{"id":23925,"date":"2007-04-06T19:08:24","date_gmt":"2007-04-06T19:08:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/04\/06\/celebrar-e-testemunhar-a-alegria-da-gratidao-e-da-esperanca\/"},"modified":"2007-04-06T19:08:24","modified_gmt":"2007-04-06T19:08:24","slug":"celebrar-e-testemunhar-a-alegria-da-gratidao-e-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebrar-e-testemunhar-a-alegria-da-gratidao-e-da-esperanca\/","title":{"rendered":"Celebrar e testemunhar a alegria da gratid\u00e3o e da esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos na Missa Crismal <!--more--> QUINTA-FEIRA SANTA MISSA CRISMAL Catedral de Aveiro, 5 de Abril de 2007  \u201cCelebrar e testemunhar a alegria da gratid\u00e3o e da esperan\u00e7a\u201d  1. \tSa\u00fado-vos, irm\u00e3os sacerdotes, com as palavras de Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo de todas as horas: \u201ca gra\u00e7a e a paz vos sejam dadas por Jesus Cristo, \u2026 que nos ama e que pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai\u201d(Ap 1, 5-6). A Missa Crismal situa-nos no limiar da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa e constitui para n\u00f3s um momento e um sinal de gra\u00e7a e de b\u00ean\u00e7\u00e3o. Na manh\u00e3 de Quinta-feira Santa, esta celebra\u00e7\u00e3o esperada em cada ano exprime a nossa comunh\u00e3o \u201cde sacerdotes do Senhor\u201d e \u201cministros do nosso Deus\u201d. Uma comunh\u00e3o ministerial e fraterna onde se insere e afirma a nossa miss\u00e3o pastoral ao servi\u00e7o da Igreja diocesana, a Igreja de Jesus Cristo em terras de Aveiro. Nesta manh\u00e3 de Quinta-feira Santa, a primeira que vivo convosco e para v\u00f3s, quero celebrar e testemunhar a alegria da gratid\u00e3o e da esperan\u00e7a. 2. \tA Palavra de Deus proclamada revela-nos a fonte da voca\u00e7\u00e3o e do minist\u00e9rio e abre-nos para os horizontes sempre novos da miss\u00e3o. Somos ungidos do Senhor e por Ele enviados a anunciar a boa nova, a proclamar a reden\u00e7\u00e3o e a levar ao mundo o \u00f3leo da alegria e os c\u00e2nticos de louvor. \u201cSomos sacerdotes do Senhor que connosco firmou uma alian\u00e7a eterna\u201d (Is 61, 1-8). Quantos os virem, ter\u00e3o de os reconhecer como linhagem que o Senhor aben\u00e7oou (Cf Is 61, 9). Esta palavra prof\u00e9tica de Isa\u00edas traduz-se hoje, no cora\u00e7\u00e3o do vosso bispo, numa palavra e num testemunho de gratid\u00e3o pelos sacerdotes que Deus ungiu e envia diariamente a servir com infatig\u00e1vel esperan\u00e7a e generosa dedica\u00e7\u00e3o a Igreja de Aveiro. Obrigado, irm\u00e3os sacerdotes. Hoje \u00e9 dia de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as na nossa Igreja Catedral e na nossa Igreja Diocesana. V\u00f3s sois d\u00e1diva de Deus a esta Igreja que nunca se cansar\u00e1 de vos agradecer e de para todos e para cada um de v\u00f3s implorar a b\u00ean\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a para que sejais sempre pastores segundo o Cora\u00e7\u00e3o de Cristo, o Bom Pastor. \u00c9 importante todo o trabalho pastoral que realizam mas \u00e9 essencial para a Igreja e para o mundo sobretudo o que somos \u2014 sacerdotes de Jesus Cristo. Lembro com particular afecto e fraterna