{"id":239303,"date":"2022-05-04T10:21:44","date_gmt":"2022-05-04T09:21:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=239303"},"modified":"2022-05-04T10:21:44","modified_gmt":"2022-05-04T09:21:44","slug":"saber-aprender-a-evangelizar-memetizando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-evangelizar-memetizando\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A evangelizar \u201cmemetizando\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Um <em>meme<\/em> para um jovem \u00e9 uma imagem animada (ou n\u00e3o) com uma frase que expressa um sentimento muito particular e que tem piada. Mas a defini\u00e7\u00e3o de <em>meme<\/em> introduzida por Richard Dawkins em 1976 \u00e9 diferente. Um <em>meme<\/em> \u00e9 semelhante a uma extens\u00e3o da ideia de gene, mas adaptada \u00e0 cultura, ou seja, memes s\u00e3o <em>ideias que se transmitem de um c\u00e9rebro para outro<\/em>, podendo sofrer muta\u00e7\u00f5es desde que sejam favor\u00e1veis \u00e0 sua replica\u00e7\u00e3o. E dada a evolu\u00e7\u00e3o cultural com a Grande Expans\u00e3o \u201cMem\u00e9tica\u201d gerada pela internet, j\u00e1 come\u00e7\u00e1mos a sentir como ideias espalhadas na vida digital afectam a vida real. Basta pensar no caso <em>pizzagate<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_239304\" aria-describedby=\"caption-attachment-239304\" style=\"width: 186px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/images.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-239304 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/images.jpeg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/images.jpeg 186w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/images-179x260.jpeg 179w\" sizes=\"(max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-239304\" class=\"wp-caption-text\">Catholic Memes<\/figcaption><\/figure>\n<p>O document\u00e1rio recente da HBO intitulado \u201c<em>After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News<\/em>\u201d, explica bem em que consistiu a teoria da conspira\u00e7\u00e3o gerada por <em>memes<\/em> no Twitter, 4chan e 8chan que insinuavam a partir de emails privados de John Podesta, coordenador da campanha de 2016 de Hillary Clinton, que o restaurante Comet Ping Pong seria um local secreto de tr\u00e1fico humano e pornografia infantil. No document\u00e1rio vemos um espa\u00e7o frequentado por in\u00fameras fam\u00edlias que, al\u00e9m do bel\u00edssimo sabor das pizzas, divertiam-se a jogar ping pong dando ao restaurante o ambiente alegre e acolhedor conhecido por muitas pessoas vindas de muitas partes dos EUA. Por\u00e9m, os <em>memes<\/em> da desinforma\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a afectar a mente de algumas pessoas que desconheciam o restaurante, de tal modo que uma delas, Edgar Welch, um homem de 28 anos viajou da Carolina do Norte armado para \u201csalvar\u201d as crian\u00e7as da rede criminosa. Quando chegou percebeu que nada havia no restaurante e foi preso. O curioso \u00e9 que, depois de ter visto com os pr\u00f3prios olhos que a teoria era falsa, numa <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/12\/07\/us\/edgar-welch-comet-pizza-fake-news.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista<\/a>; ao <em>The New York Times<\/em>, Welch mant\u00e9m a convic\u00e7\u00e3o na teoria da conspira\u00e7\u00e3o de base dizendo que n\u00e3o havia crian\u00e7as \u2014 <em>\u00abdentro daquele estabelecimento\u00bb<\/em> \u2014, sugerindo que haveriam outros, e explicita n\u00e3o gostar do termo \u201cfake news\u201d que apenas serve para diminuir o valor das hist\u00f3rias contadas fora dos circuitos de not\u00edcias principais (e credenciados). Pensar que os <em>memes<\/em> foram respons\u00e1veis pelo comportamento criminoso de algu\u00e9m que mant\u00e9m a cren\u00e7a no que \u00e9 fict\u00edcio e falso demonstra o seu poder de transforma\u00e7\u00e3o cultural. Mas n\u00e3o haver\u00e1, tamb\u00e9m, um lado positivo dos memes? Poder\u00e3o os memes ser usados para o bem?<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer a import\u00e2ncia de manter a evangeliza\u00e7\u00e3o em permanente desenvolvimento e evolu\u00e7\u00e3o. Os desafios culturais dos tempos que vivemos v\u00e3o muito para al\u00e9m de crer ou n\u00e3o crer em Deus, e qual a ci\u00eancia que o suporta. A cultura digital veio revolucionar o nosso modo de pensar, ser e agir, e a Boa Nova de Jesus que pode transformar o cora\u00e7\u00e3o, mente e agir das pessoas n\u00e3o pode estar alheia \u00e0 cultura digital. Em novembro de 2013, um <a href=\"https:\/\/eu.usatoday.com\/story\/news\/nation\/2013\/11\/07\/pope-disfigured-neurofibromatosis\/3465187\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">meme<\/a>; do Papa Francisco a abra\u00e7ar um homem desfigurado tocou o cora\u00e7\u00e3o de milhares de pessoas, incluindo ateus que manifestaram nas redes sociais a crescente admira\u00e7\u00e3o pelo Papa. Mas sete anos depois, em outubro de 2020, com software de manipula\u00e7\u00e3o de imagem, <a href=\"https:\/\/www.americamagazine.org\/faith\/2020\/10\/21\/funny-pope-francis-memes-sacrilegious\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">houve<\/a>; quem substitu\u00edsse a h\u00f3stia que Francisco consagrava por tudo e mais alguma coisa (uma nintendo, o beb\u00e9 Yoda, o jovem Simba do Rei Le\u00e3o, etc.) criando v\u00e1rios <em>memes<\/em> que se tornaram virais e ofensivos para muitos cat\u00f3licos. Neste sentido, os <em>memes<\/em> est\u00e3o para as c\u00e9lulas culturais que tecem a sociedade como os genes para as c\u00e9lulas corporais que tecem cada um de n\u00f3s. E se um meme orientado para o bem mant\u00e9m a cultura saud\u00e1vel, um meme orientado para o mal poder tornar-se num cancro para o corpo social.