{"id":24656,"date":"2007-05-11T23:09:30","date_gmt":"2007-05-11T23:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/11\/homilia-de-bento-xvi-aos-bispos-brasileiros\/"},"modified":"2007-05-11T23:09:30","modified_gmt":"2007-05-11T23:09:30","slug":"homilia-de-bento-xvi-aos-bispos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-bento-xvi-aos-bispos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Homilia de Bento XVI aos Bispos Brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Encontro com os Bispos Amados irm\u00e3os no Episcopado, \u00abO Filho de Deus aprendeu a obedi\u00eancia por meio dos sofrimentos que teve. Tendo chegado \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, tornou-se causa de eterna salva\u00e7\u00e3o para todos os que lhe obedecem\u00bb (cf. Hb 5,8-9). 1.O texto que acabamos de ouvir na Leitura Breve das vesperas de hoje cont\u00e9m um ensinamento profundo. Tamb\u00e9m neste caso constatamos como a Palavra de Deus \u00e9 viva e mais penetrante do que uma espada de dois gumes, chega at\u00e9 \u00e0 juntura da alma, reconfortando-a, estimulando os seus fi\u00e9is servidores (cf. Hb 4,12). Agrade\u00e7o a Deus por ter permitido encontrar-me com um Episcopado de prest\u00edgio, que est\u00e1 \u00e0 frente de uma das mais numerosas popula\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas do mundo. Eu vos sa\u00fado com sentimentos de profunda comunh\u00e3o e de afeto sincero, bem conhecendo a dedica\u00e7\u00e3o com que seguis as comunidades que vos foram confiadas. A calorosa acolhida do Senhor P\u00e1roco da Catedral da S\u00e9 e de todos os presentes fez-me sentir em casa, nesta grande Casa comum que \u00e9 nossa Santa M\u00e3e a Igreja Cat\u00f3lica. Dirijo uma especial sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 nova Presid\u00eancia da  Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil e, ao agradecer as palavras do seu Presidente, Dom Geraldo Lyrio Rocha, fa\u00e7o votos de um prof\u00edcuo desempenho na tarefa de consolidar sempre mais a comunh\u00e3o entre os bispos e de promover a a\u00e7\u00e3o pastoral comum num territ\u00f3rio de dimens\u00f5es continentais. 2.O Brasil est\u00e1 acolhendo os participantes da V  Confer\u00eancia do Episcopado Latino-americano com a sua tradicional hospitalidade. Exprimo o meu agradecimento pela cort\u00eas recep\u00e7\u00e3o dos seus membros e o meu profundo apre\u00e7o pelas ora\u00e7\u00f5es do povo brasileiro, formuladas especialmente em prol do bom \u00eaxito do encontro dos bispos em Aparecida. \u00c9 um grande evento eclesial que se situa no \u00e2mbito do esfor\u00e7o mission\u00e1rio que a Am\u00e9rica Latina dever\u00e1 propor-se, precisamente a partir daqui, do solo brasileiro. Foi por isso que quis dirigir-me inicialmente a v\u00f3s, Bispos do Brasil, evocando aquelas palavras densas de conte\u00fado da Carta aos Hebreus: \u00abO Filho de Deus aprendeu a obedi\u00eancia por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salva\u00e7\u00e3o para todos os que lhe obedecem\u00bb (Hb 5, 8-9). Exuberante no seu significado, este vers\u00edculo fala da compaix\u00e3o de Deus para conosco, concretizada na paix\u00e3o de seu Filho; e fala da sua obedi\u00eancia, da sua ades\u00e3o livre e consciente aos des\u00edgnios do Pai, explicitada especialmente na ora\u00e7\u00e3o no monte das Oliveiras: \u00abN\u00e3o seja feita a minha vontade, mas a tua\u00bb (Lc 22,42). Assim, \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus a nos ensinar que a verdadeira via de salva\u00e7\u00e3o consiste em conformar a nossa  vontade \u00e0 vontade de Deus. \u00c9 exatamente o que pedimos na terceira invoca\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso: que seja feita a vontade de Deus, assim na terra como no c\u00e9u, porque onde reina a vontade de Deus, a\u00ed est\u00e1 presente o reino de Deus. Jesus nos atrai para a sua vontade, a vontade do Filho, e deste modo nos guia para a salva\u00e7\u00e3o. Indo ao encontro da vontade de Deus, com Jesus Cristo, abrimos o mundo ao reino de Deus. N\u00f3s Bispos somos convocados para manifestar essa verdade central, pois estamos vinculados diretamente a Cristo, Bom Pastor. A miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada, como Mestres da f\u00e9, consiste em recordar, como o mesmo Ap\u00f3stolo das Gentes escrevia, que o nosso Salvador \u00abquer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade\u00bb (1Tm 2, 4-6). Esta \u00e9 a finalidade, e n\u00e3o outra, a finalidade da Igreja, a salva\u00e7\u00e3o das almas, uma a uma. Por isso o Pai enviou seu Filho, e \u00abcomo o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio\u00bb (Jo 20,21). Daqui, o mandato de evangelizar: \u00abIde, pois, ensinai a todas as na\u00e7\u00f5es; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, at\u00e9 o fim do mundo\u00bb (Mt 28,19-20). S\u00e3o palavras simples e sublimes nas quais est\u00e3o indicadas a obriga\u00e7\u00e3o de pregar a verdade da f\u00e9, a urg\u00eancia da vida sacramental, a promessa da cont\u00ednua assist\u00eancia de Cristo \u00e0 sua Igreja. Estas s\u00e3o realidades fundamentais e se referem \u00e0 instru\u00e7\u00e3o na f\u00e9 e na moral crist\u00e3, e \u00e0 pr\u00e1tica dos sacramentos. Onde Deus e a sua vontade n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, onde n\u00e3o existe a f\u00e9 em Jesus Cristo e nem a sua presen\u00e7a nas celebra\u00e7\u00f5es sacramentais, falta o essencial tamb\u00e9m para a solu\u00e7\u00e3o dos urgentes problemas sociais e pol\u00edticos. A fidelidade ao primado de Deus e da sua vontade, conhecida e vivida em comunh\u00e3o com Jesus Cristo, \u00e9 o dom essencial, que n\u00f3s Bispos e sacerdotes devemos oferecer ao nosso povo (cf. Populorum progressio 21). 3.O minist\u00e9rio episcopal nos impele ao discernimento da vontade salv\u00edfica, na busca de uma pastoral que eduque o Povo de Deus a reconhecer e acolher os valores transcendentes, na fidelidade ao Senhor e ao Evangelho. \u00c9 verdade que os tempos de hoje s\u00e3o dif\u00edceis para a Igreja e muitos dos seus filhos est\u00e3o atribulados. A vida social est\u00e1 atravessando momentos de confus\u00e3o desnorteadora. Ataca-se impunemente a santidade do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia, iniciando-se por fazer concess\u00f5es diante de press\u00f5es capazes de incidir negativamente sobre os processos legislativos; justificam-se alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual; atenta-se contra a dignidade do ser humano; alastra-se a ferida do div\u00f3rcio e das uni\u00f5es livres. Ainda mais: no seio da Igreja, quando o valor do compromisso sacerdotal \u00e9 questionado como entrega total a Deus atrav\u00e9s do celibato apost\u00f3lico e como disponibilidade total para servir \u00e0s almas, dando-se prefer\u00eancia \u00e0s quest\u00f5es ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas, inclusive partid\u00e1rias, a estrutura da consagra\u00e7\u00e3o total a Deus come\u00e7a a perder o seu significado mais profundo. Como n\u00e3o sentir tristeza em nossa alma? Mas tende confian\u00e7a: a Igreja \u00e9 santa e incorrupt\u00edvel (cf. Ef 5,27). Dizia Santo Agostinho: \u201cVacilar\u00e1 a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poder\u00e1 talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo n\u00e3o vacila, a Igreja permanecer\u00e1 intacta at\u00e9 o fim dos tempos\u201d (Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353.) Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral est\u00e1, sem d\u00favida, a quest\u00e3o dos cat\u00f3licos que abandonam a vida eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste problema, possa ser atribu\u00edda \u00e0 falta de uma evangeliza\u00e7\u00e3o em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda explana\u00e7\u00e3o. As pessoas mais vulner\u00e1veis ao proselitismo agressivo das seitas &#8211; que \u00e9 motivo de justa preocupa\u00e7\u00e3o \u2013 e incapazes de resistir \u00e0s investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo s\u00e3o geralmente os batizados n\u00e3o suficientemente evangelizados, facilmente influenci\u00e1veis porque possuem uma f\u00e9 fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ing\u00eanua, embora conservem uma religiosidade inata. Na Enc\u00edclica Deus caritas est recordei que \u201cAo