{"id":23933,"date":"2007-04-06T19:24:15","date_gmt":"2007-04-06T19:24:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/06\/a-cruz-como-aurora-de-esperanca\/"},"modified":"2007-04-06T19:24:15","modified_gmt":"2007-04-06T19:24:15","slug":"a-cruz-como-aurora-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-como-aurora-de-esperanca\/","title":{"rendered":"A Cruz como aurora de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga, na celebra\u00e7\u00e3o de Adora\u00e7\u00e3o da Cruz <!--more--> A cruz como aurora de esperan\u00e7a &#8211; Sexta-Feira Santa &#8211;  \t\u201cH\u00e3o-de olhar para Aquele que trespassaram\u201d. Acabamos de ouvir a s\u00edntese-conclus\u00e3o da Paix\u00e3o de Cristo e recordamos que o Santo Padre nos sugeriu esta atitude como program\u00e1tica para a Quaresma que chega ao fim. \u201cOlhar\u201d para acontecer por curiosidade m\u00f3rbida, por desinteresse de quem vai ignorar ou esquecer ou como pretexto para contemplar uma realidade repleta de conte\u00fados e desafios. \t\u00c9 esta medita\u00e7\u00e3o interpelativa que nos interessa. Reassumir os prop\u00f3sitos que talvez tenhamos delineado no in\u00edcio da Quaresma ou acordar para a mensagem, silenciosa mas eloquente, dum cora\u00e7\u00e3o entregue em amor oblativo pela humanidade, conciliando o gratuito com a correspond\u00eancia, ou seja, deixar-se \u201ctocar\u201d pelo amor patenteado e tornar esse \u201camor\u201d n\u00e3o experi\u00eancia \u00fanica e irrepet\u00edvel mas permanente programa para o disc\u00edpulo e para a comunidade daqueles e daquelas que querem ser fieis. \t\u201cOlhar\u201d \u00e9, deste modo, reconhecer a Igreja como comunidade de salvados e sacramento de salva\u00e7\u00e3o, ou seja, um sinal e um instrumento mergulhado na problem\u00e1tica do mundo hodierno. Do cora\u00e7\u00e3o de Jesus surgiu uma Igreja comprometida com a humanidade e pronta a tudo arriscar para lhe dar sentido e tra\u00e7ar caminhos de verdadeira felicidade. O passado hist\u00f3rico mostrou-nos, muitas vezes, uma Igreja refugiada na sua superioridade teocr\u00e1tica, ditando orienta\u00e7\u00f5es que o mundo foi rejeitando. Hoje, no esp\u00edrito do Vaticano II sabemo-nos no mundo e para o mundo sem ser do mundo. Da\u00ed que \u201colhar\u201d para aquele que trespassaram deve significar \u201colhar\u201d para o nosso mundo apaixonando-nos por ele, ou seja, arriscar passar por uma paix\u00e3o para o salvar. \tDiante da Cruz detentora do amor pela humanidade e com o Conc\u00edlio Vaticano II nas m\u00e3os (Gandium et Spes) vejo uma sociedade com sinais de poder e de debilidade; capaz do melhor e testemunho do pior; propagadora da ideia da liberdade mas mergulhada numa escravid\u00e3o sem precedentes; apologista do progresso em todas as \u00e1reas mas testemunha duma regress\u00e3o em qualidade de vida; aliada ao mundo da fraternidade e igualdade mas campo permanente de viol\u00eancias, \u00f3dios, racismos, terrorismos, guerras fraticidas; eloquente nos discursos da transpar\u00eancia mas vencida pela corrup\u00e7\u00e3o, clientelismo e arrangismo; capaz duma educa\u00e7\u00e3o verdadeira e integralmente humana mas servida por interesses e programas redutores de conte\u00fados; senhora da t\u00e9cnica surpreendente na \u00e1rea da sa\u00fade e esmagada pelo drama de coisas que parecem pequenas mas que significam e manifestam a serenidade duma vida feliz. \t\u00c9 este olhar que me assegura a verdade das palavras do Conc\u00edlio \u201cOs desequil\u00edbrios de que sofre o mundo moderno ligam-se a um desequil\u00edbrio mais profundo que se enra\u00edza no cora\u00e7\u00e3o do homem\u201d (G. S. 9). \u201cCada dia s\u00e3o mais numerosos aqueles que, em face da actual evolu\u00e7\u00e3o do mundo, p\u00f5em a si mesmos ou sentem com maior acuidade as quest\u00f5es fundamentais: Que \u00e9 o homem? Qual o significado do sofrimento, do mal e da morte, que, apesar de t\u00e3o grandes progressos, continuam a existir? Para que servem semelhantes vit\u00f3rias, pagas por tal pre\u00e7o? Que contributo pode o homem dar \u00e0 sociedade, que pode esperar dela? Que h\u00e1 para al\u00e9m desta vida terrena?