{"id":23998,"date":"2007-04-11T11:03:54","date_gmt":"2007-04-11T11:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/11\/pascoa-e-jesus\/"},"modified":"2007-04-11T11:03:54","modified_gmt":"2007-04-11T11:03:54","slug":"pascoa-e-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pascoa-e-jesus\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa e Jesus"},"content":{"rendered":"<p>Biblista Joaquim Carreira das Neves fala da investiga\u00e7\u00e3o sobre a figura de Jesus, a prop\u00f3sito do novo livro do Papa, apresentado no Vaticano <!--more--> Perguntava-me, h\u00e1 dias, um jornalista de uma esta\u00e7\u00e3o televisiva o que \u00e9 que a P\u00e1scoa tem a ver com Jesus, e se, hoje em dia, as pessoas ainda pensam em Jesus quando se entregam \u00e0s festas da P\u00e1scoa &#8211; f\u00e9rias, fam\u00edlia, gastronomia. Respondi que depende de quem tem f\u00e9 ou n\u00e3o em Jesus. A pergunta \u00e9 pertinente e as respostas podem ser muitas e variadas, mas a verdade \u00e9 que uma grande parte dos portugueses passa pelas festas da P\u00e1scoa sem saber que esta passagem depende da passagem de Jesus desta terra para o seio do Pai. De facto, P\u00e1scoa significa &#8220;passagem&#8221; e esta passagem come\u00e7a por ser, em tempos de Mois\u00e9s, a passagem da terra da servid\u00e3o &#8211; Egipto &#8211; para a terra da liberdade ou salva\u00e7\u00e3o. Enquanto que no Antigo Testamento esta &#8220;passagem&#8221; \u00e9 intra hist\u00f3rica, ligada a um Deus de um Povo, uma Lei, uma Terra, no Novo Testamento esta &#8220;passagem&#8221; depende da hist\u00f3ria de um Homem &#8211; Jesus de Nazar\u00e9 -, acreditado como Messias, Filho de Deus e Deus-com-Deus. O problema novo colocado \u00e0 sociedade p\u00f3s moderna em que vivemos \u00e9 este: E quem \u00e9 Jesus? Em tempos passados o problema n\u00e3o se punha porque o comum dos crentes aceitava o Jesus da Igreja (cat\u00f3licos, protestantes, ortodoxos). Com as democracias, as pessoas querem pensar a verdade por si, decidirem-se por si, e n\u00e3o pelo que a Igreja diz ser verdade. Gostam de Jesus, aceitam sem pestanejar que ter\u00e1 sido casado com Madalena (C\u00f3digo Da Vinci), aceitam que \u00e9 mais do que natural que o seu t\u00famulo e respectivas ossadas tenha sido encontrado em Jerusal\u00e9m ou, ent\u00e3o, que tenha passado a sua juventude na \u00cdndia, Egipto, a aprender artes m\u00e1gicas e taumat\u00fargicas. Realmente, nestes \u00faltimos dois s\u00e9culos, Jesus foi visto como &#8220;mago&#8221;, &#8220;marxista&#8221;, &#8220;revolucion\u00e1rio zelota&#8221;, &#8220;Messias apocal\u00edptico&#8221;, &#8220;Homem sem ser homem, isto \u00e9, homem apenas de apar\u00eancia&#8221;), &#8220;o maior guru ou avatar de Deus&#8221;, etc. As livrarias est\u00e3o cheias deste Jesus eso-t\u00e9rico, que a todos agrada e a todos atinge. H\u00e1 uma nova demanda de Jesus. O autor da primeira carta de Jo\u00e3o j\u00e1 escrevia nos finais do s\u00e9culo primeiro: &#8220;Car\u00edssimos, n\u00e3o deis f\u00e9 a qualquer esp\u00edrito (pessoa), mas examinai se os esp\u00edritos (pessoas crentes) s\u00e3o de Deus, pois muitos falsos profetas apareceram no mundo. Reconhecei que o esp\u00edrito (pessoa crente) \u00e9 de Deus por isto: todo o esp\u00edrito que confessa que Jesus Cristo veio em carne mortal \u00e9 de Deus; e todo o esp\u00edrito que n\u00e3o faz esta confiss\u00e3o de f\u00e9 acerca de Jesus n\u00e3o \u00e9 de Deus (1Jo 4, 1-2; ver 2Jo 7). Naquele tempo havia entre os crist\u00e3os muitos docetas, isto \u00e9, crentes que viam em Jesus apenas Algu\u00e9m de natureza divina, mas n\u00e3o humana. Nos s\u00e9culos II-IV, estes crentes, agora auto nomeados &#8220;gn\u00f3sticos&#8221;, multiplicaram-se e deixaram os seus livros, muitos deles descobertos ultimamente em Nag-Hammadi, no Egipto. Quem \u00e9, ent\u00e3o, o real e verdadeiro Jesus? Dif\u00edcil de responder apenas \u00e0 luz da hist\u00f3ria. Talvez que o leitor perceba melhor este assunto a partir de um livro que foi publicado em Portugal apenas h\u00e1 um m\u00eas: O Evangelho Segundo Judas, narrado por Jeffrey Archer e Francis J. Moloney. Trata-se de um romancista e de um biblista (cat\u00f3lico) americanos. Na Am\u00e9rica \u00e9 um grande