{"id":2457,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/missao-na-cidade-congresso-internacional-da-nova-evangelizacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"missao-na-cidade-congresso-internacional-da-nova-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missao-na-cidade-congresso-internacional-da-nova-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o na Cidade &#8211; Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa <!--more--> Introdu\u00e7\u00e3o  1. Como \u00e9 do conhecimento p\u00fablico, a Diocese de Lisboa \u00e9 co-organizadora de um \u201cCongresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, em conjunto com as Dioceses de Viena de \u00c1ustria, de Paris e de Bruxelas. A estas quatro dioceses vai juntar-se, desde j\u00e1, a Diocese de Eztergom-Budapeste, na Hungria. O an\u00fancio do Evangelho no contexto urbano das grandes metr\u00f3poles do nosso tempo \u00e9 o desafio que aceit\u00e1mos. Est\u00e1 quase tudo dito sobre a \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Agora \u00e9 preciso sair \u00e0 rua, ir para o centro das cidades, onde as pessoas se cruzam na az\u00e1fama do dia a dia, onde lutam, sofrem, esperam, alimentam utopias e anunciar a esperan\u00e7a que tem a sua fonte em Jesus Cristo. \u201cJesus Cristo \u00e9 a nossa esperan\u00e7a, porque Ele, o Verbo eterno de Deus (\u2026) nos amou\u201d. \u201cFundamentada nesta confiss\u00e3o de f\u00e9, brota do nosso cora\u00e7\u00e3o e dos nossos l\u00e1bios uma jubilosa confiss\u00e3o de esperan\u00e7a\u201d . O Congresso ter\u00e1 a sua realiza\u00e7\u00e3o, em Lisboa, no Outono de 2005. Isto significa que durante o Ano Pastoral que agora se inicia temos de intensificar a sua prepara\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o consta, apenas, de ac\u00e7\u00f5es e estruturas, tamb\u00e9m necess\u00e1rias; temos, sobretudo, de nos prepararmos, pessoas, Movimentos e Comunidades, para esta ac\u00e7\u00e3o evangelizadora. \u00c9 meu desejo que toda a nossa Diocese, mas sobretudo a Cidade de Lisboa, se ponha em ambiente de Congresso, o que quer dizer em estado de miss\u00e3o.   A miss\u00e3o de evangelizar.  2. O Congresso \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da primordial miss\u00e3o da Igreja: evangelizar. E esta \u00e9 o an\u00fancio jubiloso da esperan\u00e7a que brota dos cora\u00e7\u00f5es daqueles que acreditam em Jesus Cristo e encontram n\u2019Ele a fonte da esperan\u00e7a e o sentido da vida. A mensagem deste an\u00fancio \u00e9 a mesma desde h\u00e1 dois mil anos; mas a forma de anunciar pode ser renovada em cada tempo e em cada contexto cultural, pela raz\u00e3o simples de que se trata de um an\u00fancio a pessoas concretas e situadas, feito por outras pessoas que partilham com elas o mesmo quadro de vida. A natureza da evangeliza\u00e7\u00e3o p\u00f5e-nos a todos, neste contexto do Congresso, perante um duplo desafio: aprofundar e interiorizar em n\u00f3s este an\u00fancio da esperan\u00e7a e encontrar os meios e os modos adaptados para anunciarmos essa esperan\u00e7a a todos os homens e mulheres com quem partilhamos a vida da nossa Cidade. A Igreja vive de Jesus Cristo e s\u00f3 essa procura cont\u00ednua da radicalidade do Evangelho, a tornar\u00e1 capaz de anunciar, encontrando a maneira simples e sincera de o fazer. Esta \u00e9 a perspectiva fundamental de uma Igreja que se quer p\u00f4r em \u201cestado de miss\u00e3o\u201d: s\u00f3 quem vive do Evangelho aceita ser enviado a anunci\u00e1-lo.   