{"id":23943,"date":"2007-04-08T12:34:24","date_gmt":"2007-04-08T12:34:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/08\/homilia-do-domingo-de-pascoa-do-patriarca-de-lisboa\/"},"modified":"2007-04-08T12:34:24","modified_gmt":"2007-04-08T12:34:24","slug":"homilia-do-domingo-de-pascoa-do-patriarca-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-domingo-de-pascoa-do-patriarca-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia do Domingo de P\u00e1scoa do Patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>Vencer as ficiduldades da f\u00e9 <!--more--> \u201cVencer as dificuldades da f\u00e9\u201d  Homilia no Pontifical da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor S\u00e9 Patriarcal, 8 de Abril de 2007   \t1. O discurso de Pedro, resumido nos Actos dos Ap\u00f3stolos e que lemos como primeira leitura, \u00e9 um testemunho pessoal de quem acredita na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, onde reconhece a plenitude da miss\u00e3o messi\u00e2nica de Cristo, pois Ele \u201cfoi constitu\u00eddo, por Deus, juiz dos vivos e dos mortos\u201d (Act. 10,42), como tinha sido anunciado pelos profetas. Esta etapa definitiva da f\u00e9 de Pedro permite-lhe afirmar com convic\u00e7\u00e3o: \u201cquem acredita n\u2019Ele recebe, por Seu nome, a remiss\u00e3o dos pecados\u201d (Act. 10,43). \tDigo etapa definitiva da f\u00e9 de Pedro, porque acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava contido na f\u00e9 com que os disc\u00edpulos acreditaram em Jesus e na sinceridade com que O seguiram. Certamente houve muitos que seguiram Jesus na sua vida p\u00fablica e depois n\u00e3o acreditaram na ressurrei\u00e7\u00e3o. Os pr\u00f3prios Ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos sentiram essa dificuldade. S\u00e3o Jo\u00e3o, no seu Evangelho, ao confessar que, ele pr\u00f3prio, quando entrou no Sepulcro, \u201cviu e acreditou\u201d, d\u00e1 a entender que ele e Pedro, num primeiro momento, n\u00e3o acreditaram. Maria Madalena, a grande amiga de Jesus, perante o sepulcro vazio, a sua primeira reac\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar que roubaram o corpo. Outros textos mostram-nos as dificuldades do Ap\u00f3stolo Tom\u00e9 e dos dois disc\u00edpulos, a caminho de Ema\u00fas, em acreditarem na ressurrei\u00e7\u00e3o. \tApesar de Jesus a ter anunciado, de terem assistido a milagres de Jesus em que Ele ressuscitava mortos, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus foi uma surpresa inaudita de Deus, a exigir uma f\u00e9 gratuita e desprendida de apoios racionais, s\u00f3 poss\u00edvel com a for\u00e7a de Deus. O aspecto fundamental e decisivo da f\u00e9 da Igreja enfrentou, no seu in\u00edcio, a dificuldade de acreditar. E descortinamos nos textos sagrados as for\u00e7as que levaram os disc\u00edpulos a acreditar, vencendo as dificuldades da f\u00e9. Antes de mais o confrontarem-se com factos: o sepulcro vazio, as apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado, perante os quais a primeira tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a de encontrar, para esses factos, outras explica\u00e7\u00f5es: roubaram o corpo do Senhor, \u00e9 um fantasma. Os encontros em que reconhecem Jesus como ressuscitado s\u00e3o decisivos para a f\u00e9. Sa\u00eda d\u2019Ele uma for\u00e7a, uma luz que os tocava no seu intimo. \u00c9 essa for\u00e7a que brota de Cristo ressuscitado que os faz acreditar. A f\u00e9 pascal da Igreja \u00e9 o primeiro fruto da ressurrei\u00e7\u00e3o, antecipa\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do Esp\u00edrito que lhes ser\u00e1 dado. Ajudou-os, tamb\u00e9m, a releitura das Escrituras numa perspectiva nova.  \t2. Ainda hoje a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 t\u00e3o crucial como exigente. Continua a supor que se ven\u00e7am as dificuldades de acreditar. S\u00f3 Deus conhece verdadeiramente o n\u00famero daqueles que acreditam na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Para al\u00e9m do grande n\u00famero de n\u00e3o crist\u00e3os e de descrentes, que n\u00e3o acreditam na ressurrei\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o acreditam em Cristo, h\u00e1 certamente, entre os crist\u00e3os alguns que n\u00e3o acreditam na ressurrei\u00e7\u00e3o ou cuja f\u00e9 \u00e9, frequentemente, sujeita \u00e0 prova da d\u00favida. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais uma verdade de f\u00e9: \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o central, a experi\u00eancia crucial, donde brotam outras convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9: a nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o, a divindade de Cristo, a Eucaristia como acto presente de Cristo vivo na Sua Igreja, o dom do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 fazer ruir pela base todo o edif\u00edcio da exist\u00eancia crist\u00e3. S\u00e3o Paulo j\u00e1 o afirmava aos crist\u00e3os de Corinto, preocupado com o facto de alguns deles, apesar da sua prega\u00e7\u00e3o e do seu testemunho, n\u00e3o acreditarem na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos: \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, tamb\u00e9m Cristo n\u00e3o ressuscitou. Mas se Cristo n\u00e3o ressuscitou, ent\u00e3o a nossa prega\u00e7\u00e3o \u00e9 vazia, vazia \u00e9 a vossa f\u00e9. (\u2026) Se Cristo n\u00e3o ressuscitou, a vossa f\u00e9 \u00e9 v\u00e3, estais ainda nos vossos pecados\u201d (1Co. 15,12-19).  \t3. Tentemos identificar as causas das actuais dificuldades em acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que encerra a promessa da nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o. Antes de mais, a banaliza\u00e7\u00e3o da morte no seu aspecto de fim de vida. Os h\u00e1bitos da nossa sociedade escondem, cada vez mais, a dramaticidade do mist\u00e9rio da morte. Mata-se facilmente, p\u00f5e-se, imprudentemente, a pr\u00f3pria vida em perigo, a morte tornou-se um fen\u00f3meno cl\u00ednico, a pr\u00f3pria dor da morte se dilui em cerim\u00f3nias f\u00fanebres mais marcadas pelos h\u00e1bitos culturais do que pela viv\u00eancia da densidade da vida. Muitos t\u00eam uma compreens\u00e3o da vida, limitada \u00e0 exist\u00eancia terrestre; outros guardam um vago sentido da vida para al\u00e9m da morte, mas sem refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o na vida de Cristo ressuscitado. Sobretudo perdeu-se a consci\u00eancia de que a vida \u00e9 um dom de Deus, participa\u00e7\u00e3o da sua vida divina. \tUma outra causa das dificuldades em acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo encontramo-la numa religiosidade sem transcend\u00eancia, em que Deus aparece como um \u00faltimo recurso e Cristo se dilui na figura simp\u00e1tica do amigo dos pobres, mas que n\u00e3o s\u00e3o proposta de encontro vivo e transformador. Faltam verdadeiras testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o, daqueles que vivem assim, porque Cristo ressuscitou e cujo exemplo e palavra s\u00e3o interpelantes e convincentes. H\u00e1 depois uma cultura ambiente, mais inclinada a conceber a vida no plano do imediato, experi\u00eancia a fruir agora, sem grande apet\u00eancia para a dimens\u00e3o de profundidade e de radicalidade. Mas n\u00e3o acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo mata a f\u00e9 crist\u00e3, embora possa permitir a subsist\u00eancia de uma religiosidade crist\u00e3.  \t4. \u00c9 miss\u00e3o de toda a Igreja ajudar os crist\u00e3os, com solicitude particular pelos jovens, a vencer as d\u00favidas e a ultrapassar as dificuldades de acreditar. E os caminhos s\u00e3o fundamentalmente os mesmos que ajudaram os primeiros disc\u00edpulos a passar da f\u00e9 no Cristo hist\u00f3rico para a f\u00e9 pascal. Antes de mais, os factos que anunciavam a ressurrei\u00e7\u00e3o. Hoje, eles encontram-se, sobretudo, nos frutos da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na Igreja: a radicalidade dos m\u00e1rtires e dos santos, a coragem dos que mudam completamente a vida por causa de Cristo ressuscitado, a alegria luminosa dos que se lhe abandonam no amor. Como para os primeiros disc\u00edpulos tem uma import\u00e2ncia decisiva o encontro com Jesus ressuscitado. Mas ele \u00e9 poss\u00edvel a todos, na vida da Igreja, sobretudo na viv\u00eancia pessoal da Eucaristia. Como na apari\u00e7\u00e3o aos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, Ele continua a fazer-se reconhecer na frac\u00e7\u00e3o do P\u00e3o. E continua a ser hoje verdade que a f\u00e9 pascal \u00e9 o primeiro fruto da ressurrei\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do dom do Esp\u00edrito Santo. \t\u00c9 igualmente importante o testemunho convincente daqueles que acreditam, o testemunho das pessoas mas, especialmente, o testemunho da Igreja. Esta, Povo do Senhor, ser\u00e1 sempre a principal testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. \u00c9 a f\u00e9 da Igreja que fortifica a nossa f\u00e9. \t\u00c9 esse testemunho que a Igreja d\u00e1 ao celebrar a P\u00e1scoa. \u00c9 esse testemunho que queremos dar aos nossos irm\u00e3os, homens e mulheres, a viverem agora a aventura da vida. Cristo que morreu por n\u00f3s, Deus ressuscitou-O dos mortos e encerra nesse mist\u00e9rio o segredo do homem e da hist\u00f3ria.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vencer as ficiduldades da f\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,275],"class_list":["post-23943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}