{"id":24123,"date":"2007-04-17T10:40:39","date_gmt":"2007-04-17T10:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/17\/evangelhos-canonicos-sao-crediveis-para-tracar-a-historia-de-jesus-de-nazare\/"},"modified":"2007-04-17T10:40:39","modified_gmt":"2007-04-17T10:40:39","slug":"evangelhos-canonicos-sao-crediveis-para-tracar-a-historia-de-jesus-de-nazare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evangelhos-canonicos-sao-crediveis-para-tracar-a-historia-de-jesus-de-nazare\/","title":{"rendered":"Evangelhos Can\u00f3nicos s\u00e3o cred\u00edveis para tra\u00e7ar a hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9?"},"content":{"rendered":"<p>1. Saiu segunda-feira para as livrarias, em It\u00e1lia, o livro intitulado \u00abJesus de Nazar\u00e9. Do baptismo no Jord\u00e3o \u00e0 Transfigura\u00e7\u00e3o\u00bb, da autoria de Joseph Ratzinger \u2013 Bento XVI, assim mesmo, com nome duplo. O livro regista 446 p\u00e1ginas distribu\u00eddas por 10 Cap\u00edtulos, e \u00e9 fruto da intensa busca pessoal, crente e intelectual, do Papa Ratzinger desde o Ver\u00e3o de 2003. O rosto de Jesus, tra\u00e7ado por Bento XVI neste livro a partir dos Evangelhos can\u00f3nicos, n\u00e3o \u00e9, portanto, um acto do magist\u00e9rio do Papa, mas um texto vivido, rezado e pensado, e agora oferecido \u00e0 f\u00e9 dos crentes e \u00e0 intelig\u00eancia humana, sujeito a cr\u00edticas como toda a obra humana. De resto, o Papa situa-se tamb\u00e9m claramente em confronto com v\u00e1rias tentativas recentes e redutoras, sedutoras em termos de mercado, travestidas de cient\u00edficas, aparecidas quer em livro quer em filme, e que, deixando de lado os Evangelhos can\u00f3nicos, exploram outras fontes e tra\u00e7am de Jesus um retrato falseado e mentiroso, sem Deus!  2. O Papa tece a sua reflex\u00e3o a partir dos quatro Evangelhos can\u00f3nicos (Mateus, Marcos, Lucas, Jo\u00e3o), que s\u00e3o as \u00fanicas fontes cont\u00ednuas acerca do Jesus da hist\u00f3ria que chegaram at\u00e9 n\u00f3s. Esta \u00faltima afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos resultados mais consistentes que se podem ver no monumental estudo do padre e te\u00f3logo americano John Paul Meier, \u00abUm Judeu Marginal. Repensar o Jesus da Hist\u00f3ria\u00bb, programado em quatro Volumes com cerca de 3000 p\u00e1ginas, porventura a an\u00e1lise hist\u00f3rica mais rigorosa acerca de Jesus levada a cabo nos tempos modernos (come\u00e7ou a publicar-se em 1991). Aos quatro Evangelhos can\u00f3nicos, Meier apenas acrescenta as notas de Fl\u00e1vio Josefo, nas Antiguidades Judaicas, 18,\u00a7 63-64. Meier exclui como fonte o Evangelho copto de Tom\u00e9, muito valorizado pela escola, tamb\u00e9m americana, do Jesus Seminar, que o p\u00f5e ao n\u00edvel, se \u00e9 que n\u00e3o mesmo acima, dos Evangelhos can\u00f3nicos. Meier mostra que o Evangelho de Tom\u00e9 rel\u00ea os ditos dos Evangelhos can\u00f3nicos. Igual cepticismo mostra Meier pela chamada fonte Q. Meier exclui tamb\u00e9m qualquer rela\u00e7\u00e3o de Jesus com a comunidade de Qumran, ao contr\u00e1rio do Papa que valoriza a aproxima\u00e7\u00e3o de Jesus a Qumran. Mas os dois salientam a cronologia do Evangelho de Jo\u00e3o em detrimento da dos Sin\u00f3pticos. Ainda assim, Meier adverte que o Jesus da hist\u00f3ria n\u00e3o passa de uma abstrac\u00e7\u00e3o, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a entre o Jesus real e o Jesus da hist\u00f3ria, perguntando mesmo se algu\u00e9m pode ter a certeza de conhecer plenamente a personalidade de algu\u00e9m, mesmo de uma pessoa \u00edntima.  3. Apareceu tamb\u00e9m recentemente (2006) um livro s\u00e9rio de Richard Bauckham, com o t\u00edtulo de \u00abJesus e as testemunhas oculares. Os Evangelhos como testemunho ocular\u00bb. Bauckham faz ver que o recurso a testemunhas oculares empenhadas, isto \u00e9, que foram parte dos acontecimentos e neles estiveram activamente envolvidas, e n\u00e3o neutras, era o normalmente usado pelos historiadores antigos, como Tuc\u00eddides, Pol\u00edbio, Fl\u00e1vio Josefo e T\u00e1cito, para acederem a acontecimentos hist\u00f3ricos. Neste sentido, o facto de os acontecimentos de Jesus, narrados nos Evangelhos, serem vistos pelos olhos dos seus disc\u00edpulos, enquanto testemunhas oculares neles efectiva e afectivamente envolvidos, n\u00e3o os desvirtua, mas confere-lhes credibilidade, e p\u00f5e a hist\u00f3ria dos Evangelhos ao n\u00edvel da hist\u00f3ria antiga.  