{"id":239541,"date":"2022-05-08T09:30:05","date_gmt":"2022-05-08T08:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=239541"},"modified":"2022-05-06T11:23:57","modified_gmt":"2022-05-06T10:23:57","slug":"a-sustentabilidade-das-nossas-ipss-a-nivel-nacional-e-preocupante-manuel-borges","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-sustentabilidade-das-nossas-ipss-a-nivel-nacional-e-preocupante-manuel-borges\/","title":{"rendered":"\u00abA sustentabilidade das nossas IPSS a n\u00edvel nacional, \u00e9 preocupante\u00bb &#8211; Manuel Borges"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente da Uni\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social de Vila Real refor\u00e7a alerta deixado pelos bispos portugueses, no comunicado final da \u00faltima assembleia plen\u00e1ria<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_239543\" aria-describedby=\"caption-attachment-239543\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-239543 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/manuel_borge_municipio_boticas-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239543\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Borges (centro)<br \/>Foto: C. M. Boticas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>O alerta do Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social &#8211; mais um &#8211; significa que as IPSS enfrentam uma realidade dram\u00e1tica?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a sustentabilidade das nossas IPSS a n\u00edvel nacional, \u00e9 preocupante, elas sofreram um forte impacto da pandemia. Todos n\u00f3s procuramos refletir o menos poss\u00edvel nos nossos utentes essa pandemia, mas n\u00e3o foi sempre poss\u00edvel. Ao mesmo tempo, procuramos refletir nas IPSS todos os gastos e custos que tivemos com isso, deixar isso para as nossas contas.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, se analisarmos bem aquilo que est\u00e1, digamos, estruturado &#8211; nomeadamente se lermos o estudo que foi feito pela Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa- sabemos que a sustentabilidade das IPSS est\u00e1 muito dependente daquilo que o Estado nos injeta. Isto \u00e9, nos protocolos assinados e acordos assinados connosco. Cerca de 40% das nossas IPSS t\u00eam resultados negativos no exerc\u00edcio das contas anualmente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Falemos ent\u00e3o um pouco da realidade da Diocese de Vila Real. Tem not\u00edcia de Institui\u00e7\u00f5es que tenham tido necessidade de fechar portas nos \u00faltimos tempos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o temos conhecimento de nenhuma IPSS que tenha fechado, at\u00e9 porque numa altura em que as dificuldades s\u00e3o maiores, as Institui\u00e7\u00f5es t\u00eam de fazer tudo o que \u00e9 poss\u00edvel para socorrer as pessoas. Por isso, seria muito mau que alguma fechasse numa altura de grande crise. E isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>As IPSS &#8211; sejam elas ligadas \u00e0 Igreja, sejam tamb\u00e9m algumas Miseric\u00f3rdias, e as outras, chamadas associa\u00e7\u00f5es normais, que s\u00e3o constitu\u00eddas por cidad\u00e3os que se organizam \u2013 todas elas demostraram durante esse tempo que tinham alguma resili\u00eancia. Contudo, essa resili\u00eancia agora foi-se perdendo e \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado venha, digamos, compensar de alguma forma esse esfor\u00e7o que foi feito.<\/p>\n<p>Devo dizer que, neste momento, estamos a contar que a tutela fa\u00e7a um aumento dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o e da comparticipa\u00e7\u00e3o, no sentido de minimizar esses mesmos custos que n\u00f3s tivemos, e aumentar as nossas receitas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas at\u00e9 onde \u00e9 que vai essa capacidade de resili\u00eancia? H\u00e1 mesmo institui\u00e7\u00f5es que podem ter que fechar?<\/em><\/p>\n<p>Eu acredito que n\u00f3s vamos conseguir, embora o poder local comparticipe muito pouco &#8211; cerca de 1% , falando em valores a n\u00edvel nacional, porque depois h\u00e1 concelhos com comparticipa\u00e7\u00e3o maior ou menor.