Evangelizar a nossa Cidade.  3. A urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o brota de um duplo dinamismo: a vontade do Senhor, que envia a Igreja de todos os tempos a anunciar a boa nova da salva\u00e7\u00e3o, e o apelo da Cidade, dos homens e mulheres nossos irm\u00e3os que partilham connosco o drama da vida, nesta Cidade que n\u00f3s amamos. Quando falamos de Lisboa como urg\u00eancia de evangeliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos referimos, apenas, \u00e0 velha Cidade de Lisboa, circunscrita pelas fronteiras do seu Munic\u00edpio; o nosso olhar alarga-se, necessariamente para a chamada \u201cgrande Lisboa\u201d, que de Almada a Cascais, de Sintra a Loures, de Sacav\u00e9m a Vila Franca de Xira, \u00e9 o cen\u00e1rio desse vai e vem cont\u00ednuo que constitui a principal caracter\u00edstica da popula\u00e7\u00e3o das cidades modernas: a mobilidade. Falamos de cerca de cento e cinquenta mil jovens universit\u00e1rios que para Lisboa convergem, para frequentar as Universidades da capital; n\u00e3o esquecemos a Lisboa administrativa, centro do poder, porque capital da Na\u00e7\u00e3o, o que a torna cruzamento necess\u00e1rio de pessoas vindas de todo o pa\u00eds; olhamos com uma solicitude particular para cerca de duzentos mil emigrantes, vindos de v\u00e1rias partes do mundo \u00e0 procura de uma vida melhor e que se situam entre o grupo dos mais pobres e desfavorecidos. E ao olharmos esta Cidade, buli\u00e7osa e agitada, n\u00e3o podemos esquecer aqueles que habitualmente n\u00e3o se v\u00eaem: os doentes, os idosos, os presos. Muitos deles poder\u00e3o participar activamente na \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d, oferecendo a sua ora\u00e7\u00e3o e o seu sofrimento. Ao olharmos a nossa Cidade como espa\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o, uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel se nos apresenta: o que \u00e9 hoje Lisboa do ponto de vista crist\u00e3o? Ela que foi alfobre de mission\u00e1rios, de santos e mesmo m\u00e1rtires? Ela que esteve na origem da expans\u00e3o do cristianismo nas cinco partes do mundo? Disso continuam testemunhos eloquentes os belos templos erigidos ao longo dos tempos, padr\u00f5es vivos da f\u00e9 de uma Cidade: a S\u00e9 Catedral, Santa Maria de Bel\u00e9m, Nossa Senhora dos M\u00e1rtires, S\u00e3o Domingos, S\u00e3o Vicente de Fora, a Madre de Deus, a Bas\u00edlica da Estrela, Nossa Senhora de F\u00e1tima, o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Eles a\u00ed continuam, eloquentes na sua beleza, proclamando cada um na linguagem art\u00edstica da sua \u00e9poca, a mesma mensagem de uma cidade crist\u00e3. Como todas as grandes cidades do nosso tempo, Lisboa alterou a sua fisionomia cultural e religiosa, tornando-se uma cidade plural. N\u00e3o foi alheia aos ventos do laicismo e \u00e0 eros\u00e3o cultural de uma \u00e9poca marcada pela grande comunica\u00e7\u00e3o. A sua popula\u00e7\u00e3o declara-se crist\u00e3 na sua maioria, 86% no \u00faltimo senso. Segundo o \u00faltimo estudo sobre a pr\u00e1tica dominical, cerca de 10% da sua popula\u00e7\u00e3o ainda pratica dominicalmente a sua f\u00e9. Dos outros, a maior parte guarda refer\u00eancias \u00e0 Igreja nos grandes momentos da vida: nascimento, casamento e morte. Os grandes valores que inspiram