{"id":245685,"date":"2022-06-30T10:51:30","date_gmt":"2022-06-30T09:51:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=245685"},"modified":"2022-06-30T10:51:30","modified_gmt":"2022-06-30T09:51:30","slug":"educar-para-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educar-para-a-verdade\/","title":{"rendered":"Educar para a verdade"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro, <\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-152027 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, falar verdade torna-nos dignos de confian\u00e7a, enquanto mentir nos faz perder a credibilidade. Ningu\u00e9m gosta de ser enganado. Apesar disso, a mentira \u00e9 uma pr\u00e1tica frequente na vida social. Todos n\u00f3s mentimos. Quem diz que nunca mentiu, provavelmente est\u00e1 a mentir!<\/p>\n<p>Simples ou sofisticadas, as mentiras t\u00eam diferentes graus de gravidade moral, consoante as circunst\u00e2ncias e as inten\u00e7\u00f5es dos seus autores. Em geral, consideram-se menos graves as mentiras usadas com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ferir os sentimentos de outra pessoa. Mais graves s\u00e3o as mentiras de algu\u00e9m que pretende enganar e prejudicar os outros para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O dever de dizer a verdade<\/strong><\/h4>\n<p>Devemos ser honestos e dizer a verdade? Sim. Mas temos o direito de guardar sil\u00eancio sobre quest\u00f5es da nossa vida privada e a obriga\u00e7\u00e3o moral de n\u00e3o revelar confid\u00eancias ou segredos profissionais. Neste sentido, omitir algumas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 mentir, \u00e9 apenas saber ficar calado.<\/p>\n<p>Seria imprudente dizer tudo o que se sabemos, pensamos ou sentimos, perante qualquer ouvinte, de qualquer modo e em qualquer circunst\u00e2ncia. Para criar e manter rela\u00e7\u00f5es humanas saud\u00e1veis e duradouras, faz-nos falta uma boa dose de autocensura.<\/p>\n<p>A verdade exige prud\u00eancia e delicadeza. Certamente, j\u00e1 ouvimos algu\u00e9m a declarar: \u201cEu sou muito sincero e frontal; gosto de dizer sempre toda a verdade, nua e crua, doa a quem doer.\u201d Uma afirma\u00e7\u00e3o destas revela coragem ou falta de bom senso?<\/p>\n<p>Sinceridade n\u00e3o se confunde com insensibilidade. \u00c9 sensato mostrar delicadeza quando se fazem cr\u00edticas negativas ou se d\u00e3o m\u00e1s not\u00edcias. Isto n\u00e3o significa renunciar \u00e0 verdade e optar por mentiras doces, piedosas ou consoladoras. Significa estar atento aos outros e n\u00e3o lhes causar sofrimento desnecess\u00e1rio. Faz diferen\u00e7a o que se diz, como se diz e quando se diz. Todos gostamos de ser tratados com empatia e respeito.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 alguma circunst\u00e2ncia em que se justifica o recurso \u00e0 mentira?<\/p>\n<p>Certos pensadores, em especial Santo Agostinho e Kant, afirmam que devemos dizer a verdade, independentemente da situa\u00e7\u00e3o, quaisquer que sejam as consequ\u00eancias. Nesta perspetiva, a mentira, mesmo usada com boas inten\u00e7\u00f5es, \u00e9 sempre uma pr\u00e1tica imoral.<\/p>\n<p>Contra esta posi\u00e7\u00e3o radical, a maioria dos pensadores considera que dizer a verdade \u00e9 um princ\u00edpio que n\u00e3o pode ser aplicado de forma r\u00edgida e incondicional, sem medir as consequ\u00eancias. No limite, a mentira \u00e9 justific\u00e1vel quando usada para salvar a vida de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Rea\u00e7\u00e3o \u00e0 mentira<\/h4>\n<p>Quantas vezes interagimos com pessoas que nos contam mentiras? Com a experi\u00eancia, aprendemos a descobrir alguns sinais da mentira na linguagem corporal (nas express\u00f5es faciais e nos gestos) dos nossos interlocutores. Mentir com o corpo \u00e9 uma \u201cci\u00eancia\u201d que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance de todos. A<em> sabedoria popular avisa<\/em>: <em>\u201cMais depressa se apanha<\/em> um <em>mentiroso<\/em> do que um coxo.