{"id":24069,"date":"2007-04-13T15:31:53","date_gmt":"2007-04-13T15:31:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/13\/jesus-de-nazare\/"},"modified":"2007-04-13T15:31:53","modified_gmt":"2007-04-13T15:31:53","slug":"jesus-de-nazare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jesus-de-nazare\/","title":{"rendered":"Jesus de Nazar\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Obra de Bento XVI procura devolver valor hist\u00f3rico aos relatos evang\u00e9licos e critica teorias que destroem a figura de Jesus Cristo <!--more--> O te\u00f3logo Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, apresenta com &#8220;Jesus de Nazar\u00e9&#8221; a primeira obra escrita desde a sua elei\u00e7\u00e3o como Papa. O livro, apresentado no Vaticano, chega \u00e0s livrarias (em italiano, alem\u00e3o, polaco e grego) no dia 16 de Abril, data de anivers\u00e1rio natal\u00edcio do seu autor.  Em Portugal, a obra \u00e9 editada pela Esfera dos Livros e chegar\u00e1 \u00e0s bancas no pr\u00f3ximo m\u00eas de Maio. As edi\u00e7\u00f5es s\u00e3o, neste momento, j\u00e1 mais de 20.  O t\u00edtulo simples n\u00e3o esconde d\u00e9cadas de trabalho de Joseph Ratzinger, apresentando, numa linguagem teol\u00f3gica narrativa, uma busca pessoal do &#8220;rosto do Senhor&#8221; e procurando demonstrar a coincid\u00eancia entre a dimens\u00e3o religiosa e a dimens\u00e3o hist\u00f3ria de Cristo.  Ao longo dos s\u00e9culos, de forma mais ou menos espectacular, t\u00eam chegado teorias muito diversas sobre a vida de Jesus, muitas vezes com a pretens\u00e3o de serem a &#8220;resposta definitiva&#8221; para as quest\u00f5es que se levantam.   A quest\u00e3o de Jesus permanece sempre em aberto, n\u00e3o porque seja imposs\u00edvel de resolver, mas, como diz Tolentino Mendon\u00e7a, porque esse car\u00e1cter enigm\u00e1tico \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cmarca gen\u00e9tica\u201d que est\u00e1 presente logo no Novo Testamento, que j\u00e1 inclui a diversidade em volta da pessoa de Jesus.  O Papa, neste livro, procura responder \u00e0s tend\u00eancias do actual contexto cultural, que procuram distanciar o Jesus da hist\u00f3ria do Cristo da f\u00e9, quase ignorando as respostas &#8220;institucionais&#8221; sobre a figura central do Cristianismo.  Os factos hist\u00f3ricos, contudo, podem estar ao servi\u00e7o da f\u00e9. Ao longo de 10 cap\u00edtulos, Bento XVI mostra-se atento aos dados da pesquisa moderna sobre Jesus e apresenta o Jesus dos Evangelhos como o verdadeiro Jesus hist\u00f3rico, &#8220;uma figura sensata e convincente a que podemos e devemos fazer refer\u00eancia com confian\u00e7a e sobre a qual temos motivos para apoiar a nossa f\u00e9 e a nossa vida crist\u00e3&#8221;.  &#8220;Acreditar que era precisamente como homem que Jesus era Deus&#8221;, assinala, &#8220;vai para al\u00e9m das possibilidades do m\u00e9todo hist\u00f3rico\u201d. O Papa considera que no texto b\u00edblico se encontram todos os elementos para afirmar que a personagem hist\u00f3rica de Jesus \u00e9 tamb\u00e9m &#8220;efectivamente o Filho de Deus que veio \u00e0 terra para salvar a humanidade\u201d.  