{"id":2406,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/trabalhos-na-educacao-crista\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"trabalhos-na-educacao-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trabalhos-na-educacao-crista\/","title":{"rendered":"Trabalhos na Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Querubim Silva esteve \u00e0 frente do Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de 1997 a 2003 e lan\u00e7a uma s\u00e9rie de alertas sobre os avan\u00e7os e retrocessos do trabalho neste sector da vida da Igreja em Portugal <!--more--> Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o actual do ensino religioso na escola p\u00fablica? Pe. Querubim Silva \u2013 A disciplina de EMRC tem estatuto para o 2\u00ba e 3\u00ba ciclo e para o ensino secund\u00e1rio desde 1989, definido com clareza. O que podemos dizer \u00e9 que o Minist\u00e9rio falhou, enquanto parceiro coerente, no desenvolvimento de uma disciplina que servisse de alternativa \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, porque escolher entre esta ou ficar mais uma hora na rua a brincar n\u00e3o me parece muito justo&#8230; A luta foi sempre a valoriza\u00e7\u00e3o dos professores, qualificando-os, e o desenvolvimento da disciplina de forma a motivar os alunos e as fam\u00edlia \u00e0 ades\u00e3o. O F\u00f3rum sobre Cultura e F\u00e9 come\u00e7ou a lan\u00e7ar este problema da EMRC e em 2001 o 1\u00ba Congresso dos professores da disciplina foram momentos marcantes nesta luta. Posso dizer que apesar de alguma marginaliza\u00e7\u00e3o, manteve-se uma percentagem de alunos ligeiramente crescente, perto ou acima dos 50% &#8211; mesmo quando a disciplina n\u00e3o conta para as m\u00e9dias. Outra \u00e1rea \u00e9 a do 1\u00ba ciclo e a\u00ed a luta foi, de certa maneira ingl\u00f3ria, porque se nota claramente a hostilidade do jacobinismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. Gostaria mesmo de ter debatido na Assembleia esta quest\u00e3o.  AE \u2013 Quais s\u00e3o os respons\u00e1veis por esse impasse? QS \u2013 As mais altas inst\u00e2ncias, que querem, em nome de uma laicidade do Estado, criar condi\u00e7\u00f5es de gerar uma sociedade laica, promovendo uma educa\u00e7\u00e3o militante \u2013 apagando a leitura religiosa da vida e da hist\u00f3ria. Toda a inst\u00e2ncia governativa, desde a presid\u00eancia da Rep\u00fablica at\u00e9 ao Governo, alterou legisla\u00e7\u00e3o sem revogar a anterior, lan\u00e7ando a confus\u00e3o nos gestores das escolas. O decreto de lei 6\/2001 inclu\u00eda a disciplina de EMRC como uma esp\u00e9cie de actividade de enriquecimento e, em Outubro do ano passado, numa marcha-atr\u00e1s incompreens\u00edvel, sob press\u00e3o de interesses espec\u00edficos e da presid\u00eancia da Rep\u00fablica, surge a 26\u00aa hora para a\u00ed colocar a disciplina. Cada um faz um pouco conforme entende, com graves consequ\u00eancias para milhares de alunos. Tem havido, apesar de tudo, um di\u00e1logo satisfat\u00f3rio, de modo a fazer perceber os atropelos que t\u00eam sido feitos ao leg\u00edtimo direito de escolha dos pais em rela\u00e7\u00e3o ao quadro de valores educativos para os seus filhos e \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o do Governo em respeitar essa liberdade de escolha. Estou convencido que a reorganiza\u00e7\u00e3o do 1\u00ba ciclo permitir\u00e1 mudar o estado das coisas num futuro pr\u00f3ximo.  AE \u2013 O Estado confunde catequese e ensino religioso? QS \u2013 O trabalho que foi feito s\u00f3 deixa d\u00favidas em quem tiver m\u00e1 vontade: \u00e0s vezes os pr\u00f3prios pais, outras vezes agentes pastorais e p\u00e1rocos que quando t\u00eam a catequese cheia n\u00e3o se preocupam com a pastoral escolar \u2013 e s\u00e3o duas coisas distintas. Alguns acontecimentos nacionais e documentos publicados deixaram bem claro que a catequese \u00e9 um itiner\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o da mensagem crist\u00e3 como vida para uma ades\u00e3o a Jesus, a EMRC \u00e9 uma leitura da vida e do mundo \u00e0 luz dos valores crist\u00e3os em conjuga\u00e7\u00e3o com os outros saberes, para fomentar uma matriz cultural com valores crist\u00e3os e