{"id":240009,"date":"2022-05-11T10:31:51","date_gmt":"2022-05-11T09:31:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=240009"},"modified":"2022-05-11T10:31:51","modified_gmt":"2022-05-11T09:31:51","slug":"saber-aprender-com-os-bebes-abortados-que-sobreviveram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-com-os-bebes-abortados-que-sobreviveram\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Com os beb\u00e9s abortados que sobreviveram"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u00abAborto \u00e9 um direito humano.\u00bb<\/em> \u2014 diz a pessoa n\u00e3o abortada que segura o cartaz durante uma das muitas manifesta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a acontecer nos EUA. Espera-se que o Supremo Tribunal americano acabe com meio s\u00e9culo de aborto legalizado, o que tem movido multid\u00f5es a manifestar-se com cartazes contendo frases como a que citei no in\u00edcio e que n\u00e3o creio ser fruto de um pensar coerente. Quem se manifesta a favor do aborto, s\u00f3 o pode fazer porque n\u00e3o foi abortado. A <em>vida<\/em>, sim, \u00e9 um direito humano. O <em>apoio<\/em> econ\u00f3mico, psicol\u00f3gico e espiritual, sim, \u00e9 um direito das m\u00e3es. O aborto n\u00e3o \u00e9 o caminho direito para se ser humano, mas torto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_240010\" aria-describedby=\"caption-attachment-240010\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-240010\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"865\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/hu-chen-tCbTGNwrFNM-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-240010\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Hu Chen em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em maio de 2018, Dolores Aveiro disse<\/p>\n<p>\u2014 <em>\u00abj\u00e1 tinha tr\u00eas filhos. Tentei abortar e n\u00e3o consegui. Ainda bem, porque o Cristiano foi a estrela que iluminou a minha vida.\u00bb<\/em> O Cristiano Ronaldo tem inspirado gera\u00e7\u00f5es de jovens a valorizar como o esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o podem levar-nos a realizar alguns dos nossos sonhos, mas se o aborto fosse um direito humano, hoje, n\u00e3o haveria Cristiano Ronaldo. E a pergunta \u00e9 \u00f3bvia: quantos Cristianos Ronaldo n\u00e3o se abortaram j\u00e1? A partir do momento da fecunda\u00e7\u00e3o e do cruzamento gen\u00e9tico proveniente de duas pessoas, come\u00e7a um processo que termina com o choro de um beb\u00e9. Todos pass\u00e1mos por isso.<\/p>\n<p>Quando nos colocamos do ponto de vista do mais fraco, o embri\u00e3o, sabendo que nele est\u00e1 o g\u00e9rmen da consci\u00eancia, o que pensar\u00edamos da ideia de algu\u00e9m de quem fui concebido poder escolher sobre se vivo ou morro? Ser pr\u00f3-escolha n\u00e3o implicar dar essa escolha ao beb\u00e9? A escolha da morte pelo pr\u00f3prio \u00e9 suic\u00eddio, mas a escolha da morte de algu\u00e9m por outrem \u00e9 senten\u00e7a, e cada um de n\u00f3s \u00e9 um p\u00e9ssimo juiz da vida ou morte. Quais s\u00e3o as raz\u00f5es daqueles que se consideram \u201cpr\u00f3-escolha\u201d?<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.guttmacher.org\/journals\/psrh\/2005\/reasons-us-women-have-abortions-quantitative-and-qualitative-perspectives\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>; em 2005 do Instituto Guttmacher, diversos investigadores procuraram conhecer as raz\u00f5es que uma m\u00e3e recorre para justificar a escolha de abortar. As duas raz\u00f5es mais apresentadas s\u00e3o: a interfer\u00eancia que isso produz na educa\u00e7\u00e3o da mulher, no trabalho ou capacidade de cuidar da crian\u00e7a; e a de n\u00e3o poder suportar o custo de um beb\u00e9 naquele momento. Uma terceira raz\u00e3o seria a de n\u00e3o querer ser m\u00e3e solteira ou estar com problemas no relacionamento com o pai. E no que diz respeito \u00e0s m\u00e3es mais jovens, muitas partilham n\u00e3o estarem preparadas para a transi\u00e7\u00e3o da maternidade, enquanto que as m\u00e3es mais velhas citam, frequentemente, como Dolores, a incapacidade de ser respons\u00e1vel por mais um filho. Por que raz\u00e3o n\u00e3o se actuam sobre as raz\u00f5es e se opta para solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil: abortar? Mas n\u00e3o foi isso que mais me chocou neste estudo.