{"id":244078,"date":"2022-06-15T09:46:23","date_gmt":"2022-06-15T08:46:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=244078"},"modified":"2022-06-15T09:46:23","modified_gmt":"2022-06-15T08:46:23","slug":"saber-aprender-que-a-terra-e-mae-e-irma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-que-a-terra-e-mae-e-irma\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Que a Terra \u00e9 M\u00e3e e Irm\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Muitas pessoas, incluido o Papa Francisco, referem-se \u00e0 nossa casa comum como \u201cM\u00e3e-Terra\u201d. Mas o conhecido escritor cat\u00f3lico G.K. Chesterton quando reflete sobre essa vis\u00e3o do planeta como m\u00e3e diz que \u2014 <em> \u00aba quest\u00e3o principal do Cristianismo era esta: a natureza n\u00e3o \u00e9 nossa m\u00e3e, a natureza \u00e9 nossa irm\u00e3. Podemo-nos orgulhar da sua beleza, pois temos o mesmo pai; mas ela n\u00e3o tem nenhuma autoridade sobre n\u00f3s; temos de admir\u00e1-la, mas n\u00e3o imit\u00e1-la.\u00bb<\/em> Curioso. Afinal, M\u00e3e-Terra ou Irm\u00e3-Terra? Ser\u00e1 que a impress\u00e3o de Chesterton tem raz\u00e3o de ser ou haver\u00e1 algo de mais profundo que d\u00ea sentido \u00e0 escolha do Papa de chamar ao nosso planeta de \u201cM\u00e3e-Terra\u201d?<\/p>\n<figure id=\"attachment_244079\" aria-describedby=\"caption-attachment-244079\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-244079 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra.jpg 800w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra-392x260.jpg 392w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra-768x510.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Mae-Terra-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-244079\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Caribb em Flickr<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na enc\u00edclica <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, o Papa Francisco recorda logo no n. 1 o C\u00e2ntico das Criaturas de S\u00e3o Francisco \u2014 <em>\u00abLouvado sejas, meu Senhor, pela nossa irm\u00e3, a m\u00e3e terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras\u00bb<\/em> \u2014 Ou seja, na vis\u00e3o de S. Francisco a Terra \u00e9 irm\u00e3 e m\u00e3e, o que pode levar a um paradoxo se reduzirmos ambas as designa\u00e7\u00f5es ao mesmo n\u00edvel, pelo que, tal como a minha m\u00e3e biol\u00f3gica \u00e9 minha irm\u00e3 em Cristo, talvez algo de semelhante aconte\u00e7a com o uso destas express\u00f5es. Depois, no n. 92 refere como \u2014 <em>\u00abTudo est\u00e1 relacionado, e todos n\u00f3s, seres humanos, caminhamos juntos como irm\u00e3os e irm\u00e3s numa peregrina\u00e7\u00e3o maravilhosa, entrela\u00e7ados pelo amor que Deus tem a cada uma das suas criaturas e que nos une tamb\u00e9m, com terna afei\u00e7\u00e3o, ao irm\u00e3o sol, \u00e0 irm\u00e3 lua, ao irm\u00e3o rio e \u00e0 m\u00e3e terra.\u00bb<\/em> E agora? Por que raz\u00e3o ter\u00e1 o papa referido-se \u00e0 Terra como m\u00e3e excluindo irm\u00e3? Ter\u00e1 sido um lapso?<\/p>\n<p>Para S\u00e3o Francisco, a Terra \u00e9 m\u00e3e e irm\u00e3. Para o Papa Francisco n\u00e3o h\u00e1 qualquer problema em se referir \u00e0 Terra como m\u00e3e, omitindo que seja irm\u00e3, mas voltemos a Chesterton. Qual \u00e9 o problema de Chesterton com chamarmos a nossa terra de m\u00e3e? Eu diria que, talvez, seja a no\u00e7\u00e3o de m\u00e3e que havia na sua \u00e9poca. Na sociedade e ambiente cultural em que vivia Chesterton, a imagem de uma m\u00e3e parece ser a de uma pessoa que tinha autoridade sobre os filhos e a quem esses deviam imitar, ao passo que hoje, a no\u00e7\u00e3o de m\u00e3e \u00e9 mais pr\u00f3xima da ideia que temos da experi\u00eancia de Maria. Isto \u00e9, em vez de ser uma autoridade, Maria dirige o nosso olhar para onde podemos encontrar a verdadeira Autoridade: Jesus.