isso \u00e9 completamente distinto. O problema, por\u00e9m, parece-me surgir da atitude da Igreja que dormiu \u00e0 sombra da convic\u00e7\u00e3o de que os professores do 1\u00ba ciclo continuariam a leccionar a disciplina de EMRC, o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 verdade: seja por falta de convic\u00e7\u00f5es ou por receio da hostilidade dos outros, omitem esse trabalho. O sector n\u00e3o est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o, como alguns sup\u00f5em, e algumas coisas v\u00e3o ter de se assumir publicamente, porque s\u00e3o direitos assumidos. Mesmo os professores da disciplina deveriam avan\u00e7ar para uma associa\u00e7\u00e3o que seria muito \u00fatil no di\u00e1logo institucional. Do lado da Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 seria \u00fatil, tamb\u00e9m combater uma certa lentid\u00e3o e prever formas de actua\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m mais liberto para que a agenda dos senhores Bispos possa estar mais perto da agenda da vida educacional.  A ESCOLA CAT\u00d3LICA AE \u2013 A quest\u00e3o da Escola Cat\u00f3lica tamb\u00e9m tem contornos muito particulares em Portugal. Como tem sido o trabalho nesta \u00e1rea? QS \u2013 Aqui trata-se de pensar a liberdade de ensino, porque somos dos pa\u00edses mais totalit\u00e1rios do ponto de vista do sistema de ensino e dos menos democr\u00e1ticos: mesmo concedendo o contrato de associa\u00e7\u00e3o a col\u00e9gios, cat\u00f3licos ou n\u00e3o, a verdade \u00e9 que tem havido um conjunto de estruturas \u2013 desde os aparelhos sindicais \u00e0 rede escolar p\u00fablica \u2013 que estrangulam a hip\u00f3tese de uma escolha diferente e isso viola direitos fundamentais. Felizmente h\u00e1, nesta altura, movimentos j\u00e1 na Pra\u00e7a P\u00fablica, numa luta dura, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de ensino, onde a escola cat\u00f3lica se situa.  AE \u2013 As dificuldades, por\u00e9m, parecem ser cada vez mais para a Escola Cat\u00f3lica? QS \u2013 A quest\u00e3o \u00e9 esta: h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, de modo que o sistema de ensino p\u00fablico \u2013 desde estruturas f\u00edsicas a administrativas &#8211; o Minist\u00e9rios tem sobrecargas para as quais tem de reservar clientelas. Penso que da parte das escolas privadas \u00e9 precisa, tamb\u00e9m, uma altera\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o, para que se situem na perspectiva do servi\u00e7o p\u00fablico, mesmo que sejam de iniciativa particular, em vez de se assumirem como uma fonte de rendimento ou uma possibilidade de elites. A CATEQUESE AE \u2013 Qual foi o maior feito do SNEC nestes 6 anos no que diz respeito \u00e0 catequese? QS \u2013 Olhe, folheando a documenta\u00e7\u00e3o para a passagem de testemunho, verifiquei que j\u00e1 l\u00e1 se fala da revis\u00e3o dos catecismos. A preocupa\u00e7\u00e3o de nesta \u00e1rea transmitir conte\u00fados verdadeiramente ortodoxos, claros e seguros, \u00e0s vezes emperra a necessidade de uma apresenta\u00e7\u00e3o em linguagens novas da mensagem crist\u00e3, pelo que os catecismos s\u00e3o apresentadas como uma realidade fechada. O grande esfor\u00e7o que se fez neste tempo foi conceber que a seguran\u00e7a da doutrina n\u00e3o implica que os catecismos seja fechados \u2013 para periodicamente haver elementos novos que sejam proporcionados. A revis\u00e3o dos catecismos est\u00e1 em marcha e prev\u00ea-se para muito em breve, com altera\u00e7\u00f5es na distribui\u00e7\u00e3o das fases e 4 catecismos novos que est\u00e3o a aparecer. A par com este trabalho foi feita forma\u00e7\u00e3o de catequistas, com materiais que se est\u00e3o a ultimar, mas n\u00e3o pode ser o SNEC a fazer todo o trabalho. A necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de jovens foi outro ponto em destaque, com boas perspectivas, bem como a catequese de adultos, que a breve prazo ter\u00e1 um itiner\u00e1rio definido. Lateralmente levanta-se a quest\u00e3o do catecumenato, onde se est\u00e1 a trabalhar e algumas dioceses t\u00eam direct\u00f3rios pr\u00f3prios. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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