\u201d (G. S. 10). \tA estas e muitas outras perguntas \u2013 e conscientes de que o homem moderno parece n\u00e3o querer interrogar-se sobre o sentido da vida \u2013 o caminho da Igreja est\u00e1 em redescobrir modos novos de propor, atrav\u00e9s da Cruz e do abandono de Cristo, que Ele, e s\u00f3 Ele, \u00e9 \u201co centro e o fim de toda a hist\u00f3ria humana\u201d e que no meio das grandes transforma\u00e7\u00f5es e muta\u00e7\u00f5es culturais Ele \u00e9 o mesmo ontem, hoje e para sempre. \tO profeta Isa\u00edas recordava-nos que Ele seria \u201cdesprezado e repelido pelos homens\u201d, \u201cera aquele de quem se desvia o rosto\u201d, \u201cpessoa desprez\u00edvel e sem valor para n\u00f3s\u201d, \u201ccomo ovelha muda ante aqueles que a tosquiam\u201d. N\u00e3o estar\u00e1 a Igreja a ter medo deste Cristo Salvador e apaixonado pela humanidade? \tNa medita\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Cristo h\u00e1 um pormenor que me chama sempre a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estava no programa daqueles que eram condenados \u00e0 morte. Ele foi coroado de espinhos e manteve-se imp\u00e1vido e sereno. A sociedade moderna manifesta muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s verdadeiramente coroados de espinhos e sem capacidade ou vontade para mostrar a sua situa\u00e7\u00e3o. Paremos um pouco e vejamos se nos nossos caminhos quotidianos n\u00e3o nos cruzamos com estes homens e mulheres sofredores. \tNa caminhada para a P\u00e1scoa tinha elaborado um itiner\u00e1rio a partir duma op\u00e7\u00e3o pela vida. Hoje quero recordar aqueles a quem est\u00e1 faltando amor na sua vida. Podem ser crian\u00e7as impedidas de nascer ou idosos que ainda n\u00e3o encontraram ternura pois permanecem mergulhados na solid\u00e3o, podem ser fam\u00edlias marcadas pela car\u00eancia de elementos essenciais para o m\u00ednimo de dignidade. Se o v\u00e9u do templo se rasgou e as trevas adeusaram os c\u00e9us na hora da morte do Senhor, tomemos consci\u00eancia da \u201cnoite\u201d da humanidade e sem pessimismos desmotivadores saibamos ser esperan\u00e7a que reconhece que estamos escravos de muitas realidades e doutrinas quando nascemos para a liberdade de quem entrega a vida por amor. A aurora come\u00e7ar\u00e1 a raiar. Temos um Salvador. A P\u00e1scoa do Amor vai acontecer vencendo a morte.  \tDentro de momentos procederemos \u00e0 adora\u00e7\u00e3o da Cruz. Mais do que um gesto lit\u00fargico deveria ser uma gra\u00e7a. Beijar \u00e9 contemplar e contemplar conduz-nos \u00e0 vida, nossa e dos outros. Entre os hinos a cantar poder\u00edamos dizer: \u201cDeus quis vencer o inimigo\/ Com as sua pr\u00f3prias armas\/ A sabedoria aceitou\/ O tremendo desafio\/ E onde nascera a morte\/ Brotou a fonte da vida\u201d. A Cruz como fonte da vida. Eis o que nos diz o sil\u00eancio desta tarde. \t\u00d2 Senhor de cora\u00e7\u00e3o trespassado, concedei-nos o dom da sensibilidade \u00e0s dores do pr\u00f3ximo. Conduz-nos ao encontro das \u201cchagas\u201d existentes nas fam\u00edlias das nossas comunidades e torna-nos, onde quer que vivamos, protagonistas dum amor que sabe que do \u00edntimo de cada um pode surgir uma fam\u00edlia nova, uma comunidade mais solid\u00e1ria. Toca-nos Senhor com a Tua solicitude pelo mundo e faz-nos protagonistas duma sociedade mais justa e fraterna. Por Ti n\u00e3o nos contentaremos com a sociedade que os outros querem edificar. No mundo seremos a pequena semente que frutificar\u00e1 no momento justo.  S\u00e9 Catedral 06\/04\/2007  + Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga, na celebra\u00e7\u00e3o de Adora\u00e7\u00e3o da Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,154,193,206,275,91],"class_list":["post-23933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}