{"id":24545,"date":"2007-05-07T18:16:10","date_gmt":"2007-05-07T18:16:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/05\/07\/descobrir-deus-no-meio-do-sofrimento\/"},"modified":"2007-05-07T18:16:10","modified_gmt":"2007-05-07T18:16:10","slug":"descobrir-deus-no-meio-do-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/descobrir-deus-no-meio-do-sofrimento\/","title":{"rendered":"Descobrir Deus no meio do sofrimento"},"content":{"rendered":"<p>Capel\u00e3o do Hospital Dona Estef\u00e2nia fala da import\u00e2ncia da assist\u00eancia espiritual em momentos delicados da vida <!--more--> A assist\u00eancia espiritual \u00e9 fundamentalmente perceber \u201conde est\u00e1 Deus no meio disto tudo.\u201d Isto tudo s\u00e3o as crian\u00e7as, o seu sofrimento e o dos seus pais. Dedicado exclusivamente \u00e0 maternidade e a crian\u00e7as, o Hospital D. Estef\u00e2nia dizem ter uma \u201caura especial\u201d. Talvez pelas crian\u00e7as e pelo \u201cmelhor que conseguem tirar dos adultos\u201d, talvez pelos \u00faltimos dias de vida que a beata Jacinta ali viveu, talvez pelas pessoas que s\u00e3o o hospital. Ou talvez por tudo isto. Andar pelos corredores com o Pe. Carlos, \u00e9 parar a cada 100 metros. Enfermeiros, volunt\u00e1rios, funcion\u00e1rios cruzam-se pelos corredores. Espa\u00e7o para breves conversas, mas importantes contactos onde importa a presen\u00e7a. \u201cAndo por aqui, falo com quem passa\u201d, mostra que est\u00e1 pelo hospital.   Sacerdote h\u00e1 13 anos, o Pe. Carlos Azevedo acompanha tamb\u00e9m a Comunidade Vida e Paz. Foi p\u00e1roco na Lourinh\u00e3 e em algumas comunidades nas Caldas da Rainha. Ao fim de cinco anos, o Cardeal Patriarca de Lisboa nomeou-o primeiro para Telheiras, onde esteve um ano com fun\u00e7\u00f5es de p\u00e1roco. Fruto do seu carisma pessoal ou pr\u00f3prio da casa &#8211; refere-se constantemente ao D. Estef\u00e2nia como uma casa &#8211; percebe-se a verdade quando diz que sente a sua vida \u201cbem gasta aqui\u201d.   S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis e muito exigentes \u201cmas muito desafiantes e que d\u00e3o sentido ao nosso minist\u00e9rio e consagra\u00e7\u00e3o\u201d, sublinha. Muitas palavras trocadas depois, confirma que n\u00e3o leva nada para casa \u201ca n\u00e3o ser que tenha de resolver alguma coisa l\u00e1 fora\u201d. \u00c9 um trabalho \u201cpesado psicologicamente\u201d. Fora das paredes do D. Estef\u00e2nia h\u00e1 outras solicita\u00e7\u00f5es.  Centra o seu trabalho no edif\u00edcio principal onde est\u00e1 localizado o internamento das crian\u00e7as. \u201cGeralmente n\u00e3o vou \u00e0 ginecologia ou obstetr\u00edcia a n\u00e3o ser que sejam casos complicados. Se assim for, inevitavelmente me cruzo aqui com eles\u201d &#8211; refere-se ao internamento.   Aqui passa 35 horas por semana pois \u00e9 funcion\u00e1rio do hospital. Insiste em falar em \u00abn\u00f3s\u00bb, mas a assist\u00eancia presta-a sozinho. Conta com a ajuda de algumas pessoas, uma \u201cverdadeira rede de solidariedade\u201d. Volunt\u00e1rios s\u00e3o cerca de 100, um servi\u00e7o que passa pelo capel\u00e3o mas n\u00e3o exclusivamente.  Sendo um hospital materno infantil, tem uma parte de maternidade e de ginecologia e outra parte de pediatria &#8211; com maior dimens\u00e3o. S\u00e3o os familiares das crian\u00e7as que ao Pe. Carlos se dirigem, porque as crian\u00e7as s\u00e3o muito pequeninas. \u201cA sua maioria s\u00e3o beb\u00e9s e as crian\u00e7as neste hospital, geralmente est\u00e3o em estado grave\u201d, com patologias extremas n\u00e3o podendo por isso sair dos quartos.   As que saem da enfermaria e que t\u00eam alguma capacidade relacional, \u201cv\u00eam visitar-me e acaba por fazer parte da sua rotina. \u00c9 uma forma de combater o facto de se encontrarem internadas h\u00e1 muito tempo\u201d.   