a vida comunit\u00e1ria t\u00eam origem crist\u00e3: o respeito pela pessoa humana, a solidariedade e o gosto de partilhar, o culto da liberdade. H\u00e1 j\u00e1 um grupo que se declara sem religi\u00e3o, agn\u00f3stico ou mesmo ateu, embora os grandes valores de refer\u00eancia sejam os mesmos de toda a comunidade. Entre essa maioria que se declara cat\u00f3lica, podemos considerar v\u00e1rios grupos cuja diferen\u00e7a \u00e9 significativa em termos de evangeliza\u00e7\u00e3o: os praticantes, que constituem o rosto vis\u00edvel das comunidades crist\u00e3s e que t\u00eam de ser o ponto de partida da ac\u00e7\u00e3o evangelizadora; o grupo dos n\u00e3o praticantes, mas que guardam refer\u00eancias vis\u00edveis \u00e0 Igreja, a quem \u00e9 preciso ajudar a descobrir a beleza do seu baptismo e da sua qualidade de Cat\u00f3licos; o grupo dos \u201cdescrentes\u201d, a quem \u00e9 preciso testemunhar a beleza da f\u00e9. \u00c0s outras Igrejas e Confiss\u00f5es Crist\u00e3s, manifestamos o nosso respeito fraterno e convidamo-las a participar na miss\u00e3o com um an\u00fancio vivo de Jesus Cristo.   A verdade da evangeliza\u00e7\u00e3o.  4. O Congresso n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia para refor\u00e7ar o poder da Igreja na sociedade. Fazemo-lo por fidelidade a uma convic\u00e7\u00e3o muito profunda de que a f\u00e9 \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do amor com que Deus ama todos os homens. Jesus Cristo continua a ser a express\u00e3o absoluta do amor de Deus por n\u00f3s. \u00c9 desejo de Deus que os homens se encontrem com o seu Filho Jesus Cristo. Esta \u00e9 a verdade profunda da evangeliza\u00e7\u00e3o, que a inspira, motiva e sugere os modos. Podemos concretizar uma tr\u00edplice dimens\u00e3o desta verdade da evangeliza\u00e7\u00e3o: a verdade dos homens a quem anunciamos o Evangelho; a verdade da f\u00e9 de quem anuncia; a verdade da Palavra de Deus que anunciamos. Ao prepararmo-nos para a \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d temos de aprofundar e meditar nesta tr\u00edplice dimens\u00e3o da verdade da evangeliza\u00e7\u00e3o.    A dignidade dos homens e mulheres, nossos irm\u00e3os.  5. O nosso an\u00fancio do Evangelho tem de ser humilde e dialogante, atitude de quem vai ao encontro dos outros em esp\u00edrito de servi\u00e7o. Tem de brotar do nosso amor e do nosso desejo de comunh\u00e3o. Uma das caracter\u00edsticas da f\u00e9 na nossa Cidade \u00e9 que ela \u00e9, cada vez mais, uma op\u00e7\u00e3o pessoal de liberdade, uma vez que se foram mitigando os condicionalismos sociol\u00f3gicos da religi\u00e3o. Ela tem, por isso, toda a beleza, mas tamb\u00e9m a exig\u00eancia da liberdade. O facto de anunciarmos a nossa f\u00e9, n\u00e3o pode diminuir o profundo respeito que temos pelos outros e pelas suas op\u00e7\u00f5es. A f\u00e9 n\u00e3o se imp\u00f5e a ningu\u00e9m. Esse respeito sugere-nos uma aten\u00e7\u00e3o \u00e0s buscas, problemas e sofrimentos dos nossos irm\u00e3os, pois eles poder\u00e3o, como n\u00f3s, encontrar na f\u00e9 a resposta que procuram. O sentido da vida e da morte, o mist\u00e9rio do sofrimento, a solid\u00e3o invenc\u00edvel, a \u00e2nsia de felicidade, sempre procurada e nunca alcan\u00e7ada, a desilus\u00e3o do amor, a dificuldade de captar a dimens\u00e3o de eternidade semeada no cora\u00e7\u00e3o de cada um. Porque \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus, o