{"id":240579,"date":"2022-05-15T09:30:11","date_gmt":"2022-05-15T08:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=240579"},"modified":"2022-05-14T13:41:51","modified_gmt":"2022-05-14T12:41:51","slug":"sinodo-2021-2023-estamos-com-medo-de-ser-confrontados-assusta-nos-aquilo-que-e-a-diferenca-padre-paulo-terroso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinodo-2021-2023-estamos-com-medo-de-ser-confrontados-assusta-nos-aquilo-que-e-a-diferenca-padre-paulo-terroso\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo 2021-2023: \u00ab Estamos com medo de ser confrontados? Assusta-nos aquilo que \u00e9 a diferen\u00e7a?\u00bb &#8211; Padre Paulo Terroso"},"content":{"rendered":"<p><em>A primeira fase do processo sinodal lan\u00e7ado pelo Papa em outubro de 2021 est\u00e1 a chegar ao fim. As varias dioceses portuguesas preparam uma s\u00edntese do trabalho realizado a n\u00edvel local, que v\u00e3o entregar \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal, encerrando esta etapa in\u00e9dita, desenhada por Francisco<\/em><!--more--><\/p>\n<p>O padre Paulo Terroso, membro da Comiss\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo, no Vaticano, \u00e9 o convidado desta semana da entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0<\/em><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_240535\" aria-describedby=\"caption-attachment-240535\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-240535 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48.jpeg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1536\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48.jpeg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-510x382.jpeg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1080x810.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1280x960.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-980x735.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-480x360.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-240535\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Henrique Cunha\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Quando tivemos a oportunidade de conversar em Roma, no \u00faltimo m\u00eas de outubro, em que se iniciava este processo sinodal projetava-nos o S\u00ednodo como um processo impar\u00e1vel. Olhando para o que acontecia nos \u00faltimos meses, pensei que as comunidades cat\u00f3licas j\u00e1 assumiram a import\u00e2ncia de colocar este processo em andamento? <\/em><\/p>\n<p>O processo \u00e9 impar\u00e1vel e come\u00e7ou mesmo antes deste S\u00ednodo sobre a sinodalidade. A import\u00e2ncia?\u00a0 Eu acho que h\u00e1 alguma dificuldade, em compreender o que \u00e9 isto da sinodalidade, em que o S\u00ednodo \u00e9 s\u00f3 uma express\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho que h\u00e1 necessidade de refor\u00e7ar imagens ou experi\u00eancias muito concretas de sinodalidade, que s\u00e3o os nossos conselhos econ\u00f3micos, que s\u00e3o os conselhos pastorais &#8211; que nem todas as par\u00f3quias t\u00eam; as dioceses essas t\u00eam -, onde as pessoas participam e participam na organiza\u00e7\u00e3o e na\u00a0vida das comunidades. Portanto, a palavra n\u00e3o ajuda. Cria uma certa dist\u00e2ncia, porque n\u00e3o \u00e9 um tema t\u00e3o concreto, ou seja, quando n\u00f3s estamos a falar da fam\u00edlia, n\u00f3s sabemos muito bem o que \u00e9 isso da fam\u00edlia. O conceito sinodalidade em si \u00e9 gen\u00e9rico, n\u00e3o \u00e9? Quando estamos a falar de jovens, sabemos o que \u00e9 isso. Quando estamos a falar da \u2018Laudato Si\u2019, falamos da ecologia, sabemos muito bem a sua dimens\u00e3o do cuidado com a natureza, de ecologia integral. S\u00e3o coisas muito claras e que est\u00e3o na ordem do dia. Este S\u00ednodo tem uma particularidade: parece muito introspetivo, parece muito uma quest\u00e3o de interna a Igreja, e, no entanto, este \u00e9 o passo necess\u00e1rio para depois, em conjunto, abordarmos outras quest\u00f5es que s\u00e3o importantes e urgentes.