Ali vivem crian\u00e7as com as suas fam\u00edlias \u201cpor vezes anos seguidos\u201d, conta o Pe. Carlos, relembrando experi\u00eancias de tr\u00eas anos seguidos, ou dois, todos os dias. Algumas delas mostram sorrisos nas fotografias expostas num painel no seu gabinete.   <b>Cimentar rela\u00e7\u00f5es<\/b> \u201cTornamos a sua fam\u00edlia\u201d, porque chega a conviver dois ou tr\u00eas anos seguidos com pessoas que ali t\u00eam de ir todos os dias. Mesmo quando saem, t\u00eam de continuar nas consultas externas e nos tratamentos, por isso da parte da manh\u00e3, batem-lhe \u00e0 porta e ficam \u00e0 conversa.  Daqui se iniciam muitos contactos, actividades e din\u00e2micas que geram uma verdadeira \u201crede de solidariedade\u201d de bens que entram e saem. Roupas, brinquedos e muitos outros utens\u00edlios passam por este gabinete. \u201cH\u00e1 muita partilha e solidariedade aqui dentro porque vamos percebendo a car\u00eancia que afecta muitos dos que frequentam o hospital\u201d. A capelania \u00e9 muitas vezes \u201cuma ponte\u201d.   N\u00e3o h\u00e1 um dia t\u00edpico. Da parte da manh\u00e3 decorrem as visitas m\u00e9dicas e a higiene de cada paciente e a presen\u00e7a do capel\u00e3o n\u00e3o \u201cacrescenta muita coisa\u201d. Por isso a manh\u00e3 \u00e9 mais dedicada a \u201ctrabalho pessoal de prepara\u00e7\u00e3o para alguma coisa\u201d e atendimento de pessoas que o solicitam.  \u201cTento almo\u00e7ar sempre na cantina, junto das pessoas\u201d. \u00c0s vezes vai sozinho e deixa a cadeira vazia, porque sabe que algu\u00e9m se sentar\u00e1 \u00e0 sua frente para conversar. Um equil\u00edbrio entre perguntar e saber escutar. \u201cUma simples pergunta leva as pessoas perceberem que se est\u00e1 com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua vida\u201d, explica.   A visita \u00e0s enfermarias hoje foi mais cedo. Geralmente depois da Eucaristia que celebra todos os dias \u00e0s 16 horas e 30 minutos &#8211; ao S\u00e1bado \u00e9 \u00e0s 17 horas &#8211; ruma aos quartos porque \u201cj\u00e1 passou o hor\u00e1rio das visitas e normalmente h\u00e1 um outro ambiente para suscitar conversa, para as pessoas partilharem e se poder conversar acerca de algo que as inquiete\u201d.  Pelo caminho vai deixando boa parte da boa disposi\u00e7\u00e3o que o caracteriza. O sorriso certo para quem j\u00e1 o conhece, uma festa a uma crian\u00e7a que n\u00e3o o v\u00ea, mas sente. Todos os momentos s\u00e3o importantes para simplesmente estar.   O bom relacionamento que o Pe. Carlos cultiva com quem contacta \u00e9 vis\u00edvel pelos corredores e pelos telefonemas que v\u00e3o acontecendo e onde se partilha uma boa risada. Instrumento verdadeiro e essencial para se criar rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e abertura.   Durante a semana \u201cprocuramos estar o mais tempo poss\u00edvel e proporcionar apoio quer aos profissionais quer ao utentes, desde o atendimento \u00e0 visita aos doentes nas suas camas\u201d. \u00c9 toda esta envolv\u00eancia que caracteriza o trabalho do assistente espiritual num hospital.  Para m\u00e9dicos e enfermeiros \u00e9 uma luta lidar com a morte de uma crian\u00e7a. \u201cO quadro geral n\u00e3o \u00e9 de morte, acontece, mas pouco\u201d.H\u00e1 casos em que n\u00e3o se tem tempo para intervir. Uma crian\u00e7a que entra j\u00e1 em bra\u00e7os e falece imediatamente, ou pouco depois, \u201cnesses casos \u00e9 ainda mais complicado, quer para os familiares, como para o corpo profissional\u201d.   