{"id":23929,"date":"2007-04-06T19:15:45","date_gmt":"2007-04-06T19:15:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/06\/viana-do-castelo-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2007-04-06T19:15:45","modified_gmt":"2007-04-06T19:15:45","slug":"viana-do-castelo-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viana-do-castelo-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Viana do Castelo: Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Pedreira <!--more--> 1. Tr\u00edduo Pascal Com a celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor, a Igreja d\u00e1 in\u00edcio ao Sagrado Tr\u00edduo Pascal que terminar\u00e1 na tarde do Domingo de P\u00e1scoa. A entrega de Jesus na morte sacrificial da cruz foi antecipada simb\u00f3lica, mas realmente, na \u00daltima Ceia celebrada com os seus disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos. Nela, Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia, sacrif\u00edcio e banquete de amor, e realizou o \u201clavou os p\u00e9s\u201d aos disc\u00edpulos, confiando-lhes o Mandamento Novo: \u00abAmai-vos uns aos outros como Eu vos amei\u00bb. A imola\u00e7\u00e3o do cordeiro pascal, de que nos falava o Livro do \u00caxodo, sinal da liberta\u00e7\u00e3o de Israel da escravid\u00e3o do Egipto, \u00e9 figura da nova Alian\u00e7a no sangue de Cristo e da liberta\u00e7\u00e3o de todo o povo de Deus da escravid\u00e3o do pecado e da morte. Por isso S. Paulo recorda na Carta aos Cor\u00edntios: \u00abO c\u00e1lice de b\u00ean\u00e7\u00e3o que consagramos n\u00e3o \u00e9 ele comunh\u00e3o com o sangue de Cristo?\u00bb (1 Cor. 10, 16).  Ao tomar aquela simb\u00f3lica refei\u00e7\u00e3o ritual, Jesus d\u00e1-lhe um sentido novo e \u00abinstitui\u00bb a Eucaristia. Pondo fim a todas as \u201cfiguras\u201d &#8211;  que tinham como finalidade preparar-nos para a recep\u00e7\u00e3o deste dom divino (o man\u00e1, o cordeiro pascal, a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, a \u00e1gua viva que jorra para a vida eterna) &#8211; Jesus converte o p\u00e3o e o vinho no seu Corpo e Sangue e apresenta-se, Ele pr\u00f3prio, como verdadeiro Cordeiro pascal. Por isso, refere o C. Vaticano II, \u201cna noite em que foi entregue o nosso Salvador, instituiu na \u00daltima Ceia o Sacrif\u00edcio eucar\u00edstico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar pelo decorrer dos s\u00e9culos, at\u00e9 Ele voltar, o Sacrif\u00edcio da cruz. E confiou \u00e0 Igreja este memorial da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, ao dizer: \u201cfazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d. Durante uns breves minutos convido-vos a reflectir sobre este mist\u00e9rio Eucar\u00edstico e sobre o Mandamento Novo do amor fraterno. 2. Eucaristia mist\u00e9rio da f\u00e9 &#8211; Jesus, no mist\u00e9rio da sua obedi\u00eancia at\u00e9 \u00e0 morte, e morte de cruz, cumpriu a nova e eterna Alian\u00e7a. Tornou-se o verdadeiro \u00abCordeiro de Deus que tira o pecado do mundo\u00bb (Jo 1,29).  Ao instituir o sacramento da Eucaristia, Jesus antecipa a nova P\u00e1scoa, o sacrif\u00edcio da cruz e a vit\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o; ao mesmo tempo, revela-Se como o verdadeiro cordeiro imolado, previsto no des\u00edgnio do Pai desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo, como refere o ap\u00f3stolo Pedro (I Ped 1,18-20). A institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia mostra como aquela morte, de per si violenta e absurda, se tenha tornado, em Jesus, acto supremo de amor e liberta\u00e7\u00e3o definitiva do mal para a humanidade. Ao ordenar \u00abFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u00bb, pede-nos que acolhamos este seu dom e o tornemos sacramentalmente presente. De facto, mais do que simples repeti\u00e7\u00e3o da \u00daltima Ceia, assume-se como a novidade radical que caracteriza o culto crist\u00e3o. Ao celebrar o sacramento da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, afirmamos a nossa f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, de todos os que morrem em Cristo. Por isso, \u00e9 importante a