{"id":245311,"date":"2022-06-27T13:16:51","date_gmt":"2022-06-27T12:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=245311"},"modified":"2022-06-27T13:16:51","modified_gmt":"2022-06-27T12:16:51","slug":"amar-e-guardar-alguem-no-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/amar-e-guardar-alguem-no-coracao\/","title":{"rendered":"Amar \u00e9 guardar algu\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Pudemos neste Tempo Pascal percorrer o caminho do Ressuscitado. N\u2019Ele nos apercebemos que o amor implica, inevitavelmente, o acto de guardar, de guardar algo profundamente sagrado e de valor. Assim o disse Ele: \u201cQuem Me ama guardar\u00e1 a minha palavra e meu Pai o amar\u00e1; N\u00f3s viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me n\u00e3o ama n\u00e3o guarda a minha palavra\u201d (Jo 14, 23-24a).<\/p>\n<p>Compreendemos, pois, que amar \u00e9 guardar um algu\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 guardar coisas ou objectos. Antes, \u00e9 guardar pessoas. Aquelas pessoas que intimamente nos marcam, que intimamente nos moldam e que intimamente nos definem. \u00c9 como que uma condi\u00e7\u00e3o \u201csine qua non\u201d: amar implica (sempre) guardar. Voltemos a ler o texto sagrado: \u201cquem Me ama guardar\u00e1 a minha palavra\u201d. Amar \u00e9, portanto, guardar como se de um imensur\u00e1vel tesouro se tratasse. Ali\u00e1s, o que guardamos n\u00f3s sen\u00e3o o que \u00e9 importante? Por vezes at\u00e9 guardamos, bem no fundo do cora\u00e7\u00e3o, as dores e as marcas que nos fizeram sofrer perturbantemente. Tantas s\u00e3o as marcas de dor, de raiva e de \u00f3dio que carregamos ao longo da nossa vida. Em vez de carregarmos o amor e os dons belos da vida, carregamos estoicamente tanta dor. Parece que queremos com isto fazer esquecer, mas, talvez sem nos apercebermos, estamos a \u201cintoxicar\u201d a nossa interioridade, estamos a guardar no lugar do amor as trevas dolorosas do \u00f3dio, do ci\u00fame, da inveja e do mal. Mas para qu\u00ea carregar isto? Porque continuamos nesta atitude de profunda comisera\u00e7\u00e3o? O que queremos n\u00f3s marcar?<\/p>\n<p>O medo de dar \u00e9 sempre o medo de abrir. Ao fecharmo-nos ao amor, abrimo-nos \u00e0 dor. Esta \u00e9 a l\u00f3gica e o resultado do \u201cfechamento\u201d. Na vida s\u00f3 o amor d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria. Por isso, o amor n\u00e3o se resume a um sentimento, a um momento ou a um ocaso. Ali\u00e1s, o amor \u00e9 na pessoa humana um sentimento, ao passo que em Deus o amor torna-se numa pessoa. Compreendemos, portanto, que o amor gera perenidade, gera eternidade. Vejamos quando um casal de namorados diz um ao outro que o ama. O que faz nascer no cora\u00e7\u00e3o da pessoa amada esta palavra e esta express\u00e3o? Quer dizer que ela ser\u00e1 amada sempre e em qualquer circunst\u00e2ncia, que ser\u00e1 amada e aceite na sua fragilidade e na sua defici\u00eancia, que ser\u00e1 amada sempre. Por outro lado, ningu\u00e9m diz ao outro que o seu amor \u00e9 finito. Vejam este mesmo exemplo do casal de namorados: se um deles disser ao outro que o ama at\u00e9 quando der certo, o que ir\u00e1 acontecer? Experimentemos dizer ao outro que o nosso amor \u00e9 sobre tais e certas condi\u00e7\u00f5es. O que acontecer\u00e1? O outro entende de forma imediata que n\u00e3o \u00e9, aut\u00eantica e verdadeiramente, amado. Dizia o sapiente bispo D. Henrique Soares que \u201camar na vida \u00e9 sempre um verbo intransitivo. Eu amo, ponto e basta. \u00c9 t\u00e3o intransitivo que S\u00e3o Bernardo, no s\u00e9culo XII, dizia de modo muito ousado que o amor \u00e9 a \u00fanica realidade que se basta a si mesma e que se justifica por si mesma, de modo que quando tu perguntas \u2018porque \u00e9 que tu amas\u2019 (?), eu te respondo amo porque amo. E se insistires em perguntar \u2018para que amas\u2019, eu te responderei que amo para amar. Portanto, amo porque amo e amo para amar\u201d.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 assim mesmo. O amor define-nos e projecta-nos muito para al\u00e9m do nosso campo de vis\u00e3o, muito para al\u00e9m do nosso horizonte, muito para al\u00e9m dos nossos sonhos ou das nossas categorias. O amor \u00e9 uma pessoa: Jesus Cristo. Por outras palavras, Jesus Cristo \u00e9 o que S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista tacitamente afirmou: o Amor (cf. 1 Jo 4, 16). Ali\u00e1s, \u00e9 no amor que encontramos o descanso e o sentido pleno das nossas op\u00e7\u00f5es, das nossas decis\u00f5es, das nossas prioridades e das nossas necessidades.<\/p>\n<p>Portanto, saibamos n\u00e3o ter medo de amar e de ser amado! Saibamos arrancar do nosso cora\u00e7\u00e3o todo o \u00f3dio, toda a inveja, toda a c\u00f3lera, todo o ci\u00fame e todo tipo de maldade que nele possam existir. Saibamos reconhecer e redescobrir que menos infinito n\u00e3o sacia a sede, menos que o tudo n\u00e3o sacia a alma. E o tudo \u00e9 o amor, em particular o amor infinito que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus Sant\u00edssimo. Pe\u00e7amos, pois, ao Deus de Amor que nos auxilie e nos ajude nesta herc\u00falea miss\u00e3o de passarmos das trevas \u00e0 luz, da morte \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Como diz o poeta do amor (Lu\u00eds de Cam\u00f5es): \u201cAmor \u00e9 fogo que arde sem se ver; \/ \u00c9 ferida que d\u00f3i, e n\u00e3o se sente; \/\u00c9 um contentamento descontente; \/\u00c9 dor que desatina sem doer. \/\u00c9 um n\u00e3o querer mais que bem querer; \/\u00c9 um andar solit\u00e1rio entre a gente; \/\u00c9 nunca contentar-se de contente; \/\u00c9 um cuidar que se ganha em se perder. \/\u00c9 querer estar preso por vontade; \/\u00c9 servir a quem vence, o vencedor; \/\u00c9 ter com quem nos mata, lealdade. \/Mas como causar pode seu favor \/Nos cora\u00e7\u00f5es humanos amizade, \/Se t\u00e3o contr\u00e1rio a si \u00e9 o mesmo Amor?\u201d<\/p>\n<p><u>Manuel Ribeiro, padre<\/u><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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