O Pe. Carlos manifesta uma grande disponibilidade para atender os profissionais de sa\u00fade, apoiar e acompanh\u00e1-los espiritualmente. Relembra que no princ\u00edpio as pessoas tinham a no\u00e7\u00e3o de que a presen\u00e7a de um padre no hospital era porque algu\u00e9m estaria para morrer. Lembra-se tamb\u00e9m de muitas vezes lhe perguntarem de quem era pai \u201ce quando ouviam dizer que eu era padre ficavam a achar que algo de muito grave se passava\u201d. Levou tempo a habituar-se, individualmente at\u00e9, a ser uma presen\u00e7a constante e natural \u201cporque as pessoas tinham algumas reservas\u201d.  Agora acontece fazer mesmo prepara\u00e7\u00e3o para o casamento de alguns profissionais de sa\u00fade, baptismos, \u00e0s vezes tamb\u00e9m funerais. \u201cProcuramos estar muitos dispon\u00edveis para isso e formar uma comunidade onde se desenvolvem o mais poss\u00edvel la\u00e7os de relacionamento\u201d.  <b>Multiculturalidade no hospital<\/b> A sua equipa s\u00e3o volunt\u00e1rios e existe tamb\u00e9m um mediador para a etnia cigana, que entrou a partir da pastoral dos ciganos. \u201cServe de mediador para v\u00e1rias quest\u00f5es que surgem com a comunidade cigana\u201d. T\u00eam h\u00e1bitos diferentes \u201cprincipalmente aus\u00eancia de regras e uma casa como esta tem necessariamente algumas regras que s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias\u201d, aponta. Quando surgem alguns conflitos \u00e9 importante ter algu\u00e9m a mediar, e a melhor forma de o fazer \u00e9 com \u201calgu\u00e9m pertencente \u00e0 sua comunidade\u201d.   O trabalho do Bruno Oliveira tem sido uma mais valia, inclusivamente na forma\u00e7\u00e3o que d\u00e1 aos profissionais sobre os aspectos culturais da comunidade cigana. No imediato n\u00e3o surge necessidade de se apostar em mais mediadores com outras comunidades. Mas o hospital \u00e9 cada vez mais um espa\u00e7o onde se regista a multiculturalidade das sociedades.  Espanh\u00f3is, africanos, chineses, brasileiros, oriundos dos pa\u00edses de Leste j\u00e1 se cruzaram pelos corredores. Numa enfermaria, onde se encontram cerca 20 crian\u00e7as, \u201cpodemos encontrar seis nacionalidades diferentes\u201d. Pa\u00edses de Leste, africanos, brasileiros, chineses s\u00e3o uma variedade que constituem um desafio.  A par da diversidade de etnias h\u00e1 tamb\u00e9m uma variedade de formas de estar, de cultura e de abertura tamb\u00e9m com o capel\u00e3o. \u201cN\u00e3o estamos aqui para tentar convencer ningu\u00e9m a aderir \u00e0 nossa religi\u00e3o. Estamos para apoiar espiritualmente as pessoas que est\u00e3o numa fase mais dif\u00edcil\u201d.  A pr\u00f3pria identidade dos doentes est\u00e1 posta em causa porque o seu corpo est\u00e1 transformado. Por isso a presen\u00e7a de um assistente espiritual \u201ctem de ser uma mais valia. Muitas vezes somos uma ajuda directa outras apenas uma media\u00e7\u00e3o. A fun\u00e7\u00e3o de um assistente espiritual num hospital neste caso, cat\u00f3lico mas sendo outra confiss\u00e3o teria a mesma responsabilidade, \u00e9 fazer a ponte entre o doente e o seu l\u00edder espiritual seja ele sacerdote ou pastor\u201d.   Acontece tamb\u00e9m fazer o apoio noutro sentido. Quando outras religi\u00f5es querem visitar o hospital \u201cservimos n\u00f3s de ponte para que eles tenham acesso\u201d, relembrando uma experi\u00eancia recente com um grupo de adventistas do s\u00e9timo dia que visitam mensalmente o D. Estef\u00e2nia.  No hospital o respeito pelo doente deve ser muito grande. N\u00e3o se trata de uma presen\u00e7a que venha p\u00f4r em causa alguma coisa, mas \u201cessencialmente uma presen\u00e7a que acrescente paz, conforto, consola\u00e7\u00e3o a pessoas que nesta situa\u00e7\u00e3o possam estar mais fragilizadas\u201d.   <b>Acompanhamento para al\u00e9m do hospital<\/b> O acompanhamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 feito entre portas. A assist\u00eancia fora do hospital continua. Quando morre uma crian\u00e7a o acompanhamento e assist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia continuam. \u201cA pr\u00f3pria fam\u00edlia nos procura, vem participar na eucaristia. Quando as crian\u00e7as t\u00eam alta, por vezes acontecem n\u00e3o terem sido baptizadas c\u00e1, os familiares pedem e n\u00f3s vamos l\u00e1 fora baptiz\u00e1-las\u201d.   