{"id":23944,"date":"2007-04-08T12:35:49","date_gmt":"2007-04-08T12:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/08\/mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi-a-cidade-de-roma-e-ao-mundo\/"},"modified":"2007-04-08T12:35:49","modified_gmt":"2007-04-08T12:35:49","slug":"mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi-a-cidade-de-roma-e-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-pascoa-de-bento-xvi-a-cidade-de-roma-e-ao-mundo\/","title":{"rendered":"Mensagem de P\u00e1scoa de Bento XVI \u00e0 Cidade de Roma e ao Mundo"},"content":{"rendered":"<p>Irm\u00e3os e Irm\u00e3s do mundo inteiro,  homens e mulheres de boa vontade!  \tCristo ressuscitou! A paz esteja convosco! Hoje se celebra o grande mist\u00e9rio, fundamento da f\u00e9 e da esperan\u00e7a crist\u00e3: Jesus de Nazar\u00e9, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. O an\u00fancio feito aos anjos, naquela aurora do primeiro dia depois do s\u00e1bado, a Maria Madalena e \u00e0s mulheres que foram ao sepulcro, o ouvimos hoje com renovada emo\u00e7\u00e3o: \u201cPor que buscais entre os mortos aquele que est\u00e1 vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui, mas ressuscitou!\u201d (Lc 24,5-6).  \tN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar quais seriam, naquele momento, os sentimentos destas mulheres: sentimentos de tristeza e desconcerto pela morte do seu Senhor, sentimentos de incredulidade e surpresa diante de um fato surpreendente demais para ser verdadeiro. O t\u00famulo, por\u00e9m, estava aberto e vazio: o corpo j\u00e1 n\u00e3o estava mais. Pedro e Jo\u00e3o, avisados pelas mulheres, correram ao sepulcro e verificaram que elas tinham raz\u00e3o. A f\u00e9 dos Ap\u00f3stolos em Jesus, o Messias esperado, tinha sido posta a uma prova dur\u00edssima pelo esc\u00e2ndalo da cruz. Durante a sua pris\u00e3o, condena\u00e7\u00e3o e morte os tinham dispersado, mas agora se acham novamente juntos, perplexos e desorientados. Mas o mesmo Ressuscitado faz-se presente diante da sua incr\u00e9dula sede de certezas. Aquele encontro n\u00e3o foi um sonho, nem uma ilus\u00e3o ou imagina\u00e7\u00e3o subjetiva; foi uma experi\u00eancia verdadeira, apesar de inesperada e, precisamente por isto, particularmente comovedora. \u201cJesus veio e p\u00f4s-se no meio deles. Disse-lhes ele: \u2018A paz esteja convosco! \u2019 \u201d(Jo 20,19).  \tDiante daquelas palavras, a f\u00e9 quase apagada nos seus cora\u00e7\u00f5es  reacende-se. Os Ap\u00f3stolos referiram a Tom\u00e9, ausente naquele primeiro encontro extraordin\u00e1rio: Sim, o Senhor cumpriu aquilo que tinha anunciado; ressuscitou realmente e n\u00f3s o vimos e o tocamos! Tom\u00e9, por\u00e9m, permaneceu duvidoso e perplexo. Quando, oito dias depois, Jesus veio pela segunda vez no Cen\u00e1culo, lhe disse: \u201cIntroduz aqui o teu dedo, e v\u00ea as minhas m\u00e3os. P\u00f5e a tua m\u00e3o no meu lado. N\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas homem de f\u00e9\u201d. A resposta do Ap\u00f3stolo \u00e9 uma profiss\u00e3o de f\u00e9 comovedora: \u201cMeu Senhor, e meu Deus!\u201d (Jo 20, 27-28).  \t\u201cMeu Senhor, e meu Deus\u201d! Renovemos tamb\u00e9m n\u00f3s a profiss\u00e3o de f\u00e9 de Tom\u00e9.  