<\/p>\n<p>Deixe-me dizer\u00a0assim: temos de dar este passo, ou seja, de criar uma eclesiologia forte, esta eclesiologia de comunh\u00e3o com a express\u00e3o sinodal e depois tamb\u00e9m uma base can\u00f3nica de aplica\u00e7\u00e3o na vida das Igrejas particulares, das nossas par\u00f3quias, e na Igreja Universal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta fase diocesana de consulta e mobiliza\u00e7\u00e3o aconteceu em moldes in\u00e9ditos. Foi a primeira vez que o S\u00ednodo bateu \u00e0 porta de cada comunidade. Como \u00e9 que devemos entender este amplo movimento lan\u00e7ado pelo Papa Francisco? \u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 colocar em pr\u00e1tica aquilo que diz o Conc\u00edlio Vaticano II, que n\u00e3o estava a ser plenamente colocado em pr\u00e1tica. Ou seja, que todo o povo de Deus &#8211; e no Povo de Deus incluem-se os leigos, os padres, os bispos e o pr\u00f3prio Papa &#8211; deve ser escutado. Aquilo que diz respeito a todos deve ser discutido por todos, falado entre todos. Portanto, \u00e9 isso que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>Falta qualquer coisa \u00e0 Igreja se o Povo de Deus, todo o Povo de Deus, n\u00e3o \u00e9 envolvido num processo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A verdadeira invers\u00e3o da pir\u00e2mide ainda n\u00e3o aconteceu?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o aconteceu. Uma das dimens\u00f5es que foi trabalhada agora na Assembleia Plen\u00e1ria que aconteceu em Roma, com todas as comiss\u00f5es presentes, foi\u00a0perceber isto, sobretudo os cap\u00edtulos dois e n\u00famero tr\u00eas da \u2018Lumen Gentium\u2019, que s\u00e3o justapostos, n\u00e3o est\u00e3o bem articulados. Depois tiveram uma express\u00e3o no Direito Can\u00f3nico, e essa express\u00e3o valorizou mais a dimens\u00e3o da colegialidade entre os bispos, e da rela\u00e7\u00e3o dos bispos e o Papa, ao ponto, por exemplo, de em ultima\u00a0 inst\u00e2ncia\u00a0 o bispo quase que pode governar sem consultar ningu\u00e9m. Porqu\u00ea?\u00a0 Porque o Direito Can\u00f3nico \u00e9 uma express\u00e3o da eclesiologia, n\u00e3o tem vida pr\u00f3pria. Ele exprime aquilo que \u00e9 um pensamento, uma doutrina, uma doutrina da Igreja.<\/p>\n<p>A envolv\u00eancia de todo o Povo de Deus \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria. Mais uma vez, repito, porque \u00e9 isto que est\u00e1 em causa e este \u00e9 muito do caminho que est\u00e1 a ser feito \u2013 e ele vai ter uma express\u00e3o concreta na vida das pessoas. Falharia redondamente este S\u00ednodo se, no fim, n\u00e3o cri\u00e1ssemos processos, metodologias e estruturas que dessem uma express\u00e3o sinodal \u00e0 vida da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 a\u00ed\u00a0uma quest\u00e3o que me parece relacionada, que tem a ver com aquilo que o Vaticano pedia que se fizesse na fase de diocesana, de ouvir a voz dos pobres, dos exclu\u00eddos e n\u00e3o apenas aqueles que desempenham alguma fun\u00e7\u00e3o ou responsabilidade dentro da pr\u00f3pria Igreja. Do conhecimento que teve, que \u00e9 bastante global, houve vontade de correr riscos ou acabou se por ouvir os dentro e aqueles que se ouvem j\u00e1 sempre? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos muito medo! E este S\u00ednodo tem de fazer-nos sair, mesmo internamente. \u00c0s vezes estamos entrincheirados. \u00c9 triste diz\u00ea-lo, mas tenho de dizer, acho que n\u00f3s temos de dar assim uma sacudidela. N\u00f3s temos medo, e por\u00a0exemplo, agora vem uma newsletter que fala da comunidade de l\u00e9sbicas, gays, transexuais\u2026 ou os pobres marginalizados. E j\u00e1 se fala tamb\u00e9m dos improv\u00e1veis, n\u00e3o s\u00f3 das periferias, mas tamb\u00e9m dos improv\u00e1veis. N\u00f3s temos de dialogar, n\u00f3s temos de dialogar. Estamos com medo de ser confrontados? Assusta-nos aquilo que \u00e9 a diferen\u00e7a?