ora\u00e7\u00e3o de sufr\u00e1gio pelos mortos, particularmente a celebra\u00e7\u00e3o da Missa para que, purificados, possam chegar \u00e0 vis\u00e3o beat\u00edfica de Deus. Mas \u00e9 bom n\u00e3o esquecer que a Missa \u00e9 muito mais do que isso, \u00e9 o acto mais significativo atrav\u00e9s do qual, n\u00f3s, os vivos, glorificamos, louvamos, agradecemos e solicitamos de Deus os seus benef\u00edcios. N\u00f3s, os vivos, necessitamos da Eucaristia. Importa redescobrir na vida de cada dia o lugar que a Eucaristia deve ocupar, particularmente na santifica\u00e7\u00e3o do Domingo. S. Paulo recorda aos Cor\u00edntios, que conheciam o esc\u00e2ndalo de divis\u00f5es internas e individualismo de classes, a incompatibilidade destas condutas com a doutrina que recebeu e lhes transmitira: \u201cEu pr\u00f3prio recebi do Senhor o que por minha vez vos transmiti: Jesus tomou o p\u00e3o e deu gra\u00e7as; depois, partiu-o e disse: Isto \u00e9 o meu corpo que \u00e9 para v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de mim&#8230; Este c\u00e1lice \u00e9 a Nova Alian\u00e7a no meu sangue. Fazei isto sempre que beberdes em mem\u00f3ria de mim\u201d (1 Cor. 13, 23-26). Deste modo nos tornamos todos membros desse Corpo, \u201csendo individualmente membros uns dos outros \u201c (Rom. 12, 5). Quer isto dizer, que a Eucaristia faz de n\u00f3s comunidade de convocados, Igreja de Cristo, \u00e0 maneira de um \u00fanico corpo. 4. Eucaristia mist\u00e9rio celebrado &#8211; O povo de Deus cr\u00ea como celebra e celebra como cr\u00ea, pelo que a norma da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m norma de f\u00e9. A fonte da nossa f\u00e9 e da liturgia eucar\u00edstica \u00e9 o mesmo acontecimento: Cristo fez a doa\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio no mist\u00e9rio pascal. A celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica deste acontecimento deve estar revestida de beleza e esplendor, de tal forma que nos fascine e arrebate, nos fa\u00e7a sair de n\u00f3s mesmos para nos deixarmos atrair pela for\u00e7a do amor de Deus. O dia em que Cristo ressuscitou dos mortos, o domingo, \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro dia da semana, aquele em que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 convocada para celebrar esse mist\u00e9rio. Para a condigna celebra\u00e7\u00e3o, requer-se a participa\u00e7\u00e3o plena, activa e frutuosa de todos os fi\u00e9is. Da\u00ed que \u00e9 importante conhecer e viver a beleza e simbolismo dos gestos e ritos atrav\u00e9s dos quais celebramos a Eucaristia, por forma a faz\u00ea-lo conscientemente. Para esse efeito, muito contribuir\u00e1 que se promovam os diversos servi\u00e7os e minist\u00e9rios, com relevo para o canto lit\u00fargico. Nem todos os c\u00e2nticos, mesmo que religiosos, t\u00eam o valor art\u00edstico, sentido lit\u00fargico e capacidade de se adequar a uma boa celebra\u00e7\u00e3o. Os grupos corais e todos os fi\u00e9is que d\u00e3o a sua preciosa e generosa colabora\u00e7\u00e3o neste servi\u00e7o \u00e0 comunidade, merecem a nossa estima e que lhes sejam criadas condi\u00e7\u00f5es para a devida prepara\u00e7\u00e3o. Lugar relevante na celebra\u00e7\u00e3o ocupa a liturgia da Palavra. A f\u00e9 nasce da leitura e escuta da palavra de Deus. A homilia \u00e9 momento importante para crescer no conhecimento das verdades da f\u00e9 atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de s\u00f3lida cultura religiosa.  A comunidade crist\u00e3 deve estar atenta a todas as pessoas que, por motivos de sa\u00fade ou idade n\u00e3o podem deslocar-se aos lugares de culto. Nesses casos, a comunidade crist\u00e3 tem obriga\u00e7\u00e3o de lhes garantir, pela forma que julgar mais eficaz, a assist\u00eancia espiritual, de que faz parte a comunh\u00e3o eucar\u00edstica. Nessa miss\u00e3o, muito podem colaborar os ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o, em n\u00famero suficiente e devidamente preparados. S\u00e3o de promover formas de devo\u00e7\u00e3o que estimulem a piedade eucar\u00edstica, a adora\u00e7\u00e3o, a visita ao Sant\u00edssimo e outras formas de devo\u00e7\u00e3o populares. 