Bento XVI exp\u00f5e um resumo dos diversos resultados da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre quem era o evangelista Jo\u00e3o. Abrem-se ao leitor novos horizontes que revelam Jesus, de modo cada vez mais claro, como o \u201cVerbo de Deus\u201d feito homem para a nossa salva\u00e7\u00e3o, como o \u201cFilho de Deus\u201d, que veio a reconduzir a humanidade \u00e0 unidade com o Pai.  O Jesus que encontramos nos Evangelhos \u00e9, para o Papa, &#8220;muito mais l\u00f3gico do ponto de vista hist\u00f3rico e tamb\u00e9m mais compreens\u00edvel do que as reconstru\u00e7\u00f5es com que nos tivemos de confrontar nos \u00faltimos anos&#8221;.  Bento XVI entra na discuss\u00e3o \u00e0 volta, numa quest\u00e3o, que desde logo, desperta a aten\u00e7\u00e3o: h\u00e1 uma verdadeira hist\u00f3ria de Jesus? A verdadeira hist\u00f3ria de Jesus n\u00e3o est\u00e1 na B\u00edblia? A figura dos Evangelhos \u00e9 cred\u00edvel?  &#8220;Eu tenho confian\u00e7a nos Evangelhos&#8221;, afirma, com convic\u00e7\u00e3o.  No livro h\u00e1 um alerta: &#8220;a interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia pode tornar-se um instrumento do Anticristo&#8221;, se seguir caminhos errados.  Aqui, o Papa faz quest\u00e3o de sublinhar que a pessoa divina de Jesus n\u00e3o \u00e9 algo que a Igreja inventou s\u00e9culos depois da sua exist\u00eancia. Partindo da an\u00e1lise dos t\u00edtulos que, segundo os Evangelhos, Jesus utilizou para si \u2013 como \u201cFilho do homem\u201d, \u201cFilho\u201d e \u201cEu sou\u201d -, refere que este \u00faltimo, o misterioso nome com o qual Deus se revelou a Mois\u00e9s, &#8220;deixa entrever que Jesus \u00e9 Ele pr\u00f3prio Deus&#8221;.  O Papa adverte que a obra n\u00e3o foi escrita contra a exegese moderna, mas alerta que &#8220;os piores livros, destruidores da figura de Jesus, desmanteladores da f\u00e9, est\u00e3o cheios de supostos resultados da exegese&#8221;.  Este livro, cuja redac\u00e7\u00e3o se iniciou em 2003, continuou em &#8220;todos os momentos livres&#8221; desde que Joseph Ratzinger foi eleito Papa. Uma segunda parte do livro, dedicada \u00e0 inf\u00e2ncia de Jesus, ser\u00e1 publicada mais tarde.  <b>Igreja e Cristianismo<\/b> O livro vai para al\u00e9m da quest\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre Jesus e fala da Igreja, do Cristianismo e do mundo actual. Jesus, observa, n\u00e3o trouxe outra coisa que n\u00e3o &#8220;Deus&#8221; e a verdade sobre o destino e a origem do ser humano.  O Papa insiste, por isso, no primado de Deus e afasta a ideia que a Igreja se deva preocupar &#8220;antes de tudo, com o p\u00e3o para dar de comer ao mundo&#8221;. Jesus, escreve, &#8220;n\u00e3o \u00e9 indiferente perante a fome dos homens, das suas necessidades materiais, mas coloca-as no seu contexto e na sua ordem justa&#8221;.  Contra um &#8220;messianismo&#8221; materialista, vis\u00edvel no marxismo,o Papa assinala que &#8220;quando Deus \u00e9 considerado como uma dimens\u00e3o secund\u00e1ria, que se pode colocar de lado em nome de coisas mais importantes, ent\u00e3o as coisas supostamente mais importantes fracassam&#8221;.  Bento XVI diz, numa refer\u00eancia a correntes como a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que &#8220;nenhum reino deste mundo \u00e9 o Reino de Deus&#8221; e denuncia a tenta\u00e7\u00e3o de querer interpretar o Cristianismo &#8220;como uma receita para o progresso e considerar a busca do bem comum como o verdadeiro objectivo de qualquer religi\u00e3o&#8221;.  