best-seller, e o mesmo acontece no mundo ocidental. Nada tem a ver com o Evangelho de Judas, descoberto no Egipto h\u00e1 uns trintas anos e publicado h\u00e1 uns tr\u00eas meses, de sabor gn\u00f3stico. Os autores deste novo &#8220;Evangelho Segundo Judas&#8221; apresentam uma obra de fic\u00e7\u00e3o: colocam um presum\u00edvel filho de Judas Iscariotes, chamado Benjamim Iscariotes, a falar de Jesus segundo a narrativa que o seu pai, o ap\u00f3stolo Judas Iscariotes, lhe transmitira. E o que lhe transmitiu foi o grande amor e dedica\u00e7\u00e3o do pai por Jesus, mas numa perspectiva apenas religiosa e pol\u00edtica de messianismo nacionalista judaico. Os autores misturam os dizeres do pai Judas com textos b\u00edblicos do Antigo e Novo Testamento. Neste aspecto, o livro est\u00e1 muito bem concebido porque o ap\u00f3stolo Judas Iscariotes lutou para que o seu amigo e mestre Jesus implantasse o Reino de Deus na Terra de Israel. N\u00e3o apenas Judas Iscariotes; tamb\u00e9m Sim\u00e3o Pedro e todos os demais ap\u00f3stolos. Significa isto que o drama verdadeiro do Jesus da hist\u00f3ria consiste em implantar o Reino de Deus na hist\u00f3ria judaica segundo a vis\u00e3o messi\u00e2nica pol\u00edtica do mes-sianismo dav\u00eddico, do messianismo apocal\u00edptico, ou, ent\u00e3o, do messianismo diferente, o do Servo de Deus, na linha do que fora profetizado em Isa\u00edas 52, 13-53, 12 (ver Deuteron\u00f3mio 18, 15-18; Zacarias 9, 9-10; 12, 10: &#8220;Eles contemplar\u00e3o aquele a quem trespassaram\u2026&#8221;). Nas narrativas da tenta\u00e7\u00e3o, o Diabo tentou Jesus para que Ele se envolvesse neste messianismo dav\u00eddico, pol\u00edtico e apocal\u00edptico. Jesus n\u00e3o aceitou a tenta\u00e7\u00e3o e, mais tarde, classificou Sim\u00e3o Pedro de &#8220;Satan\u00e1s&#8221; porque o &#8220;primeiro ap\u00f3stolo&#8221; tamb\u00e9m pensava desta maneira (Mateus 16, 23). Os falsos &#8220;messias&#8221; Te\u00fadas e Judas o Galileu de Actos 5, 36-37 assim agiram. Tamb\u00e9m assim pensaram os judeus zelotas dos anos 66-70 d. C., envolvidos numa guerra religiosa, messi\u00e2nica, contra os romanos. Em sentido contr\u00e1rio, o Reino messi\u00e2nico de Jesus termina numa Cruz. Os seus disc\u00edpulos abandonam-no e s\u00f3 voltam para Ele por obra e gra\u00e7a da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Quem \u00e9, ent\u00e3o, Jesus? N\u00e3o pode ser o Jesus &#8220;guru&#8221; ou &#8220;avatar&#8221; hindu porque a sua vida foi totalmente judaica e s\u00f3 judaica. N\u00e3o pode ser o Jesus &#8220;marxista&#8221; porque pregou o perd\u00e3o e o amor e n\u00e3o a luta de classes. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser o Jesus &#8220;mago&#8221; porque o cerne da sua prega\u00e7\u00e3o consiste nas par\u00e1bolas e n\u00e3o nos milagres e nem os milagres s\u00e3o realizados com f\u00f3rmulas m\u00e1gicas. S\u00f3 pode ser um Messias de caris religioso e pol\u00edtico, na dimens\u00e3o judaica dav\u00eddica, de poder divino que derrote e esmague os seus inimigos romanos e maus judeus, ou na dimens\u00e3o apocal\u00edptica, tamb\u00e9m de poder divino, instant\u00e2neo, como uma rajada de vento que tudo arrase e ven\u00e7a, limpando a eira humana de todos os pecados e injusti\u00e7as (Jo\u00e3o Baptista em Mateus 3, 7-10), ou, finalmente, um Messias \u00e0 maneira do Servo de Deus de Isa\u00edas, que se entrega em obla\u00e7\u00e3o redentora ao Pai e \u00e0 Humanidade, no sil\u00eancio e sangue da Cruz (Mateus 12, 15-21; 16, 25; 20, 20-23). O verdadeiro Jesus da hist\u00f3ria \u00e9 o verdadeiro Jesus da f\u00e9 crist\u00e3, na sequ\u00eancia das suas palavras em Mateus 20, 28: &#8220;Tamb\u00e9m o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a todos&#8221;.  Joaquim Carreira das Neves Biblista <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biblista Joaquim Carreira das Neves fala da investiga\u00e7\u00e3o sobre a figura de Jesus, a prop\u00f3sito do novo livro do Papa, apresentado no Vaticano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[104,206,211,275],"class_list":["post-23998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-america","tag-familia","tag-ferias","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}