in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande id\u00e9ia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo\u201d (n.1). \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, encaminhar a atividade apost\u00f3lica como uma verdadeira miss\u00e3o dentro do rebanho que constitui a Igreja Cat\u00f3lica no Brasil, promovendo uma evangeliza\u00e7\u00e3o met\u00f3dica e capilar em vista de uma ades\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria a Cristo. Trata-se efetivamente de n\u00e3o poupar esfor\u00e7os na busca dos cat\u00f3licos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, atrav\u00e9s de uma pastoral da acolhida que os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com Deus e mediante um itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico permanente. Uma miss\u00e3o evangelizadora que convoque todas as for\u00e7as vivas deste imenso rebanho. Meu pensamento dirige-se, portanto, aos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que se prodigalizam, muitas vezes com imensas dificuldades, para a difus\u00e3o da verdade evang\u00e9lica. Dentre eles, muitos colaboram ou participam ativamente nas Associa\u00e7\u00f5es, nos Movimentos e em outras novas realidades eclesiais que, em comunh\u00e3o com seus Pastores e de acordo com as orienta\u00e7\u00f5es diocesanas, levam sua riqueza espiritual, educativa e mission\u00e1ria ao cora\u00e7\u00e3o da Igreja, como preciosa experi\u00eancia e proposta de vida crist\u00e3. Neste esfor\u00e7o evangelizador, a comunidade eclesial se destaca pelas iniciativas pastorais, ao enviar, sobretudo entre as casas das periferias urbanas e do interior, seus mission\u00e1rios, leigos ou religiosos, procurando dialogar com todos em esp\u00edrito de compreens\u00e3o e de delicada caridade. Mas se as pessoas encontradas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de pobreza, \u00e9 preciso ajud\u00e1-las, como faziam as primeiras comunidades crist\u00e3s, praticando a solidariedade, para que se sintam amadas de verdade. O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro das suas necessidades mais urgentes, como tamb\u00e9m na defesa dos seus direitos e na promo\u00e7\u00e3o comum de uma sociedade fundamentada na justi\u00e7a e na paz. Os pobres s\u00e3o os destinat\u00e1rios privilegiados do Evangelho e um Bispo, modelado segundo a imagem do Bom Pastor, deve estar particularmente atento em oferecer o divino b\u00e1lsamo da f\u00e9, sem descuidar do \u201cp\u00e3o material\u201d. Como pude evidenciar na Enc\u00edclica Deus caritas est, \u201ca Igreja n\u00e3o pode descurar o servi\u00e7o da caridade, tal como n\u00e3o pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra\u201d (n. 22). A viv\u00eancia sacramental, especialmente atrav\u00e9s da Confiss\u00e3o e da Eucaristia, adquire aqui uma import\u00e2ncia de primeira grandeza. A v\u00f3s Pastores cabe a principal tarefa de assegurar a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na vida eucar\u00edstica e no Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o; deveis estar vigilantes para que a confiss\u00e3o e a absolvi\u00e7\u00e3o dos pecados sejam, de modo ordin\u00e1rio, individual, tal como o pecado \u00e9 um fato profundamente pessoal (cf. Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Reconciliatio et penitentia, n. 31, III). Somente a impossibilidade f\u00edsica ou moral escusa o fiel desta forma de confiss\u00e3o, podendo neste caso obter a reconcilia\u00e7\u00e3o por outros meios (C\u00e2n. 960; cf. Comp\u00eandio do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 311). Por isso, conv\u00e9m incutir nos sacerdotes a pr\u00e1tica da generosa disponibilidade para atender aos fi\u00e9is que recorrem ao Sacramento da miseric\u00f3rdia de Deus (Carta ap. Misericordia Dei, 2). 