\u00a0 Cada vez mais a parte municipal est\u00e1 atenta \u00e0quilo que anda \u00e0 sua volta e sempre que alguma IPSS est\u00e1 em dificuldades, o pr\u00f3prio munic\u00edpio, o pr\u00f3prio senhor presidente, vem a terreiro e tenta de alguma forma ajudar. E isso tem-se refletido no dia a dia. Espero que nenhuma das nossas IPSS v\u00e1 \u00e0 fal\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 a realidade atual das Institui\u00e7\u00f5es a que preside?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu devo dizer que a popula\u00e7\u00e3o abrangida na \u00e1rea, por exemplo das creches fica aqu\u00e9m das nossas capacidades, pois n\u00f3s temos 48 equipamentos, com a capacidade instalada de 1930 e temos apenas 1530 utentes. De facto, h\u00e1 aqui um desfasamento de cerca de 400, porque cada vez a natalidade \u00e9 menor.<\/p>\n<p>Em termos de popula\u00e7\u00e3o adulta &#8211; e estamos a falar de centros de dias que s\u00e3o important\u00edssimos para a popula\u00e7\u00e3o poder conviver e ter ali alguma participa\u00e7\u00e3o conjunto -temos 49 equipamentos, com uma capacidade instalada de 1164 e apenas temos 479 utentes. E aqui \u00e9 o pormenor da pandemia desses dois anos. As pessoas deixaram de ir para o centro dia, isolaram-se, e os centros de dia, neste momento, t\u00eam de fazer uma recupera\u00e7\u00e3o. Esperamos faz\u00ea-la rapidamente no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Em termos dos chamados lares, ERPIS &#8211; estruturas residenciais para pessoas idosas- temos cerca de 87 equipamentos, temos uma capacidade instalada de 3145 no nosso distrito, mas est\u00e1 completamente esgotada. A n\u00edvel das pessoas com defici\u00eancia, e isto tamb\u00e9m \u00e9 importante, temos apenas cinco lares residenciais, e com capacidade instalada de 90. Est\u00e1 esgotad\u00edssimo e espero que agora, com a candidatura que houve ao PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais) sejam aprovados, pelo menos, mais tr\u00eas ou quatro, e esperamos que rapidamente sejam constru\u00eddos. A resposta por excel\u00eancia &#8211; eu n\u00e3o vou deixar de falar disso &#8211;\u00a0que \u00e9 o servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio, \u00e9 aquele servi\u00e7o que \u00e9 prestado \u00e0s pessoas que est\u00e3o nas pr\u00f3prias habita\u00e7\u00f5es. E este servi\u00e7o \u00e9 importante porque, quanto mais tarde tirarmos essas pessoas para os lares, melhor. Isto \u00e9, as pessoas est\u00e3o nas suas comunidades, nos seus locais que gostam, conhecem os seus h\u00e1bitos todos&#8230;Por isso, o SAD- o\u00a0servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio &#8211; \u00a0\u00e9 o servi\u00e7o para a excel\u00eancia e que devia ser enriquecido.\u00a0\u00a0 Neste momento, o Governo tem um projeto de forma a uma comparticipa\u00e7\u00e3o diferenciada para os v\u00e1rios servi\u00e7os. Devo-lhe dizer que n\u00f3s temos cerca de 90 equipamentos, s\u00f3 na\u00a0rede solid\u00e1ria. Temos a capacidade instalada de 4391 e temos neste momento 3215 utentes. Tamb\u00e9m isto \u00e9 importante porque aqui \u00e9 um lugar onde se deve investir.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_239519\" aria-describedby=\"caption-attachment-239519\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/img_vila_real.webp\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-239519\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/img_vila_real.webp\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239519\" class=\"wp-caption-text\">Foto: UDIPSS Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Merece aqui um sublinhado o facto de, aparentemente, no que diz respeito ao apoio \u00e0 defici\u00eancia, haver car\u00eancia e, nesta altura haver abund\u00e2ncia e receio por parte dos utentes para a frequ\u00eancia dos centros de dia?<\/em><\/p>\n<p>Sim \u00e9 verdade. Os centros de dia foi a maior &#8211; vou utilizar aqui um terno forte \u2013 foi a maior machadada que as IPSS levaram.\u00a0 Ningu\u00e9m queria ir para o centro de dia. E a verdade \u00e9 que ir para um centro de dia, e estar de m\u00e1scara e n\u00e3o se poder aproximar uns dos outros, como \u00e9 que isso poderia resultar?