{"id":24719,"date":"2007-05-15T11:03:45","date_gmt":"2007-05-15T11:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/15\/o-papa-no-sameiro\/"},"modified":"2007-05-15T11:03:45","modified_gmt":"2007-05-15T11:03:45","slug":"o-papa-no-sameiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-papa-no-sameiro\/","title":{"rendered":"O Papa no Sameiro"},"content":{"rendered":"<p>Uma aurora, entre duas tempestades <!--more--> 1. Foi h\u00e1 vinte e cinco anos, completados hoje: o servo de Deus Papa Jo\u00e3o Paulo II visitou Braga, sobretudo o santu\u00e1rio mariano do Sameiro.  Tratou-se de um acontecimento sem par, na hist\u00f3ria mais que bimilen\u00e1ria da Cidade e de quase igual idade da Arquidiocese bracarense.  N\u00e3o vou comentar o acontecimento e suas repercuss\u00f5es pol\u00edtico-religiosas. Ele est\u00e1 palpitante na mem\u00f3ria dos que o viveram e tamb\u00e9m de quantos se debru\u00e7aram sobre o grande evento. Julguei interessante fixar- me nos atribulados preparativos e alguns reflexos menos conhecidos.  Em 10 de Fevereiro desse ano de 1982, fui informado oficialmente de que o Papa visitaria Portugal no m\u00eas de Maio, confirmando os boatos e desejos que pairavam no ar e nos cora\u00e7\u00f5es. Apontavam-se, como poss\u00edveis pontos da visita, F\u00e1tima (13), Sameiro (14), Lisboa (15) e eventualmente Vila Vi\u00e7osa. Mas foi-me imposto sil\u00eancio absoluto, at\u00e9 que o Vaticano desse publicidade ao an\u00fancio e respectivo programa.  Falava-se ent\u00e3o numa visita particular de Jo\u00e3o Paulo II, como peregrino agradecido \u00e0 M\u00e3e de Deus pela protec\u00e7\u00e3o recebida no atentado sacr\u00edlego, em 13 de Maio do ano anterior, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro. S\u00f3 mais tarde, havia de classificar- se como Visita Apost\u00f3lica e de Estado, a convite da Confer\u00eancia Episcopal e Presidente da Rep\u00fablica.  No dia 16 daquele m\u00eas, efectuou-se a primeira reuni\u00e3o ante-preparat\u00f3ria e muito discreta dos Bispos mais directamente implicados na visita, ou sejam, o de Leiria e os tr\u00eas Metropolitas.   2. Em 7 de Mar\u00e7o, o Papa fez o an\u00fancio p\u00fablico na alocu\u00e7\u00e3o dominical e, logo no dia seguinte, reuni com o Conselho episcopal para delinearmos o programa em Braga e distribui\u00e7\u00e3o de trabalhos. S\u00f3 mais tarde a vinda a Braga se  fixou em 15.  A 12, houve uma reuni\u00e3o no Sameiro com o N\u00fancio Apost\u00f3lico, o monsenhor Paulo Marcinkus \u2013 respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do Papa \u2013 e alguns Bispos. Dez dias depois, houve uma reuni\u00e3o em F\u00e1tima de toda a Confer\u00eancia Episcopal sobre o assunto, mas ainda apenas com o programa em esbo\u00e7o.  Com data de 31 de Mar\u00e7o, foi publicada uma extensa Nota oficiosa congratulat\u00f3ria, assinada por mim e pelo Bispo Auxiliar D. Joaquim Gon\u00e7alves, sobre a visita a Braga, j\u00e1 com algumas considera\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es respeitantes ao auspicioso acontecimento. Nomearam- se as cinco Comiss\u00f5es preparat\u00f3rias, com os respectivos presidentes:  Acolhimento e protocolo \u2013 Vig\u00e1rio geral C\u00f3nego Doutor Silva Marques;  Dinamiza\u00e7\u00e3o e meios \u2013 Vig\u00e1rio episcopal do clero Pe. Dr. Jorge Ortiga;   Liturgia e catequese \u2013 Vig\u00e1rio episcopal da educa\u00e7\u00e3o C\u00f3n. Dr. Oliveira Fernandes;  Comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 Vig\u00e1rio episcopal dos leigos Pe. Doutor Sousa e Silva;  Comiss\u00e3o coordenadora \u2013 Bispo Auxiliar D. Joaquim Gon\u00e7alves.  Terminava a Nota: \u00abCom a ora\u00e7\u00e3o e o trabalho de todos, espera-se que o pr\u00f3ximo dia  15 de Maio fique como um marco mili\u00e1rio na hist\u00f3ria desta Igreja que peregrina na regi\u00e3o bracarense, h\u00e1 quase dois mil anos\u00bb (Vide \u201cAc\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica\u201d, 1982, p. 175-177).  No dia 2 de Abril, os tr\u00eas Arcebispos metropolitas e o Bispo de Aveiro \u2013 ent\u00e3o Presidente da CEP \u2013 deslocaram- se a Roma, convidados  pelo Papa. Convers\u00e1mos com Monsenhor Marcinkus no Pal\u00e1cio Pontif\u00edcio do Vaticano e fomos recebidos pelo Santo Padre que nos obsequiou com o almo\u00e7o.  Foi um encontro muito agrad\u00e1vel, procurando o Papa informar-se bem, numa longa conversa em portugu\u00eas, por ele assim exigida, para se treinar\u2026 explicou.  