{"id":24322,"date":"2007-04-26T16:23:58","date_gmt":"2007-04-26T16:23:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/26\/aceitacao-da-vida-humana-nao-pode-ser-negada\/"},"modified":"2007-04-26T16:23:58","modified_gmt":"2007-04-26T16:23:58","slug":"aceitacao-da-vida-humana-nao-pode-ser-negada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aceitacao-da-vida-humana-nao-pode-ser-negada\/","title":{"rendered":"Aceita\u00e7\u00e3o da vida humana n\u00e3o pode ser negada"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista \u00e0 Voz Portucalense de J\u00fcrgen Moltmann, te\u00f3logo protestante, alem\u00e3o, um dos mestres da Dogm\u00e1tica contempor\u00e2nea e professor na Universidade de T\u00fcbingen <!--more--> <i>VP \u2013 Um dos temas que apresentou exprimia-se por esta quest\u00e3o: \u201cO que \u00e9 a vida humana?\u201d. Do ponto de vista da teologia e da biologia \u00e9 poss\u00edvel definir este conceito t\u00e3o imediato como misterioso? J\u00fcrgen Moltmann (JM) \u2013<\/i> A vida humana \u00e9, por si mesma, reprodu\u00e7\u00e3o humana. A humanidade e personalidade da vida humana depende das rela\u00e7\u00f5es entre os seres vivos e a comunidade envolvente (a vizinhan\u00e7a, \u2026) e a aceita\u00e7\u00e3o da vida humana como seres vivos, que n\u00e3o pode ser negada. Caso contr\u00e1rio, a vida humana torna-se doente e morre. Isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Poesia e Psicologia, isto \u00e9 provado pela moderna Neurobiologia. O sistema da nossa motiva\u00e7\u00e3o depende das tecnologias e do julgamento que \u00e9 feito de cada ser. Se as pessoas nos aceitam e nos apreciam, n\u00f3s ficamos motivados; se nos recusam e declinam, ficaremos desmotivados. \u00c9 muito simples, todos n\u00f3s o sabemos! E a moderna Neurobiologia confirma o que a antropologia e outras ci\u00eancias defendem a todo o momento.  <i>VP \u2013 O que \u00e9 necess\u00e1rio para criar essa importante e \u00fatil para a nossa vida? JM \u2013<\/i> Que n\u00f3s aceitemos os outros e n\u00e3o os neguemos.  <i>VP \u2013 E \u00e9 assim t\u00e3o simples? JM \u2013<\/i> Dizer \u00e9 f\u00e1cil, mas fazer nem sempre o \u00e9. Por\u00e9m, as pessoas portadoras de defici\u00eancias s\u00e3o exclu\u00eddas da nossa Sociedade. N\u00e3o s\u00e3o aceites, muitas vezes, no mercado de trabalho. Isto \u00e9 desumano e faz mal a estas pessoas, podendo ficar saturadas destas situa\u00e7\u00f5es.  <i>VP \u2013 O problema da rela\u00e7\u00e3o entre os conhecimentos cient\u00edficos e a sua envolv\u00eancia com os conceitos e o procedimento \u00e9tico constitui uma das preocupa\u00e7\u00f5es dos seus estudos. Como v\u00ea a s\u00e1bia utiliza\u00e7\u00e3o destas duas dimens\u00f5es (ci\u00eancia e \u00e9tica)? JM \u2013<\/i> A Ci\u00eancia e a \u00c9tica n\u00e3o est\u00e3o muito longe uma da outra. O conhecimento cient\u00edfico \u00e9 um conhecimento especializado. \u00c9 isolado e requer uma pesquisa, isto \u00e9 que \u00e9 conhecimento especializado. Mas isto pertence ao corpo e deve ser integrado no pr\u00f3prio corpo. O corpo pertence \u00e0 pessoa humana. E a pessoa humana pertence \u00e0 Sociedade humana. E a Sociedade humana tem muitos sistemas e acredita nesses sistemas. A vida \u00e9 sagrada e tem sentido ser vivida. Portanto, temos de preservar os resultados, que s\u00e3o vis\u00edveis na larga integra\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias especializadas. E n\u00e3o s\u00e3o somente \u00e9ticas, mas ci\u00eancias da integra\u00e7\u00e3o.  <i>VP \u2013 \u201cO que \u00e9 a teologia hoje\u201d \u00e9 a quest\u00e3o que levanta num dos seus livros, que j\u00e1 tem quase 15 anos. As respostas a essa quest\u00e3o de fundo alteraram-se ou adquiriram novos contornos nos \u00faltimos anos da investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica? JM \u2013<\/i> Quando comecei, nos anos 50, tinha teologia em movimentos: havia teologia secular, teologia organizacional, teologia liberal, teologia feminista, \u2026 Hoje n\u00e3o temos estes movimentos. A hist\u00f3ria da teologia feminista e a teologia liberal n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o fortes como h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. Est\u00e3o agora concentrados na teologia