4. Este regresso fundamentado aos quatro Evangelhos can\u00f3nicos como \u00fanicas fontes cont\u00ednuas cred\u00edveis para chegar ao Jesus da hist\u00f3ria vem depois de dois s\u00e9culos de uma \u00e1rdua cr\u00edtica liter\u00e1ria e hist\u00f3rica que tentou desautorizar os Evangelhos can\u00f3nicos como documentos cred\u00edveis para se chegar ao verdadeiro Jesus da hist\u00f3ria. Para esse tipo de cr\u00edtica, os Evangelhos s\u00e3o o resultado de um longo processo de an\u00f3nima transmiss\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es, em que os redactores apareceram em fase tardia e j\u00e1 desligados dos acontecimentos e das testemunhas oculares desses acontecimentos. Num tal processo longo e difuso, ter\u00e1 intervindo ainda a criatividade e o filtro das comunidades, que ter\u00e3o adaptado as tradi\u00e7\u00f5es \u00e0s suas necessidades e prop\u00f3sitos, se \u00e9 que, nalguns casos, n\u00e3o as ter\u00e3o mesmo inventado. Assim sendo, refere este tipo de cr\u00edtica, quando estas tradi\u00e7\u00f5es chegam aos redactores, apresentam-se j\u00e1 muito desvirtuadas e despersonalizadas e pouco ter\u00e3o a ver com o verdadeiro Jesus da hist\u00f3ria. Nesse sentido, conclui essa cr\u00edtica minimalista, os Evangelhos falam mais das comunidades do que de Jesus, n\u00e3o podendo, por isso, ser usados como documentos hist\u00f3ricos para se chegar \u00e0 pessoa de Jesus.   5. Desacreditados e descartados os Evangelhos can\u00f3nicos como documentos cred\u00edveis, e n\u00e3o havendo outros documentos s\u00e9rios de controlo, \u00e9 ent\u00e3o f\u00e1cil que se possam fazer brotar do ch\u00e3o da Palestina do s\u00e9culo I figuras de Jesus como cogumelos, ao sabor do (mau) gosto de cada um. \u00c9 assim que psic\u00f3logos, jornalistas, literatos e cineastas podem criar e vender a sua figura de Jesus. Veja-se o C\u00f3digo da Vinci (Jesus e a Madalena), o Evangelho de Judas (gn\u00f3stico) e outros do mesmo teor descobertos em Nag Hammadi (Egipto) em 1945, e mais recentemente a fraude de \u00abO t\u00famulo perdido de Jesus\u00bb e \u00abO t\u00famulo da fam\u00edlia de Jesus\u00bb de James Cameron e Simcha Jacobovici acerca do t\u00famulo e (dos oss\u00e1rios) de Talpiot, descoberto em 1980, cinco km a sul da cidade antiga de Jerusal\u00e9m. Os arque\u00f3logos israelitas Amos Kloner, que escavou o t\u00famulo em 1980, e Joe Zias, que classificou os oss\u00e1rios, j\u00e1 denunciaram as publica\u00e7\u00f5es feitas como \u00abdesonestidade intelectual e cient\u00edfica\u00bb e \u00abinsensatez\u00bb. Por sua vez, o arque\u00f3logo americano William Dever, que h\u00e1 mais de cinquenta anos dirige escava\u00e7\u00f5es em Israel, fala de \u00abmanipula\u00e7\u00e3o, engano, e mercado\u2026\u00bb.  6. No fundo, como bem acentua o Papa no seu \u00abJesus de Nazar\u00e9\u00bb, Jesus n\u00e3o pode ser reduzido a um revolucion\u00e1rio, moralista ou mestre religioso, nem os seus ensinamentos podem ser reduzidos a princ\u00edpios t\u00e9cnico-materiais, criticando aqui tamb\u00e9m capitalismos e marxismos e o tipo de ajudas ocidentais ao III mundo. O Jesus dos Evangelhos can\u00f3nicos veio trazer-nos Deus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Saiu segunda-feira para as livrarias, em It\u00e1lia, o livro intitulado \u00abJesus de Nazar\u00e9. Do baptismo no Jord\u00e3o \u00e0 Transfigura\u00e7\u00e3o\u00bb, da autoria de Joseph Ratzinger \u2013 Bento XVI, assim mesmo, com nome duplo. O livro regista 446 p\u00e1ginas distribu\u00eddas por 10 Cap\u00edtulos, e \u00e9 fruto da intensa busca pessoal, crente e intelectual, do Papa Ratzinger [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[120,206],"class_list":["post-24123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-bento-xvi","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}