A passagem pelo hospital \u201c\u00e9 um momentos mais sens\u00edveis na vida do doente que nos aproxima imenso uns dos outros. Os la\u00e7os que se criam ficam t\u00e3o fortes que as pessoas necessariamente se v\u00e3o fazendo presentes, n\u00f3s a eles e eles a n\u00f3s, de uma forma simples e espont\u00e2nea\u201d. E uma presen\u00e7a \u201c\u00e9 mais forte que muitas palavras que se possam dizer\u201d.  \u201cA morte de um filho \u00e9 a pior coisa que pode haver\u201d, refere o Pe. Carlos Azevedo. Actualmente com os avan\u00e7os da medicina j\u00e1 fizeram muitos progressos e muito bons, mas o facto \u00e9 que tamb\u00e9m suscitam outras situa\u00e7\u00f5es. \u201cTemos cada vez mais crian\u00e7as com doen\u00e7as cr\u00f3nicas, raras e graves\u201d. Porque se conseguiu salvar a crian\u00e7a de morrer mas n\u00e3o se conseguiu fazer a cura completa da doen\u00e7a e vai tentando prolongar-se o mais poss\u00edvel a vida, \u00e0s vezes com limita\u00e7\u00f5es grandes.   \u201cO apoio necess\u00e1rio \u00e0s voltas que a vida traz \u00e9 um pouco do nosso servi\u00e7o e da nossa raz\u00e3o de aqui estar\u201d. Estando atento, dispon\u00edvel e acompanhando o melhor poss\u00edvel essas realidades. Muitas vezes os capel\u00e3es tornam-se mediadores. \u201cAcontece as pessoas personalizarem no m\u00e9dico a pessoa boa mas tamb\u00e9m quando se est\u00e1 muito desgastado, tem-se dificuldade em encarar o papel dos m\u00e9dicos e enfermeiros como uma ajuda para curar, porque s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que levam tempo e podem surgir alguns conflitos. Como n\u00e3o somos quem tem de picar a crian\u00e7a e de ter cuidados m\u00e9dicos com ela, servimos para as pessoas desabafarem as press\u00f5es e tens\u00f5es que acumulam\u201d.   <b>Descobrir Deus<\/b> H\u00e1 momentos de profunda raiva, mas tamb\u00e9m de aut\u00eantica convers\u00e3o. O convite para baptizar um jovem, irm\u00e3o de uma menina que morreu no hospital, surgiu porque o momento de profunda dor pela perda de uma filha, \u201ccausou uma aproxima\u00e7\u00e3o a Deus e despontou numa caminhada dos pais muito interessante\u201d, levando \u00e0 op\u00e7\u00e3o de baptizar o outro filho.   Uma tia av\u00f3 descobriu a raz\u00e3o para viver ao cuidar de uma crian\u00e7a que perdeu a m\u00e3e no parto, cujo pai n\u00e3o a visita, e est\u00e1 internado por tempo indefinido.  O sofrimento de uma crian\u00e7a \u00e9 brutal mas as situa\u00e7\u00f5es mais dram\u00e1ticas n\u00e3o se prendem s\u00f3 com o sofrimento f\u00edsico. \u201cH\u00e1 situa\u00e7\u00f5es muito absurdas e mais absurdo ainda n\u00e3o \u00e9 sofrimento, mas o sofrimento sem amor\u201d. Conhecemos pessoas doentes que s\u00e3o felizes. Porqu\u00ea? E conhecemos pessoas que n\u00e3o s\u00e3o doentes e s\u00e3o profundamente infelizes. \u201cPorque ser\u00e1 tamb\u00e9m?\u201d, questiona o Pe. Carlos.  No meio dos dramas que ali se v\u00e3o vivendo, h\u00e1 que procurar valorizar o que \u00e9 realmente importante. \u201cE estas hist\u00f3rias que aqui se passam n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 hist\u00f3rias de grande sofrimento mas tamb\u00e9m grandes hist\u00f3rias de amor\u201d.   O Pe. Carlos afirma ser esse o seu papel. \u201cValorizar e tornar as pessoas o mais aptas poss\u00edvel a vivenciar cada instante e cada momento com o m\u00e1ximo de beleza e riqueza. Apesar de o que nos rodeia parecer est\u00fapido e absurdo\u201d.   