{"id":23939,"date":"2007-04-08T00:16:18","date_gmt":"2007-04-08T00:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/08\/a-luz-de-deus-e-o-principio-da-vida\/"},"modified":"2007-04-08T00:16:18","modified_gmt":"2007-04-08T00:16:18","slug":"a-luz-de-deus-e-o-principio-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-luz-de-deus-e-o-principio-da-vida\/","title":{"rendered":"A luz de Deus \u00e9 o princ\u00edpio da vida"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Vig\u00edlia de Pascoa <!--more--> \u201cDeus \u00e9 luz. A luz de Deus \u00e9 o princ\u00edpio da vida\u201d  Homilia na Vig\u00edlia Pascal S\u00e9 Patriarcal, 7 de Abril de 2007      \t1. \u201cDisse Deus: fa\u00e7a-se a luz. E a luz apareceu. Deus viu que a luz era boa\u201d (G\u00e9n. 1,3). A cria\u00e7\u00e3o da luz \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o clara de que, ao criar, Deus faz as suas criaturas participar na sua realidade divina. A cria\u00e7\u00e3o do C\u00e9u e da Terra \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o do poder divino; a cria\u00e7\u00e3o da luz revela o desejo de Deus de se comunicar. A terra estava vaga, vazia, coberta das trevas; a cria\u00e7\u00e3o da luz diz-nos que Deus, na sua realidade misteriosa, encerra o sentido e o destino da cria\u00e7\u00e3o; por isso Deus come\u00e7ou pela cria\u00e7\u00e3o da luz, porque Deus \u00e9 luz e h\u00e1-de revelar-se como tal em toda a sua ac\u00e7\u00e3o criadora, continuada na solicitude providente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e, de modo particular, na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. O \u00eaxito da cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o na luz de Deus. Nesta cria\u00e7\u00e3o da luz come\u00e7a a longa vig\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o e da humanidade em busca da sua verdade definitiva. Na plenitude final, a \u201cnova cria\u00e7\u00e3o\u201d, viver\u00e1 da luz de Deus. \u201cPoder\u00e1 dispensar o brilho do sol e da lua, porque a gl\u00f3ria de Deus a iluminou e o Cordeiro \u00e9 o seu luzeiro. As na\u00e7\u00f5es caminhar\u00e3o \u00e0 sua luz\u201d (Apoc. 21,23-24). \tDeus criou a luz para vencer as trevas e \u201cseparar a luz das trevas\u201d (Gen. 1,4). Aquele momento final significar\u00e1 a vit\u00f3ria definitiva da luz sobre as trevas, e este triunfo \u00e9 realizado por um homem em Quem s\u00f3 brilha a luz de Deus, Jesus Cristo. No texto do G\u00e9nesis, a luz significa, sem d\u00favida, a realidade divina. E as trevas? Significam a aus\u00eancia de Deus: aus\u00eancia de vida, mesmo aus\u00eancia de ser. Aquelas trevas significavam o nada, a aus\u00eancia de ser, \u00e0 letra, o deserto e o vazio (cf. 2M. 7,28). \u00c9 a cria\u00e7\u00e3o da luz que traz a vida. Mas quando esta n\u00e3o exprime Deus, passa a fazer parte das trevas. O combate entre a luz e as trevas passar-se-\u00e1, durante toda a dura\u00e7\u00e3o do tempo e da hist\u00f3ria, no campo da vida e da busca da sua verdade definitiva. O reconhecimento de Deus como fonte da vida, continua a ser o problema decisivo da humanidade. \u00c9 uma confus\u00e3o da mentalidade contempor\u00e2nea fazer crer que, para o homem, acreditar em Deus ou n\u00e3o acreditar, s\u00e3o atitudes equivalentes, com igual sentido para o destino do homem.  \t2. A luz criada torna-se num s\u00edmbolo poderoso do mist\u00e9rio de Deus, ao ponto de se poder dizer que Deus \u00e9 luz, com a mesma for\u00e7a com que se afirmar\u00e1, no Novo Testamento, que Ele \u00e9 amor. A luz e o fogo s\u00e3o sinais da presen\u00e7a de Deus. Sempre que Este se manifesta f\u00e1-lo envolto na luz e no fogo. O Livro da Sabedoria une, na mesma realidade divina, Deus, a sabedoria e a luz. A sabedoria \u201c\u00e9 um sopro do poder divino, a efus\u00e3o pur\u00edssima da gl\u00f3ria do Todo Poderoso\u2026 \u00c9 um reflexo da luz eterna (\u2026) Ela \u00e9, com efeito, mais bela que o sol, ultrapassa todas as constela\u00e7\u00f5es, comparada com a luz, ela leva a melhor\u201d (Sap. 7,25-29). Deus veste-se de luz (Sl. 104,2) e aqueles que, como Mois\u00e9s, contactaram com a intimidade de Deus, ficaram com o rosto luminoso (cf. Ex. 34,30). \tEsta identifica\u00e7\u00e3o entre Deus e a luz \u00e9 expl\u00edcita, no Novo Testamento. S\u00e3o Jo\u00e3o afirma-o claramente: \u201cDeus \u00e9 luz, n\u2019Ele n\u00e3o h\u00e1 trevas\u201d (1Jo. 1,5). Jesus diz de Si Mesmo: \u201cEnquanto eu estiver no mundo, sou a luz do mundo\u201d (Jo. 9,5). \u201cQuem Me segue n\u00e3o caminha nas trevas, mas ter\u00e1 a luz da vida\u201d (Jo. 8,12). \tA identifica\u00e7\u00e3o de Cristo com a luz \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da sua divindade e da vit\u00f3ria definitiva da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, da gra\u00e7a sobre o pecado. \u201cEle era a vida de todos os seres e a vida era a luz dos homens e a luz brilhou nas trevas e as trevas n\u00e3o puderam venc\u00ea-la\u201d (Jo. 1,4-5). A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o triunfo da luz. \tTamb\u00e9m aqui as trevas significam a ruptura com Deus, o tentar viver separado de Deus, o que significa afastar-se da vida. Restabelecer a comunh\u00e3o com Deus, em Jesus Cristo ressuscitado, participar da Sua vida divina, significa deixar-se inundar pela sua luz, ser luz em Cristo. \u00c9 no baptismo que somos inundados por essa luz e todo o caminho da fidelidade crist\u00e3 consiste em n\u00e3o impedir essa luz de brilhar, para que ilumine os outros. Foi por isso que o Conc\u00edlio definiu a Igreja como \u201cluz dos povos\u201d (LG. n.1), porque nela deve brilhar no mundo a luz de Cristo. \tA vit\u00f3ria da luz sobre as trevas \u00e9 uma longa caminhada, significada nesta vig\u00edlia, onde a luz tem as honras da pr\u00f3pria divindade de Cristo. O baptismo \u00e9 um mergulhar na luz, deixar-se penetrar por ela, de modo a que possa sempre vencer as trevas que persistem em n\u00f3s. Mas esta luz \u00e9 Cristo; s\u00f3 nos iluminar\u00e1 enquanto permanecermos unidos a Ele, um com Ele, que nos faz mergulhar na luz de Deus. \tAo identificar Deus com a luz e com o amor, a Sagrada Escritura abre um pouco o v\u00e9u da nossa vida em Deus, na luz eterna. Em vez de imaginarmos uma sobreviv\u00eancia das formas que temos como seres corp\u00f3reos e materiais, \u00e9-nos sugerido que a eternidade \u00e9 um mergulhar nessa fonte eterna da luz, onde s\u00f3 se subsiste amando. \u201cPassar\u00e1 a figura deste mundo\u201d (cf. 1Co. 7,312; G.S. n. 39).  \t3. Pelo baptismo, a luz de Cristo penetra no cora\u00e7\u00e3o do homem e ilumina a exist\u00eancia, na sua caminhada de fidelidade e de progressiva identifica\u00e7\u00e3o com Cristo. Mas a experi\u00eancia dessa luz \u00e9 discreta e humilde, \u00e9 a luz que tenta dissipar as trevas da nossa fragilidade pecadora. A luz de Cristo est\u00e1 presente, em n\u00f3s, sobretudo na \u201cluz da f\u00e9\u201d. O Conc\u00edlio afirma: \u201cA f\u00e9 ilumina todas as coisas com uma luz nova e faz-nos conhecer a vontade divina acerca da voca\u00e7\u00e3o integral do homem, orientando o esp\u00edrito para solu\u00e7\u00f5es verdadeiramente humanas\u201d (G.S. n. 11). \tA f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma simples escolha ou decis\u00e3o da vontade humana. \u00c9 um mergulhar na luz de Cristo, participando na sua ressurrei\u00e7\u00e3o; pela f\u00e9, a luz de Cristo brilha na nossa realidade humana que, vista a uma tal luz, redescobre a verdade profunda do seu mist\u00e9rio. A nossa intimidade com Cristo torna-nos mais perme\u00e1veis \u00e0 sua luz, que nos proporciona uma vis\u00e3o mais verdadeira sobre todas as coisas. Mas tenhamos consci\u00eancia de que durante toda a nossa vida, esta luz da f\u00e9 \u00e9 uma energia que tem de vencer obst\u00e1culos. A fidelidade crist\u00e3 exprime-se no esfor\u00e7o de nos tornarmos sens\u00edveis \u00e0 luz de Cristo.  \tA primeira coisa que esta luz nos faz ver de forma mais clara \u00e9 o des\u00edgnio de Deus, a vontade do Senhor a nosso respeito. \u00c9 luz que ilumina a nossa realidade e faz ver claro a nossa voca\u00e7\u00e3o e os caminhos pessoais concretos para a nossa fidelidade. A luz de Cristo faz-nos conhecer melhor Deus e o seu des\u00edgnio. \tA nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, leva-nos a uma vis\u00e3o profunda sobre o mist\u00e9rio do homem, sobre n\u00f3s e a nossa realidade. \u201cDe facto, s\u00f3 no mist\u00e9rio do Verbo encarnado se ilumina verdadeiramente o mist\u00e9rio do homem\u201d (G.S. n. 22). A plenitude de vida de que o homem \u00e9 capaz e pela qual anseia, a sua dignidade, a exig\u00eancia do amor fraterno, o sentido da vida e da morte, s\u00e3o iluminados por Cristo ressuscitado. \tA \u201cluz da f\u00e9\u201d vem ao encontro de outras luzes de que o homem \u00e9 dotado, de modo particular a da intelig\u00eancia. A \u201cluz da f\u00e9\u201d faz brilhar, com maior intensidade, a luz da intelig\u00eancia, tornando-a capaz de penetrar no mais \u00edntimo da realidade. O nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vontade s\u00e3o particularmente iluminados por esta luz, que faz desabrochar, assim, a consci\u00eancia moral, isto \u00e9, a busca da vida como procura dos caminhos do bem, do amor, da justi\u00e7a e da paz.  \t4. Come\u00e7\u00e1mos esta Vig\u00edlia anunciando como \u201cboa-nova\u201d a luz de Cristo. Tomemos consci\u00eancia de que esta luz de Cristo ressuscitado \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, que se manifestou sob a forma de l\u00ednguas de fogo. O Esp\u00edrito Santo ilumina e incendeia, mas o fruto da sua ac\u00e7\u00e3o s\u00e3o, agora, a f\u00e9 e a caridade. Nesta Vig\u00edlia fazemos a experi\u00eancia do percurso desta luz, que coincide com o itiner\u00e1rio da vida crist\u00e3: escuta confiante da Palavra, viv\u00eancia dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o baptismo, a confirma\u00e7\u00e3o e a Eucaristia, a confiss\u00e3o de f\u00e9 que signifique convers\u00e3o e desejo de mudan\u00e7a de vida. \tCristo \u00e9 luz porque \u00e9 Filho de Deus. A sua luz manifestou-se porque Ele ressuscitou dos mortos. Acreditar na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro fruto da \u201cluz da f\u00e9\u201d; deixarmo-nos penetrar por essa luz e purificar por esse fogo, \u00e9 a longa caminhada da nossa f\u00e9, \u00e9 a nossa vida vivida como vig\u00edlia da eternidade.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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