Prosseguiram as reuni\u00f5es preparat\u00f3rias, a n\u00edvel episcopal. Destaco uma em Lisboa,  no Patriarcado (em 15 de Abril) e outra em F\u00e1tima (no dia 20).  Nesta, Monsenhor Marcinkus, que estava presente, ousou p\u00f4r em d\u00favida a vinda   a Braga, por ficar apertada entre as visitas a Coimbra e ao Porto, ambas fixadas a 15, dia do regresso a Roma. Reagi duramente, afirmando mesmo: \u00abSe n\u00e3o vier a Braga, n\u00e3o ir\u00e1 a nenhum outro local, al\u00e9m de F\u00e1tima e Lisboa\u00bb. Os Bispos presentes concordaram inteiramente na necessidade de incluir Braga, embora lutando com a pen\u00faria  de tempo.  No dia 27, houve uma reuni\u00e3o no Sameiro com os monsenhores John Magee e Bacqu\u00e8 e o padre Azevedo Oliveira, para os pormenores da Liturgia papal. A 10 de Maio, reuni com o Conselho episcopal para apreciar e seleccionar as numerosas e significativas ofertas destinadas ao Papa.   3. Entretanto, iniciaram-se os arranjos para a Missa ao ar livre, que um temporal no dia 11 estragou, havendo que recome\u00e7ar. Esse mesmo mau tempo prejudicou a estadia em Braga, no dia 15, S\u00e1bado. A viagem desde Coimbra, planeada para um helic\u00f3ptero, teve de ser efectuada de comboio, \u00e0 \u00faltima  hora, o que prejudicou o programa acordado, pois perderam-se mais de duas horas no trajecto.  Mas conseguiu-se efectuar  o essencial. A visita, embora muito comprimida, logrou o objectivo primordial, com uma Celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica muito solene e a homilia sobre \u201cA fam\u00edlia, comunidade insubstitu\u00edvel\u201d. Esta foi um eco muito oportuno da Constitui\u00e7\u00e3o  Apost\u00f3lica \u201cFamiliaris consortio\u201d, por ele publicada meio ano antes (22.11.1981).  Tr\u00eas anos mais tarde, em 23 de Mar\u00e7o de 1985, veio ao Sameiro o Cardeal Casaroli, Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano, presidir \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Manuel Monteiro e Castro, actual  \u00fancio Apost\u00f3lico  em Madrid. Numa longa conversa sobre a visita do Papa, em que participara, fiz uma breve refer\u00eancia \u00e0s dificuldades e mesmo indelicadezas razidas por Monsenhor  Marcinkus, entretanto exonerado dos altos argos que desempenhava  no Vaticano \u2013 e regressado aos EUA, donde era natural e onde faleceu h\u00e1 pouco \u2013 por complica\u00e7\u00f5es urgidas entre um Banco  italiano e o da Santa S\u00e9 (IOR), de que era o alto respons\u00e1vel. \u00abJ\u00e1 recebeu a paga&#8230;\u00bb \u2013 rematou ele, com alguma ironia. Fiquei a saber que esta n\u00e3o \u00e9 vedada aos Cardeais. Naturalmente s\u00f3 ao Papa\u2026 ou talvez nem a ele!   4. Em 19 de Maio de 1982, recebi um gentil telegrama de Jo\u00e3o Paulo II, sobre a recep\u00e7\u00e3o o Sameiro:  congratulava-se, agradecia e aben\u00e7oava.  Um ano depois, ergueram-se em Braga dois monumentos comemorativos, a assinalar a visita: um no Sameiro, ao fundo da imponente escadaria, promovido pela Arquidiocese; outro em plena cidade, na Avenida Central, por decis\u00e3o da C\u00e2mara Municipal. Foi ena esta  dispers\u00e3o de for\u00e7as  dinheiro, mas a culpa   n\u00e3o coube \u00e0quela. Acresceu recentemente, em certo sentido, o amplo painel, por detr\u00e1s do altar da Cripta.  Muita gente trabalhou dedicadamente na prepara\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do  programa papal.  No fim, ocorreram alguns melindres e zangas: todos queriam aproximar-se do Papa e muitos consideravam-se com mais direito. Era imposs\u00edvel satisfazer todos os anseios: pela  pr\u00f3pria natureza do evento,  por limita\u00e7\u00f5es impostas pela seguran\u00e7a do Vaticano e pela estreiteza de tempo, reduzido de cinco para tr\u00eas horas, com pesar de todos n\u00f3s.  Mas, apesar das conting\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es, tudo decorreu bastante bem.   Os aborrecimentos e zangas  foram esquecendo; e ficou,  para a Hist\u00f3ria, a lembran\u00e7a de um  contecimento sem par, nos Fastos da Igreja Bracarense.    Eurico Nogueira Arcebispo Em\u00e9rito<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma aurora, entre duas tempestades<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[95,127,170,172,174,187,193,206,207,237,246,261,297],"class_list":["post-24719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-accao-catolica","tag-catequese","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-missoes","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}