Os tempos no hospital acabam por se tornar nos grandes tempos da vida que se tem. Pais que tantas vezes n\u00e3o t\u00eam tempo para estar com os seus filhos e finalmente ali t\u00eam tempo de sobra porque passam dias, meses, anos no hospital. Mesmo quando h\u00e1 revolta e se tem dificuldade em perceber o porque das coisas, vamos percebendo que tudo \u00e9 um processo necess\u00e1rio na vida.  Quando as pessoas se revoltam com Deus, \u201cesse \u00e9 o primeiro momento em que acreditam nele. At\u00e9 ali n\u00e3o se relacionavam com um Deus que existia de facto. Quando temos a capacidade de nos revoltar com algu\u00e9m, n\u00f3s acreditamos que ela est\u00e1 l\u00e1\u201d.   O capel\u00e3o do D. Estef\u00e2nia define a sua presen\u00e7a em tr\u00eas palavras: muito respeito, muita delicadeza e muita paci\u00eancia. Respeitar as pessoas naquilo que elas s\u00e3o, no que vivem e na situa\u00e7\u00e3o em que se encontram. A delicadeza porque n\u00e3o \u201cpodemos acrescentar nada ao que elas est\u00e3o j\u00e1 a viver, nem podemos impormo-nos muito, mas antes saber estar&#8221;.   Costumo pedir autoriza\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas para entrar nesta hist\u00f3ria com elas\u201d. Sabendo que \u00e9 um dos maiores momentos da vida de algu\u00e9m porque \u00e9 ali que se joga o mais bonito e mais o intimo que cada pessoa tem, \u201c\u00e9 preciso uma certa delicadeza para se entrar\u201d.   As coisas t\u00eam os seus ritmos, por isso a paci\u00eancia pede que n\u00e3o se antecipe nada, nem etapas do luto. Saber esperar que as pessoas fa\u00e7am o seu pr\u00f3prio caminho, respeitando esse mesmo caminho, sem deixar de acreditar.   No hospital encontram-se jovens at\u00e9 aos 16 anos. Alguns fazem ali catequese, outros estudam mesmo &#8211; existe uma escola para os que ali passam muito tempo &#8211; mas muitos fazem tamb\u00e9m ali a primeira comunh\u00e3o, o seu baptismo e \u201cdesenvolvem caminhos muito interessantes connosco\u201d. Mant\u00eam-se rela\u00e7\u00f5es de ajuda, de partilha, de conviv\u00eancia com essas crian\u00e7as. E alguma intimidade ao n\u00edvel do seu pr\u00f3prio sofrimento. \u201cMuitas acabam por nos ir pondo em comum daquilo que v\u00e3o sendo as suas batalhas internas\u201d, explica.  H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es muito dram\u00e1ticas. O Pe. Carlos relembra o falecimento de uma crian\u00e7a e n\u00e3o haver ningu\u00e9m a quem comunicar essa morte. Crian\u00e7as abandonadas nos hospitais ou mesmo situa\u00e7\u00f5es em que est\u00e1 o pai est\u00e1 de um lado da cama e a m\u00e3e do outro e n\u00e3o se falam.  A sociedade est\u00e1 criada de tal forma que \u201ca certa altura temos crian\u00e7as muito tempo sozinhas no hospital, sem a presen\u00e7a dos seus\u201d. As crian\u00e7as ficam internadas, nos primeiros tempos os seus pais ainda os conseguem acompanhar, mas depois \u00e9 um drama optar entre ter um trabalho ou estar ali. Muitas crian\u00e7as que chegam de \u00c1frica sozinhas para fazer tratamento e que ficam muito tempo, acabam por criar la\u00e7os tamb\u00e9m.   A maioria das crian\u00e7as que est\u00e3o no Hospital D. Estef\u00e2nia s\u00e3o beb\u00e9s. Quando t\u00eam j\u00e1 algum n\u00edvel de entendimento \u201c\u00e9 um drama e talvez das coisas mais dif\u00edceis de explicar que t\u00eam de ficar internadas\u201d. Uma crian\u00e7a que j\u00e1 come\u00e7a a entender melhor as coisas, e at\u00e9 \u00e0 adolesc\u00eancia \u201c\u00e9 terr\u00edvel. J\u00e1 n\u00e3o quer ficar, n\u00e3o tem vontade de estar\u201d. D\u00e1-se tamb\u00e9m o caso de alguns irem \u201ct\u00e3o mal, que o dram\u00e1tico depois \u00e9 irem embora, porque sentiram um acolhimento e uma seguran\u00e7a que n\u00e3o tinham l\u00e1 fora\u201d.   