{"id":2420,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/interpretando-os-sete-pecados-sociais-a-portuguesa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"interpretando-os-sete-pecados-sociais-a-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/interpretando-os-sete-pecados-sociais-a-portuguesa\/","title":{"rendered":"Interpretando os \u2018sete pecados sociais\u2019 \u00e0 portuguesa&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A recente carta pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, intitulada \u00abResponsabilidade solid\u00e1ria pelo bem comum\u00bb enumerava sete pecados sociais ao n\u00edvel do nosso pa\u00eds, a saber: ego\u00edsmos individualistas, pessoais e grupais, consumismo, corrup\u00e7\u00e3o, desarmonia do sistema fiscal, irresponsabilidade na estrada, exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo e exclus\u00e3o social. No n.\u00ba 4 daquele documento da CEP faz-se uma apresenta\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria das vertentes dos designados \u00absete pecados sociais\u00bb. Apresentamos em it\u00e1lico o texto do documento do episcopado, seguido de algumas considera\u00e7\u00f5es interpelativas:   * Os ego\u00edsmos individualistas, pessoais e grupais, sem perspectiva do bem comum mais global.  \u00c9 neste clima de egolatria que temos de saber discernir entre a liberdade individual e a responsabilidade inter-pessoal, criando mecanismos em que se olhe para o essencial, sendo a solidariedade apenas uma etapa do grande caminho da caridade.  * O consumismo, fruto de um modelo de desenvolvimento, fomentado pelos pr\u00f3prios mecanismos da economia, que gera clivagens entre ricos e pobres e gera insensibilidade a valores espirituais. As novas catedrais do consumo fascinam muitos fi\u00e9is (com dias de culto enquanto h\u00e1 dinheiro!), trucidando os mais desfavorecidos e gerando novos pobres, escondidos na vergonha da sua mis\u00e9ria moral e social.  * A corrup\u00e7\u00e3o, verdadeira estrutura de pecado social, que se exprime em formas perversas, violadoras da dignidade humana e da consci\u00eancia moral pelo bem comum.  De forma passiva ou activa se vai dizendo \u00e0 boca pequena que h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o (nas autarquias, no sector p\u00fablico ou na \u00e1rea privada), mas torna-se dif\u00edcil encontrar os infractores e sobretudo faz\u00ea-los ressarcir quem prejudicaram, seja o Estado, seja algu\u00e9m particular. At\u00e9 quando viveremos este clima de suspeita sem rosto e\/ou culpa formada?  * A desarmonia do sistema fiscal, que sobrecarrega um grupo, e pode facilitar a irresponsabilidade no cumprimento das justas obriga\u00e7\u00f5es.  Quantas vezes somos confrontados com a subtil e atentat\u00f3ria pergunta: \u2018quer recibo?\u2019 Diz-se que tanto o perguntar como o escusar-se a receber faz incorrer em infrac\u00e7\u00e3o&#8230; Isto j\u00e1 para n\u00e3o falar da insinua\u00e7\u00e3o \u2018de quanto quer que passe a factura!\u2019&#8230; Parece que vivemos num incumprimento generalizado das nossas obriga\u00e7\u00f5es fiscais. Assim n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recuperar o pa\u00eds e viver a justi\u00e7a social. At\u00e9 quando se ir\u00e3o ufanar os que fogem aos impostos, aviltando os que cumprem?   * a irresponsabilidade na estrada, com as consequ\u00eancias dram\u00e1ticas de mortes e feridos, que s\u00e3o atentado ao direito \u00e0 vida, \u00e0 integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica, ao bem-estar dos cidad\u00e3os e \u00e0 solidariedade.  As vias de comunica\u00e7\u00f5es rodovi\u00e1rias est\u00e3o cada vez melhores, enquanto a prevarica\u00e7\u00e3o ao c\u00f3digo da estrada reveste a forma de guerra civil, estado de terrorismo ou mesmo de suic\u00eddio colectivo&#8230; A vida joga-se numa incerteza permanente, tantos para condutores (directos ou indirectos) como para os pe\u00f5es. Estamos muito longe de viver num estado civilizacional respons\u00e1vel. As campanhas de preven\u00e7\u00e3o ou de repress\u00e3o lan\u00e7adas pecam por decorativas. Temos de ser mais exigentes uns para com os outros, a come\u00e7ar pelos crist\u00e3os&#8230; condutores ou pe\u00f5es.  * A exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo, que tem conduzido \u00e0 perda progressiva do sentido do \u201cjogo\u201d como aut\u00eantica actividade l\u00fadica, e a falta de transpar\u00eancia nos neg\u00f3cios que envolvem muitos sectores e profissionais dalgumas \u00e1reas do desporto.  Particularmente no sector do futebol nota-se uma promiscuidade entre v\u00e1rios actores (autarcas, governantes, empres\u00e1rios&#8230; comunica\u00e7\u00e3o social, pol\u00edticos, cl\u00e9rigos, etc.) mais do que seria desej\u00e1vel, servindo, por vezes, o desporto de ante-c\u00e2mara doutras pretens\u00f5es. Ser\u00e1 que o pa\u00eds est\u00e1 preparado para gerir novos desafios com o europeu de futebol? Esta ind\u00fastria tem muitos escravos. Saberemos libert\u00e1-los, denunciando a situa\u00e7\u00e3o vigente?  * A exclus\u00e3o social, gerada pela pobreza, pelo desemprego, pela falta de habita\u00e7\u00e3o, pela desigualdade no acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, pelas doen\u00e7as cr\u00f3nicas, e que atinge particularmente as fam\u00edlias mais carenciadas, as crian\u00e7as e as pessoas idosas, e determinados grupos sociais.  Somos, de facto, um pa\u00eds onde as assimetrias regionais, sociais, culturais (e outras) crescem a olhos vistos, se os tivermos minimamente abertos! \u00c9 importante denunciar, mas torna-se urgente construir respostas de \u00edndole mais prof\u00e9tica. A Igreja continua a ser a voz tribun\u00edcia de muitos exclu\u00eddos. Assim saiba continuar a sua miss\u00e3o. Oxal\u00e1 se reflicta melhor como educar os crentes na correc\u00e7\u00e3o destes pecados sociais.  A. S\u00edlvio Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recente carta pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, intitulada \u00abResponsabilidade solid\u00e1ria pelo bem comum\u00bb enumerava sete pecados sociais ao n\u00edvel do nosso pa\u00eds, a saber: ego\u00edsmos individualistas, pessoais e grupais, consumismo, corrup\u00e7\u00e3o, desarmonia do sistema fiscal, irresponsabilidade na estrada, exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo e exclus\u00e3o social. 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