{"id":23945,"date":"2007-04-08T20:14:54","date_gmt":"2007-04-08T20:14:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/08\/homilia-da-vigilia-pascal-do-bispo-de-lamego\/"},"modified":"2007-04-08T20:14:54","modified_gmt":"2007-04-08T20:14:54","slug":"homilia-da-vigilia-pascal-do-bispo-de-lamego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-vigilia-pascal-do-bispo-de-lamego\/","title":{"rendered":"Homilia da Vig\u00edlia Pascal do Bispo de Lamego"},"content":{"rendered":"<p>A Eucaristia desta Vig\u00edlia \u00e9 o \u00e1pice do Tr\u00edduo Pascal e de todo o ano lit\u00fargico. Engloba em si a densidade das celebra\u00e7\u00f5es anteriores: a \u00faltima Ceia, a Paix\u00e3o e Morte do Senhor e o mist\u00e9rio da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.  Exultamos com o Senhor que passou da morte para a vida, \u201cmist\u00e9rio e transcend\u00eancia\u201d, acontecimento a que ningu\u00e9m assistiu, mas realidade que o sinal do sepulcro vazio e as apari\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o comprovam irrefutavelmente. \u00c9 o que celebramos aqui e agora e que a liturgia da luz t\u00e3o sugestivamente evocou.  Os sinos, emudecidos desde o Gloria da Ceia do Senhor, irromperam h\u00e1 instantes num repique festivo, como a emoldurar o Aleluia, palavra intraduz\u00edvel, mas que condensa todos os sentimentos da alegria pascal.  Vivemos a Vig\u00edlia Pascal, M\u00e3e de todas as vig\u00edlias, como S. Agostinho a denomina. Recordemos uma vez mais a doutrina do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica:  \u201cPartindo do Tr\u00edduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurrei\u00e7\u00e3o enche todo o ano lit\u00fargico da sua claridade \u2026 A economia da salva\u00e7\u00e3o realiza-se no quadro do tempo, mas a partir da P\u00e1scoa de Jesus e da efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o fim da hist\u00f3ria \u00e9 antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo. \u00c9 por isso que a P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma festa entre as outras: \u00e9 a \u00abfesta das festas\u00bb, a \u00absolenidade das solenidades\u00bb \u2026 O mist\u00e9rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o, em que Cristo aniquilou a morte, penetra no nosso velho tempo com a sua poderosa energia, at\u00e9 que tudo lhe seja submetido.\u201d  A Cruz que ontem adoramos bem erguida, trof\u00e9u da nossa Reden\u00e7\u00e3o, como que se estilizou no c\u00edrio luminoso, s\u00edmbolo de \u201cCristo que se levanta glorioso do t\u00famulo\u201d, \u201ccoluna de fogo que dissipa as trevas do pecado, quebra as cadeias da morte\u201d, e torna \u201ca noite brilhante como o dia, e a escurid\u00e3o clara como a luz\u201d, cantou o Di\u00e1cono no Prec\u00f3nio Pascal. \u00c9 esta a luz que enche a Catedral e nos foi comunicada, significando a nossa participa\u00e7\u00e3o na vida do Ressuscitado.  Esta Vig\u00edlia \u00e9 igualmente a celebra\u00e7\u00e3o da nossa vida de baptizados, mortos e sepultados em Cristo, e com Ele ressuscitados \u2013 lembrou-nos S. Paulo na leitura do Novo Testamento  O nosso Deus \u00e9 um Deus que ama, que tem um cora\u00e7\u00e3o de carne,  proclamava ontem \u00e0 noite  Bento XVI, no fim da Via-Sacra do Coliseu, e porque ama, comunica a vida, assim o revelou o tesouro maravilhoso da Palavra de Deus, hoje demoradamente proclamada, recordando os acontecimentos mais significativos da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, misterioso des\u00edgnio do amor de Deus, amor-doa\u00e7\u00e3o, em favor da humanidade.  Voltamo-nos para Cristo Ressuscitado, para dizer-lhe, humildes como Pedro, mas igualmente comprometidos e cheios de entusiasmo: Senhor, Tu sabes que Te amo; ou para, como S. Paulo que O descobriu na estrada de Damasco, confessarmos a refer\u00eancia essencial e absoluta que Ele \u00e9 para n\u00f3s: Para mim viver \u00e9 Cristo.  Ele \u00e9 a vida nova que recebemos no Baptismo. Essa vida faz renascer o Jos\u00e9 Jo\u00e3o Marques Cardoso, ainda crian\u00e7a, mas j\u00e1 consciente da import\u00e2ncia do momento que vai viver.  Vem a prop\u00f3sito lembrar de novo a afirma\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Christifideles Laici: \u201cN\u00e3o \u00e9 exagero dizer que toda a exist\u00eancia do fiel leigo tem por finalidade lev\u00e1-lo a descobrir a radical novidade crist\u00e3 que promana do Baptismo, sacramento da f\u00e9, a fim de poder viver as suas exig\u00eancias segundo a voca\u00e7\u00e3o que recebeu de Deus\u201d.  Participar de modo respons\u00e1vel na Eucaristia desta Vig\u00edlia \u00e9 tomar consci\u00eancia da nossa identidade crist\u00e3 e assumir com generosidade uma posi\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca pelo Senhor.  