{"id":241056,"date":"2022-05-18T16:02:55","date_gmt":"2022-05-18T15:02:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=241056"},"modified":"2022-05-18T16:09:42","modified_gmt":"2022-05-18T15:09:42","slug":"saber-aprender-a-fazer-novas-algumas-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-fazer-novas-algumas-coisas\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A fazer novas algumas coisas"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No filme da \u201cPaix\u00e3o\u201d, realizado por Mel Gibson, impressionou-me a parte quando Jesus com a cara ensanguentada volta-se para Maria, Sua m\u00e3e, e diz &#8211; <em>\u00abV\u00eas, M\u00e3e, como fa\u00e7o novas todas as coisas.\u00bb<\/em> Como pode algu\u00e9m fazer algo de novo no meio de um sofrimento atroz? \u00c9 verdade que dar \u00e0 luz um beb\u00e9, um novo ser humano, faz-se na dor. \u00c9 verdade que escrever uma obra ou pint\u00e1-la pode ocorrer com dores nas m\u00e3os que seguram a caneta ou o pincel. Mas a dor de Jesus renova-nos interiormente, o que \u00e9 diferente. Por\u00e9m, por que raz\u00e3o colocar na boca de Jesus estas palavras dirigidas \u00e0 Sua m\u00e3e? Teria Maria expressado essa d\u00favida a Jesus em algum momento? Ou ser\u00e1 que o motivo \u00e9 mais profundo e estende-se no tempo que n\u00e3o tem ocaso?<\/p>\n<figure id=\"attachment_241058\" aria-describedby=\"caption-attachment-241058\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-241058\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Maria-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-241058\" class=\"wp-caption-text\">Foto de DDP em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sabemos que a natureza \u00e9 c\u00edclica e renova-se em m\u00faltiplos e diversos ritmos. As flores renovam-se em cada ciclo das quatro esta\u00e7\u00f5es. As gera\u00e7\u00f5es renovam-se em cada beb\u00e9 que nasce. A compreens\u00e3o de um livro que nos marcou renova-se de cada vez que o relemos porque estamos sempre a mudar. Por exemplo, ler o Moby Dick em crian\u00e7a produz um impacto diferente de quando lemos em adulto. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia cont\u00ednua na nossa hist\u00f3ria e quando Jesus nos deixou a Eucaristia, em cada dia podemos renovarmo-nos deixando que Ele nos transforme. Mas quando penso que Ele poder\u00e1 ter confirmado a Maria essa renova\u00e7\u00e3o a caminho do calv\u00e1rio, talvez fosse por ver nela a pioneira nesse processo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um escrito de <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chi-siamo\/#chiaralubich\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chiara Lubich<\/a> que liga Maria, a Trindade e a cria\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando por reconhecer a \u201cetiqueta\u201d presente na natureza que diz \u201cMADE IN TRINITY\u201d \u2014<\/p>\n<blockquote><p>\u00abOlhando para a natureza, parece que Jesus deu o seu mandamento novo tamb\u00e9m a ela. Observei duas plantas e pensei na poliniza\u00e7\u00e3o. Antes desta, as plantas crescem para o alto, como se amassem a Deus com todo o seu ser. Depois, unem-se como se se amassem mutuamente, como as Pessoas da Trindade se amam. Fazem de duas uma coisa s\u00f3. Amam-se at\u00e9 ao abandono, at\u00e9 perderem \u2014 por assim dizer \u2014 a sua personalidade, como Jesus no abandono. Depois, da flor que dela brota, nasce o fruto e, por isso, a vida continua. \u00c9 como a Vida eterna de Deus, impressa na natureza.\u00bb (Maria, Cidade Nova, 2017)<\/p><\/blockquote>\n<p>O facto de Jesus referir que renova todas as coisas (Ap 21, 5) faz lembrar o florescimento de uma flor, mas no caso das coisas \u00faltimas (talvez fosse tamb\u00e9m a essas \u201ccoisas\u201d que Jesus se referia) leva-me \u00e0 segunda parte do escrito de Chiara Lubich \u2014<\/p>\n<blockquote><p>\u00abO florescimento aconteceu na plenitude dos tempos. E a \u00fanica flor era Maria. O fruto que dela brotou \u00e9 Jesus. Tamb\u00e9m a \u00e1rvore da humanidade foi criada \u00e0 imagem de Deus. Na plenitude dos tempos, na flora\u00e7\u00e3o, realizou-se a unidade entre C\u00e9u e Terra e o Esp\u00edrito Santo desposou Maria. Temos, portanto, uma \u00fanica flor: Maria. E um \u00fanico fruto: Jesus. Mas Maria, (\u2026), \u00e9 a s\u00edntese de toda a Cria\u00e7\u00e3o, no auge da sua beleza, quando se apresenta como esposa ao seu Criador.