da vida, o que \u00e9 a vida e como essa vida era vivida, como a ra\u00e7a humana pode sobreviver e o que \u00e9 melhor para ela neste mundo. H\u00e1 in\u00fameras quest\u00f5es \u00e0 volta do conceito da vida. No livro de Jo\u00e3o Paulo II, \u201cTeologia da Vida\u201d, h\u00e1 uma especial rela\u00e7\u00e3o da teologia da vida, entre a Encarna\u00e7\u00e3o do Natal, da Sexta-feira ao Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, o Esp\u00edrito da Vida de Pentecostes\u2026  <i>VP \u2013 Sobre esta tem\u00e1tica, acha que h\u00e1 um cont\u00ednuo ensinamento Bento XVI, vindo de Jo\u00e3o Paulo II? JM \u2013<\/i> A Igreja Cat\u00f3lica autorealiza as promessas do II Conc\u00edlio do Vaticano. Atrav\u00e9s da Populorum Progressio, e outros documentos, sinto que h\u00e1, \u00e0s vezes, uma oposi\u00e7\u00e3o forte ao pr\u00f3prio Conc\u00edlio e n\u00e3o o cumprimento dessas promessas. As outras Igrejas, como a minha \u2013 Protestante, procuram que a Igreja Cat\u00f3lica realize a doutrina do II Conc\u00edlio do Vaticano.  <i>VP \u2013 Ser\u00e1 que a investiga\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica mais aprofundada e mais avan\u00e7ada tem conseguido acompanhar de forma cabal os novos dados do conhecimento cient\u00edfico? JM \u2013<\/i> Sim, n\u00e3o h\u00e1 problema. A teologia \u00e9 o desenvolvimento e a integra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. N\u00f3s cooperamos com as ci\u00eancias especializadas, da biotecnologia e das ci\u00eancias biom\u00e9dicas, porque dependem da integra\u00e7\u00e3o do paciente e do m\u00e9dico. O doente, depois de operado, deve ser integrado e viver no ambiente do seu lar e da sua experi\u00eancia, como doente que tem vida. Todas as ci\u00eancias especializadas devem ser inseridas num largo contexto. Neste sentido, temos v\u00e1rios grupos de investiga\u00e7\u00e3o nas Universidades, como a Qu\u00edmica, a Biologia, a Medicina, o Direito. Estudam juntos a ci\u00eancia da vida.  <i>VP \u2013 \u00c0 luz da ci\u00eancia e da teologia, como interpretar a outra dimens\u00e3o da sua investiga\u00e7\u00e3o: a escatologia crist\u00e3? Que rela\u00e7\u00e3o entre a vida presente e as realidades escatol\u00f3gicas? JM \u2013<\/i> A nossa experi\u00eancia da vida \u00e9 baseada pelas nossas expectativas. Se n\u00e3o se espera nada, n\u00e3o se pode experimentar nada; portanto, quanto mais se espera mais experi\u00eancia se adquire, como desapontamentos, mas tamb\u00e9m antecipa\u00e7\u00e3o do que se espera. Por exemplo, se um homem n\u00e3o esperar o amor duma mulher bonita, nunca mais a encontra. Se esperar algo, encontr\u00e1-lo-\u00e1!   <i>VP \u2013 A pessoa de hoje, dominador de tecnologias cada vez mais sofisticadas, encontrou ou pode encontrar mais felicidade ou melhor realiza\u00e7\u00e3o pessoal? JM \u2013<\/i> Se aprendermos a ter poder sobre o nosso poder, a controlarmos o controlo pela natureza e usarmos o nosso poder de forma sensata e respons\u00e1vel, encontraremos a felicidade nas outras coisas. Mas n\u00e3o podemos iniciar o desenvolvimento n\u00e3o conhecendo como sair dele. \u00c9 como, por exemplo, a descolagem dum avi\u00e3o sem saber se, depois, poder\u00e1 aterrar. \u00c9 como a bomba at\u00f3mica que, infelizmente, n\u00e3o se sabe o seu fim, sendo bastante perigoso, porque ningu\u00e9m sabe inverter essas consequ\u00eancias.  <i>VP \u2013 Mas considera a felicidade como um meio permanente da vida ou como um fim \u00faltimo, de pr\u00e9mio, para onde caminhamos? JM \u2013<\/i> A felicidade \u00e9 uma parte da liberdade. Se estivermos acorrentados devemos procurar libertar-nos, caso contr\u00e1rio n\u00e3o encontraremos a felicidade.  <i>Entrevista de Andr\u00e9 Rubim Rangel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista \u00e0 Voz Portucalense de J\u00fcrgen Moltmann, te\u00f3logo protestante, alem\u00e3o, um dos mestres da Dogm\u00e1tica contempor\u00e2nea e professor na Universidade de T\u00fcbingen<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,201,237,267],"class_list":["post-24322","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-etica","tag-joao-paulo-ii","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24322\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}