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 mentiras dif\u00edceis de detetar. Acontece com as meias-verdades, onde se misturam o verdadeiro e o falso. Quem diz meias-verdades, faz malabarismos com as palavras e distorce factos ou n\u00fameros, de acordo com os seus interesses. Diz coisas verdadeiras, enquanto conscientemente esconde o essencial da verdade com a inten\u00e7\u00e3o de enganar os outros. Trata-se de uma estrat\u00e9gia desonesta usada muitas vezes na pol\u00edtica e nos neg\u00f3cios para ganhar poder e dinheiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 boa atitude desconfiar de toda a gente. Mas devemos interpretar com esp\u00edrito cr\u00edtico as mensagens que escutamos, sem confundir o erro com a mentira. Quem erra, n\u00e3o sabe que est\u00e1 enganado. Quem mente, tem inten\u00e7\u00e3o de nos enganar.<\/p>\n<p>O que fazer quando descobrimos que algu\u00e9m nos mentiu? Depende da pessoa, da gravidade da mentira e da proximidade da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em certas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 boa pr\u00e1tica conversar em privado com a pessoa e perceber porque n\u00e3o disse a verdade. Podemos aceitar as desculpas de quem admite que mentiu e promete corrigir-se. Quem mente sem vergonha ou de forma compulsiva e nada faz para mudar, merece o nosso afastamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Educar os filhos<\/h4>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 vacina contra o v\u00edrus da mentira. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio educar as crian\u00e7as e os adolescentes para o valor da verdade. Uma responsabilidade dos pais. E tamb\u00e9m de outros educadores.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as n\u00e3o mentem antes dos tr\u00eas anos de idade. Confundem a imagina\u00e7\u00e3o com a realidade. Gradualmente, v\u00e3o perdendo a inoc\u00eancia e aprendem a contar pequenas mentiras para evitar castigos ou obter benef\u00edcios. E, com a sua esperteza, depressa descobrem que as mentiras funcionam e n\u00e3o fazem crescer o nariz, ao contr\u00e1rio do que acontece na hist\u00f3ria do <em>Pin\u00f3quio<\/em>!<\/p>\n<p>No seu processo de desenvolvimento cognitivo, emocional e social, os adolescentes usam mentiras mais sofisticadas. Recorrem \u00e0 mentira para defender a autoestima, conquistar a aprova\u00e7\u00e3o do seu grupo ou proteger os amigos. Mentem tamb\u00e9m quando s\u00e3o pressionados pelos pais com perguntas indiscretas sobre assuntos de que preferem n\u00e3o falar (por exemplo, \u00e1lcool, drogas e sexualidade).<\/p>\n<p>Antes de reagir, os pais precisam de manter o autocontrolo e, num clima de confian\u00e7a, tentar compreender os verdadeiros motivos das mentiras dos filhos. Perante mentiras conscientes e graves, devem repreender os filhos com firmeza, mas sem agressividade, ajudando-os a refletir sobre as consequ\u00eancias negativas do seu comportamento na rela\u00e7\u00e3o com os outros. Amea\u00e7as e castigos n\u00e3o educam.<\/p>\n<p>Adianta pouco dizer aos filhos que mentir \u00e9 feio. Faz mais sentido elogi\u00e1-los quando eles t\u00eam a coragem de falar verdade. O essencial \u00e9 dar-lhes bom exemplo. Os filhos aprendem atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o e da imita\u00e7\u00e3o. Se os pais mentem, o que podem esperar dos filhos?<\/p>\n<p>Os pais n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos educadores. As crian\u00e7as e os adolescentes tamb\u00e9m recebem educa\u00e7\u00e3o dos professores e de outros adultos de refer\u00eancia. Mas tudo come\u00e7a na fam\u00edlia. Quando os pais s\u00e3o bons modelos, os filhos aprendem mais facilmente a import\u00e2ncia da verdade. Sem verdade, nenhuma rela\u00e7\u00e3o tem futuro.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro<br \/>\n<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro, Professor e Formador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-245685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245685\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}