{"id":24361,"date":"2007-04-28T12:09:52","date_gmt":"2007-04-28T12:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/28\/melhores-cuidados-paliativos-podiam-evitar-pedidos-de-eutanasia\/"},"modified":"2007-04-28T12:09:52","modified_gmt":"2007-04-28T12:09:52","slug":"melhores-cuidados-paliativos-podiam-evitar-pedidos-de-eutanasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/melhores-cuidados-paliativos-podiam-evitar-pedidos-de-eutanasia\/","title":{"rendered":"Melhores cuidados paliativos podiam evitar pedidos de eutan\u00e1sia"},"content":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia de melhores cuidados paliativos podia \u00abevitar muitos pedidos de eutan\u00e1sia e suic\u00eddio assistido\u00bb, defendeu ontem Ferraz Gon\u00e7alves,do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia do Porto, no segundo dia do VI Simposuim sobre Perturba\u00e7\u00f5es Afectivas\/VII Simposium da Sociedade Portuguesa de Suicidologia.  A iniciativa, subordinada ao tema \u201cEmo\u00e7\u00f5es, Afectos e Suic\u00eddio\u201d, termina hoje na Universidade do Minho. A realidade dos cuidados paliativos \u00ab\u00e9 uma lacuna grave no nosso sistema de sa\u00fade, embora haja  algumas equipas\u00bb a trabalhar neste contexto.  Ferraz Gon\u00e7alves referiu que o Estado \u00abtem um papel importante \u00bb nesta \u00e1rea. \u00ab\u00c9 sua obriga\u00e7\u00e3o proteger os mais fracos\u00bb.  \u00abN\u00e3o temos dados sobre quantas pessoas pedem eutan\u00e1sia, mas os cuidados paliativos podiam evitar muitos pedidos porque s\u00e3o uma resposta positiva ao sofrimento dos doentes, que \u00e9 uma causa dos pedidos\u00bb de eutan\u00e1sia. Em determinados casos, as pessoas \u00abn\u00e3o v\u00eaem outra solu\u00e7\u00e3o \u00bb que n\u00e3o seja uma solicita\u00e7\u00e3o neste sentido.  Ferraz Gon\u00e7alves disse que, \u00abj\u00e1 que n\u00e3o podemos evitar a morte, todos desejamos ter um boa morte, sem dores significativas, sem sofrimento psicol\u00f3gico e espiritual\u00bb.  \u00abNa era tecnol\u00f3gica, come\u00e7ou a pensar-se sobretudo em evitar a morte e lutar contra ela\u00bb. Por parte dos m\u00e9dicos, \u00abmuitas vezes a morte passou a ser vista como um fracasso e em alguns casos talvez o resultado de um erro\u00bb.  \u00abA boa morte passou a ser a que ocorria rapidamente, de prefer\u00eancia sem se dar por isso, durante o sono\u00bb, acrescentou o orador.   <b>Redescobrir motiva\u00e7\u00e3o para viver<\/b>  Segundo Carlos Braz Saraiva, chefe do Servi\u00e7o de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, \u00ab\u00e9 sempre poss\u00edvel voltar a descobrir motiva\u00e7\u00e3o para viver. Mas n\u00e3o \u00e9 no isolamento que isso vai  acontecer. Tem que ser com o apoio social e de familiares\u00bb.  O psiquiatra, que falou sobre \u201cEutan\u00e1sia e suic\u00eddio \u2013 Uma perspectiva psiqui\u00e1trica\u201d, sustentou esta ideia naquilo que pensa ao n\u00edvel \u00abda transitoriedade, desesperan\u00e7a, transitoriedade da dor e transitoriedade da falta de suportes sociais ou familiares\u00bb.  \u00abH\u00e1 doentes que dizem \u201cquero morrer\u201d quando o que querem dizer \u00e9 que est\u00e3o num grande sofrimento interior no qual consideram essa possibilidade \u00bb.   \u00abMas o facto de abrirem a sua mente significa que est\u00e3o a dar oportunidade ao  amparo \u00bb. Segundo Carlos Braz Saraiva, \u00abo pior que pode acontecer a um indiv\u00edduo desesperado \u00e9 estar s\u00f3 no seu desespero, sem ver horizontes. A partir do momento em que se cria proximidade, esse espectro de morte pode ser dissipado \u00bb.   <b>Influ\u00eancia de factores religiosos<\/b> A prop\u00f3sito de um estudo que fez junto de oncologistas portugueses, em que apresentou algumas quest\u00f5es relacionadas com a eutan\u00e1sia e o suic\u00eddio assistido, Ferraz Gon\u00e7alves afirmou que h\u00e1 um pequeno apoio dos oncologistas nacionais \u00e0s formas de morte assistida. \u00abParalelamente, parece haver um n\u00famero reduzido de pedidos por parte dos doentes\u00bb.  