{"id":243390,"date":"2022-06-08T10:39:27","date_gmt":"2022-06-08T09:39:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=243390"},"modified":"2022-06-08T10:39:27","modified_gmt":"2022-06-08T09:39:27","slug":"saber-aprender-a-unir-tradicao-com-sinodalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-unir-tradicao-com-sinodalidade\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A unir Tradi\u00e7\u00e3o com Sinodalidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Comunh\u00e3o \u00e9 uma palavra-chave no caminho sinodal. N\u00e3o se reduz ao acto de receber Jesus na missa, mas \u00e9 a pr\u00f3pria vida de Deus. Um Deus-Trindade que \u00e9 unidade na diversidade e diversidade na unidade. Por\u00e9m, como diz o jesu\u00edta Ladislas Orsy no seu livro de 2009 (<em>Receiving the Council<\/em>) onde faz uma an\u00e1lise da recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, os primeiros passos para construir a <em>communio<\/em> devem ser dados na nossa imagina\u00e7\u00e3o. Mas estar\u00e3o as pessoas que pretendem fazer juntas este caminho sinodal dispostas a imaginar? A imaginar o qu\u00ea?<\/p>\n<figure id=\"attachment_243391\" aria-describedby=\"caption-attachment-243391\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-243391\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA.jpg 960w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA-400x188.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA-768x361.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Pope-Economy-of-Francesco-AA-480x226.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-243391\" class=\"wp-caption-text\">Foto da Vatican News<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos objectivos do caminho sinodal \u00e9 renovar o nosso olhar e pr\u00e1tica sobre o modo de ser da Igreja. E como diz Orsy \u2014 <em>\u00abos modos e meios de uma forma renovada de vida devem ser criados pelas pr\u00f3prias comunidades. Esse potencial est\u00e1 contido no carisma original, que deve ser a fonte de \u00e1gua viva e n\u00e3o um conjunto de regras cravadas numa rocha sem vida. (\u2026) A generosidade criativa do Esp\u00edrito est\u00e1 sempre presente. O excessivo apego aos modos e meios do passado remoto \u00e9 uma apostasia mortal para o presente que d\u00e1 vida.\u00bb<\/em> Nesta \u201cgenerosidade criativa do Esp\u00edrito\u201d a for\u00e7a transformativa do caminho sinodal.<\/p>\n<p>Algumas das experi\u00eancias dif\u00edceis que vivemos em Igreja s\u00e3o as formas estruturadas que limitam o espa\u00e7o \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es (jovens e adultos) com express\u00f5es como \u2014 <em>\u00abSempre se fez assim. N\u00e3o podemos ir contra a Tradi\u00e7\u00e3o.\u00bb, \u00abIsso vai contra o ensinamento da Igreja.\u00bb, etc.<\/em> \u2014 e usualmente, este tipo de frases referem-se ao modo como est\u00e1 organizada a forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, ou \u00e0 ideia cristalizada de que o ensinamento da Igreja n\u00e3o evolui, o que n\u00e3o me parece ser verdade. Por vezes, o ensinamento da Igreja \u00e9 desconhecido, ou precisa de uma actualiza\u00e7\u00e3o na linguagem para ir ao encontro do modo como as pessoas entendem as coisas no mundo de hoje. E ainda, assim como procuro estar sempre a evoluir no modo de ensinar Transmiss\u00e3o de Calor, apesar de ser uma disciplina bem estabelecida nos seus conte\u00fados, importa compreender como s\u00e3o as formas de fazer as coisas que evoluem. Os conte\u00fados aprofundam-se. \u00c9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo no \u00e2mbito sinodal?<\/p>\n<p>A sinodalidade possui um aspecto interno e, por isso, efectivo; e um aspecto espiritual e, por isso, afectivo. Importa renovar o modo como fazemos as coisas, mas em harmonia com o modo como nos amamos enquanto fazemos seja o que for. O mesmo acontece em ci\u00eancia. Quando procuramos uma explica\u00e7\u00e3o para um fen\u00f3meno f\u00edsico, usualmente, intu\u00edmos haver uma simplicidade e harmonia nas leis da natureza que incluem a incerteza. Por isso, procuramos construir o puzzle da realidade f\u00edsica com as pe\u00e7as que temos e, por vezes, com as que inventamos, primando sempre pela eleg\u00e2ncia e simplicidade das solu\u00e7\u00f5es. A teologia deveria ser assim, isto \u00e9, fetia na simplicidade e harmonia entre a Tradi\u00e7\u00e3o e Sinodalidade expressa pela escuta da cultura actual.