<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o os leprosos do nosso tempo? As pessoas de quem estamos afastados, nem sequer queremos toc\u00e1-los. Parece que temos medo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desde o in\u00edcio da sua miss\u00e3o, Jesus vai ao encontro daquilo que era considerado tabu. Esta din\u00e2mica perdeu-se?<\/em><\/p>\n<p>Concordo. Nalguns aspetos da Igreja, sim. H\u00e1 quem arrisque e paga um pre\u00e7o bem caro de incompreens\u00e3o, de condena\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes de difama\u00e7\u00e3o, at\u00e9. Isso acontece, mas esse \u00e9 o caminho, temos de fazer o caminho de sa\u00edda, de encontro. E nesse caminho de sa\u00edda, de encontro, interrogando a Escritura e iluminando com a Escritura os acontecimentos e esses encontros, o Evangelho vai ganhar aquela for\u00e7a e a frescura capaz de atrair. Porque quando se inicia a Miss\u00e3o, como lemos agora no Ato dos Ap\u00f3stolos, percebemos que n\u00e3o h\u00e1 um manual. V\u00e3o acontecendo determinadas circunst\u00e2ncias, determinados encontros, interroga\u00e7\u00f5es e h\u00e1 tens\u00f5es evidentes. Portanto, o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m \u00e9 um momento tenso da Igreja. Mas \u00e9 preciso dialogar e \u00e9 preciso rezar, e \u00e9 preciso perceber que caminho \u00e9 que vamos fazer.<\/p>\n<p>Isto para dizer uma forma de simples: temos de arriscar. E essa ideia do Papa Francisco, das periferias, das margens do di\u00e1logo \u00e9 colocar em pr\u00e1tica o Evangelho. N\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do Papa Francisco ou, desculpe dizer assim, de Jorge Mario Bergoglio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou seja, este processo tem a dizer algo a sociedade no seu todo, num per\u00edodo conturbado como \u00e9 aquele em que vivemos?<\/em><\/p>\n<p>Num tempo t\u00e3o fragmentado, com pessoas t\u00e3o divididas, numa sociedade t\u00e3o polarizada e ao mesmo tempo, quase a criarmos novamente dois blocos, pois j\u00e1 fal\u00e1mos do Ocidente e do Oriente, que a Igreja se decida a escutar-se, a caminhar em conjunto \u00e9 um sinal, evidentemente, para a humanidade. Mas ela tem de ser significativa, n\u00e3o \u00e9? Portanto, isso depois tem de ganhar express\u00e3o no terreno. E passa, desde logo com um di\u00e1logo com as margens, com presen\u00e7a nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de um processo sinodal que tem um conjunto de etapas e objetivos definidos. Sente que pode haver o risco de desmobiliza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel das dioceses, assim que forem realizadas as assembleias pr\u00e9-sinodais e forem entregues as respetivas s\u00ednteses, por exemplo? <\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acredito que quem participou neste processo e f\u00ea-lo bem que desmobilize. Porque este processo n\u00e3o acaba s\u00f3 em 2023, ele continua. Isto para dizer que quem faz esta experi\u00eancia de encontro, de ora\u00e7\u00e3o, de escuta, de di\u00e1logo, de discernimento; essa experi\u00eancia permanece. Eu falo da minha experi\u00eancia nos Congregados, a igreja onde eu estou e sou reitor. As pessoas que participaram n\u00e3o desmobilizaram. Come\u00e7amos com um grupo bem maior, depois terminamos com um pequeno grupo. N\u00e3o interessa. N\u00e3o temos medo de ter medo da pequena semente. N\u00e3o acredito que quem participa, ou quem participou, depois desmobilize.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, quem coordena, digamos assim, tamb\u00e9m tem que estar atento a esses sinais e perceber como \u00e9 que se come\u00e7a com um grupo maior e depois ele vai decrescendo. Ou seja, n\u00e3o pode haver um tal definhamento?