Neste contexto, o orador, que abordou o tema \u201cMorte assistida na perspectiva dos oncologistas  portugueses\u201d, focou tamb\u00e9m \u00abo ainda menor apoio dos m\u00e9dicos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos em doses  letais sem o pedido expl\u00edcito do doente\u00bb e a \u00abinflu\u00eancia de factores religiosos em muitas atitudes dos oncologistas portugueses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s decis\u00f5es  de fim de vida\u00bb.  Por seu turno o sacerdote jesu\u00edta Roque Cabral disse, a prop\u00f3sito da avalia\u00e7\u00e3o \u00e9tica da eutan\u00e1sia, que \u00abh\u00e1 uma diferen\u00e7a clara entre crentes e n\u00e3o crentes\u00bb, n\u00e3o apenas de determinada religi\u00e3o, mas de maneira geral.  \u00abPara um ateu, a autonomia da pessoa humana inclui o direito  de despor da pr\u00f3pria vida e, portanto, o direito a pedir a eutan\u00e1sia, de pedir assist\u00eancia ao suic\u00eddio ou, mas radicalmente,do suic\u00eddio\u00bb.  No seio dos crentes, \u00aba resposta n\u00e3o \u00e9 unit\u00e1ria. H\u00e1 crentes que pensam que Deus entregou o Homem a si mesmo e a\u00ed est\u00e1 inclu\u00eddo o poder de decidir a pr\u00f3pria vida, decidindo de uma maneira razo\u00e1vel, para assegurar uma morte digna\u00bb. E tamb\u00e9m h\u00e1 crentes \u00abque pensam que Deus entregou o Homem a si mesmo, mas continua a ser o senhor da vida\u00bb.  \u00abNa eutan\u00e1sia h\u00e1 uma certa delega\u00e7\u00e3o de poderes. At\u00e9 que ponto se pode delegar um poder desses \u00e9 uma quest\u00e3o que tem que ser estabelecida \u00bb.  De acordo com Roque Cabral, \u00abna eutan\u00e1sia, as duas motiva\u00e7\u00f5es fundamentais que levam a pessoa a pedir o fim da vida s\u00e3o o sofrimento e a vontade de ter uma morte digna. A dignidade de uma pessoa adv\u00e9m de ela ser pessoa. Uma pessoa degradada fisicamente \u00e9 pessoa humana e tem uma dignidade que tem que ser respeitada. Outra coisa \u00e9 o sentimento de dignidade que o pr\u00f3prio tem\u00bb.  Por seu turno, Carlos Braz Saraiva disse que se \u00e9 verdade que a eutan\u00e1sia \u00ab\u00e9 proibida para a generalidade das religi\u00f5es\u00bb, nalguns casos ela \u00ab\u00e9 admitida\u00bb.   <b>Realidade eventualmente despenaliz\u00e1vel<\/b> O sacerdote jesu\u00edta Roque Cabral afirmou ontem que,ao n\u00edvel da eutan\u00e1sia, n\u00e3o apenas em Portugal, mas \u00abde modo geral\u00bb, \u00abo mais longe que se poder\u00e1 ir\u00bb \u00e9 em termos de \u00abdespenaliza\u00e7\u00e3o e em circunst\u00e2ncias muito bem determinadas\u00bb. Segundo o conferencista, que no simp\u00f3sio a decorrer na Universidade do Minho abordou os \u201cDilemas da eutan\u00e1sia\u201d, esta \u00abnunca\u00bb poder\u00e1 ser legalizada, mas eventualmente despenalizada.  \u00abA legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se justificaria nunca, tendo em conta o fim pedag\u00f3gico de qualquer lei. Uma lei que apresenta um comportamento deixa pressupor que esse comportamento \u00e9 bom\u00bb. Por isso,  uma legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia introduziria essa ideia de que \u00ab\u00e9 bom\u00bb.  Optando-se \u00abs\u00f3 pela despenaliza\u00e7\u00e3o, considera-se que n\u00e3o \u00e9 bom, mas reconhece-se que h\u00e1 circunst\u00e2ncias em que deve ser despenaliz\u00e1vel\u00bb e em que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser punida.  Mas no caso de uma eventual despenaliza\u00e7\u00e3o,  a situa\u00e7\u00e3o \u00abteria que ser muito bem regulamentada\u00bb, defendeu Roque Cabral.  O sacerdote jesu\u00edta lembrou que h\u00e1 pa\u00edses que consideram a eutan\u00e1sia crime, mas despenaliz\u00e1vel em certas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia de melhores cuidados paliativos podia \u00abevitar muitos pedidos de eutan\u00e1sia e suic\u00eddio assistido\u00bb, defendeu ontem Ferraz Gon\u00e7alves,do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia do Porto, no segundo dia do VI Simposuim sobre Perturba\u00e7\u00f5es Afectivas\/VII Simposium da Sociedade Portuguesa de Suicidologia. A iniciativa, subordinada ao tema \u201cEmo\u00e7\u00f5es, Afectos e Suic\u00eddio\u201d, termina hoje na Universidade do Minho. 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