<\/p>\n<p>A nossa era est\u00e1 muito marcada pela acelera\u00e7\u00e3o. Muito se trabalha para tornarmos as coisas efectivas e, por exemplo, quando se argumenta pela necessidade da Igreja estar presente nas redes sociais, o objectivo \u00e9 acelerar a velocidade da Evangeliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 velocidade com que a informa\u00e7\u00e3o flui nesta \u00e9poca. Este investimento nos <em>social media<\/em> procura evitar que a partilha da mensagem do Evangelho fique paralizada no tempo e no espa\u00e7o, diminuindo a irradia\u00e7\u00e3o da Boa Nova a todas as pessoas e culturas. Mas h\u00e1 quem tenha receio destas novas tecnologias, talvez porque n\u00e3o as domine e sinta-se ultrapassado ou receia estar (sem saber) a ir contra a mensagem do Evangelho. Logo, n\u00e3o \u00e9 melhor fazer como antigamente? Diz Orsy que \u2014 <em>\u00abo medo excessivo de errar pode levar a silenciar a verdade.\u00bb<\/em> \u2014 sendo este um risco que muitos sentem estar correr com este processo sinodal. Mas talvez o excesso esteja tamb\u00e9m num outro ponto de vista.<\/p>\n<p>Se a velocidade com que evolu\u00edmos no modo de fazer as coisas torna-se excessiva, n\u00e3o corremos, tamb\u00e9m, o risco de semear \u201cp\u00f3s-verdades\u201d? Isto \u00e9, verdades a sentimento, ou seja, a verdade \u00e9 o que eu sinto ser verdade? Onde est\u00e1 o equil\u00edbrio entre a Tradi\u00e7\u00e3o e a Sinodalidade? A Tradi\u00e7\u00e3o mant\u00e9m vivos os tesouros que n\u00e3o cessam de nos revelar coisas novas quando aprofundados. Por exemplo, compreender e encarnar os relacionamentos ao modo da Trindade. A Sinodalidade procura novos tesouros descobertos no relacionamento com todos os que est\u00e3o imersos no mundo contempor\u00e2neo. N\u00e3o somos do mundo apesar de vivermos no mundo (Jo 17, 16). E a sinodalidade inclui todos porque ningu\u00e9m tem a capacidade de ver ou ler na totalidade os sinais dos tempos. Uns v\u00eaem umas coisas, outros v\u00eaem outras. Juntos podemos ver tudo (ou quase tudo).<\/p>\n<p>Evangelizar no mundo contempor\u00e2neo parece-me depender mais das comunidades do que dos indiv\u00edduos que lhes pertencem. Pois, quando estamos reunidos em nome de Jesus, Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s (Mt 18, 20). \u00c9 por este motivo que a sinodalidade \u00e9 o modo de ser da Igreja. N\u00e3o h\u00e1 outra forma porque s\u00f3 as comunidades crist\u00e3s, pessoas unidas pelo amor rec\u00edproco que vivem entre si, podem tornar-se reflexo da Luz de Deus para o mundo. <em>\u00abVede como eles se amam.\u00bb<\/em> \u2014 dizia Tertuliano.<\/p>\n<p>Parece-me um pouco mais clara a raz\u00e3o pela qual comunicar a Boa Nova s\u00f3 pode passar pelas novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o se suscitar no outro o desejo de um encontro presencial, n\u00e3o virtual, com a comunidade cujo amor d\u00e1 visibilidade \u00e0 presen\u00e7a de Deus. A Tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um impedimento \u00e0 Sinodalidade, nem a Sinodalidade compromete a Tradi\u00e7\u00e3o. Pois, o patrim\u00f3nio de sabedoria (Tradi\u00e7\u00e3o) pode inspirar o pensamento sinodal, e esse pode inspirar novas formas de compreender e expressar a sabedoria da Tradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 fascinante quando encontramos uma resposta dada h\u00e1 s\u00e9culos para o tempo presente. No passado, apesar de se viver numa cultura diferente, o que se vivia possu\u00eda um tra\u00e7ado de universalidade que faz sentido em todos os tempos. N\u00e3o era Santo Agostinho que dizia \u2014 <em>\u00abFizeste-nos para Ti e inquieto est\u00e1 o nosso cora\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o repousa em Ti\u00bb<\/em>? Quando nos sincronizamos com o cora\u00e7\u00e3o do mundo, n\u00e3o sentimos as pessoas inquietas? Por fim, por que raz\u00e3o h\u00e1 s\u00e9culos que ouvimos as palavras que os Evangelhos atribuem a Jesus e n\u00e3o parecem perder o m\u00ednimo de validade ou for\u00e7a para os tempos que correm? De facto, j\u00e1 Pedro dizia \u2014 <em>\u00abA quem iremos n\u00f3s, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!\u00bb<\/em> (Jo 6, 68). Apesar de ter dito estas palavras h\u00e1 2000 anos, a experi\u00eancia mostra que ainda s\u00e3o v\u00e1lidas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-243390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243390\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}