{"id":24650,"date":"2007-05-11T16:31:42","date_gmt":"2007-05-11T16:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/11\/fosso-do-desenvolvimento-e-a-pobreza-em-debate-na-se-patriarcal-de-lisboa\/"},"modified":"2007-05-11T16:31:42","modified_gmt":"2007-05-11T16:31:42","slug":"fosso-do-desenvolvimento-e-a-pobreza-em-debate-na-se-patriarcal-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fosso-do-desenvolvimento-e-a-pobreza-em-debate-na-se-patriarcal-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Fosso do desenvolvimento e a pobreza em debate na S\u00e9 Patriarcal de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Numa noite que juntou na S\u00e9 Patriarcal de Lisboa Ant\u00f3nio Guterres, Isabel Jonet e Jos\u00e9 Lu\u00eds Ramos Pinheiro, os argumentos centraram-se na aten\u00e7\u00e3o aos mais desfavorecidos. A segunda confer\u00eancia do programa \u00abEcce Homo\u00bb, uma iniciativa do Departamento da Comunica\u00e7\u00e3o e da Cultura do Patriarcado de Lisboa, para assinalar os 40 anos da Enc\u00edclica Populorum Progressio, teve como tema central o \u00abBem\u00bb.  Isabel Jonet, Presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Bancos Alimentares, ao assinalar o aumento de pobres, \u201cn\u00e3o s\u00f3 nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses desenvolvidos\u201d, prop\u00f4s o exerc\u00edco da caridade em vez da solidariedade.   \u201cEntendo que caridade \u00e9 a solidariedade com amor pelo o outro, no exerc\u00edcio do bem, de forma desinteressada\u201d, acrescentou. Sendo um caminho dif\u00edcil \u201cs\u00e3o vis\u00edveis alguns sinais de esperan\u00e7a\u201d, caso da aceita\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios sociais propostos pela Igreja, ou do facto de muitos pa\u00edses terem j\u00e1 reconhecido o direito de n\u00e3o ser pobre, como um dos direitos humanos. \u201cA cidadania activa cresce em substitui\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica da ajuda\u201d.   As Na\u00e7\u00f5es Unidas inscreveram no seu programa no per\u00edodo de 1997 a 2006, a d\u00e9cada para a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se algum dia ter\u00e3o definitivamente erradicado as situa\u00e7\u00f5es de pobreza, mas cada um de n\u00f3s deve procurar, nos locais onde est\u00e1 inserido, fazer todos os esfor\u00e7os para pelo menos minorar os seus efeitos\u201d, indicou a Presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Bancos Alimentares.   Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses da Europa com maior taxa de pobreza. Cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre &#8211; 2 milh\u00f5es de pessoas. \u201c200 mil pessoas t\u00eam apenas uma refei\u00e7\u00e3o por dia, 35 mil n\u00e3o t\u00eam nenhuma\u201d, indicou, acrescentando ainda que \u201cuma sociedade que desperdi\u00e7a muitas das suas riquezas e dos seus valores nos faz esquecer a import\u00e2ncia de cada um e a forma como deve ser optimizado o bem comum\u201d. \u201cAo desperdi\u00e7ar um bem alimentar em bom estado, fazendo ele falta a algum ser humano, cometemos uma injusti\u00e7a\u201d.  Isabel Jonet considerou que a manuten\u00e7\u00e3o da pobreza persiste devido \u00e0 \u201cperda de valores que prolifera nas sociedades actuais. O individualismo impede o reconhecimento do valor dos mais fracos e as medidas sociais n\u00e3o ter\u00e3o qualquer resultado na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza enquanto o homem n\u00e3o for o valor de refer\u00eancia do progresso econ\u00f3mico\u201d.   Recordando o exemplo do Banco Alimentar contra a fome, sublinhou o contributo de empres\u00e1rios e empresas preocupados com o bem comum, com a justi\u00e7a social ao incorporam a responsabilidade social nas suas decis\u00f5es. \u201cO acompanhamento das situa\u00e7\u00f5es e uma ac\u00e7\u00e3o eficaz para lhes dar solu\u00e7\u00e3o exige proximidade, afecto e calor humano. A ac\u00e7\u00e3o do banco alimentar  reside na d\u00e1diva, na partilha, no voluntariado\u201d, lembrou.  A Enc\u00edclica Populorum Progressio foi caracterizada por Ant\u00f3nio Guterres como a enc\u00edclica do desenvolvimento mas n\u00e3o apenas do desenvolvimento econ\u00f3mico mas \u201cdo integral da pessoa humana, indicando o desenvolvimento como um novo nome da paz\u201d. O Alto-comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados apontou que este quadro s\u00f3 ser\u00e1 real \u201cse for assente na justi\u00e7a, entre as pessoas, entre os estados, e agora, 40 anos depois, cada vez mais, entre as gera\u00e7\u00f5es\u201d.   Uma paz que v\u00e1 para al\u00e9m da justi\u00e7a e do desenvolvimento \u201cexige a toler\u00e2ncia, n\u00e3o no sentido da indiferen\u00e7a, mas no sentido de uma ante c\u00e2mara de algo mais avan\u00e7ado, o amor\u201d. Paz sem desenvolvimento justo, \u201cser\u00e1 sempre uma paz prec\u00e1ria\u201d e a no\u00e7\u00e3o de bem que da Enc\u00edclica assenta \u201cnos dois pilares do desenvolvimento como a justi\u00e7a e a paz com toler\u00e2ncia\u201d, acrescentou.   