao Plano de Deus, com esmerada aten\u00e7\u00e3o aos temas da vida e a fam\u00edlia.  &#8211;  Particular prefer\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o merecem os jovens, que, de uma espiritualidade profundamente ancorada em Cristo, tomem consci\u00eancia de que os nossos povos e Igrejas estar\u00e3o muito em breve sob a sua responsabilidade.  &#8211;    Que se apoiem e reavivem com maior for\u00e7a as Comunidades Eclesiais de Base, primeira c\u00e9lula eclesi\u00e1stica, dinamizadora da vida na par\u00f3quia, para que esta seja verdadeira Comunidade de Comunidades.  &#8211;  Que se retome o tema da forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes que responda \u00e0s necessidades actuais das nossas Igrejas, e tamb\u00e9m reflectir a respeito da escassez dos presb\u00edteros que impede a participa\u00e7\u00e3o na Celebra\u00e7\u00e3o dominical da Eucaristia de tantos baptizados.  &#8211;  Que se indiquem linhas de uma verdadeira incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, perante a emerg\u00eancia  dos povos ind\u00edgenas e a sua atitude questionadora para com a Igreja.  &#8211;    Que se aprofunde nas rela\u00e7\u00f5es  com outras Igrejas crist\u00e3s em apoio a um ecumenismo claro e s\u00e3o, e tomando consci\u00eancia do dinamismo das mesmas. Olhemos com olhar novo todos os que professam a f\u00e9 em Cristo, longe de n\u00f3s as atitudes de condena\u00e7\u00e3o, de exclus\u00e3o ou de sentimentos de retomada de espa\u00e7os perdidos. O di\u00e1logo e a proximidade fraternal permitir\u00e3o caminhar juntos, rumo \u00e0 unidade da Igreja.  Compartilhei convosco, irm\u00e3os Bispos, as nossas preocupa\u00e7\u00f5es pelo que estamos a viver na Bol\u00edvia, porque sabemos que esta problem\u00e1tica se est\u00e1 a impor noutros pa\u00edses do Continente, porque sentimos o vosso interesse e solidariedade fraterna e porque juntos podemos compreender melhor esta realidade complexa e, sobretudo, para que ofere\u00e7amos umas palavras alentadoras e orientadoras aos nossos povos.  Que todos sejamos aut\u00eanticos \u201cDisc\u00edpulos e mission\u00e1rios de Jesus Cristo, para que os nossos povos nEle tenham vida\u201d.  <i> Cardeal Julio Terrazas Sandoval,  Arcebispo de Santa Cruz de la Sierra, Bol\u00edvia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Bol\u00edvia estamos a viver mudan\u00e7as profundas: umas convidam a olhar a marcha com esperan\u00e7a e confian\u00e7a e outras preocupam-nos e suscitam interroga\u00e7\u00f5es e d\u00favidas. O ciclo do dom\u00ednio do liberalismo econ\u00f3mico que nunca conseguiu obter resultados palp\u00e1veis, chegou a seu fim em Dezembro de 2005. 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