4.Recome\u00e7ar a partir de Cristo em todos os \u00e2mbitos da miss\u00e3o. Redescobrir em Jesus o amor e a salva\u00e7\u00e3o que o Pai nos d\u00e1, pelo Esp\u00edrito Santo. Esta \u00e9 a subst\u00e2ncia, a raiz, da miss\u00e3o episcopal que faz do Bispo o primeiro respons\u00e1vel pela catequese diocesana. Com efeito, ele tem a dire\u00e7\u00e3o superior da catequese, rodeando-se de colaboradores competentes e merecedores de confian\u00e7a. \u00c9 \u00f3bvio, portanto, que os seus catequistas n\u00e3o s\u00e3o simples comunicadores de experi\u00eancias de f\u00e9, mas devem ser aut\u00eanticos transmissores, sob a guia do seu Pastor, das verdades reveladas. A f\u00e9 \u00e9 uma caminhada conduzida pelo Esp\u00edrito Santo que se resume em duas palavras: convers\u00e3o e seguimento. Essas duas palavras-chave da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 indicam com clareza, que a f\u00e9 em Cristo implica uma pr\u00e1xis de vida baseada no d\u00faplice mandamento do amor, a Deus e ao pr\u00f3ximo, e exprimem tamb\u00e9m a dimens\u00e3o social da vida crist\u00e3. A verdade sup\u00f5e um conhecimento claro da mensagem de Jesus, transmitida gra\u00e7as a uma compreens\u00edvel linguagem inculturada, mas necessariamente fiel \u00e0 proposta do Evangelho. Nos tempos atuais \u00e9 urgente um conhecimento adequado da f\u00e9, como est\u00e1 bem sintetizada no Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica com o seu Comp\u00eandio. Faz parte da catequese essencial tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes pessoais e sociais do crist\u00e3o, como tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade social. Exatamente porque f\u00e9, vida e celebra\u00e7\u00e3o da sagrada liturgia como fonte de f\u00e9 e de vida, s\u00e3o insepar\u00e1veis, \u00e9 necess\u00e1ria uma mais correta aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios indicados pelo Conc\u00edlio Vaticano II no que diz respeito \u00e0 Liturgia da Igreja, incluindo as disposi\u00e7\u00f5es contidas no Diret\u00f3rio para os Bispos (nn.145-151), com o prop\u00f3sito de devolver \u00e0 Liturgia o seu car\u00e1ter sagrado. \u00c9 com esta finalidade que o meu Vener\u00e1vel predecessor na C\u00e1tedra de Pedro, Jo\u00e3o Paulo II, quis renovar \u201cum veemente apelo para que as normas lit\u00fargicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica\u201d (&#8230;) \u201cA liturgia jamais \u00e9 propriedade privada de algu\u00e9m, nem do celebrante, nem da comunidade onde s\u00e3o celebrados os santos mist\u00e9rios\u201d (Carta encl. Ecclesia de Eucharistia, n. 52). Redescobrir e valorizar a obedi\u00eancia \u00e0s normas lit\u00fargicas por parte dos Bispos, como \u201cmoderadores da vida lit\u00fargica da Igreja\u201d, significa testemunhar a pr\u00f3pria Igreja, una e universal que preside na caridade. 5.\u00c9 necess\u00e1rio um salto de qualidade na viv\u00eancia crist\u00e3 do povo, para que possa testemunhar a sua f\u00e9 de forma l\u00edmpida e esclarecida. Essa f\u00e9, celebrada e participada na liturgia e na caridade, nutre e fortifica a comunidade dos disc\u00edpulos do Senhor e os edifica como Igreja mission\u00e1ria e prof\u00e9tica. O Episcopado brasileiro possui uma estrutura de grande envergadura, cujos Estatutos foram h\u00e1 pouco revistos para o seu melhor desempenho e uma dedica\u00e7\u00e3o mais exclusiva ao bem da Igreja. O Papa veio ao Brasil para pedir-vos que, no seguimento da Palavra de Deus, todos os Vener\u00e1veis Irm\u00e3os no episcopado saibam ser portadores de eterna salva\u00e7\u00e3o para todos os que lhe obedecem (cf. Hb 5,10). N\u00f3s, pastores, na esteira do compromisso assumido como sucessores dos Ap\u00f3stolos, devemos ser fi\u00e9is servidores da Palavra, sem vis\u00f5es redutivas e confus\u00f5es na miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada. N\u00e3o basta observar a realidade a partir da f\u00e9; \u00e9 preciso trabalhar com o Evangelho nas m\u00e3os e fundamentados na correta heran\u00e7a da Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, sem interpreta\u00e7\u00f5es movidas por ideologias racionalistas. Assim \u00e9 que, \u201cnas Igrejas particulares compete ao Bispo conservar e interpretar a Palavra de Deus e julgar com autoridade aquilo que est\u00e1 ou n\u00e3o de acordo com ela\u201d (Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Instr. sobre a voca\u00e7\u00e3o eclesial do te\u00f3logo, n. 19). Ele, como Mestre de f\u00e9 e de doutrina, poder\u00e1 contar com a colabora\u00e7\u00e3o do te\u00f3logo que \u201cna sua dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da verdade, dever\u00e1, para permanecer fiel \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o, levar em conta a miss\u00e3o pr\u00f3pria do Magist\u00e9rio e colaborar com ele\u201d (ib. 20). O dever de conservar o dep\u00f3sito da f\u00e9 e de manter a sua unidade exige estreita vigil\u00e2ncia, de modo que este seja \u201cconservado e transmitido fielmente e que as posi\u00e7\u00f5es particulares sejam unificadas na integridade do Evangelho de Cristo\u201d (Diret\u00f3rio para o Minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos, n. 126). Eis ent\u00e3o a enorme responsabilidade que assumis como formadores do povo, mormente dos vossos sacerdotes e religiosos. S\u00e3o eles vossos fi\u00e9is colaboradores. Conhe\u00e7o o empenho com que procurais formar as novas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas. A forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e nas disciplinas eclesi\u00e1sticas exige uma constante atualiza\u00e7\u00e3o, mas sempre de acordo com o Magist\u00e9rio autentico da Igreja. Fa\u00e7o apelo ao vosso zelo sacerdotal e ao sentido de discernimento das voca\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m para saber complementar a dimens\u00e3o espiritual, psico-afetiva, intelectual e pastoral em jovens maduros e dispon\u00edveis ao servi\u00e7o da Igreja. Um bom e ass\u00edduo acompanhamento espiritual \u00e9 indispens\u00e1vel para favorecer o amadurecimento humano e evita o risco de desvios no campo da sexualidade. Tende sempre presente que o celibato sacerdotal \u00e9 um dom \u201cque a Igreja recebeu e quer guardar, convencida de que ele \u00e9 um bem para ela e para o mundo\u201d (Diret\u00f3rio para o minist\u00e9rio e a vida dos presb\u00edteros, n. 57). Gostaria de recomendar \u00e0 vossa solicitude tamb\u00e9m as Comunidades religiosas que se inserem na vida da pr\u00f3pria Diocese. \u00c9 uma contribui\u00e7\u00e3o preciosa que oferecem, pois, apesar da \u201cdiversidade de dons, o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo\u201d (1 Cor 12,4). A Igreja n\u00e3o pode sen\u00e3o manifestar alegria e apre\u00e7o por tudo aquilo que os Religiosos v\u00eam realizando mediante Universidades, escolas, hospitais e outras obras e institui\u00e7\u00f5es. 6.Conhe\u00e7o a din\u00e2mica das vossas Assembl\u00e9ias e o esfor\u00e7o por definir os diversos planos pastorais, que d\u00eaem prioridade \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do clero e dos agentes da pastoral. Alguns dentre v\u00f3s fomentastes movimentos de evangeliza\u00e7\u00e3o para facilitar o agrupamento dos fi\u00e9is numa linha de a\u00e7\u00e3o. O Sucessor de Pedro conta convosco para que vossa prepara\u00e7\u00e3o se ap\u00f3ie sempre naquela espiritualidade de comunh\u00e3o e de fidelidade \u00e0 S\u00e9 de Pedro, a fim de garantir que a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito n\u00e3o seja v\u00e3. Com efeito, a integridade da f\u00e9, junto \u00e0 disciplina eclesial, \u00e9, e ser\u00e1 sempre, tema que exigir\u00e1 aten\u00e7\u00e3o e desvelo por parte de todos v\u00f3s, sobretudo quando se trata de tirar as consequ\u00eancias do fato que existe \u00abuma s\u00f3 f\u00e9 e um s\u00f3 batismo\u00bb. Como sabeis, entre os v\u00e1rios documentos que se ocupam da unidade dos crist\u00e3os est\u00e1 o Diret\u00f3rio para o ecumenismo publicado pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Unidade dos Crist\u00e3os. O Ecumenismo, ou seja, a busca da unidade dos crist\u00e3os torna-se nesse nosso tempo, no qual se verifica o encontro das culturas e o desafio do secularismo, uma tarefa sempre mais urgente da Igreja cat\u00f3lica. Com a multiplica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, de sempre novas denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e, sobretudo diante de certas formas de proselitismo, frequentemente agressivo, o empenho ecum\u00eanico torna-se uma tarefa complexa. Em tal contexto \u00e9 indispens\u00e1vel uma boa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e doutrinal, que habilite ao necess\u00e1rio discernimento e ajude a entender a identidade