{"id":24244,"date":"2007-04-23T14:37:36","date_gmt":"2007-04-23T14:37:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/23\/responsabilidade-social-das-instituicoes-e-desenvolvimento-sustentavel\/"},"modified":"2007-04-23T14:37:36","modified_gmt":"2007-04-23T14:37:36","slug":"responsabilidade-social-das-instituicoes-e-desenvolvimento-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/responsabilidade-social-das-instituicoes-e-desenvolvimento-sustentavel\/","title":{"rendered":"Responsabilidade Social das Institui\u00e7\u00f5es e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Ao concluir o semin\u00e1rio sobre \u201cA responsabilidade social das institui\u00e7\u00f5es e o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) e o seu Grupo de Trabalho \u201cEconomia e Sociedade\u201d entendem ser \u00fatil dar conta das principais conclus\u00f5es da reflex\u00e3o produzida, confiando \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica a sua difus\u00e3o, cr\u00edtica e aprofundamento.  O desenvolvimento sustent\u00e1vel, a n\u00edvel do planeta como no interior de cada pa\u00eds, constitui uma preocupa\u00e7\u00e3o incontorn\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o do futuro colectivo. Preocupa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 presente em iniciativas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, como sejam o Pacto Global das Na\u00e7\u00f5es Unidas ou Os Objectivos do Mil\u00e9nio, documentos estes que mereceram a ades\u00e3o dos Estados-membros e cuja execu\u00e7\u00e3o vem sendo monitorizada pelos organismos competentes. Tamb\u00e9m no \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia, tem havido tomadas de posi\u00e7\u00e3o, directivas e outros mecanismos comunit\u00e1rios convergentes no sentido de encontrar as melhores vias para compatibilizar o desejado crescimento econ\u00f3mico com a sustentabilidade de um aut\u00eantico desenvolvimento humano. Neste contexto, cabe destacar que a sustentabilidade de que se fala deve ser entendida em sentido lato que inclui a protec\u00e7\u00e3o ambiental e a coes\u00e3o social.  \u00c9 neste sentido amplo que tamb\u00e9m n\u00f3s entendemos o objectivo de desenvolvimento sustent\u00e1vel, atribuindo-lhe, ainda, um requisito de solidariedade entre os povos, que \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de uma paz mundial justa e duradoura.   A prossecu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel constitui uma obriga\u00e7\u00e3o primordial dos governos e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais. N\u00e3o pode, por\u00e9m, tal responsabilidade ficar circunscrita aos poderes p\u00fablicos j\u00e1 que as empresas e as institui\u00e7\u00f5es det\u00eam, na sociedade contempor\u00e2nea, um protagonismo potencial de viabiliza\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o do desenvolvimento. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante cuidar de um enquadramento institucional e de um ambiente \u00e9tico-cultural, que responsabilizem as empresas e as organiza\u00e7\u00f5es pelas suas estrat\u00e9gias e decis\u00f5es, avaliando o seu desempenho segundo crit\u00e9rios de sustentabilidade do desenvolvimento.  O conceito de responsabilidade social parece estar adquirido, mas, quanto a n\u00f3s, carece de aprofundamento em diferentes vertentes. Algumas posi\u00e7\u00f5es a este respeito amea\u00e7am diluir o significado da responsabilidade social, tornando-a um objectivo perif\u00e9rico e n\u00e3o uma profunda exig\u00eancia end\u00f3gena de cada empresa ou institui\u00e7\u00e3o.   Em primeiro lugar, h\u00e1 que considerar a responsabilidade social como um atributo de cidadania, donde decorrem direitos e deveres. Nestas condi\u00e7\u00f5es, a responsabilidade social da empresa n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria opcional que possa ficar entregue \u00e0 discricionariedade dos gestores e subordinada \u00e0 mera maximiza\u00e7\u00e3o do lucro do capital accionista.   Por outro lado, h\u00e1 que evitar confundir a responsabilidade social com quaisquer pr\u00e1ticas de mecenato ou de assistencialismo, muitas vezes mais orientadas por crit\u00e9rios de marketing e promo\u00e7\u00e3o de imagem do que por m\u00f3beis de coopera\u00e7\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o de problemas da sociedade. Para evitar desvios num correcto entendimento do conceito de responsabilidade social e sua aplica\u00e7\u00e3o, considera-se de grande alcance a certifica\u00e7\u00e3o por entidade independente e de acordo com crit\u00e9rios transparentes.  No caso da empresa a responsabilidade social estende-se a todo o feixe de rela\u00e7\u00f5es que a empresa mant\u00e9m, para al\u00e9m dos seus accionistas, ou seja os relacionamentos com os seus pr\u00f3prios trabalhadores, clientes, fornecedores e, ainda, com o meio local (f\u00edsico e societal) e o pa\u00eds em que a sua actividade est\u00e1 implantada. Esta perspectiva obriga a pensar a empresa n\u00e3o s\u00f3 como um ente econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m como uma entidade cidad\u00e3. Tal concep\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida para as grandes empresas e para as PME. Tamb\u00e9m estas, na sua \u00e1rea de influ\u00eancia, devem ser responsabilizadas por um desenvolvimento sustent\u00e1vel.   At\u00e9 ao presente, tem prevalecido o crit\u00e9rio de deixar \u00e0s empresas e organiza\u00e7\u00f5es empresariais a liberdade de criarem os seus c\u00f3digos de conduta \u00e9tica com entendimentos da responsabilidade social e grau de exig\u00eancia muito vari\u00e1veis face aos desafios que o desenvolvimento sustent\u00e1vel coloca. Julgamos que est\u00e1 na hora de a sociedade civil e o poder pol\u00edtico se mobilizarem no sentido de vir a definir altera\u00e7\u00f5es institucionais e n\u00edveis de exig\u00eancia apropriados e criar condi\u00e7\u00f5es para os tornar exequ\u00edveis. As empresas, tal como as pessoas individualmente, beneficiam pelo facto de pertencerem a uma dada comunidade local, nacional ou regional, pelo que n\u00e3o podem eximir-se a assumir, concomitantemente, determinados deveres. \u00c9 esta dupla dimens\u00e3o que define \u201cperten\u00e7a\u201d e \u201ccidadania\u201d.   A responsabilidade social pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel acarreta uma profunda mudan\u00e7a da cultura empresarial e organizacional existente entre n\u00f3s que deve ser tida em conta na educa\u00e7\u00e3o aos v\u00e1rios n\u00edveis, desde o pr\u00e9-prim\u00e1rio ao universit\u00e1rio.  Queremos terminar com uma palavra de encorajamento relativamente \u00e0s m\u00faltiplas iniciativas que, tanto no mundo acad\u00e9mico, como no mundo empresarial e institucional, se v\u00eam multiplicando no sentido de ir ao encontro dos desafios que pesam sobre a gera\u00e7\u00e3o presente quanto ao legado que esta pretende deixar \u00e0 gera\u00e7\u00e3o futura e que depender\u00e1 em boa parte da forma como s\u00e3o geridos os recursos e os fins a que aqueles se destinam. Boa parte deste protagonismo reside nas empresas e nas institui\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 t\u00e3o crucial promover uma cultura que valorize a responsabilidade social e a conduta \u00e9tica.  21 de Abril de 2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao concluir o semin\u00e1rio sobre \u201cA responsabilidade social das institui\u00e7\u00f5es e o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) e o seu Grupo de Trabalho \u201cEconomia e Sociedade\u201d entendem ser \u00fatil dar conta das principais conclus\u00f5es da reflex\u00e3o produzida, confiando \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica a sua difus\u00e3o, cr\u00edtica e aprofundamento. 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