{"id":246937,"date":"2022-07-12T10:00:08","date_gmt":"2022-07-12T09:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=246937"},"modified":"2022-07-12T10:00:08","modified_gmt":"2022-07-12T09:00:08","slug":"lusofonias-luanda-dos-contrastes-gritantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-luanda-dos-contrastes-gritantes\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Luanda dos contrastes gritantes"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, nos musseques de Luanda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-246941\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Lusofonias-Luanda-Kikolo-15-07-2022-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desculpem que vos confesse: quando chego a Luanda, gosto de descer \u00e0 Baixa e passear-me pela Ba\u00eda. \u00c9 uma beleza. Pude faze-lo, desta vez, acompanhado pelo P. Eduardo Tchapeseka, actualmente mission\u00e1rio em Espanha. Al\u00e9m do ar fresco do cacimbo, a Bai\u00e1 oferece uma bel\u00edssima vista sobre a Ilha de Luanda e, quando nos voltamos para a cidade, vemos os grandes pr\u00e9dios da marginal e edif\u00edcios simb\u00f3licos como o do Banco Nacional. S\u00f3 ficamos ambos tristes por ver que a emblem\u00e1tica fortaleza de S. Paulo foi abafada pela constru\u00e7\u00e3o de um enorme Centro Comercial! Esta \u00e9 uma das partes bonitas de Luanda que mostra progresso e bem-estar. Pude passar por outras \u00e1reas em grande alvoro\u00e7o de bet\u00e3o, ficando com a sensa\u00e7\u00e3o de que tantos arranha-c\u00e9us n\u00e3o v\u00e3o ter espa\u00e7os correspondentes \u00e0 superf\u00edcie para carros e pe\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>Mas\u2026(e h\u00e1 sempre mas!), fui a outras partes da capital, sobretudo aos musseques, e l\u00e1 vi o outro rosto da cidade. Cresceu demais, de forma ca\u00f3tica, com kms de habita\u00e7\u00f5es rasteiras e muito pobres,\u00a0 albergando milh\u00f5es de pessoas. Boa parte delas chegaram a Luanda para fugir da guerra que dizimava as popula\u00e7\u00f5es do interior. Outras vieram \u00e0 capital \u00e0 procura das oportunidades de trabalho que, muitas vezes, n\u00e3o aparecem. Uma vez aqui, toca a inventar formas de sobreviv\u00eancia, nem sempre as melhores. Assim, cresceram e ainda crescem estes bairros onde n\u00e3o h\u00e1 ruas asfaltadas, nem \u00e1gua, nem saneamento, abrindo as portas a toda a esp\u00e9cie de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Vou dar exemplos, para ser claro. Passei duas noites no Kikolo. Para l\u00e1 chegar, depois de percorridas boas estradas, entrei em becos de p\u00f3 e buracos onde muita gente arrisca andar a p\u00e9 no meio de motos e carros velhos que semeiam o perigo. H\u00e1 montes de lixo por todo o lado e \u2013 garantiram as Irm\u00e3s que a\u00ed vivem e me acompanharam \u2013 que, quando chove, fica um mar de lama, intransit\u00e1vel. Claro que nestes contextos de mis\u00e9ria extrema, al\u00e9m das doen\u00e7as que provocam muitas mortes, h\u00e1 focos de viol\u00eancia enormes. A inseguran\u00e7a \u00e9 total, os assaltos violentos s\u00e3o di\u00e1rios e as pessoas vivem sempre com o cora\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os. Mas, como me confidenciaram diversos habitantes deste musseque, h\u00e1 que assumir que a vida \u00e9 um risco cont\u00ednuo e \u00e9 preciso, a todo o custo, ganhar o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>A vida dos musseques tem um lado muito bom: a maioria das pessoas \u00e9 de uma honestidade e capacidade de trabalho invej\u00e1veis. Levantam-se antes do sol, lutam todo o dia e entram em casa noite dentro para preparar algo para os filhos e tentar dormir um pouco. \u00c9 uma labuta di\u00e1ria que, na maioria dos casos, \u00e9 tamb\u00e9m sustentada pela F\u00e9 que os motiva e fortalece. As Irm\u00e3s com quem estive vivem perto do mercado popular, um enorme espa\u00e7o a c\u00e9u aberto onde tudo se compra e vende, ou quase. Ali chegaram h\u00e1 alguns anos e decidiram apoiar a par\u00f3quia na pastoral, mas quiseram ir mais longe: tentar abrir janelas de futuro \u00e0s crian\u00e7as e jovens, construindo uma Escola, que ainda dirigem. S\u00e3o mais de mil os alunos, que lan\u00e7am enormes desafios, pois \u00e9 preciso ajud\u00e1-los a crescer. Estas crian\u00e7as e jovens passam boa parte do tempo entregues a si pr\u00f3prios, naqueles becos do musseque, nem sempre rodeados pelas companhias mais construtivas. Pude constatar que se trata de um trabalho de enorme risco, mas tamb\u00e9m de grande sentido de responsabilidade social e crist\u00e3. Muitos dos adolescentes e jovens que por ali passaram, conseguiram ir longe, tirar o seu curso, encontrar o seu trabalho e construir a sua fam\u00edlia. S\u00e3o alguns dos raros sinais de esperan\u00e7a e de futuro que vemos nestas \u00e1reas de cidade onde a pobreza \u00e9 imagem de marca.<\/p>\n<p>Passei tamb\u00e9m um dia no Bairro Rocha Pinto, num musseque perto do aeroporto, na Par\u00f3quia de Nossa Senhora da Paz. Olhando a toda a volta, v\u00eaem-se kms de constru\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis e percebe-se que ali vivem milhares de pessoas, pois est\u00e3o cheios de gente estes os caminhos estreitos de terra batida. Tamb\u00e9m ali a Igreja faz um importante trabalho pastoral e social. A Missa dominical que celebrei na Comunidade da Congeral, no Prenda, tamb\u00e9m me ajudou a perceber a pobreza do povo, mas mostrou-me a alegria e a f\u00e9 profunda de uma Comunidade Crist\u00e3 que luta na constru\u00e7\u00e3o da sua Igreja, para al\u00e9m de assegurar a sobreviv\u00eancia das suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Sigo para o Lubango e acompanho o luto nacional pela morte do ex-Presidente Eduardo dos Santos. Voltaremos\u2026<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Luanda dos contrastes gritantes\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3wVODX2RjZVv0qnkjqLhjD?si=xIG-Stf9S_2lgWyy2fFyrA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, nos musseques de Luanda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-246937","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246937\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}