A recep\u00e7\u00e3o por parte dos pais nem sempre \u00e9 a melhor. Mas o Pe. Carlos no princ\u00edpio andava \u201cmais identificado\u201d. Depois come\u00e7ou a andar \u00ab\u00e0 civil\u00bb. \u201cPerde-se por um lado mas por outro lado, as pessoas sem saberem deixam-se conquistar sem perceberam com quem est\u00e3o a falar\u201d. Porque, como explica \u201ceu chego e falo muito e a certa altura, depois de perceber que h\u00e1 uma certa empatia, ou seja, que n\u00e3o puseram os seus preconceitos em ac\u00e7\u00e3o, digo que sou padre e a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 muita hip\u00f3tese\u201d, brinca.  No princ\u00edpio notou \u201cque algumas vezes, andar de cabe\u00e7\u00e3o podia ser uma barreira\u201d. Mas tamb\u00e9m \u201ch\u00e1 muita gente que precisa de refer\u00eancias visuais\u201d. Cada caso \u00e9 um caso.   H\u00e1 naturalmente algumas pessoas com quem se cria uma maior empatia e que percebem qual o \u201cnosso papel aqui em casa. H\u00e1 muita boa aceita\u00e7\u00e3o da nossa presen\u00e7a aqui por parte dos profissionais\u201d. Acaba por haver uma referencia\u00e7\u00e3o que fazem do trabalho e percebem o perfil do capel\u00e3o. \u201cQuando t\u00eam consci\u00eancia que a realidade da situa\u00e7\u00e3o precisa da nossa mais valia, n\u00e3o h\u00e1 a menor hesita\u00e7\u00e3o em nos contactar\u201d.   Quando chegou ao hospital, este n\u00e3o era um meio muito receptivo. O padre \u00e9 habitualmente o centro de uma par\u00f3quia. \u201cO centro num estabelecimento de sa\u00fade \u00e9 o m\u00e9dico, enfermeiros, mas n\u00e3o \u00e9 o padre\u201d. Houve algumas dificuldades de ajuste, mas foi um tempo de aprendizagem tamb\u00e9m \u201cpara perceber at\u00e9 que ponto a nossa presen\u00e7a podia ser uma mais valia\u201d.   Actualmente a Igreja aposta na prepara\u00e7\u00e3o dos capel\u00e3es hospitalares. Est\u00e1 inclusivamente criado um curso de forma\u00e7\u00e3o para capel\u00e3es hospitalares na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. Mas at\u00e9 \u00e0 pouco tempo n\u00e3o havia uma prepara\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9ramos atirados e ditava o bom senso ou a falta dele\u201d, justifica. Com o tempo, e alguma paix\u00e3o a juntar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o que t\u00eam &#8211; \u201cporque um padre lida com doentes e pessoas em situa\u00e7\u00f5es em grande sofrimento\u201d &#8211; aprende-se a corrigir \u201ca nossa ac\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o junto das pessoas\u201d.  O Hospital \u00e9 mesmo \u201cuma casa onde as pessoas comem, rezam, choram, dormem e j\u00e1 aconteceu mesmo, casos espor\u00e1dicos de pais que passaram aqui tanto tempo com os seus filhos, que come\u00e7aram a trabalhar c\u00e1\u201d.   \u201cTodos os dias vou percebendo pequenos sinais de Deus. Tenho consci\u00eancia que a tal assist\u00eancia espiritual \u00e9 fundamentalmente perceber onde \u00e9 que Deus est\u00e1 presente no meio disto tudo\u201d. Esse \u00e9 o seu trabalho para o qual se treina atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o, da espiritualidade, da ora\u00e7\u00e3o, \u201ce vou estando muito atento para perceber onde \u00e9 que Deus est\u00e1 porque sei que Deus n\u00e3o se ausenta. Temos de tentar descobrir onde.\u201d  Quando est\u00e1 com as fam\u00edlias verbaliza isso mesmo, \u201conde vou percebendo a presen\u00e7a de Deus, no amor dos pais, que numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil demonstram qualidades excepcionais, que est\u00e3o cansados mas s\u00e3o um sinal fant\u00e1stico porque se envolveram\u201d.   <b>Discuss\u00e3o versus realidade<\/b> A assist\u00eancia espiritual e as diferentes confiss\u00f5es religiosas \u00e9 uma quest\u00e3o que tem estado na ordem do dia. Nos hospitais \u201cesta quest\u00e3o nunca foi conflituosa\u201d. Um dos passos que se tem dado para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo \u201cmais tolerante, mais aut\u00eantico, mais respeitador das diferen\u00e7as tem passado muito pela assist\u00eancia das capelanias\u201d.   