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, sim. Esses s\u00e3o os entusiasmos que tamb\u00e9m os pr\u00f3prios disc\u00edpulos de Jesus Cristo viveram. Come\u00e7aram com muito entusiasmo, mas depois a determinado momento\u00a0afastam-se, ou entendem que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o importante. Enfim, vivemos tamb\u00e9m numa sociedade -n\u00e3o querendo desculpar- com tantas solicita\u00e7\u00f5es que hoje \u00e9 mesmo dif\u00edcil encontrar momentos para nos reunirmos. E, portanto, isso tamb\u00e9m passa por cada um pessoalmente. Estabelecer uma ordem de prioridades; saber aquilo que \u00e9 de facto importante na sua vida. H\u00e1 muita dispers\u00e3o, pouca capacidade de encontro, de estar sereno num s\u00edtio, a rezar, a dialogar e sobretudo h\u00e1 um outro sintoma, que se manifesta neste S\u00ednodo e que me parece que \u00e9 bastante importante: uma falta de participa\u00e7\u00e3o. E essa falta de participa\u00e7\u00e3o \u00e9 porque a comunidade ouvida na Igreja, de facto n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o afetiva, e porque n\u00e3o \u00e9 afetiva, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 efetiva. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 de facto uma rela\u00e7\u00e3o forte, ao ponto de dizer eu sou Igreja, sou um batizado e eu devo estar interessado por aquilo que diz respeito \u00e0 minha comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_240534\" aria-describedby=\"caption-attachment-240534\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-240534\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-347x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-510x382.jpeg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-1080x810.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-1280x960.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-980x735.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1-480x360.jpeg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-12-at-11.51.48-1.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-240534\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Henrique Cunha\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Das impress\u00f5es recolhidas a n\u00edvel mundial, quais os maiores receios que este desafio do S\u00ednodo suscitaram?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria receio. Creio que a grande dificuldade \u00e9 criar aqui uma verdadeira sinfonia. Temos a consci\u00eancia que a Igreja tem um alcance global, portanto, uma presen\u00e7a em todos os continentes e uma express\u00e3o cultural diferente, evidentemente. A n\u00edvel dos princ\u00edpios estamos de acordo, depois quando chegamos ao concreto torna-se muito mais complexo. Para mim, a grande dificuldade vai ser, do ponto de vista teol\u00f3gico e can\u00f3nico, o aprofundamento da eclesiologia e das tens\u00f5es permanentes ainda resultantes do Conc\u00edlio Vaticano II. Ou seja, h\u00e1 aspetos, do ponto de vista teol\u00f3gico, que n\u00e3o est\u00e3o devidamente assumidos &#8211; Papa Francisco referiu-os, porque s\u00e3o uma express\u00e3o da vida da Igreja. A Liturgia, por exemplo, tornou-se um campo de batalha. H\u00e1 um risco, n\u00e3o de divis\u00e3o, mas estamos a viver momentos de alguma tens\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Todos os S\u00ednodos dos \u00faltimos anos, ali\u00e1s, tiveram sempre essa marca. H\u00e1 uma quest\u00e3o que tem sido apresentada em v\u00e1rias s\u00ednteses e tem a ver com a rela\u00e7\u00e3o entre leigos e os sacerdotes. A reflex\u00e3o levada a cabo pode levar a mudan\u00e7as na forma de entender os cargos de lideran\u00e7a e o papel das mulheres nas comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>A \u2018Praedicate Evangelium\u2019 [nova constitui\u00e7\u00e3o da C\u00faria Romana], que \u00e9 tamb\u00e9m uma express\u00e3o da sinodalidade e do pontificado do Papa Francisco, da reforma da C\u00faria, coloca-nos no devido local: a miss\u00e3o \u00e9 de servi\u00e7o. A nossa dignidade \u00e9 a dignidade batismal, eu n\u00e3o sou mais do que um que um leigo casado ou consagrado, ou seja, eu estou ao servi\u00e7o e ao servi\u00e7o da comunidade. Essa deve ser a postura. Se essa for a postura, as coisas depois s\u00e3o f\u00e1ceis de viver, s\u00e3o mais f\u00e1ceis de viver.