Como felicita\u00e7\u00e3o pascoal, este ano, quis escolher precisamente estas suas palavras, porque a humanidade de hoje espera dos crist\u00e3os um testemunho renovado da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo; necessita encontr\u00e1-Lo e poder conhec\u00ea-Lo como verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Se neste Ap\u00f3stolo podemos entrever as d\u00favidas e as incertezas de tantos crist\u00e3os de hoje, os medos e as desilus\u00f5es de numerosos nossos contempor\u00e2neos, com ele podemos tamb\u00e9m redescobrir, com renovada convic\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 em Cristo morto e ressuscitado por n\u00f3s. Esta f\u00e9, transmitida ao longo dos s\u00e9culos pelos sucessores dos Ap\u00f3stolos, continua, porque o Senhor ressuscitado j\u00e1 n\u00e3o morre mais. Ele vive na Igreja e a guia firmemente ao cumprimento do seu eterno des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o.  \tCada um de n\u00f3s pode ser tentado pela incredulidade de Tom\u00e9. A dor, o mal, as injusti\u00e7as, a morte, especialmente quando afetam os inocentes &#8211; por exemplo, as crian\u00e7as v\u00edtimas das guerras e do terrorismo, das doen\u00e7as e da fome &#8211; por acaso n\u00e3o submetem nossa f\u00e9 \u00e0 dura prova? No entanto, precisamente nestes casos, a incredulidade de Tom\u00e9 nos \u00e9 paradoxalmente \u00fatil e preciosa, porque nos ajuda a purificar toda falsa concep\u00e7\u00e3o de Deus e nos leva a descobrir seu rosto autentico: o rosto de um Deus que, em Cristo, carregou sobre si as chagas da humanidade ferida. Tom\u00e9 recebeu do Senhor e, por sua vez, transmitiu \u00e0 Igreja o dom da f\u00e9 experimentada pela paix\u00e3o e morte de Jesus e confirmada pelo encontro com Ele ressuscitado.  Uma f\u00e9 que estava quase morta e renasceu gra\u00e7as ao contato com as chagas de Cristo, com as feridas que o Ressuscitado n\u00e3o escondeu, mas mostrou e continua indicando-nos nas penas e nos sofrimentos de cada ser humano.  \t\u201cPelas suas chagas fostes curados\u201d (1Ped 2,24), este \u00e9 an\u00fancio que Pedro dirigiu aos primeiros convertidos. Aquelas chagas, que inicialmente foram para Tom\u00e9 um obst\u00e1culo para a f\u00e9, porque eram sinais do aparente fracasso de Jesus; aquelas mesmas chagas tornaram-se, no encontro com o Ressuscitado, provas de um amor vitorioso. Estas chagas que Cristo assumiu por nosso amor, nos ajudam a entender quem \u00e9 Deus e a repetir tamb\u00e9m: \u201cMeu Senhor, e meu Deus\u201d. Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si com as nossas feridas e nossa dor, sobretudo a dor inocente, \u00e9 digno de f\u00e9.  \tQuantas feridas, quantas dores no mundo! N\u00e3o faltam calamidades naturais e trag\u00e9dias humanas que provocam numerosas v\u00edtimas e ingentes danos materiais. Penso no que aconteceu recentemente em Madagascar, nas Ilhas Salom\u00e3o, na Am\u00e9rica Latina e em outras Regi\u00f5es do mundo. Penso no flagelo da fome, nas doen\u00e7as incur\u00e1veis, no terrorismo e nos seq\u00fcestros de pessoas, nos mil rostos da viol\u00eancia &#8211; \u00e0s vezes justificada em nome da religi\u00e3o -, no desprezo da vida e na viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, na explora\u00e7\u00e3o da pessoa. Vejo com apreens\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es em que se encontram tantas regi\u00f5es da \u00c1frica: no Darfur e nos Pa\u00edses vizinhos persiste uma situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria catastr\u00f3fica e infelizmente menosprezada; em Kinshasa, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, os choques e os saqueios das semanas passadas fazem temer pelo futuro do processo democr\u00e1tico congol\u00eas e pela reconstru\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds; na Som\u00e1lia a retomada dos combates afasta a perspectiva da paz e agrava a crise regional, especialmente no que se refere aos deslocamentos da popula\u00e7\u00e3o e ao tr\u00e1fego de armas; uma grave crise aflige o Zimb\u00e1bue, para a qual os Bispos do Pa\u00eds, num recente documento, indicaram como \u00fanica via de supera\u00e7\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e o compromisso compartilhado pelo bem comum.  \tDe reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz necessita a popula\u00e7\u00e3o de Timor Leste, que se prepara a viver importantes convocat\u00f3rias eleitorais. De paz necessitam tamb\u00e9m o Sri Lanka, onde s\u00f3 uma solu\u00e7\u00e3o negociada por\u00e1 ponto final ao drama do conflito que o ensang\u00fcenta, e o Afeganist\u00e3o, marcado por uma crescente inquieta\u00e7\u00e3o e instabilidade. No Oriente M\u00e9dio, junto com sinais de esperan\u00e7a no di\u00e1logo entre Israel e a Autoridade palestinense, nada de positivo, infelizmente, vem do Iraque, ensang\u00fcentado por cont\u00ednuas matan\u00e7as, enquanto fogem as popula\u00e7\u00f5es civis; no L\u00edbano a paralise das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas p\u00f5e em perigo o papel que o Pa\u00eds est\u00e1 chamado a desempenhar na \u00e1rea do Oriente M\u00e9dio e hipoteca gravemente seu futuro. N\u00e3o posso esquecer, enfim, as dificuldades que as comunidades crist\u00e3s enfrentam quotidianamente e o \u00eaxodo dos crist\u00e3os daquela Terra bendita que \u00e9 o ber\u00e7o da nossa f\u00e9. \u00c0quelas popula\u00e7\u00f5es renovo com afeto minha proximidade espiritual.  \tQueridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: atrav\u00e9s das chagas de Cristo ressuscitado podemos ver com olhos de esperan\u00e7a estes males que afligem a humanidade. Com efeito, ressuscitando, o Senhor n\u00e3o tirou o sofrimento e o mal que aflige a humanidade, mas venceu-os pela raiz com a superabund\u00e2ncia da sua Gra\u00e7a. \u00c0 prepot\u00eancia do mal op\u00f4s a onipot\u00eancia do seu Amor. Como via para a paz e a alegria deixou-nos o Amor que n\u00e3o teme a morte. \u201cComo eu vos tenho amado &#8211; disse aos Ap\u00f3stolos antes de morrer &#8211; assim tamb\u00e9m v\u00f3s deveis amar-vos uns aos outros\u201d (Jo 13,34).  \tIrm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9, que me escutais de todas as partes da terra! Cristo ressuscitado est\u00e1 vivo entre n\u00f3s, Ele \u00e9 a esperan\u00e7a de um futuro melhor. Enquanto dizemos com Tom\u00e9: \u201cMeu Senhor, e meu Deus\u201d!, ressoe em nosso cora\u00e7\u00e3o a palavra doce mas comprometedora do Senhor: \u201cSe algu\u00e9m me quer servir, siga-me; e onde eu estiver, estar\u00e1 ali tamb\u00e9m o meu servo. Se algu\u00e9m me serve, meu Pai o honrar\u00e1\u201d (Jo 12,26). E tamb\u00e9m n\u00f3s, unidos a Ele, dispostos a dar a vida pelos nossos irm\u00e3os (cf. 1Jo 3,16), nos convertemos em ap\u00f3stolos da paz, mensageiros de uma alegria que n\u00e3o teme a dor, a alegria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Que Maria, M\u00e3e de Cristo ressuscitado nos obtenha este dom pascoal. Feliz P\u00e1scoa a todos! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3os e Irm\u00e3s do mundo inteiro, homens e mulheres de boa vontade! Cristo ressuscitou! A paz esteja convosco! Hoje se celebra o grande mist\u00e9rio, fundamento da f\u00e9 e da esperan\u00e7a crist\u00e3: Jesus de Nazar\u00e9, o Crucificado, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras. 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