Ant\u00f3nio Guterres reflectiu no optimismo que se viveu nos \u00faltimos 20 anos \u201conde se assistiu a uma evolu\u00e7\u00e3o da sensibilidade\u201d. Numa primeira fase, assistia-se \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que a globaliza\u00e7\u00e3o se tornaria num factor n\u00e3o apenas de crescimento econ\u00f3mico mas tamb\u00e9m de acesso de todos aos bens do progresso e da civiliza\u00e7\u00e3o. Proliferava a ideia de que a \u201cevolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica permitiria dar a resposta a muitos dos problemas com que a sociedade se foi confrontando, nomeadamente de natureza ambiental e de solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es\u201d. O optimismo que verificava, no quadro internacional, uma crescente consci\u00eancia de que para al\u00e9m da soberania dos Estados, deveria ter-se em conta a soberania da pessoa humana, \u201co direito de inger\u00eancia humanit\u00e1rio tendo este servido de base a interven\u00e7\u00f5es da comunidade internacional como no Kosovo, na B\u00f3snia, ou a de Timor Leste\u201d.   O Alto-comiss\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados recordou a ideia de que \u201cos Estados n\u00e3o se podiam sobrepor \u00e0s pessoas e que as pessoas mereciam uma interven\u00e7\u00e3o a seu favor face ao arb\u00edtrio e \u00e0 opress\u00e3o dos pr\u00f3prios Estados\u201d. \u201cQuando o Estado n\u00e3o \u00e9 capaz ou n\u00e3o quer, faz derivar para a comunidade internacional essa mesma responsabilidade de proteger, que nos levou a mobilizar a interven\u00e7\u00e3o em Timor Leste e que era um novo factor extremamente importante de humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, recordou.   Este optimismo que, inclusivamente Ant\u00f3nio Guterres reconheceu partilhar na sua vida pol\u00edtica nos anos 90, \u201cacabou por dar origem a uma certa \u00abressaca\u00bb, no in\u00edcio do mil\u00e9nio, sobretudo ap\u00f3s o 11 de Setembro\u201d.   \u201cA globaliza\u00e7\u00e3o foi cada vez mais um factor de acentuar um fosso entre ricos e pobres, \u00e0 escala de um pa\u00eds e tamb\u00e9m entre pa\u00edses \u00e0 escala mundial\u201d. Segundo os \u00faltimos relat\u00f3rios do Banco Mundial, o n\u00famero total de pessoas em pobreza absoluta &#8211; pessoas que vivem com menos de 1 d\u00f3lar por dia &#8211; est\u00e1 a ser reduzido hoje em grande medida por causa do \u00eaxito dos processos de desenvolvimento.  \u201cMas este \u00e9 um mero factor estat\u00edstico, pois se formos ao Continente Africano, \u00e9 cada vez mais terr\u00edvel a situa\u00e7\u00e3o de uma largu\u00edssima percentagem da popula\u00e7\u00e3o\u201d, sublinhou Ant\u00f3nio Guterres. Um mundo crescentemente injusto \u201cque percebemos na primeira d\u00e9cada do mil\u00e9nio\u201d.  O sentimento de intoler\u00e2ncia cresce, a justi\u00e7a n\u00e3o progride, assistimos tamb\u00e9m \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o da pessoa humana \u201cface \u00e0 soberania dos Estados, sendo o Darfur o exemplo mais flagrante no nosso tempo presente\u201d, indicou Ant\u00f3nio Guterres.   \u201cNa necessidade de p\u00f4r fim a este desn\u00edvel de partilha da riqueza, de restaurar um clima de di\u00e1logo nas civiliza\u00e7\u00f5es, de di\u00e1logo entre as comunidades e tamb\u00e9m de reafirmar a soberania da pessoa humana e dos seus direitos, creio que surgem muitas interpela\u00e7\u00f5es\u201d.  N\u00e3o \u00e9 altura para pessimismos, mas \u201cpara estarmos determinados\u201d, sendo que a ac\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios cidad\u00e3os \u201c\u00e9 de sublinhar\u201d. \u201cBons exemplos que me fazem ter esperan\u00e7a nos valores da Enc\u00edclica e acreditar que esses valores poder\u00e3o triunfar\u201d.  A confer\u00eancia terminou com um apontamento do Cardeal Patriarca de Lisboa afirmando que \u201c\u00e9 extremamente importante identificar o problema humana aqui descrito e os meios para lhes responder e bem administrar\u201d.  D. Jos\u00e9 Policarpo apontou como miss\u00e3o da Igreja cultivar \u201co esp\u00edrito com que o bem deve ser praticado\u201d, e este deve ser com o esp\u00edrito da \u201cbondade. Todos os projectos ganham muito se forem realizados por homens e mulheres bons\u201d. E terminou afirmando que quando \u201csomos bons para os outros, somos n\u00f3s pr\u00f3prios que nos transcendemos, e vemos para al\u00e9m da apar\u00eancia do pobre\u201d.  A \u00faltima confer\u00eancia do programa \u00abEcce Homo\u00bb tem encontro marcado para o noite de 24 de Maio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa noite que juntou na S\u00e9 Patriarcal de Lisboa Ant\u00f3nio Guterres, Isabel Jonet e Jos\u00e9 Lu\u00eds Ramos Pinheiro, os argumentos centraram-se na aten\u00e7\u00e3o aos mais desfavorecidos. 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