O Evangelho que acab\u00e1mos de ouvir refere o comportamento das mulheres que ao romper da manh\u00e3 acorreram ao sepulcro com os perfumes que tinham preparado e encontraram a pedra do sepulcro removida, mas n\u00e3o viram o corpo do Senhor. Primeiro perplexas e amedrontadas diante dos dois homens com vestidos resplandecentes, depois, ouvidas as suas palavras \u2013 Porque buscais entre os mortos Aquele que est\u00e1 vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui: ressuscitou &#8211;  pressurosas e cheias de alegria, a correr, a comunicar aos onze a Boa Nova. N\u00e3o obstante a desconfian\u00e7a dos ap\u00f3stolos que tomaram a novidade por um desvario, ningu\u00e9m mais as demover\u00e1 da sua convic\u00e7\u00e3o. As mulheres, porque mais sens\u00edveis ao amor, \u201cs\u00e3o as primeiras junto \u00e0 sepultura, s\u00e3o as primeiras a encontr\u00e1-la vazia\u201d, e as escolhidas para iniciar a miss\u00e3o fundamental da Igreja: a evangeliza\u00e7\u00e3o, o an\u00fancio de Cristo Ressuscitado.  N\u00e3o faltaram ao longo dos dois mil\u00e9nios de cristianismo e em todos os s\u00e9culos, testemunhos de tantas e de tantos que continuaram o an\u00fancio da Boa Nova, alguns at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o das suas for\u00e7as f\u00edsicas ou at\u00e9 ao sacrif\u00edcio da vida. Quero sublinhar mais uma vez a determina\u00e7\u00e3o de tantos crist\u00e3os da Igreja de Lamego, que no recente referendo sobre o aborto, defenderam corajosamente, sem ambiguidades, os valores da vida. \u00c9 sempre a hora de definir serenamente as nossas convic\u00e7\u00f5es e assumi-las com humildade, mas desassombro.  A Eucaristia torna presente &#8211; com toda a objectividade que a palavra \u00abpresente\u00bb  comporta \u2013 o mist\u00e9rio que celebramos. \u00c9 a P\u00e1scoa perpetuada.   Nem todos os comportamentos s\u00e3o edificantes como os que acima enunciei. Por isso a Eucaristia e tamb\u00e9m a P\u00e1scoa s\u00e3o sempre tens\u00e3o para a meta e desafio de miss\u00e3o, como Bento XVI ilustra bem na sua Exorta\u00e7\u00e3o sobre a Eucaristia. Em ordem a um compromisso mais conscientemente assumido, porque n\u00e3o recordar os esc\u00e2ndalos de todas as mis\u00e9rias, as mortes \u00e0 fome e aos milhares, por indig\u00eancia, ao lado de riquezas esbanjadas; a crueldade e a viol\u00eancia de todas as guerras e terrorismos; a ignom\u00ednia das mortes silenciosas, fruto dos crimes de aborto que infelizmente tantos portugueses quiseram legalizar; a corrup\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, a explora\u00e7\u00e3o sexual; todos os atentados \u00e0 dignidade do homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, e \u00e0 dignidade e estabilidade da fam\u00edlia, criada por Deus e que por isso n\u00e3o pode estar \u00e0 merc\u00ea de caprichos ou modas que s\u00e3o aberra\u00e7\u00f5es; todas as manifesta\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o moral, despudoradamente e atrevidamente patenteadas, em nome duma liberdade que \u00e9 libertinagem; as marginaliza\u00e7\u00f5es de origem variada, os campos de morte como s\u00e3o tantas vezes os campos dos refugiados, sem um m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es; a habilidade fraudulenta de algumas empresas deixando no desemprego e no desespero honestos trabalhadores, ou a injusti\u00e7a dos trabalhadores que levam \u00e0 fal\u00eancia a fonte do trabalho, garantia duma vida equilibrada; a delapida\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel das riquezas da terra, gerando desigualdades que bradam aos c\u00e9us?  Mas a tens\u00e3o e a miss\u00e3o a que a P\u00e1scoa do Senhor e a Eucaristia nos desafiam, \u00e9 est\u00edmulo a restaurar a justi\u00e7a, a apressar a reconcilia\u00e7\u00e3o, a construir a paz. Tal s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s dum abandonar das estruturas da morte e do pecado, dum caminho de convers\u00e3o, dum renascer, da vida nova que a P\u00e1scoa e a Eucaristia nos oferecem. O Baptismo do Jos\u00e9 Jo\u00e3o a celebrar de imediato, vai dar-nos possibilidade de consciencializarmos o nosso tamb\u00e9m, de modo que a renova\u00e7\u00e3o das promessas baptismais, seja uma op\u00e7\u00e3o consciente, assumida, e generosa pela \u00abmedida alta\u00bb da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria, como afirmou Jo\u00e3o Paulo II, na Carta program\u00e1tica deste mil\u00e9nio.   Que a protec\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus, nos d\u00ea rostos de ressuscitados e nos torne anunciadores comprometidos, mais pelas atitudes que pelas palavras, da Boa Not\u00edcia da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Para o Jos\u00e9 Jo\u00e3o os votos duma longa exist\u00eancia, sempre cheia da Gra\u00e7a de  Deus que aqui vai receber. Para todos os queridos diocesanos, os votos duma P\u00e1scoa, santa e feliz.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Eucaristia desta Vig\u00edlia \u00e9 o \u00e1pice do Tr\u00edduo Pascal e de todo o ano lit\u00fargico. Engloba em si a densidade das celebra\u00e7\u00f5es anteriores: a \u00faltima Ceia, a Paix\u00e3o e Morte do Senhor e o mist\u00e9rio da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. 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