<\/p>\n<p>Embora a quest\u00e3o da adop\u00e7\u00e3o n\u00e3o fizesse parte das perguntas, o assunto veio ao de cima espontaneamente. Menos de 1% das mulheres referiu que n\u00e3o considerou a adop\u00e7\u00e3o, mas mais de um ter\u00e7o das entrevistadas disse que consideraram a adop\u00e7\u00e3o, mas conclu\u00edram que era <em>\u00abuma op\u00e7\u00e3o moralmente inconsciente porque dar uma crian\u00e7a a outros \u00e9 errado.\u00bb<\/em> Mas, aparentemente, matar a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>A linguagem usada pelas mulheres que optam por terminar com a vida do seu beb\u00e9 aponta para uma decis\u00e3o baseada na inoportunidade do momento para serem m\u00e3es. N\u00e3o d\u00e1 jeito. Mas o que se demonstra \u00e9 a necessidade de crescermos humanamente na arte de nos \u201cfazermos-um\u201d com o outro. Quando nos \u201cfazemos-um\u201d com os outros, fazemos nossos os sofrimentos e alegrias dos outros. Se uma m\u00e3e sofre porque n\u00e3o se sente capaz de acolher e ajudar a crescer um beb\u00e9, merece todo o nosso apoio. Se uma m\u00e3e sente ser inoportuno ter agora um beb\u00e9, a sociedade deveria assegurar que talvez seja oportuno para um casal que n\u00e3o pode ter filhos e assegurar o encontro de m\u00e3es que permita oferecer \u00e0 crian\u00e7a uma fam\u00edlia onde possa crescer. \u201cFazer-se um\u201d com cada beb\u00e9 implica uma ren\u00fancia das nossas preocupa\u00e7\u00f5es pessoais para nos sensibilizarmos \u00e0 total vulnerabilidade de uma vida cuja causa da fecunda\u00e7\u00e3o pode ser indesejada, mas que n\u00e3o tem qualquer responsabilidade sobre isso.<\/p>\n<p>O direito ao aborto surge da necessidade das mulheres sentirem terem o controlo sobre as suas vidas porque durante mil\u00e9nios foram subjugadas \u00e0 vontade masculina. Quando existem escolhas erradas na vida sexual que levam \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de um beb\u00e9, na pr\u00e1tica, poder\u00edamos argumentar que o beb\u00e9 \u00e9 for\u00e7ado, pela natureza humana, a entrar no seio de uma mulher contra a sua vontade. Por isso, quando a m\u00e3e escolhe retomar o controlo sobre as suas escolhas, e abortar, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que lhe seja dado esse direito? O problema neste racioc\u00ednio vicioso \u00e9 o de que o mesmo poderia ser dito relativo ao beb\u00e9. Isto \u00e9, muitas vezes, ser humano e filho prov\u00e9m da escolha de outros que for\u00e7am a nossa exist\u00eancia no mundo. Mas gra\u00e7as a essa escolha errada, eu vivo, respiro, penso, consolo, ajudo, inspiro. Gra\u00e7as a escolhas erradas ou ac\u00e7\u00f5es criminosas foi-me dada a oportunidade de existir e ser humano.<\/p>\n<p>As leis que facilitam o aborto ignoram a voz daqueles que sobreviveram ao aborto. <a href=\"https:\/\/www.amazon.es\/-\/pt\/dp\/0874867886\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Melissa Ohden<\/a> havia sido abortada com alguns meses e enquanto os m\u00e9dicos e a m\u00e3e decidiam sobre o que haviam de fazer \u00e0 crian\u00e7a, uma enfermeira nota que ela, ofegante, se esfor\u00e7ava por respirar, por viver e decide dar-lhe essa oportunidade. E foi uma gra\u00e7a de Deus porque existem hist\u00f3rias reportadas nos media sobre como aos beb\u00e9s abortados que sobrevivem se lhes quebra o pesco\u00e7o e s\u00e3o deitados ao lixo.<\/p>\n<p>Claire Culwell tamb\u00e9m sobreviveu a um aborto quando a sua m\u00e3e tinha apenas 13 anos. Obrigada pela m\u00e3e a abortar porque resolveria o seu problema, a jovem m\u00e3e de Claire acabou por embarcar numa vida traum\u00e1tica que levaria a l\u00e1grimas tristes quando leu da sua filha, que sobreviveu, a procurou e estava ali diante dela, as palavras escritas num cart\u00e3o \u2014 <em>\u00abobrigado por teres escolhido a vida por mim.\u00bb<\/em> Claire n\u00e3o sabia at\u00e9 \u00e0quele momento que tinha sido uma sobrevivente de um aborto.<\/p>\n<p>Por demasiado tempo a sociedade quer tornar as vozes dos sobreviventes dos abortos irrelevantes porque representam uma contradi\u00e7\u00e3o profunda para todo o movimento a favor do aborto. Mas penso ter chegado o momento de saber aprender com as vozes daqueles que sobreviveram ao aborto de que este n\u00e3o \u00e9 um direito humano, mas um inimigo humano. \u00c9 urgente oferecer uma resposta humana \u00e0s m\u00e3es que temem s\u00ea-lo, dizendo-lhes \u2014 <em>\u00abD\u00e1 uma oportunidade ao teu beb\u00e9. Estamos contigo. A vida escolheu que ele existisse. Quem sabe qual a raz\u00e3o. Deixemos que nas\u00e7a e veremos.\u00bb<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-240009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240009\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}