{"id":244664,"date":"2022-06-22T14:36:27","date_gmt":"2022-06-22T13:36:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=244664"},"modified":"2022-06-22T14:36:27","modified_gmt":"2022-06-22T13:36:27","slug":"teremos-de-escolher-entre-os-anjos-da-vida-e-os-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/teremos-de-escolher-entre-os-anjos-da-vida-e-os-da-morte\/","title":{"rendered":"Teremos de escolher entre os anjos da vida e os da morte?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jorge Guarda, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-177645 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/padre-jorge-guarda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Na linguagem corrente, d\u00e1-se o nome \u201canjo\u201d a quem protege, vela, acompanha, ajuda e cuida com amor. \u00c9 assim que aplicamos a palavra quando pretendemos elogiar e agradecer a algu\u00e9m pelo bem que nos fez. Anjo \u00e9, portanto, algu\u00e9m que apoia a vida nas situa\u00e7\u00f5es de fragilidade e de afli\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se consideram anjos as crian\u00e7as e as pessoas boas que morrem.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da celebra\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do Anjo da Guarda de Portugal, o parlamento portugu\u00eas aprovou uma lei que despenaliza os \u201canjos da morte\u201d, ou seja, profissionais de sa\u00fade, familiares ou amigos que ajudam algu\u00e9m em grande fragilidade a morrer, aplicando-lhe um produto letal ou assistindo-o quando o pr\u00f3prio doente pretende suicidar-se.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a vida coloca algumas pessoas em situa\u00e7\u00f5es tais que elas desejam morrer. Acontece frequentemente com os idosos, quando pensam que j\u00e1 fizeram tudo o que podiam e que presentemente s\u00f3 est\u00e3o a \u201cdar trabalho\u201d a outros. Ser\u00e1 que, em vez de aliviar os sofrimentos destas pessoas, de as valorizar e ajudar a terem gosto em viver, os devemos ajudar a morrer, conforme o desejo e a disponibilidade que parecem manifestar? Em vez de compaix\u00e3o e solidariedade, como alguns defendem, n\u00e3o seria antes um ato cruel e desumano? Outros h\u00e1 que, n\u00e3o tendo muita idade, sofrem de doen\u00e7as penosas prolongadas e sem perspetivas de melhoras. Em tais circunst\u00e2ncias, h\u00e1 quem deseje e pe\u00e7a mesmo a morte, n\u00e3o a Deus, em quem porventura n\u00e3o acreditam ou de quem nada esperam para aliviar o pr\u00f3prio sofrimento, mas aos familiares e aos profissionais de sa\u00fade. \u00c9 para estas situa\u00e7\u00f5es, ao que parece, que a maioria dos deputados aprovou a lei da eutan\u00e1sia, da \u201cdoce morte\u201d provocada. Com esta lei avan\u00e7a-se com mais um motivo legal para dar a morte a algu\u00e9m. E a\u00ed est\u00e3o os \u201canjos da morte\u201d, para acompanharem e darem a m\u00e3o \u201camiga\u201d a fim de libertarem a pessoa do seu sofrimento, antecipando deliberadamente o seu fim de vida.<\/p>\n<p>Podem compreender-se as tenta\u00e7\u00f5es de quem vive situa\u00e7\u00f5es penosas de doen\u00e7a e da \u201ccompaix\u00e3o\u201d de quem aceita o pedido para a solu\u00e7\u00e3o fatal. Invoca-se a liberdade da pessoa que sofre e o seu direito a escolher como quer viver ou morrer. Por outro lado, para justificar quem o ajuda, os argumentos s\u00e3o o respeito da liberdade da pessoa, a compaix\u00e3o e a solidariedade. Podemos perguntar-nos se alguns destes argumentos n\u00e3o poder\u00e3o valer para outras situa\u00e7\u00f5es penosas da vida, quando se deixa de respeitar a vida como ela se apresenta na sua fragilidade. N\u00e3o devemos mais apostar em ajudar a viver com menos sofrimento e mais amor, em vez de ajudar a morrer? N\u00e3o ser\u00e1 mais compaix\u00e3o e humanismo rodear de amor, acompanhamento e cuidadosa assist\u00eancia quem sofre? Para tornar mais aceit\u00e1vel a lei, evita-se a palavra eutan\u00e1sia e fala-se antes de \u201cmorte assistida\u201d. Mas n\u00e3o desejamos todos que qualquer doente em situa\u00e7\u00e3o terminal possa ter uma \u201cmorte assistida\u201d, ou sejam o acompanhamento e apoio de profissionais de sa\u00fade e de familiares e amigos? N\u00e3o \u00e9 o que procuram fazer os melhores hospitais e lares de idosos? Se a eutan\u00e1sia \u00e9 chamada \u201cmorte assistida\u201d como deveria apelidar-se a dos demais cidad\u00e3os que sentem a sua vida terminar? Ser\u00e3o morte abandonadas, desprezadas, solit\u00e1rias? N\u00e3o seria de se investir mais e melhor na sa\u00fade dos cidad\u00e3os e no seu acompanhamento humano e t\u00e9cnico nas situa\u00e7\u00f5es penosas de fim de vida em vez de provocar ou assistir \u00e0 morte a pedido?<\/p>\n<p>Parece-me que estamos a perverter o sentido da dignidade e dos direitos humanos. A liberdade individual e a vontade de cada um tornam-se valores absolutos, a que todos se devem curvar e servir. A vida social, as rela\u00e7\u00f5es humanas, a capacidade de enfrentar as fragilidades e os limites, a dimens\u00e3o espiritual e eterna da pessoa, todos estes valores parecem estar a enfraquecer e em risco de se perder. O sentido do verdadeiro humanismo, da responsabilidade, da solidariedade e mesmo do sofrimento est\u00e1 a desvirtuar-se por for\u00e7a daquilo a que o Papa Francisco chama a \u201ccultura do descarte\u201d. At\u00e9 onde iremos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jorge Guarda, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177645,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-244664","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244664","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244664"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244664\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}