<\/p>\n<p>H\u00e1 sempre, evidentemente, tens\u00f5es. Aquilo que me preocupa s\u00e3o os futuros sacerdotes. N\u00f3s vivemos num tempo em que, do ponto de vista da identidade, emocional e psicol\u00f3gico, as pessoas s\u00e3o muito fr\u00e1geis e tendem a refor\u00e7ar \u2013 os seminaristas s\u00e3o fruto deste tempo e das fam\u00edlias que temos, evidentemente, e de alguma forma tamb\u00e9m s\u00e3o afetados por isso &#8211; o autoritarismo, com sinais exteriores que definem muito bem aquilo que \u00e9 a minha fun\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o est\u00e3o dispostos ao di\u00e1logo\u2026 essa vai ser uma das grandes dificuldades, o di\u00e1logo, escutar, interrogar-se e duas dimens\u00f5es que me parecem importantes, que foram importantes para a vida na vida mon\u00e1stica, sobretudo os beneditinos, mas que para n\u00f3s tem que ser declinada doutra forma, \u2018trabalhar e rezar\u2019, \u2018estudar e rezar\u2019, porque os desafios que a sociedade nos coloca, as interroga\u00e7\u00f5es que a sociedade nos coloca, exigem da nossa parte muita humildade, muita escuta, muito estudo e muita ora\u00e7\u00e3o. Se isso n\u00e3o for claro na forma\u00e7\u00e3o dos seminaristas e n\u00e3o cuidarmos desta rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, para que seja uma rela\u00e7\u00e3o significativa que nos coloca verdadeiramente ao servi\u00e7o, temos tudo para ter uma situa\u00e7\u00e3o explosiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O S\u00ednodo \u00e9 apresentado, muitas vezes, como um caminho de convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria. Sente que a Igreja est\u00e1 aberta \u00e0s mudan\u00e7as que este caminho implica?<\/em><\/p>\n<p>Voltou \u00e0quela quest\u00e3o, \u00e9 preciso superar o medo, n\u00e3o \u00e9? Mas o caminho est\u00e1 a ser feito. O caminho est\u00e1 a ser feito, mas ele leva sempre tempo. Ningu\u00e9m espere que, em 2023, tenhamos uma igreja sinodal. \u00c9 uma quest\u00e3o geracional e, sobretudo, de convers\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma \u2018forma mentis\u2019, o modo de pensar, de estar em Igreja que vai levar tempo. Os sinais est\u00e3o a\u00ed, os diagn\u00f3sticos est\u00e3o feitos, todos n\u00f3s j\u00e1 sabemos o que est\u00e1 a acontecer. O caminho da vida da Igreja e o seu futuro \u00e9 deixar esta autorreferencialidade e passar \u00e0 sa\u00edda a miss\u00e3o, ao di\u00e1logo, digamos, \u00e0quilo que \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma outra postura pode significar igrejas desertas. A Igreja nunca vai acabar, mas ela pode desaparecer de alguns locais. O Papa Bento XVI j\u00e1 tinha chamado a aten\u00e7\u00e3o para isso, ou seja, esta ideia de que a Igreja n\u00e3o acaba, sim ela n\u00e3o acaba, mas pode desaparecer nalguns continentes, pode ser totalmente irrelevante.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a pensar nalguma em particular?<\/em><\/p>\n<p>Estou a pensar nalguns pa\u00edses em que, de facto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma minoria, \u00e9 uma ultraminoria. S\u00e3o pa\u00edses europeus. Agora, o Senhor entregar\u00e1 a sua vinha a algu\u00e9m que a possa cuidar. Como algu\u00e9m dizia, n\u00e3o creio que ser\u00e1 propriamente Pequim a pr\u00f3xima Roma, mas \u00e9 uma imagem para dizer que, enfim, ela pode florescer e certamente florescer\u00e1 noutros espa\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A sinodalidade tornou-se uma palavra da moda, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de explicar. Estamos todos a falar da mesma coisa?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que n\u00e3o. At\u00e9 porque se confunde S\u00ednodo com sinodalidade, que \u00e9 uma forma de ser uma disposi\u00e7\u00e3o interior, de escuta, de encontro, de ora\u00e7\u00e3o e de tomar decis\u00f5es. S\u00ednodo \u00e9 uma express\u00e3o da sinodalidade. Conselhos econ\u00f3micos, conselhos paroquiais ou pastorais paroquiais com o col\u00e9gio de consultores s\u00e3o outra express\u00e3o de sinodalidade.