espec\u00edfica de cada uma das comunidades, os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho de constru\u00e7\u00e3o da unidade. O grande campo comum de colabora\u00e7\u00e3o deveria ser a defesa dos fundamentais valores morais, transmitidos pela tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, contra a sua destrui\u00e7\u00e3o numa cultura relativ\u00edstica e consumista; mais ainda, a f\u00e9 em Deus criador e em Jesus Cristo, seu Filho encarnado. Al\u00e9m do mais vale sempre o princ\u00edpio do amor fraterno e da busca de compreens\u00e3o e de proximidade m\u00fatuas; mas tamb\u00e9m a defesa da f\u00e9 do nosso povo, confirmando-o na feliz certeza, que a \u201cunica Christi Ecclesia&#8230; subsistit in Ecclesia catholica, a successore Petri et Episcopis in eius communione gubernata\u201d (\u201ca \u00fanica Igreja de Cristo&#8230; subsiste na Igreja Cat\u00f3lica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunh\u00e3o com ele\u201d) (Lumen gentium 8). Neste sentido se proceder\u00e1 a um franco di\u00e1logo ecum\u00eanico, atrav\u00e9s do Conselho Nacional das Igrejas Crist\u00e3s, zelando pelo pleno respeito das demais confiss\u00f5es religiosas, desejosas de manter-se em contato com a Igreja Cat\u00f3lica no Brasil. 7.N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade a constata\u00e7\u00e3o de que vosso Pa\u00eds convive com um d\u00e9ficit hist\u00f3rico de desenvolvimento social, cujos tra\u00e7os extremos s\u00e3o o imenso contingente de brasileiros vivendo em situa\u00e7\u00e3o de indig\u00eancia e uma desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o da renda que atinge patamares muito elevados. A v\u00f3s, vener\u00e1veis Irm\u00e3os, como hierarquia do povo de Deus, vos compete promover a busca de solu\u00e7\u00f5es novas e cheias de esp\u00edrito crist\u00e3o. Uma vis\u00e3o da economia e dos problemas sociais, a partir da perspectiva da doutrina social da Igreja, leva a considerar as coisas sempre do ponto de vista da dignidade do homem, que transcende o simples jogo dos fatores econ\u00f4micos. Deve-se, por isso, trabalhar incansavelmente para a forma\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, dos brasileiros que t\u00eam algum poder decis\u00f3rio, grande ou pequeno e, em geral, de todos os membros da sociedade, de modo que assumam plenamente as pr\u00f3prias responsabilidades e saibam dar um rosto humano e solid\u00e1rio \u00e0 economia. Ocorre formar nas classes pol\u00edticas e empresariais um aut\u00eantico esp\u00edrito de veracidade e de honestidade. Quem assume uma lideran\u00e7a na sociedade, deve procurar prever as conseq\u00fc\u00eancias sociais, diretas e indiretas, a curto e a longo prazo, das pr\u00f3prias decis\u00f5es, agindo segundo crit\u00e9rios de maximiza\u00e7\u00e3o do bem comum, ao inv\u00e9s de procurar gan\u00e2ncias pessoais. 8.Queridos irm\u00e3os, se Deus quiser, encontraremos outras oportunidades para aprofundar as quest\u00f5es que interpelam a nossa solicitude pastoral conjunta. Desta vez, desejei, certamente de maneira n\u00e3o exaustiva, expor os temas mais relevantes que se imp\u00f5em \u00e0 minha considera\u00e7\u00e3o de Pastor da Igreja universal. Transmito-vos o meu afetuoso encorajamento que \u00e9, ao mesmo tempo, uma fraterna e sentida s\u00faplica: para que procedais e trrbalheis sempre, como vindes fazendo, em conc\u00f3rdia, tendo como vosso fundamento uma comunh\u00e3o que na Eucaristia encontra o seu momento culminante e o seu manancial inesgot\u00e1vel. Confio todos v\u00f3s a Maria Sant\u00edssima, M\u00e3e de Cristo e M\u00e3e da Igreja, enquanto de todo o cora\u00e7\u00e3o vos concedo, a cada um de v\u00f3s e \u00e0s vossas respectivas Comunidades, a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica. Obrigado! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro com os Bispos Amados irm\u00e3os no Episcopado, \u00abO Filho de Deus aprendeu a obedi\u00eancia por meio dos sofrimentos que teve. Tendo chegado \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, tornou-se causa de eterna salva\u00e7\u00e3o para todos os que lhe obedecem\u00bb (cf. 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