Querer saber o que deve &#8220;fazer um salvador do mundo&#8221; \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que atravessa toda a vida de Jesus e a hist\u00f3ria da Igreja, dado que &#8220;a f\u00e9 sempre correu o risco de ser sufocada pelo abra\u00e7o do poder&#8221;.  O Cristianismo, diz o Papa, n\u00e3o deve ser confundido com o &#8220;\u00e1gua a\u00e7ucarada&#8221;, lembrando que est\u00e1 sempre presente &#8220;o esc\u00e2ndalo da cruz&#8221; que ainda \u00e9 insuport\u00e1vel para muitos.  Nesse sentido, explica que &#8220;a verdadeira moral do Cristianismo \u00e9 o amor&#8221; e que o Cristianismo &#8220;\u00e9 o caminho da verdade, aberto a todos&#8221;, mesmo a ateus e aos que &#8220;declararam como norma de consci\u00eancia a sua opini\u00e3o e os seus desejos, elevando-se a si pr\u00f3prios como crit\u00e9rios&#8221;.  Num cap\u00edtulo dedicado aos &#8220;paradoxos&#8221; das Bem-Aventuran\u00e7as, que exprimem &#8220;a verdadeira situa\u00e7\u00e3o do crente no mundo&#8221;, Bento XVI indica que o amor se op\u00f5e &#8220;ao ego\u00edsmo, \u00e9 um \u00eaxodo de si mesmo, mas \u00e9 assim que o homem se encontra&#8221;.  O livro aborda ainda as par\u00e1bolas do Evangelho, em especial a do Bom Samaritano, que \u00e9 apresentado como um &#8220;\u00edcone da compaix\u00e3o&#8221;, atrav\u00e9s do qual Cristo ensina que &#8220;n\u00e3o se trata j\u00e1 de estabelecer quem, entre os outros, \u00e9 o meu pr\u00f3ximo, mas trata-se de mim: eu devo tornar-me o pr\u00f3ximo&#8221;. A actualidade da par\u00e1bola \u00e9, segundo o Papa, &#8220;\u00f3bvia&#8221;: os povos da \u00c1frica, ca\u00eddos por terra, &#8220;olham-nos de perto&#8221;. &#8220;N\u00f3s levamos-lhes o cinismo de um mundo sem Deus, onde apenas contam o poder e o lucro&#8221;, lamenta.  Daqui parte a exorta\u00e7\u00e3o de aprender o &#8220;risco da bondade&#8221;, procurando ir para al\u00e9m da simples &#8220;ajuda material&#8221; para auxiliar &#8220;as v\u00edtimas da droga, do tr\u00e1fico de pessoas, do turismo sexual&#8221;.  O Pe. Federico Lombari, director da sala de imprensa da Santa S\u00e9, enquadrou o lan\u00e7amento da obra nas celebra\u00e7\u00f5es do 80.\u00ba anivers\u00e1rio de Bento XVI e assinalou que, esta obra do Papa tem a novidade de pertencer ao &#8220;\u00e2mbito teol\u00f3gico&#8221;, n\u00e3o se apresentando como exerc\u00edcio magisterial, mas como reflex\u00e3o pessoal de um fiel.  Por isso, h\u00e1 espa\u00e7o para a discuss\u00e3o e o confronto com a obra. A apresenta\u00e7\u00e3o de &#8220;Jesus de Nazar\u00e9&#8221;, no Vaticano, esteve a cargo do Cardeal Christoph Sch\u00f6nborn, do te\u00f3logo protestante Daniele Garrone e do fil\u00f3sofo Massimo Cacciari.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obra de Bento XVI procura devolver valor hist\u00f3rico aos relatos evang\u00e9licos e critica teorias que destroem a figura de Jesus Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[101,120,221,267,297,320],"class_list":["post-24069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-africa","tag-bento-xvi","tag-historia-da-igreja","tag-natal","tag-santa-se","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24069\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}