<\/p>\n<p>Imitar Maria n\u00e3o \u00e9 fazer o que ela nos diz, mas o que Jesus nos diz. N\u00f3s admiramos Maria e, por isso, cantamos <em>&#8220;quero ser como tu, como tu, Maria&#8221;<\/em>. De facto, com as palavras desse c\u00e2ntico estamos a dizer que queremos <em>ser<\/em> e n\u00e3o <em>parecer<\/em> como Maria. Por isso, se Maria colocou toda a sua confian\u00e7a em Jesus, somos convidados a fazer o mesmo. A linguagem de Maria \u00e9 a da escuta (como fez com o anjo), da confian\u00e7a (como fez com Deus apesar de n\u00e3o conhecer homem), da aten\u00e7\u00e3o a tudo o que se passa ao seu redor (como nas bodas de Can\u00e1) e do acolhimento da Vontade de Deus (como quando teve de perder o Seu filho para acolher tantos outros), estando atenta ao sinais. O que podemos aprender com Maria que nos ajude neste aparente dilema entre m\u00e3e- ou irm\u00e3-Terra?<\/p>\n<p>Como a Terra \u00e9 parte do Universo, e esse \u00e9 a linguagem atrav\u00e9s da qual Deus nos fala, contemplar a Natureza pode levar-nos a fazer uma experi\u00eancia de Deus e da Sua presen\u00e7a, dirigindo o nosso olhar para Ele. Ao colocar todo o nosso ser diante da presen\u00e7a de Deus, de certo modo, a Natureza exerce sobre n\u00f3s o mesmo efeito que exerce Maria. Por outro lado, como natureza que <em>somos<\/em>, entramos na hist\u00f3ria como o resultado evolutivo de um incremento de complexidade que liberta a consci\u00eancia a partir da biologia. Gra\u00e7as a essa consci\u00eancia estamos pr\u00f3ximos do mundo natural, mas reconhecemos, como Maria, como o Senhor fez em n\u00f3s grandes coisas. Ali\u00e1s, basta a percep\u00e7\u00e3o de haver Algu\u00e9m como Deus e da liberdade de recusar a Sua exist\u00eancia para demonstrar como a consci\u00eancia leva-nos a um olhar diferente sobre a materialidade. Um olhar, diria, de m\u00e3e que v\u00ea para al\u00e9m daquilo que chega aos seus olhos. Por fim, se acolhemos Jesus em n\u00f3s como Maria, se deixamos que Ele nos transforme, como transformou Maria, n\u00e3o faz parte da nossa voca\u00e7\u00e3o encontrar o modo de todo o mundo natural participar do Para\u00edso onde toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3 em Deus? Assim, com o nosso modo de ser Maria, dever\u00edamos orientar o olhar do mundo para Deus.<\/p>\n<p><em>&#8220;Mas est\u00e1s a desviar-te da pergunta.&#8221;<\/em> \u2014 poderia algu\u00e9m chamar-me \u00e0 aten\u00e7\u00e3o. \u2014 <em>&#8220;Afinal, Chesterton tem raz\u00e3o ou ter\u00e1 o Papa Francisco? Ser\u00e1 que o Papa Francisco cedeu a uma ideia mundana de m\u00e3e-Terra ou ser\u00e1 que Chesterton cedeu \u00e0 cristaliza\u00e7\u00e3o das ideias com o pensar fixo na irm\u00e3-Terra?&#8221;<\/em> Talvez ambos tenham raz\u00e3o, e pensar sobre o tipo de sujeito (m\u00e3e ou irm\u00e3) que a Terra pode ser para n\u00f3s implica n\u00e3o sobrevalorizar o papel materno ao fraterno, nem o fraterno ao materno, mas reconhecer que ambos podem coexistir em n\u00edveis diferentes de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>Se toda cria\u00e7\u00e3o fosse como Maria, tamb\u00e9m a Terra seria chamada a ser m\u00e3e e irm\u00e3 (como filha do mesmo Pai). Talvez n\u00e3o ao nosso modo, mas ao seu modo. E apesar de preferirmos a intui\u00e7\u00e3o do Papa da M\u00e3e-Terra, se n\u00e3o descurarmos que a Terra \u00e9 tamb\u00e9m nossa irm\u00e3, reconheceremos como todos fazemos parte da &#8220;fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o&#8221; como talvez fosse a inten\u00e7\u00e3o original de S. Francisco. E se todos somos realmente <em>fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o<\/em> \u2014 em jeito de poesia \u2014<\/p>\n<p><em>s\u00f3 incluindo o mundo natural<br \/>\npodemos alguma vez tornar real<br \/>\no ideal<br \/>\nde uma fraternidade universal.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-244078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}