Evangelho tem de lhes aparecer como uma resposta e uma proposta de vida. S\u00f3 quem cultivou esta aten\u00e7\u00e3o sol\u00edcita e amorosa para com os outros, no profundo respeito pela sua dignidade, poder\u00e1 ser um evangelizador. \u00c9 que o concreto da vida dos nossos irm\u00e3os, perscrutada com amor, pode revelar-nos a abertura do seu cora\u00e7\u00e3o ao Evangelho de Jesus e \u00e0 sua pr\u00f3pria Pessoa. \u00c9 preciso captar e compreender as manifesta\u00e7\u00f5es actuais da busca da salva\u00e7\u00e3o. Mesmo naqueles para quem esta palavra j\u00e1 pouco significa, h\u00e1 buscas existenciais que podem significar a procura de Deus. Isto \u00e9 particularmente importante no nosso di\u00e1logo com os jovens, para quem a busca da vida pode ser algo de decisivo. \u00c9 preciso ouvi-los com compreens\u00e3o e ternura e fazer deles um destinat\u00e1rio privilegiado da \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d.  A verdade da f\u00e9 de quem anuncia.  6. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um testemunho, o que significa que a f\u00e9 anunciada \u00e9 uma experi\u00eancia vivida. Cristo que anunciamos \u00e9 o Cristo que amamos e procuramos. A principal exig\u00eancia da prepara\u00e7\u00e3o do Congresso e da \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d situa-se, precisamente, a\u00ed. As pessoas, as Comunidade e os Movimentos devem procurar, durante este ano de prepara\u00e7\u00e3o, uma autenticidade de f\u00e9. A Igreja que evangeliza precisa de ser, continuamente, evangelizada, de viver do Evangelho. A fecundidade do Congresso come\u00e7a a\u00ed: as pessoas, as Par\u00f3quias e os Movimentos que v\u00e3o empenhar-se na miss\u00e3o, devem prepar\u00e1-la na ora\u00e7\u00e3o, sobretudo atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o da Palavra e da viv\u00eancia da Eucaristia, celebrada e adorada. \u00c9 preciso, \u00e9 certo, imaginar e preparar as ac\u00e7\u00f5es evangelizadoras. Mas tudo isso deve assentar na renova\u00e7\u00e3o espiritual das Comunidades. Desta verdade de quem anuncia faz parte a humildade do evangelizador. O seu testemunho \u00e9, tantas vezes, apenas a manifesta\u00e7\u00e3o da sua esperan\u00e7a e do seu desejo, de quem sabe que Deus pode agir atrav\u00e9s da nossa pobreza e que o Reino de Deus brota da P\u00e1scoa de Jesus e \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo. O ano de prepara\u00e7\u00e3o do Congresso tem de ser um ano de profunda renova\u00e7\u00e3o espiritual de todos, pessoas e grupos, os que querem participar nesta ac\u00e7\u00e3o evangelizadora.  A verdade da Palavra de Deus que anunciamos.  7. O an\u00fancio do Evangelho, embora seja um testemunho pessoal da nossa f\u00e9, \u00e9 sempre a proclama\u00e7\u00e3o da \u201cf\u00e9 da Igreja\u201d, a \u00fanica que tem a garantia da objectividade da verdade de Deus, ou seja, da mensagem da Revela\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que a Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um servi\u00e7o da Palavra e miss\u00e3o da Igreja. Dois fen\u00f3menos da cultura contempor\u00e2nea podem comprometer a autenticidade deste an\u00fancio da \u201cf\u00e9 da Igreja\u201d: a import\u00e2ncia dada \u00e0 subjectividade, \u00e0 pr\u00f3pria vis\u00e3o pessoal da verdade e o facto de a sociedade, na complexidade dos seus problemas e na r\u00e1pida muta\u00e7\u00e3o dos valores