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 quem fique por aqui e deixe que a dist\u00e2ncia entre si e Maria aumente, de tal modo que ela, a quem Jesus nos ofereceu como M\u00e3e, parece-se tornar-se inating\u00edvel. Ou seja, em vez de a sentirmos pr\u00f3xima de n\u00f3s, das nossas alegrias e tristezas, como \u00e9 t\u00edpico do amor de uma m\u00e3e pelos seus filhos, sentimos que o relacionamento com Maria \u00e9 imposs\u00edvel ou fict\u00edcio. Um desejo inconsequente e irrealiz\u00e1vel. Mas esse \u00e9 um equ\u00edvoco que n\u00e3o se justifica nos tempos modernos.<\/p>\n<p>Vivemos na era da proximidade. O Papa Francisco \u00e9 um testemunho vivo que procura aproximar-se de n\u00f3s com as suas palavras e gestos. E n\u00e3o segue mais do que o exemplo de Jesus que se tornou t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s pela Eucaristia que at\u00e9 o podemos \u201ccomer\u201d, deixando que Ele, como disse anteriormente, nos transforme por dentro. Mas, e Maria?<\/p>\n<blockquote><p>\u00abEntrei, um dia, na Igreja e, com o cora\u00e7\u00e3o cheio de confid\u00eancia, perguntei-lhe \u2014 \u201cPor que quiseste ficar na Terra, em todos os pontos da Terra, na dulc\u00edssima Eucaristia, e n\u00e3o encontraste, Tu, que \u00e9s Deus, uma forma de trazer e deixar connosco tamb\u00e9m Maria (\u2026).<\/p>\n<p>No sil\u00eancio, parecia que respondesse \u2014 \u201cN\u00e3o a deixei, porque quero rev\u00ea-la em ti.\u00bb (Chiara Lubich, escrito de Dezembro de 1957)<\/p><\/blockquote>\n<p>No m\u00eas de Maio, todos os cat\u00f3licos t\u00eam o pensamento particularmente voltado para Maria, mas esta intui\u00e7\u00e3o de Chiara faz-me pensar que Jesus convida-nos a sermos outras \u201cpequenas Maria\u201d para sabermos aprender a fazer novas algumas de todas as coisas. Ao menos aquelas que estiverem ao nosso alcance. Pois, assim como em Maria floresce a plenitude dos tempos, quando procuramos ser Maria para os outros, abre-se a possibilidade de algo de novo florescer na nossa vida e na vida desses que podemos amar \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>Ser uma \u201cpequena Maria\u201d implica ter um olhar particularmente atento ao outro, e intenso porque nele quero ver e experimentar a presen\u00e7a de Deus. Partilho uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando esta semana tive de apresentar o Departamento de Mec\u00e2nica da Universidade de Coimbra a um grupo de alunos, reparei que alguns estavam mais agitados e o seu interesse em estar ali era question\u00e1vel. Ser para esses em particular, uma \u201cpequena Maria\u201d era procurar Deus neles, reconhecer a sua pureza, em vez do meu ju\u00edzo sobre o que achava que deveria seria a sua postura. Por isso, fiz todo o esfor\u00e7o para que toda e qualquer palavra que pronunciasse fosse cheia de um amor sem ju\u00edzo. Procurava libertar-me a cada momento de qualquer reac\u00e7\u00e3o negativa e, gradualmente, pude ver como eles encontravam na minha presen\u00e7a um equil\u00edbrio saud\u00e1vel entre a brincadeira e a aten\u00e7\u00e3o. Quando sa\u00edram tive a impress\u00e3o de que se sentiram acolhidos.<\/p>\n<p>Nem sempre encontramos pessoas com quem nos damos bem, ou reagem a n\u00f3s como gostar\u00edamos. Ser Maria para eles s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se acolhermos o estilo de ser de Maria em n\u00f3s. Podemos n\u00e3o ser, como Jesus, capazes de fazer novas \u201ctodas\u201d as coisas, mas basta \u201calgumas\u201d para que o mundo sinta um pouco mais a presen\u00e7a de Maria que floresce nos desertos e alegra na simplicidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-241057\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml.jpg 800w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/palavras-promo-2-sml-391x260.jpg 391w, 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