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 no centro deste S\u00ednodo? Como \u00e9 que s\u00e3o tomadas as decis\u00f5es, como \u00e9 o processo que nos leva at\u00e9 \u00e0 tomada de decis\u00e3o, o \u2018decision making\u2019 e o \u2018decision taking\u2019. Como \u00e9 que \u00e9 o processo? Como \u00e9 que se faz para tomar uma decis\u00e3o? Participamos todos nesse processo? Depois, como \u00e9 que se toma essa decis\u00e3o? Como \u00e9 que se operacionaliza essa decis\u00e3o?<\/p>\n<p>E uma outra quest\u00e3o fundamental que est\u00e1 tamb\u00e9m na base deste S\u00ednodo, que \u00e9 prestar contas, transpar\u00eancia, \u2018accountability\u2019. S\u00e3o quest\u00f5es fundamentais. N\u00e3o estamos a falar de quest\u00f5es de governo. Todo este processo \u00e9 uma forma de desclericaliza\u00e7\u00e3o da Igreja e de nos entendermos como Povo de Deus, que em conjunto caminha. Este \u00e9 o cerne do S\u00ednodo, a quest\u00e3o fundamental para mim, do S\u00ednodo. S\u00f3 a partir daqui \u00e9 que ser\u00e1 poss\u00edvel tomar outro tipo de op\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 que digo que esta vai exige um grande trabalho do ponto de vista teol\u00f3gico e can\u00f3nico, as duas coisas v\u00e3o ter de estar bem articuladas, as duas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma pergunta final, mais pessoal: o que significa esta oportunidade de colaborar mais estreitamente com o S\u00ednodo dos Bispos, na Comiss\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 dias pensava sobre isso na Assembleia Plen\u00e1ria: consola\u00e7\u00e3o espiritual. Ou seja, sentir-se bem na Assembleia, que \u00e9 um momento de ver a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na Igreja. Isso \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a, tamb\u00e9m da minha voca\u00e7\u00e3o. De resto, quando estou \u00e0 mesa com Pierangelo Sequeri, Piero Coda, Christoph Theobald ou outros gigantes da Teologia &#8211; n\u00e3o sou nada, nem sequer sou doutor em Teologia, mas participo como membro da Comiss\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 uma gra\u00e7a da qual n\u00e3o sou minimamente merecedor. Mas, o Senhor l\u00e1 sabe porque tamb\u00e9m me meteu ali no meio disto. \u00c9 algo que n\u00e3o guardo para mim, mas levo com muita riqueza. \u00c9 um prazer espiritual, muito claramente.<\/p>\n<p>Sinto-me grato e espero contribuir para este trabalho que \u00e9 de servi\u00e7o \u00e0 Igreja Universal, de servi\u00e7o ao Papa, de servi\u00e7o \u00e0 Secretaria do S\u00ednodo, de uma forma muito concreta.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o podemos ter medo. Este \u00e9 o mandamento, a exorta\u00e7\u00e3o mais repetida na Sagrada Escritura. N\u00e3o ter medo e n\u00e3o entrar nesta l\u00f3gica de \u2018como \u00e9 que vamos resistir? Como \u00e9 que vamos lutar?\u2019. N\u00e3o, o que \u00e9 que o Esp\u00edrito de Deus est\u00e1 a dizer \u00e0 Igreja? Saber ler os sinais dos tempos, por onde \u00e9 que nos est\u00e1 a conduzir. Parece-me que isto \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira fase do processo sinodal lan\u00e7ado pelo Papa em outubro de 2021 est\u00e1 a chegar ao fim. As varias dioceses portuguesas preparam uma s\u00edntese do trabalho realizado a n\u00edvel local, que v\u00e3o entregar \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal, encerrando esta etapa in\u00e9dita, desenhada por Francisco<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":240535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-240579","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240579\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/240535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}