culturais, fazer uma press\u00e3o cont\u00ednua sobre a Igreja para que adapte a sua doutrina a essa muta\u00e7\u00e3o da sociedade, entrando no ritmo da mudan\u00e7a e ensine aquilo que alguns gostariam de ouvir. O evangelizador, porque anuncia a \u201cf\u00e9 da Igreja\u201d, que \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o leg\u00edtimo da muta\u00e7\u00e3o, guiada pelo Esp\u00edrito e, ao longo dos s\u00e9culos, se mant\u00e9m fiel ao Evangelho dos Ap\u00f3stolos, tem de estar vigilante para evitar esses dois perigos: o de n\u00e3o confundir testemunho com vis\u00e3o subjectiva da verdade e de n\u00e3o cair na tenta\u00e7\u00e3o, para ser bem acolhido, de anunciar aquilo que os homens gostam de ouvir. A nossa percep\u00e7\u00e3o da verdade tem de ser continuamente confrontada com a verdade de Deus, mantida fielmente na \u201cf\u00e9 da Igreja\u201d. S\u00f3 a verdade de Deus salva, e n\u00e3o a minha pr\u00f3pria verdade. Esta fidelidade \u00e0 verdade da \u201cf\u00e9 da Igreja\u201d tem a ver com a mensagem, com os conte\u00fados da evangeliza\u00e7\u00e3o. Eles diferenciam-se conforme as etapas da evangeliza\u00e7\u00e3o: o primeiro an\u00fancio, a catequese, a forma\u00e7\u00e3o permanente. Mas a mensagem \u00e9 sempre a mesma; as diversas etapas s\u00e3o apenas momentos do seu aprofundamento. O Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, na Novo Millenio Ineunte, afirmou que o programa pastoral da Igreja \u00e9 Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. NMI, n. 28). \u00c9 Ele que encerra todo o mist\u00e9rio de Deus e do homem e que, depois de O conhecermos, gastaremos toda a nossa vida, em Igreja, para O conhecermos e amarmos. A \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d, embora suponha nas Comunidades um processo s\u00e9rio de catequese, de aprofundamento do mist\u00e9rio de Jesus Cristo para assim se prepararem para serem testemunhas, \u00e9, em si mesma, uma ac\u00e7\u00e3o evangelizadora marcada pelo dinamismo do primeiro an\u00fancio de Jesus Cristo. Por isso refiro aqui apenas os t\u00f3picos principais dos conte\u00fados desse primeiro an\u00fancio, ou seja, os conte\u00fados do \u201ckerigma\u201d crist\u00e3o.  Um \u201cKerigma\u201d para a nossa Cidade.  8. Trata-se de anunciar, com a for\u00e7a de um testemunho, que Jesus Cristo \u00e9 o Vivo, \u00e9 o Deus vivo, perto de n\u00f3s, a desafiar-nos para uma rela\u00e7\u00e3o de amor. Deus n\u00e3o \u00e9 uma ideia, um ser long\u00ednquo e inalcan\u00e7\u00e1vel, uma cria\u00e7\u00e3o cultural das religi\u00f5es. Em Jesus Cristo Ele torna-se acontecimento na nossa vida, transformando-a e dando-lhe um sentido radicalmente novo.  * Ao proclamar que Jesus \u00e9 o Vivo, afirmo a sua divindade. Ele \u00e9 importante para n\u00f3s, porque \u00e9 a presen\u00e7a do Deus vivo na nossa vida. N\u2019Ele, Deus torna-se pr\u00f3ximo, acess\u00edvel, Deus de alian\u00e7a, a desafiar-nos para a aventura do amor. Todos os anseios de amor, que palpitam no cora\u00e7\u00e3o humano, s\u00e3o portas abertas ao an\u00fancio de Jesus Cristo enquanto caminho para a plenitude do amor.  * Anunciar Jesus Cristo o Vivo, \u00e9 proclamar a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o, pois a sua morte na Cruz \u00e9 um facto confirmado pela Hist\u00f3ria. Ele \u00e9 um vivo que venceu a morte e por isso a Sua vida \u00e9 definitiva e plena. A proclama\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 incompreens\u00edvel sem o an\u00fancio do sentido da Sua morte, oferecida por amor, manifesta\u00e7\u00e3o radical e dram\u00e1tica do amor de Deus por n\u00f3s. S\u00f3 se pode comunicar o sentido pleno da Vida do ressuscitado, se a Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o nos aparecem como reden\u00e7\u00e3o. E esta \u00e9 acto criador do amor de Deus, que salva a grandeza da voca\u00e7\u00e3o humana, apesar do pecado. \u00c0 luz de Jesus Cristo, o pecado \u00e9 um drama de amor: drama na infidelidade do homem, drama na recupera\u00e7\u00e3o que Deus faz do homem, em Jesus Cristo. N\u00e3o devemos fugir ao peso que tem sobre as pessoas o drama da morte. \u00c9 certo que hoje os homens e mulheres tendem a ignor\u00e1-lo tanto quanto puderem. Mas ningu\u00e9m lhe escapa. O sentido da vida do homem est\u00e1 irremediavelmente ligado ao sentido da vida e da morte. Participar na vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte, \u00e9 come\u00e7ar a resolver o problema da morte na nossa vida.  * Encontrarmo-nos com Cristo, o Vivo, \u00e9 ouvir o Seu convite a que O sigamos como disc\u00edpulos. Ele quer ser nosso companheiro de viagem; segui-Lo \u00e9 querer percorrer o caminho da nossa vida sempre com Ele, ouvindo-O, aprendendo a am\u00e1-Lo e aprendendo a amar, reconduzindo tudo na nossa vida a esse amor novo. \u00c9 imposs\u00edvel entrar no dinamismo desta caminhada como disc\u00edpulos, sem o an\u00fancio do Esp\u00edrito Santo, a for\u00e7a criadora do amor de Deus, Ele que ressuscitou Jesus dos mortos, e nos transforma nesse \u201chomem novo\u201d, tornando-nos semelhantes a Cristo. \u00c9 preciso anunciar o Esp\u00edrito Santo como a for\u00e7a transformadora do amor de Deus que nos \u00e9 dado a partir da nossa rela\u00e7\u00e3o de amor com Jesus Cristo. Este an\u00fancio denuncia a auto-sufici\u00eancia da cultura contempor\u00e2nea, segundo a qual o homem s\u00f3 ser\u00e1 aquilo que ele pr\u00f3prio for capaz de construir. N\u00e3o! Seguir Jesus Cristo \u00e9 aceitar que o homem, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito de Jesus, \u00e9 capaz de atingir n\u00edveis de vida, de beleza e de profundidade, que lhe seriam inacess\u00edveis, se ficasse limitado \u00e0s suas pr\u00f3prias for\u00e7as. Acho que o drama da humanidade contempor\u00e2nea mostra \u00e0 saciedade esta evid\u00eancia.  * Este \u201cKerigma\u201d tem de incluir o primeiro an\u00fancio do mist\u00e9rio da Igreja. N\u00e3o devemos ter a preocupa\u00e7\u00e3o de explicar tudo, de fazer uma eclesiologia completa. Basta apresentar a Igreja como \u201ccomunh\u00e3o de crentes em Cristo\u201d, como Povo de disc\u00edpulos que caminham em conjunto, seguindo o seu Senhor. E abrir desde o in\u00edcio para a riqueza sacramental da Igreja, onde ela realiza a pr\u00f3pria obra de Deus em Jesus Cristo, com uma efic\u00e1cia garantida pelo pr\u00f3prio Deus e n\u00e3o apenas pelos homens. Os tr\u00eas sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 devem constituir o n\u00facleo central deste an\u00fancio. A sua viv\u00eancia cont\u00ednua garantem a caminhada, seguindo Jesus Cristo, o Vivo, identificando-nos com Ele, e seguindo-O at\u00e9 \u00e0 Casa do Pai.  * Este primeiro an\u00fancio completar-se-\u00e1 com o convite \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. A possibilidade de rezar, \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o da novidade crist\u00e3. Rezar com Jesus, rezar como Cristo rezou, oferecer como Cristo se oferece. A primeira aceita\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo deve desabrochar, espontaneamente, na primeira express\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, manifesta\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e de uni\u00e3o de amor a Cristo e, por Cristo, ao Deus vivo, que no Seu Filho se torna nosso \u00edntimo e nosso pr\u00f3ximo.  Uma pedagogia da evangeliza\u00e7\u00e3o.  9. Tendo em conta quanto acaba de afirmar-se sobre a natureza din\u00e2mica da evangeliza\u00e7\u00e3o, a \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d sup\u00f5e o delinear de uma pedagogia: a selec\u00e7\u00e3o dos sectores da popula\u00e7\u00e3o a quem se destina a ac\u00e7\u00e3o evangelizadora, a prepara\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es a desencadear, a forma\u00e7\u00e3o dos evangelizadores, a garantia da qualidade em todas as ac\u00e7\u00f5es desencadeadas. \u00c9 preciso desencadear um dinamismo que ponha a Cidade em estado de miss\u00e3o de tal modo que ningu\u00e9m estranhe, nesses dias, se algu\u00e9m lhe falar de Deus e de Jesus Cristo. Para atingir esse objectivo muito contribuir\u00e1 a dinamiza\u00e7\u00e3o das Comunidades Paroquiais e dos Movimentos e Associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is. Mas n\u00e3o deixaremos de recorrer ao contributo dos modernos meios de comunica\u00e7\u00e3o com as multid\u00f5es. Estaremos particularmente atentos ao mundo juvenil, particularmente \u00e0 juventude universit\u00e1ria, aos espa\u00e7os da Cidade onde se cruzam multid\u00f5es; uma aten\u00e7\u00e3o especial nos merecer\u00e3o os idosos e os doentes. Os espa\u00e7os culturais, de modo particular o nosso riqu\u00edssimo patrim\u00f3nio art\u00edstico, dever\u00e3o ser valorizados na miss\u00e3o. Esta ser\u00e1, ali\u00e1s, um espa\u00e7o para a criatividade de pessoas e Comunidades, que poder\u00e3o propor as suas ac\u00e7\u00f5es evangelizadoras, garantida que esteja a unidade da miss\u00e3o.  10. Procuraremos que todas as ac\u00e7\u00f5es desencadeadas tenham em comum algumas caracter\u00edsticas ou qualidades:  * A qualidade. Devemos fazer bem feito o que nos propusermos fazer. Esta qualidade aliar\u00e1 a dimens\u00e3o cultural com a sinceridade da convic\u00e7\u00e3o e a ousadia do testemunho. Simplicidade e qualidade n\u00e3o se op\u00f5em.   * A beleza. Deus \u00e9 belo e a beleza \u00e9 hoje uma abordagem de Deus mais simples e atraente do que o discurso do convencimento racional. Que tudo seja belo, e que se organizem ac\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que partam da beleza para o an\u00fancio do Evangelho.  * A eclesialidade. A Igreja de Lisboa tem de se rever em cada uma das ac\u00e7\u00f5es desencadeadas, que t\u00eam de se inserir no dinamismo da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja. O Congresso e a \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d n\u00e3o podem ser ac\u00e7\u00f5es ef\u00e9meras que se esgotam quando acabam. Devem deixar dinamismos que perdurem na linha da realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja prolongada no tempo.  