O Pe. Carlos integra a rede europeia de capelanias hospitalares, uma rede que envolve n\u00e3o s\u00f3 capel\u00e3es cat\u00f3licos como todas as confiss\u00f5es religiosas. \u201cPercebemos que esta \u00e9 uma \u00e1rea muito bonita, porque dentro de um hospital esquecem-se as diverg\u00eancias e as pessoas s\u00e3o capazes de se centrar, n\u00e3o no estatuto, mas na pessoa do doente, que \u00e9 o centro de toda a nossa ac\u00e7\u00e3o. Toda a import\u00e2ncia que este processo pode ter, que n\u00e3o \u00e9 de nenhuma religi\u00e3o ou do estatuto da pessoa que assiste\u201d.   O hospital n\u00e3o \u00e9 um campo de combate ideol\u00f3gico ou religioso mas \u201c\u00e9 um espa\u00e7o onde a uni\u00e3o e a comunh\u00e3o de esfor\u00e7os, at\u00e9 neste n\u00edvel espiritual, s\u00e3o importantes em fun\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a nossa prioridade que \u00e9 o doente e a sua fam\u00edlia. A diverg\u00eancia \u00e9 mais externa do que dentro do hospital.\u201d   A maioria das pessoas que assiste s\u00e3o de Igrejas muito distintas. Evang\u00e9licos chegam a participar na missa no D. Estef\u00eania, \u201cporque sentem uma necessidade de conforto ou assist\u00eancia ou mesmo de estar em contacto mais pr\u00f3ximo com a Palavra de Deus\u201d, exemplo a par de ingleses protestantes tamb\u00e9m. \u201cH\u00e1 uma dimens\u00e3o comum a todos porque todos acreditamos em Deus ou achamos que Deus pode ser uma mais valia na nossa vida. A abertura que existe cada vez mais, ajuda a perceber que se chama Deus de maneira diferente, mas \u00e9 o mesmo Deus\u201d.   A Rainha D. Estef\u00e2nia teve \u201cuma inspira\u00e7\u00e3o que D. Pedro soube dar sequ\u00eancia\u201d, segundo o Pe. Carlos. D. Estef\u00e2nia, alem\u00e3 de nascen\u00e7a, tornou-se rainha portuguesa ao casar com o rei D. Pedro V. Mediante as visitas que ela fazia aos doentes nos hospitais, em especial no S\u00e3o Jos\u00e9, percebeu que havia uma promiscuidade entre os doentes, onde se misturavam homens, mulheres e crian\u00e7as. E sonhou que um dia faria um hospital s\u00f3 para crian\u00e7as. Manifestou a vontade ao seu marido e o dote do seu casamento serviu para se fazer uma enfermaria s\u00f3 para crian\u00e7as no Hospital S\u00e3o Jos\u00e9.  Com a sua morte, o rei iniciou o processo de constru\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Hospital da Bemposta, que depois se passou a chamar Hospital D. Estef\u00e2nia. \u201cS\u00f3 esta hist\u00f3ria \u00e9 forte em termos de ideal para nos cativar. Este hospital tem uma aura muito bonita que a Jacinta de F\u00e1tima tamb\u00e9m veio acrescentar em beleza pela sua passagem aqui\u201d.  <b>Onde podemos acrescentar&#8230;<\/b> \u201cAs crian\u00e7as s\u00e3o uma esponja do que existe de melhor em n\u00f3s. S\u00f3 por isso existe uma atmosfera muito especial neste hospital\u201d. Sentimentos, atitudes, gestos e palavras que tornam imposs\u00edvel haver uma atmosfera negativa. \u201cO hospital \u00e9 uma escola de vida, onde as crian\u00e7as s\u00e3o os nossos grandes mestres e n\u00e3o podia haver melhor mestres porque s\u00e3o puros, aut\u00eanticos e n\u00f3s captamos coisas deslumbrantes\u201d.   Na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia nessa tarde disse a uma d\u00fazia de participantes que \u201ctodos gostar\u00edamos de conviver s\u00f3 com pessoas educadas, com pessoas limpinhas. Mas se Deus nos cruza com todo o g\u00e9nero de pessoas, por algum motivo \u00e9. Temos de perceber onde podemos acrescentar alguma coisa\u201d.  O Pe. Carlos afirma ser uma pessoa privilegiada por trabalhar nesta casa. \u00c9 um hospital muito especial, muito bonito na sua funda\u00e7\u00e3o. \u201cVivo em fun\u00e7\u00e3o do que posso acrescentar a cada uma das realidade que toco e onde me cruzo. Assim a minha vida faz todo o sentido\u201d.  <b>A mem\u00f3ria de Jacinta<\/b> No Hospital Dona Estef\u00e2nia os servi\u00e7os s\u00e3o uma grande \u00e1rvore, onde se misturam as abelhas, as joaninhas, o rato doutor, os p\u00e1ssaros e onde cada ramo \u00e9 um servi\u00e7o: ginecologia e obstetr\u00edcia, pediatria, unidade de infectologia, gen\u00e9tica, neurologia, pr\u00e9-natal&#8230; Centramo-nos no ramo que indica a capelania e por isso seguimos o corredor que nos leva \u00e0 capela. Logo ali se percebe a import\u00e2ncia dada \u00e0 perman\u00eancia de Jacinta neste hospital. No corredor da capela v\u00e1rios recortes de jornais, alguns com quase 100 anos, recordam a passagem da vidente de F\u00e1tima por aquela institui\u00e7\u00e3o, onde viria a falecer a 20 de Fevereiro de 1920. As fotos que existem sobre a Beata est\u00e3o distribu\u00eddas pelos corredores dos tr\u00eas andares, numa pequena exposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 o s\u00edmbolo mais marcante da presen\u00e7a da beata no hospital. Na primeira ala est\u00e1 uma c\u00f3pia do registo de baptismo de Jacinta e alguns recortes de jornais. A segunda parte da exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 afixada no primeiro andar, pr\u00f3xima do bloco operat\u00f3rio. O lugar mais simb\u00f3lico surge apenas no segundo andar, ao lado de uma unidade de queimados, neste momento encerrada. As flores no ch\u00e3o e a imagem da vidente marcam o local, com uma placa dourada, onde Jacinta sofreu at\u00e9 \u00e0 morte: \u201cDeste local partiu para o C\u00e9u em 20\/02\/1920 a Pastorinha de F\u00e1tima, Jacinta Marto, a quem Nossa Senhora apareceu\u201d. Este facto hist\u00f3rico marca a hist\u00f3ria e o futuro das instala\u00e7\u00f5es deste hospital fundado h\u00e1 136 anos. H\u00e1 bem menos tempo que o Pe. Carlos Azevedo est\u00e1 presente neste hospital. Veio dar continuidade a um servi\u00e7o que sempre existiu neste hospital, \u201cde h\u00e1 cinco anos para c\u00e1 com as minhas caracter\u00edsticas e especificidades\u201d.  O marco hist\u00f3rico confere algum investimento da Igreja em termos de assist\u00eancia espiritual neste estabelecimento hospitalar. Al\u00e9m do servi\u00e7o de capelania, h\u00e1 tamb\u00e9m o acolhimento aos peregrinos que se dirigem ao hospital. Juntamente com o convento das Clarissas, o Hospital D. Estef\u00e2nia constituiu um local de peregrina\u00e7\u00e3o.  Especialmente ao S\u00e1bado, alguns grupos de peregrinos &#8211; estrangeiros na sua maioria &#8211; rumam ao hospital para visitar os locais onde Jacinta esteve. Uma aflu\u00eancia que \u00e9 maior quando se aproximam as datas de F\u00e1tima &#8211; Maio e Outubro. Mas a par das visitas \u201cfazemos quest\u00e3o de passar todo o conte\u00fado da mensagem de F\u00e1tima e do que aqui se passou\u201d, explica o Pe. Carlos Azevedo, capel\u00e3o hospitalar do D. Estef\u00e2nia.  Este facto, em si, \u201cn\u00e3o altera o trabalho normal de assist\u00eancia. \u00c9 antes um trabalho complementar que aqui fazemos\u201d. Este ano, data dos 90 anos das apari\u00e7\u00f5es, \u201ctem-nos absorvido um pouco mais e \u00e9 mais exigente talvez para mim\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capel\u00e3o do Hospital Dona Estef\u00e2nia fala da import\u00e2ncia da assist\u00eancia espiritual em momentos delicados da vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,122,127,154,199,206,207,267,279,314],"class_list":["post-24545","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-brasil","tag-catequese","tag-crianca","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-fatima","tag-natal","tag-pastoral-dos-ciganos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24545\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}