{"id":24712,"date":"2007-05-15T10:16:18","date_gmt":"2007-05-15T10:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/15\/joao-paulo-ii-25-anos-depois\/"},"modified":"2007-05-15T10:16:18","modified_gmt":"2007-05-15T10:16:18","slug":"joao-paulo-ii-25-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/joao-paulo-ii-25-anos-depois\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Paulo II, 25 anos depois"},"content":{"rendered":"<p>Nota pastoral de D. Manuel Clemente recorda primeira visita do Papa polaco ao nosso pa\u00eds e a mensagem em defesa dos trabalhadores <!--more--> Ao passarem vinte e cinco anos sobre a memor\u00e1vel visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II ao Porto, facto \u00fanico nos anais da Cidade Invicta, julgo oportuno retomar o essencial do seu discurso ent\u00e3o proferido, ligando-o \u00e0s actuais circunst\u00e2ncias locais e regionais.  T\u00eam sido reconhecidas e analisadas as dificuldades sociais e econ\u00f3micas da regi\u00e3o, em especial no que toca \u00e0s empresas e ao desemprego de muitos trabalhadores. Igualmente se verificam novos surtos emigrat\u00f3rios, em busca do trabalho que aqui escasseia. Reconhecem-se abandonos da escolaridade, atrasos na qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e lacunas na forma\u00e7\u00e3o especializada, precisamente onde mais urgentes elas se tornam para o desenvolvimento. Sentem-se desencantos e desmotiva\u00e7\u00f5es, por vezes muito precoces, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas de vida, com reflexos negativos no campo da constitui\u00e7\u00e3o e sustento da vida familiar e da disponibilidade para a participa\u00e7\u00e3o social criativa. As boas not\u00edcias s\u00e3o poucas nestes campos interligados e envoltas num tom geral de apreens\u00e3o sobre as capacidades da regi\u00e3o e do pa\u00eds. \u00c9 certo que uma vis\u00e3o mais atenta do que se passa com muitos concidad\u00e3os nossos e nas suas vidas pessoais, associativas e institucionais, nos faz reconhecer que tamb\u00e9m n\u00e3o faltam compromissos e gestos solid\u00e1rios. Como se destaca e louva o trabalho generoso de tantas institui\u00e7\u00f5es \u2013 em grande parte ligadas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica -, no atendimento e ajuda \u00e0s diferentes necessidades, ao longo da vida de pessoas e fam\u00edlias. Tamb\u00e9m se sublinham os estudos e propostas concretas para a ultrapassagem positiva das dificuldades presentes, provenientes de institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, administrativas, aut\u00e1rquicas e s\u00f3cio-profissionais, al\u00e9m dos contributos de valiosas reflex\u00f5es pessoais. \u00c9 neste contexto que lembro o ponto essencial do discurso do Papa Jo\u00e3o Paulo II no Porto, h\u00e1 um quarto de s\u00e9culo: a dignidade da pessoa humana, como refer\u00eancia constante da an\u00e1lise que se fa\u00e7a e da solu\u00e7\u00e3o que se procure em qualquer situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica. Dirigindo-se directamente aos trabalhadores, o Papa dizia-o assim: \u201cA dignidade da pr\u00f3pria pessoa que trabalha h\u00e1-de ser a base e o crit\u00e9rio a ter presente, quando se trata da avalia\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie de trabalho manual ou intelectual\u201d. A consequ\u00eancia efectiva deste crit\u00e9rio reside em que os intervenientes no processo de desenvolvimento, mesmo quando se tenha de proceder a grandes altera\u00e7\u00f5es, desloca\u00e7\u00f5es e at\u00e9 substitui\u00e7\u00f5es e dispensas no quadro das empresas e servi\u00e7os, devem pensar em alternativas vi\u00e1veis para todos os eventualmente afectados, tendo em conta, ali\u00e1s, as respectivas idades e fam\u00edlias, al\u00e9m de outras circunst\u00e2ncias pessoais. E, neste ponto, as autoridades p\u00fablicas, primeiras zeladoras do bem comum, t\u00eam certamente de apoiar os particulares, quer empregadores quer empregados.  Para mais, o trabalho, sendo certamente um meio de justa e digna subsist\u00eancia, \u00e9 tamb\u00e9m o caminho pr\u00f3prio da realiza\u00e7\u00e3o humana, devendo ser encarado como um bem social de primeira ordem. Garantir trabalho, promover a habilita\u00e7\u00e3o escolar e profissional, desenvolver a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u2013 convencendo delas os pr\u00f3prios trabalhadores, para si e para os seus filhos \u2013 e obviar \u00e0 ociosidade for\u00e7ada, tudo s\u00e3o garantias de uma sociedade realmente desenvolvida. Longe de serem um disp\u00eandio mais para quem tenha de gerir os recursos p\u00fablicos ou privados, s\u00e3o o melhor investimento social e econ\u00f3mico a m\u00e9dio e longo prazo e caracterizam uma sociedade saud\u00e1vel, a n\u00edvel local, regional ou nacional e at\u00e9 europeu. Assim continuava o Papa, referindo-se especificamente ao emprego e ao desemprego: \u201cPor isso, a considera\u00e7\u00e3o dos valores subjectivos e sociais do trabalho requer que em toda a comunidade pol\u00edtica seja reconhecida n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia do trabalho mas o pr\u00f3prio direito ao trabalho, tudo se tente no sentido de eliminar o desemprego e o sub-emprego\u201d. Estou certo de que os portuenses e portugueses recordam com gosto a inolvid\u00e1vel visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II, h\u00e1 vinte e cinco anos. E que as palavras que ent\u00e3o nos deixou iluminar\u00e3o muitos dos que, nas circunst\u00e2ncias actuais da sociedade e da economia, n\u00e3o desistem de criar um futuro em que a humanidade geral e de cada um seja o primeiro valor a garantir e promover. Uma sociedade em que caibamos realmente todos.    Porto, 15 de Maio de 2007 <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto   <B>Recordando a visita de 1982<\/B> <a href=noticia.asp?noticiaid=46321> O Papa no Sameiro<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=46277> Jo\u00e3o Paulo II beijou Portugal h\u00e1 25 anos<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=46333> O sil\u00eancio de Jo\u00e3o Paulo II em F\u00e1tima<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=46344> Padre por causa de Jo\u00e3o Paulo II<\/a> <a href=http:\/\/www.ecclesia.pt\/fatima>As viagens de Jo\u00e3o Paulo II a F\u00e1tima<\/a>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota pastoral de D. 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