A Cidade um \u00fanico espa\u00e7o de miss\u00e3o.  11. Este \u00e9, certamente, um dos aspectos mais exigentes da \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d: a unidade da miss\u00e3o. N\u00e3o podemos aparecer perante a Cidade, uns a anunciar a f\u00e9 de Paulo, outros de Pedro, outros de Apolo (cf. 1Cor. 1,12). Toda a dinamiza\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o desta ac\u00e7\u00e3o evangelizadora tem de ser marcada pela unidade, considerando a Cidade como um \u00fanico espa\u00e7o pastoral. O papel das Par\u00f3quias \u00e9 decisivo no bom andamento da miss\u00e3o, enquanto espa\u00e7o de realiza\u00e7\u00e3o e entidade promotora de ac\u00e7\u00f5es. As diversas Igrejas que se erguem na nossa Cidade devem ser sinais de uma mesma f\u00e9 e de um mesmo an\u00fancio de Jesus Cristo. \u00c9 importante que, salvaguardando embora a justa especificidade, a Cidade toda seja como um painel em que as diversas Par\u00f3quias s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es, mais da unidade do que da diferen\u00e7a. A \u201cmiss\u00e3o na Cidade\u201d levar-nos-\u00e1, porventura, a uma reflex\u00e3o aprofundada sobre a Par\u00f3quia urbana, cada vez menos definida pela territorialidade. N\u00e3o devemos permitir que os particularismos comprometam a unidade da miss\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da sua eclesialidade. Para esta unidade da miss\u00e3o muito poder\u00e3o contribuir os Movimentos, convidados a p\u00f4r a especificidade dos seus pr\u00f3prios carismas ao servi\u00e7o de uma \u00fanica miss\u00e3o, desencadeada pela mesma Igreja Diocesana.   Sintamo-nos enviados.  12. \u00c9 o Senhor que nos envia. Partamos, dinamizados pelo Esp\u00edrito, e levemos connosco Nossa Senhora. Ela repetir-nos-\u00e1 incansavelmente: \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d (Jo. 2,5). Aprendamos com ela a dar Jesus Cristo aos homens do nosso tempo. E invoquemos a protec\u00e7\u00e3o de Paulo, o grande Ap\u00f3stolo do an\u00fancio. Termino esta Carta Pastoral, com um texto da 1.\u00aa Carta de Paulo aos Tessalonicenses:  \u201cComo v\u00f3s pr\u00f3prios sabeis, irm\u00e3os, a visita que vos fizemos n\u00e3o foi in\u00fatil. Apesar dos sofrimentos e insultos que suport\u00e1mos em Filipos, como sabeis, no nosso Deus encontr\u00e1mos coragem para vos anunciar o seu Evangelho no meio de grandes lutas. A nossa prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasce do erro, nem da impureza ou da fraude. Mas, como Deus nos encontrou dignos de nos confiar o Evangelho, assim o pregamos, n\u00e3o para agradar aos homens, mas a Deus que p\u00f5e \u00e0 prova os nossos cora\u00e7\u00f5es. Bem sabeis que nunca us\u00e1mos palavras de lisonja nem recursos de gan\u00e2ncia; Deus \u00e9 testemunha. Tamb\u00e9m n\u00e3o procur\u00e1mos as honras humanas, quer da vossa parte, quer da parte dos outros, embora pud\u00e9ssemos fazer valer a nossa autoridade como Ap\u00f3stolos de Cristo. Ao contr\u00e1rio, apresent\u00e1mo-nos no meio de v\u00f3s com bondade, como a m\u00e3e que acalenta os filhos que anda a criar. Pela viva afei\u00e7\u00e3o que vos dedic\u00e1mos, desej\u00e1vamos partilhar convosco n\u00e3o s\u00f3 o Evangelho de Deus, mas ainda a pr\u00f3pria vida, t\u00e3o caros vos t\u00ednheis tornado para n\u00f3s.\u201d  Lisboa, 26 de Setembro de 2003    \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,168,207,237,268,275,285,294,314],"class_list":["post-2457","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2457\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}