3. Eucaristia mist\u00e9rio vivido \u2013 Jesus disse. \u00abAquele que me come viver\u00e1 por Mim\u00bb (Jo 6,57). Esta vida divina em n\u00f3s s\u00f3 atingir\u00e1 a sua plenitude na vida eterna, mas come\u00e7a j\u00e1 neste mundo, desde agora. O dinamismo da participa\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica  \u00e9 princ\u00edpio de vida nova em n\u00f3s sempre que nela participamos conscientemente. Transforma a nossa vida em culto agrad\u00e1vel a Deus, como referiu o ap\u00f3stolo Paulo: \u00abQuer comais quer bebais, fazei tudo para maior gl\u00f3ria de Deus\u00bb. D\u00e1 sentido pleno \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o do Domingo, que deixa de ser visto como mera obriga\u00e7\u00e3o, um preceito por vezes embara\u00e7oso, para se tornar momento de festa, partilha fraterna da mesa do Senhor, conv\u00edvio entre os filhos de Deus e fonte de energia espiritual para nos colocarmos ao servi\u00e7o dos outros irm\u00e3os. \u00c9 neste contexto que se insere a cerim\u00f3nia do Lava-p\u00e9s. Este gesto ritual \u00e9 sinal inequ\u00edvoco do amor de Cristo, que se expressa no servi\u00e7o e na doa\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00edmbolo dum amor ao servi\u00e7o dos homens, que \u00e9 sem limites e vai at\u00e9 \u00e0 entrega total de si mesmo na morte de cruz. A exorta\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 clara e muito concreta: \u201cSe, pois, Eu vos lavei os p\u00e9s, Eu, o Senhor e Mestre, deveis tamb\u00e9m v\u00f3s lavar os p\u00e9s uns aos outros. Foi um exemplo que vos dei a fim de que fa\u00e7ais v\u00f3s tamb\u00e9m como Eu vos fiz\u201d (Jo 13,14).  \u00c9 neste mandato do Senhor que a Igreja nascente viu o Mandamento novo: \u00abQue vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei\u00bb (Jo. 13, 34); ou, usando outras express\u00f5es b\u00edblicas: \u00abonde haja caridade e amor a\u00ed habita Deus\u00bb. Os fi\u00e9is crist\u00e3os precisam duma compreens\u00e3o mais profunda da rela\u00e7\u00e3o existente entre a Eucaristia e a vida quotidiana. N\u00e3o se trata apenas da participa\u00e7\u00e3o na Missa e na pr\u00e1tica do descanso semanal, mas abra\u00e7a a vida inteira. \u00c9 por isso que este dia em que celebramos a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia deve ser tamb\u00e9m marcado pela partilha fraterna, pela pr\u00e1tica da caridade. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a pensar, hoje com especial sentido fraterno, nos exclu\u00eddos da sociedade, nos sem p\u00e3o, nos pobres. Convidamos as nossas fam\u00edlias a acolherem a inspira\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a deste sacramento. O amor entre o homem e a mulher, o acolhimento da vida, a miss\u00e3o de educar s\u00e3o \u00e2mbitos privilegiados onde a Eucaristia pode mostrar a sua capacidade de transformar, encorajar e encher de significado a exist\u00eancia humana. Particular afei\u00e7\u00e3o \u00e0 Eucaristia devem desenvolver os sacerdotes e os fi\u00e9is que abra\u00e7aram o estado de vida consagrada. Seguir mais de perto o Senhor n\u00e3o nos impede de permanecer solid\u00e1rios com as preocupa\u00e7\u00f5es dos homens. N\u00e3o podemos reservar para n\u00f3s o amor que celebramos neste sacramento, pois que ele pede para ser comunicado a todos. Aqui radica a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria do crente: testemunhar, anunciar, evangelizar, para que o mundo creia no \u00fanico Salvador do mundo, para que tenhamos a vida e a tenhamos em plenitude. Prolonguemos esta reflex\u00e3o durante os tr\u00eas dias do Tr\u00edduo Pascal. Depois desta ternura de Deus, tornemo-nos anunciadores do acontecimento da salva\u00e7\u00e3o em Cristo: \u00abTodas as vezes, pois, que comeis desse p\u00e3o e bebeis desse c\u00e1lice, anunciais a morte do senhor at\u00e9 que Ele venha\u00bb (1 Cor. 11,26). Que a participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio da Eucaristia, robuste\u00e7a a nossa f\u00e9 nesta Igreja, que \u00e9 mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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