{"id":24727,"date":"2007-05-15T12:17:02","date_gmt":"2007-05-15T12:17:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/15\/igreja-e-media-relacoes-entre-o-sagrado-e-o-profano\/"},"modified":"2007-05-15T12:17:02","modified_gmt":"2007-05-15T12:17:02","slug":"igreja-e-media-relacoes-entre-o-sagrado-e-o-profano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-media-relacoes-entre-o-sagrado-e-o-profano\/","title":{"rendered":"Igreja e Media: rela\u00e7\u00f5es entre o sagrado e o profano?"},"content":{"rendered":"<p>Pontes de di\u00e1logo devem ajudar a superar pontos de conflito m\u00fatuo entre o discurso religioso e a agenda jornal\u00edstica <!--more--> A Igreja cat\u00f3lica \u00e9 um dos temas de elei\u00e7\u00e3o para os media. Mas o contr\u00e1rio n\u00e3o sucede. E isso pode tornar-se complicado na gest\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o di\u00e1ria que algumas vezes parece mais um conflito. O desconhecimento m\u00fatuo que ainda existe, apesar do merit\u00f3rio trabalho da Ag\u00eancia Ecclesia, tem dificultado o di\u00e1logo e as parcerias.  A superficialidade e a rapidez dos media n\u00e3o se compadece com a complexidade do discurso religioso. E a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser a adapta\u00e7\u00e3o dos media \u00e0quilo que a Igreja considera ser importante. Porque os media s\u00e3o aquilo que o p\u00fablico quer &#8211; essa massa enorme de gente que tamb\u00e9m inclui muitos cat\u00f3licos. Aqui est\u00e1, na minha opini\u00e3o, um dos principais pontos de conflito. A din\u00e2mica dos dois discursos n\u00e3o se conjuga. Na d\u00favida, os jornalistas tendem a desvalorizar o discurso religioso (porque n\u00e3o o percebem ou ele n\u00e3o \u00e9 claro o suficiente) e a hierarquia tende a olhar para os media como predadores sedentos de sangue. Isso s\u00f3 sucede por falta de comunica\u00e7\u00e3o entre os dois lados da barricada. Aos media faltam especialistas e jornalistas conhecedores de religi\u00e3o como sucede noutras \u00e1reas editoriais como a pol\u00edtica, a defesa ou a justi\u00e7a. \u00c0 Igreja faltam pontes de di\u00e1logo. E as suas escolhas de protagonistas n\u00e3o se coadunam com uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o com a opini\u00e3o p\u00fablica. Em regra, maus comunicadores n\u00e3o podem ser bons dirigentes. E isso tamb\u00e9m \u00e9 verdade na Igreja. A falta de contactos directos e r\u00e1pidos dos media com os respons\u00e1veis religiosos de pelouros essenciais na rela\u00e7\u00e3o com a sociedade. A aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o articulada por parte da hierarquia junto da opini\u00e3o p\u00fablica. A incom-preens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias das frases ditas. A lentid\u00e3o na resposta em mat\u00e9rias urgentes e actuais. Tudo isto s\u00e3o gr\u00e3os de areia que emperram as rela\u00e7\u00f5es da Igreja com os media. Mas para tudo h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o. A Igreja tem de se assumir como corpo organizado e actuante nos media. Os jornalistas e as suas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma mole err\u00e1tica sem uma estrat\u00e9gia definida sobre quase tudo. E isso pode ser aproveitado pela Igreja para fazer o seu caminho pastoral, utilizando os media como aliados e n\u00e3o como advers\u00e1rios. Mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio atacar a raiz em vez de podar apenas as folhas. A forma\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica deve incluir disciplinas ligadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o junto dos crentes e dos media. Qualquer p\u00e1roco \u00e9 um l\u00edder de opini\u00e3o que deve utilizar os media, laicos ou n\u00e3o, como instrumentos de divulga\u00e7\u00e3o da mensagem. Mas para isso, tem de se adaptar, no discurso, aos novos tempos. Porque os tempos tamb\u00e9m s\u00e3o novos para os crentes. E um padre que n\u00e3o saiba falar para os jornais tamb\u00e9m n\u00e3o sabe falar para os jovens de hoje. O n\u00famero de jornais de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica deve ser reduzido com uma aposta mais s\u00e9ria na profissionaliza\u00e7\u00e3o. Uma folha de par\u00f3quia vale menos do que uma p\u00e1gina regular num seman\u00e1rio concelhio ou diocesano. E \u00e9 nisso que a Igreja deve investir em vez da profus\u00e3o incoerente de t\u00edtulos que perde efic\u00e1cia. O discurso deve ser menos herm\u00e9tico e mais concreto. Em muitos casos, a descodifica\u00e7\u00e3o do texto religioso colide com as inten\u00e7\u00f5es de quem o proferiu por isso mesmo. A opini\u00e3o p\u00fablica, bem como os crentes, n\u00e3o \u00e9 composta por te\u00f3logos. E o erro em comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre do emissor e nunca do receptor. Se existe alguma anomalia \u00e9 porque quem fala n\u00e3o se fez compreender. E isso, lamentavelmente, \u00e9 frequente no discurso religioso. Nos jornais e na televis\u00e3o, os elementos da hierarquia que mais aparecem s\u00e3o sempre os mesmos. No caso dos bispos, a lista reduz-se quase toda a D. Carlos Azevedo e D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira. N\u00e3o porque eles queiram um palanque ou tenham o objectivo pessoal de auto-promo\u00e7\u00e3o. Mas porque s\u00e3o os \u00fanicos que est\u00e3o sempre acess\u00edveis e dispon\u00edveis para comentar a realidade quotidiana. E n\u00e3o s\u00e3o eles que ditam as perguntas. Somente t\u00eam a capacidade de controlar as respostas que d\u00e3o. Isso leva-me a outro problema recorrente. Muitas vezes, os elementos da hierarquia n\u00e3o percebem a din\u00e2mica noticiosa. E n\u00e3o t\u00eam em conta o peso de algumas frases que proferem, ficando depois desiludidos ou desapontados com o tratamento dos media. Por isso, julgo que deveriam existir ac\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o sobre comunica\u00e7\u00e3o para aqueles que s\u00e3o os porta-vozes, aos mais variados n\u00edveis, da Igreja. Para os jornalistas, falta tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o sobre religi\u00e3o. A experi\u00eancia positiva de forma\u00e7\u00e3o do Patriarcado a alguns jornalistas de Lisboa deveria ser replicada noutras dioceses. Em cada uma delas, o bispo diocesano ou um seu representante deveria estar acess\u00edvel para os jornalistas, nomeadamente os de \u00f3rg\u00e3os regionais. A transmiss\u00e3o da mensagem crist\u00e3 n\u00e3o se resume aos p\u00falpitos das igrejas. Os media s\u00e3o um novo altar de divulga\u00e7\u00e3o em que a Igreja parece querer ter um papel subalterno em vez de ocupar o lugar a que tem direito.  Mas para isso s\u00f3 com estrat\u00e9gia, efic\u00e1cia e humildade. Porque no campeonato di\u00e1rio da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3rias em todas as jornadas. E a Igreja tem de estar preparada para alguns jogos dif\u00edceis em que at\u00e9 os \u00e1rbitros podem ser desfavor\u00e1veis. <i>Paulo Agostinho, Jornalista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pontes de di\u00e1logo devem ajudar a superar pontos de conflito m\u00fatuo entre o discurso religioso e a agenda jornal\u00edstica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-24727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24727\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}