{"id":247122,"date":"2022-07-13T16:19:37","date_gmt":"2022-07-13T15:19:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=247122"},"modified":"2022-07-15T11:03:06","modified_gmt":"2022-07-15T10:03:06","slug":"portugal-falta-um-sim-politico-para-que-criancas-em-casas-de-acolhimento-possam-ter-padrinhos-civis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-falta-um-sim-politico-para-que-criancas-em-casas-de-acolhimento-possam-ter-padrinhos-civis\/","title":{"rendered":"Portugal: Falta um \u00absim pol\u00edtico\u00bb para que crian\u00e7as em casas de acolhimento possam ter \u00abpadrinhos civis\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Jurista Ana Sofia Marques explica que medida de prote\u00e7\u00e3o a menores permite manter crian\u00e7as ligadas \u00e0 sua fam\u00edlia de origem e ganhar suporte emocional de outro agregado familiar<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_247067\" aria-describedby=\"caption-attachment-247067\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-247067 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"998\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-1280x852.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-980x652.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ana-sofia-marques2-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-247067\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 13 jul 2022 (Ecclesia) \u2013 Ana Sofia Marques, jurista com especializa\u00e7\u00e3o no Direito da Fam\u00edlia e Menores, indica a medida do apadrinhamento civil como a via para dar \u00e0s crian\u00e7as que crescem em casas de acolhimento \u201co direito a ter e viver numa fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que falta \u00e9 um sim pol\u00edtico. De prioridade. Quando isto for prioridade teremos IPSS envolvidas, as casas de acolhimento, e uma sociedade civil dispon\u00edvel com fam\u00edlias dispon\u00edveis a dar este contributo\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, sobre uma lei \u201cbem feita, mas desconhecida e n\u00e3o posta em pr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA lei quando foi feita previa uma bolsa de padrinhos civis e quando as casas ou os tribunais pedem padrinhos civis, \u00e0 semelhan\u00e7a da ado\u00e7\u00e3o, vai-se a essa bolsa, que neste momento tem poucos candidatos\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>O apadrinhamento civil, explica a jurista, \u201cpermite duas somas\u201d: \u201cA crian\u00e7a mant\u00e9m a fam\u00edlia, a sua hist\u00f3ria e origem, e ganha uma nova fam\u00edlia onde consegue ser protegida, onde consegue crescer, sentir que pertence e n\u00e3o tem de perder nada para ganhar este direito a ter uma fam\u00edlia e viver em fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cE estes mi\u00fados precisam de algu\u00e9m que os acolha, mas tamb\u00e9m acolha a sua m\u00e3e, o pai, os irm\u00e3os, os av\u00f3s. O apadrinhamento civil \u00e9 claramente a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o precisa de ser pela via da medida, mas importa perceber como se operacionaliza \u2013 as fam\u00edlias envolverem-se, uma vez que d\u00e1 responsabilidade a todos\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ana Sofia Marques que, com a sua fam\u00edlia, tem a medida de \u00abRegula\u00e7\u00e3o de responsabilidades parentais\u00bb, aplicada a duas pessoas, a Marta e a Maria, que conheceu quando estas residiam numa casa de acolhimento, regista que os t\u00e9cnicos n\u00e3o conhecem a medida de prote\u00e7\u00e3o do apadrinhamento civil.<\/p>\n<p>\u201cQuando fomos tratar do assunto, o t\u00e9cnico que nos atendeu e perante a minha sugest\u00e3o de que o mais adequado era o regime de apadrinhamento civil, ele disse que esse regime n\u00e3o existia. Eu expliquei em que consistia. Do ponto de vista do direito da crian\u00e7a, o regime est\u00e1 muito bem constru\u00eddo, n\u00e3o \u00e9 aplicado, mas a grande mais-valia \u00e9 que prev\u00ea que se construa uma rela\u00e7\u00e3o, que pode j\u00e1 pr\u00e9-existir mas pode ser constru\u00edda\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>Ana Sofia Marques, jovem a licenciar-se em Direito, foi fazer voluntariado a uma casa de acolhimento, Casa da Encosta, onde surgiu o convite para participar em campos de f\u00e9rias organizados por um movimento que mais tarde se veio a chamar Candeia, destinados a crian\u00e7as residentes em casas de acolhimento.<\/p>\n<p>\u201cQuando acabei o curso, todos os meus colegas e amigos foram para sociedades de advogados e eu fui bater \u00e0 porta de v\u00e1rias IPSS e tentar perceber o que fazia sentido um jurista fazer, porque n\u00e3o era claro que algu\u00e9m da \u00e1rea do Direito pudesse trabalhar numa IPSS. E eu acreditava que havia de encontrar uma forma de conjugar o direito com a prote\u00e7\u00e3o de menores\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A jurista come\u00e7ou por trabalhar numa Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Jovens, em Lisboa, o que lhe permitiu ter \u201cmaior conhecimento\u201d da lei e do funcionamento das casas de acolhimento, refor\u00e7ando o seu gosto e o entendimento que a sua miss\u00e3o \u201cpessoal e profissional\u201d era trabalhar nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>Em 2015 nasceu o projeto \u00abAmigos p&#8217;ra Vida\u00bb, ligado \u00e0 associa\u00e7\u00e3o Candeia, a partir da experi\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o que Ana Sofia e o seu marido tinham com a Maria e a Marta.<\/p>\n<blockquote><p>O projeto nasce da experi\u00eancia de apoio \u00e0 Marta e \u00e0 Maria e da consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9ramos suficientes, sequer para apoiar os seus irm\u00e3os; mas sent\u00edamos que, em vez de estar a levar para casa as necessidades e dizer que n\u00e3o consegu\u00edamos mais, o que fazia mais sentido seria contagiar outros\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Atualmente a Marta e da Maria vivem com a Ana Sofia, o sue marido e os quatros filhos do casal, com a medida de prote\u00e7\u00e3o \u00abConfian\u00e7a \u00e0 Pessoas Id\u00f3nea\u00bb que se aplica a pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da fam\u00edlia: \u201cSomos padrinhos de batismo e agora acrescemos nos direitos e deveres\u201d.<\/p>\n<p>Ana Sofia Marques integra agora o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o e Cuidado (SPC), da Companhia de Jesus, e o projeto Cuidar, ligado \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, onde a cria\u00e7\u00e3o da \u201ccultura do cuidado\u201d \u00e9 o objetivo.<\/p>\n<p>O SPC n\u00e3o foi constru\u00eddo focado nos abusos sexuais mas na prote\u00e7\u00e3o contra qualquer forma de mau trato ou abuso, e no objetivo de criar uma cultura de cuidado, numa l\u00f3gica positiva. Temos sentido que vamos passando do manual feito, em 2018, para o cora\u00e7\u00e3o das pessoas, sendo necess\u00e1rio um trabalho continuo que n\u00e3o funciona por decreto\u201d, regista.<\/p>\n<p>A conversa com Ana Sofia Marques pode ser acompanhada esta madrugada, pouco depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o ou em formato podcast.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jurista Ana Sofia Marques explica que medida de prote\u00e7\u00e3o a menores permite manter crian\u00e7as ligada \u00e0 sua fam\u00edlia de origem e ganhar suporte emocional de outro agregado 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