<\/p>\n<p>Em diversos sectores promotores de uma Evangeliza\u00e7\u00e3o Nova, e da moderniza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja no cen\u00e1rio mundial, a aten\u00e7\u00e3o volta-se, frequentemente, para a import\u00e2ncia de estarmos presentes nas redes sociais, como instrumentos para chegar a muitas pessoas, mas qual \u00e9 o prop\u00f3sito desse investimento? Mant\u00ea-las presas ao ecr\u00e3, ou inspirar novos horizontes levantando os olhos e estimular as pessoas a desapegar-se dos <em>memes<\/em> digitais e, indo ao encontro da vida real que se desenrola \u00e0 sua volta, construir <em>memes<\/em> relacionais? Ser\u00e1 que os <em>memes<\/em> poder\u00e3o ajudar a enfrentar o desafio que a cultura digital representa para a manipula\u00e7\u00e3o das mentes e massas na Era da Informa\u00e7\u00e3o ou fazem pior? Mesmo que usemos um <em>meme<\/em> com um fim positivo, n\u00e3o estaremos a manipular a cabe\u00e7a das pessoas como os outros que os usam com prop\u00f3sitos menos nobres?<\/p>\n<p>Um <em>meme<\/em> com potencial para se tornar viral, de acordo com <a href=\"https:\/\/www.americamagazine.org\/arts-culture\/2018\/03\/14\/catholics-are-sharing-memes-online-new-evangelization\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Angelo Jesus Canta<\/a>, precisa do equil\u00edbrio entre tr\u00eas coisas: absurdez, humor, e reprodutibilidade. A \u201cviralidade\u201d depende de serem considerados como piadas e terem a possibilidade de se adaptar a diversas circunst\u00e2ncias, de modo a poderem ser partilhados entre as pessoas do mesmo grupo ou de grupos diferentes e, assim, replicarem-se. Existem diversas experi\u00eancias de evangeliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de memes, como a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TheCatholicMemes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dinamizada<\/a>; por Brandon Ocampo, \u201cCatholic Memes\u201d. Ocampo diz dos <em>memes<\/em> cat\u00f3licos \u2014 <em>\u00abalgo que faz algu\u00e9m rir, \u00e9 algo que provoca os seus cora\u00e7\u00f5es a procurar Cristo de um modo mais aut\u00eantico.\u00bb<\/em> \u2014 Pessoalmente, depois de visitar a p\u00e1gina, e n\u00e3o me considerando uma pessoa demasiado s\u00e9ria (que confirme quem me conhece) n\u00e3o fiquei convencido. De qualquer modo, cada <em>meme<\/em> pode suscitar um rol de coment\u00e1rios de partilha de experi\u00eancias. Numa das publica\u00e7\u00f5es da p\u00e1gina Facebook do <em>Catholic Memes<\/em> haviam mais de 100 coment\u00e1rios e todos escritos h\u00e1 6 dias quando os li, ou seja, devem ter sido escrito durante aquele dia. Sinceramente, o que pensei foi no tempo dedicado pelas v\u00e1rias pessoas a comentar uns com os outros sobre o <em>meme<\/em>, replicando-o ao ser partilhado mais de 200 vezes, mas n\u00e3o havia qualquer coment\u00e1rio que fosse profundo ou indicasse ter havido um efeito evangelizador onde algu\u00e9m manifestava a inten\u00e7\u00e3o de procurar Cristo de modo mais aut\u00eantico.<\/p>\n<p>No Washington Post, o bispo americano Richard Umbers escreve sobre os <em>memes<\/em> que faz para Jesus e diz que \u2014 <em>\u00abos memes s\u00e3o um pouco divertidos, rebu\u00e7ados visuais para os stressados e estoirados que deslizam pelos seus telem\u00f3veis a caminho do trabalho ou de regresso a casa, ou quando v\u00e3o dormir \u00e0 noite. Mas eles podem, tamb\u00e9m, conter mensagens importantes acess\u00edveis a milh\u00f5es.\u00bb<\/em> \u2014 pelo que, talvez sirvam para plantar uma pequena semente. Por\u00e9m, \u00e9 raro lembrar-me de um <em>meme<\/em>, mas, com mais frequ\u00eancia, lembro-me de uma palavra ou trocadilho dito fisicamente por algu\u00e9m. Pois, nos contactos pessoais, ainda que seja atrav\u00e9s do humor, tudo concorre para fazermos uma experi\u00eancia relacional que nos pode marcar. Algo que parece ter um efeito mais transit\u00f3rio no caso dos <em>memes<\/em>. Mas n\u00e3o ser\u00e1 focar os <em>memes<\/em> no humor um reducionismo da ideia original de Dawkins?<\/p>\n<p>Um dos efeitos do maior tempo que passamos a navegar pelo mar de informa\u00e7\u00e3o na internet tem sido a gradual perda da capacidade de ler algo mais extenso. E ideias profundas que desafiam o nosso modo de ser e estar na vida requerem tempo para serem interiorizadas e experimentadas. Os <em>memes<\/em> na internet possuem um conte\u00fado naturalmente mais superficial e o seu potencial de semear a Boa Nova parece-me, no m\u00ednimo, question\u00e1vel. Mas a ideia mais original de Dawkins para o <em>meme<\/em> poder\u00e1 ser melhor explorada no seu valor evangelizador. Pelo que, talvez seja um tema que valha a pena explorar na procura de novos modos de evangelizar no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-239303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239303\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}