<\/p>\n<p>Estes centros de dia foram, digamos, esvaziados. Agora est\u00e1-se a ganhar confian\u00e7a. Estamos neste momento a voltar a trazer, embora com muita calma, com muita pondera\u00e7\u00e3o, tentamos influenciar as pessoas, porque os nossos idosos, pensam: Ent\u00e3o\u00a0vou para l\u00e1, e v\u00e3o-me pegar a doen\u00e7a! Est\u00e1-se a fazer um trabalho e esperamos que rapidamente, no pr\u00f3ximo ano n\u00f3s consigamos trazer para o interior das nossas instala\u00e7\u00f5es, para o centro de dia, os nossos idosos porque t\u00eam de conviver.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Com a subida do pre\u00e7o dos combust\u00edveis, sobretudo nas localidades que s\u00e3o mais do interior, a dificuldade acentua-se pela necessidade de chegar mais longe?<\/em><\/p>\n<p>Temos essas dificuldades com os aumentos da energia, nomeadamente dos combust\u00edveis, mas tamb\u00e9m a parte da energia el\u00e9trica. Estamos a falar em termos de desloca\u00e7\u00e3o das viaturas, tamb\u00e9m na quest\u00e3o do aquecimento. Eu dou-lhe s\u00f3 a t\u00edtulo de exemplo o caso de Montalegre: \u00e9 um concelho com mais de 800 quil\u00f3metros quadrados, tem cerca de 10 500 habitantes e cerca de 4200\u00a0fam\u00edlias.\u00a0 Tem 135 aldeias, este n\u00famero \u00e9\u00a0importante e t\u00eam oito IPSS.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E \u00e9 preciso chegar a todos\u2026<\/em><\/p>\n<p>E a dificuldade est\u00e1 aqui. Isto \u00e9, n\u00f3s temos IPSS que se deslocam 35 quil\u00f3metros, algumas ainda mais, para ir levar uma \u00fanica refei\u00e7\u00e3o a um casal, ou a um utente.\u00a0A IPSS n\u00e3o o pode deixar abandonado. N\u00e3o pode dizer: \u2018n\u00e3o, isso custa-nos mais e n\u00f3s n\u00e3o podemos c\u00e1 vir\u2019. Pelo contr\u00e1rio, estamos c\u00e1 para servir. Isto \u00e9 importante. E \u00e9 importante tamb\u00e9m, por exemplo, lembrar que em Montalegre, o aquecimento das instala\u00e7\u00f5es das IPSS tem de ser feito cerca de oito meses durante o ano. Se formos ver ao litoral ou ao sul, isso n\u00e3o acontece. No caso de Tr\u00e1s-os-Montes, nomeadamente em Montalegre, e todos os concelhos do interior de Bragan\u00e7a e Vila Real tamb\u00e9m, existe este problema. O aquecimento das nossas IPSS fica-nos demasiado caro e o custo neste momento do g\u00e1s e tamb\u00e9m no que respeita ao combust\u00edvel para as viaturas \u00e9 um acr\u00e9scimo substancial \u00e0 sustentabilidade das\u00a0 IPSS.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Deveria haver um subs\u00eddio para compensar as institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que eu devo dizer \u00e9 que deveria haver alguma diferencia\u00e7\u00e3o positiva. No nosso distrito temos 106 IPSS ativas, num total 157. De qualquer forma, destas 106, como v\u00ea, todas elas t\u00eam uma capilaridade junto das popula\u00e7\u00f5es. Procuramos aproximar e cumprir esse objetivo, mas nem sempre isto \u00e9 f\u00e1cil, porque o que acontece \u00e9 que n\u00f3s estamos numa \u00e1rea em que existe desertifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. As nossas aldeias t\u00eam s\u00f3 idosos e poucos, e isso obriga-nos a fazer sempre um deslocamento sempre muito grande, com custos enormes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A infla\u00e7\u00e3o e a anunciada subida dos juros do cr\u00e9dito habita\u00e7\u00e3o, por exemplo, potenciam novas dificuldades \u00e0s fam\u00edlias. Ali\u00e1s, ainda recentemente, a C\u00e1ritas Diocesana de Vila Real revelava que muitos dos seus apoios eram canalizados para ajudar fam\u00edlias a pagar rendas. Este \u00e9 mais um fator de incerteza para as IPSS da Diocese de Vila Real?<\/em><\/p>\n<p>Garantidamente, temos aqui um problema e este problema tem a ver com isto: como sabemos, a comparticipa\u00e7\u00e3o familiar dos utentes que est\u00e3o nas respostas sociais \u00e9 de cerca de 33%; depois, Estado compensa com cerca de 38%, ficando o remanescente em cerca de 29%. As nossas autarquias d\u00e3o aqui cerca de 1,5% que tamb\u00e9m para o bolo necess\u00e1rio a cada resposta. Existe aqui \u00a0cerca de 26, 27% &#8211; \u00a0depende da localidade do pa\u00eds \u2013 e cada IPSS tem de buscar esse valor a algum lado, mas cada vez mais as nossas fam\u00edlias, que deveriam comparticipar, t\u00eam elas pr\u00f3prias dificuldades. N\u00f3s sabemos que o cabaz de alimentos est\u00e1 a aumentar substancialmente; sabemos que os combust\u00edveis tamb\u00e9m s\u00e3o importantes &#8211; lembro, por exemplo, o g\u00e1s para confecionar os alimentos, que tamb\u00e9m tem aumentado. Isso faz com que os familiares, que poderiam ajudar mais, ajudem menos, automaticamente. Isso reflete-se a todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>As nossas IPSS n\u00e3o est\u00e3o vocacionadas para apoiar fam\u00edlias isoladas, a n\u00e3o ser com alimentos, com os cabazes &#8211; e n\u00f3s estamos constantemente a receber pedidos de Juntas de Freguesia, C\u00e2maras Municipais e outras entidades ligadas \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, para que as IPSS se cheguem \u00e0 frente e atribuam cabazes sempre que poss\u00edvel, para refor\u00e7ar o apoio alimentar. Porque, neste momento, n\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s temos falado de v\u00e1rios problemas. J\u00e1 abord\u00e1mos um deles, que j\u00e1 referiu a quest\u00e3o do inverno demogr\u00e1fico, do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, do isolamento. N\u00e3o se tem conseguido criar as condi\u00e7\u00f5es para evitar este despovoamento consecutivo. Que solu\u00e7\u00f5es \u00e9 que defende para combater efetivamente este problema?<\/em><\/p>\n<p>Eu sou muito radical, mas claro que ningu\u00e9m vai entender o que vou dizer: n\u00f3s s\u00f3 temos que fazer regressar os nossos. Tr\u00e1s-os-Montes tem milhares de emigrantes est\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a, que est\u00e3o na Fran\u00e7a, que est\u00e3o na B\u00e9lgica e outros pa\u00edses. Ora, n\u00f3s n\u00e3o temos que fazer regressar os todos. Temos de fazer regressar alguns e para isso temos de fazer uma coisa muito simples: que os nossos familiares que est\u00e3o do outro lado regressem \u00e0s nossas terras. Seria uma coisa muito simples, teria de haver uma discrimina\u00e7\u00e3o positiva, isto \u00e9, que os nossos emigrantes pudessem regressar e tivessem, neste caso, um sal\u00e1rio melhor, menores descontos ao Estado, uma benesse por estar c\u00e1 e eles agradeceriam.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a \u201cimportar\u201d estrangeiros e precisamos c\u00e1 deles. \u00c9 o caso de ucranianos, temos IPSS com funcion\u00e1rios que vieram da Ucr\u00e2nia, que est\u00e3o c\u00e1. \u00c9 verdade que n\u00f3s gostar\u00edamos de ter c\u00e1 os nossos, mas para isso temos de os fazer regressar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Foi falando da necessidade de o Estado ter uma maior aten\u00e7\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es. Faltam apoios, ajustados \u00e0s reais necessidades? <\/em><\/p>\n<p>Sim. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, nos \u00faltimos dois anos, o Estado &#8211; fruto da pandemia e da necessidade de ajudar as IPPS &#8211; , teve um aumento substancial de algumas respostas, que de alguma forma ultrapassou os 10%. \u00c9 interessante isso, foi bom, mas \u00e9 pouco. \u00c9 pouco, porque o custo das respostas est\u00e3o ainda muito elevados.<\/p>\n<p>O compromisso de Coopera\u00e7\u00e3o e Solidariedade foi no sentido de que nos pr\u00f3ximos tempos \u2013 n\u00f3s esperamos que seja nesta Legislatura, nestes pr\u00f3ximos quatro anos -, se consiga que o Estado chegue aos 50% de custos das respostas, \u00e9 importante que assim seja. N\u00f3s, os outros 50%, iremos buscar aos utentes, aos familiares e outras receitas que possamos ter.<\/p>\n<p>Mas o Estado tem de seguramente subir a sua comparticipa\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 prometido, n\u00f3s esperamos que rapidamente isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 disse que que n\u00e3o espera que as institui\u00e7\u00f5es fechem, porque elas efetivamente t\u00eam uma resili\u00eancia hist\u00f3rica que as faz permanecer junto das popula\u00e7\u00f5es. O que resta a estas pessoas, se as institui\u00e7\u00f5es sa\u00edrem do terreno, de junto, delas, ficam ao abandono? <\/em><\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 pertinente. As nossas IPSS est\u00e3o nas freguesias, em todo o territ\u00f3rio: elas, em si, s\u00e3o importantes na fixa\u00e7\u00e3o das pessoas. H\u00e1 de reparar que \u00e9 uma IPSS que nasce numa freguesia &#8211; umas mais que outras ter\u00e3o dez, ter\u00e3o 20 ou 30 trabalhadores, algumas s\u00f3 ter\u00e3o cinco ou seis &#8211; isso \u00e9 uma forma de fixar algu\u00e9m. Se as IPSS n\u00e3o existissem, qualquer dia n\u00e3o ter\u00edamos l\u00e1 ningu\u00e9m e \u00e9 preciso fazer alguma coisa para que essas IPSS, tamb\u00e9m elas, n\u00e3o desapare\u00e7am. Eu espero que as nossas IPSS, embora sejam pequenas, e se mantenham, porque elas s\u00e3o uma parte importante das pessoas que habitam, que est\u00e3o nesses lugares e que n\u00f3s temos de fixar l\u00e1.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E o conhecimento do terreno que estas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam. N\u00e3o deveria ser mais potenciado ou mais bem aproveitado?<\/em><\/p>\n<p>Poderiam certamente fazer outras coisas. \u00c9 verdade que algumas empresas de transportes est\u00e3o a fazer acordos, no sentido de n\u00f3s fazermos alguma distribui\u00e7\u00e3o daqueles pacotes que v\u00eam agora nas compras online, mas acho que \u00e9 muito pouco. N\u00f3s poder\u00edamos fazer muito mais. \u00c9 verdade que as Juntas de Freguesia, hoje, j\u00e1 prestam um conjunto de servi\u00e7os que, de alguma forma, vem colmatar as necessidades. Mas as IPSS seriam um foco onde o Estado poderia investir e n\u00f3s poder\u00edamos fazer algumas coisas. Isso era important\u00edssimo. Agora ter\u00e1 de ser estudado e ver aqueles servi\u00e7os que as pr\u00f3prias IPSS poder\u00e3o fazer. Porque numa IPSS que tenha dez utentes n\u00e3o ganhamos para ter um telefonista ou para ter um atendedor, temos de ser polivalentes, sempre a fazer um pouco tudo. Se alguns servi\u00e7os viessem para junto das IPSS, a n\u00edvel de correios e de pagamentos \u2013 que j\u00e1 fazemos, mas a expensas pr\u00f3prias, recolhemos aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio pagar: os telefones, pagar os impostos das finan\u00e7as, fazer um conjunto de coisas, v\u00e3o os nossos colaboradores fazer isso, \u00e0 vila ou \u00e0 cidade -, seria uma forma de rentabilizar. Mas isto tem de ser tratado com a tutela, estamos abertos para isso, certamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fal\u00e1vamos ainda h\u00e1 pouco dos recentes dois anos de pandemia, que deixaram certamente uma marca muito significativa na popula\u00e7\u00e3o, nos utentes das Institui\u00e7\u00f5es. Especificamente no caso da popula\u00e7\u00e3o mais idosa, e do seu ponto de vista, quais devem ser as prioridades no acompanhamento, depois desta experi\u00eancia pand\u00e9mica? <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que tem de ser um acompanhamento de proximidade, cada vez mais, perante o isolamento que sofreram essas pessoas que estavam nas aldeias &#8211; estamos a falar em isolamento da pr\u00f3pria fam\u00edlia que estava ali \u00e0 volta, daquilo que n\u00f3s chamamos de rede de proximidade solid\u00e1ria que os vizinhos que vinham falar. Isso desapareceu. Est\u00e1 a tentar voltar agora, mas n\u00e3o \u00e9 uma coisa muito f\u00e1cil, muito pelo contr\u00e1rio. Muito pelo contr\u00e1rio. Acontece que as pessoas ainda t\u00eam alguma dificuldade em se aproximar.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos aldeias no Concelho de Vila Pouca de Aguiar que t\u00eam dois habitantes e est\u00e3o completamente isolados. S\u00f3 v\u00e3o \u00e0 feira, sei l\u00e1, de m\u00eas a m\u00eas. Isto n\u00e3o pode ser.<\/p>\n<p>Temos de fazer um acompanhamento de proximidade. Temos de falar com as pessoas, porque se elas n\u00e3o falarem, ainda se isolam muito mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Uni\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social de Vila Real refor\u00e7a alerta deixado pelos bispos portugueses, no comunicado final da \u00faltima assembleia plen\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":239543,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[183,314],"class_list":["post-239541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-vila-real","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239541\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}