comunh\u00e3o os sacerdotes ordenados no \u00faltimo ano: Padres Jos\u00e9 Carlos Gabriel Pereira e Jo\u00e3o Paulo Soares Henriques; os sacerdotes em datas jubilares, o que celebra 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o: Padre Ant\u00f3nio Fragoso Tavares; e os que celebram 25 anos: Padres Jos\u00e9 Manuel Marques Pereira e Zbigniew Cfielezowski (Francisco). O nosso olhar confiante e o nosso gesto crente de gratid\u00e3o eleva-nos at\u00e9 junto de Deus, recordando os sacerdotes que faleceram neste ano: C\u00f3n. Joaquim da Cruz Vaz, Padres Jos\u00e9 Dias Martins da Silva, Manuel Augusto Marques, Albino Rodrigues de Pinho e Di\u00e1c. Arnaldo Almeida. Fazemos mem\u00f3ria de gratid\u00e3o e de sufr\u00e1gio dos dois primeiros bispos desta Diocese e de todos os sacerdotes e di\u00e1conos, religiosos e leigos que a serviram. A sua mem\u00f3ria \u00e9 caminho percorrido, exemplo de vida e testemunho de santidade. As suas vidas s\u00e3o incentivo \u00e0 fidelidade, escola de generosidade e fermento de esperan\u00e7a. Lembramos com dedicada gratid\u00e3o os pais e m\u00e3es dos sacerdotes que j\u00e1 partiram rumo \u00e0 bem-aventuran\u00e7a e rezamos por quantos se encontram doentes, sustentos insubstitu\u00edveis e firmes da nossa total doa\u00e7\u00e3o.  Jesus foi \u00e0 sua terra, a Nazar\u00e9, na Galileia e a\u00ed lhe entregaram o Livro de Isa\u00edas. Ao abrir o Livro e proclamar a Palavra de Deus, Jesus p\u00f4de concluir:\u201dCumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d (Lc 4, 21). S\u00f3 pisando, tamb\u00e9m, n\u00f3s, o ch\u00e3o sagrado desta nossa terra somos capazes de compreender o sentido e a verdade de tantas palavras prof\u00e9ticas, de tantos gestos her\u00f3icos, de tantas vidas despojadas, do dom do minist\u00e9rio sacerdotal e da beleza do reino de Deus que v\u00f3s fazeis crescer. Esta Catedral e o espa\u00e7o geogr\u00e1fico e humano da nossa diocese s\u00e3o este ch\u00e3o sagrado onde somos chamados a anunciar Jesus Cristo, no qual a Palavra de Deus se cumpre em plenitude. Mas a nossa miss\u00e3o alarga-se aos horizontes do mundo e o nosso minist\u00e9rio \u00e9 sempre universal e mission\u00e1rio. Lembramos aqui todos os membros do nosso presbit\u00e9rio em miss\u00f5es diversas fora da Diocese, desde o Brasil \u00e0 \u00c1frica com quem nos sentimos em permanente comunh\u00e3o. A Igreja que somos vincula-nos a todas as Igrejas unidas numa \u00edntima comunh\u00e3o com o Papa Bento XVI, com todos os Bispos e sacerdotes do mundo. 3.\tOlhando as frentes vast\u00edssimas da miss\u00e3o e as exig\u00eancias prementes do minist\u00e9rio, sentido o peso excessivo da vossas tarefas e actividades pastorais e desejando em perman\u00eancia estar pr\u00f3ximo, ser irm\u00e3o e fazer crescer a comunh\u00e3o e a unidade, quero convidar-vos a relerdes \u00e0 luz desta Missa Crismal o texto da ora\u00e7\u00e3o de consagra\u00e7\u00e3o desse dias em que a Igreja implorava sobre n\u00f3s o Esp\u00edrito Santo que pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do Bispo ordenante recebemos.  S\u00f3 o Esp\u00edrito de santidade nesse dia recebido far\u00e1 da nossa vida exemplo para todos, da nossa prega\u00e7\u00e3o palavra do Evangelho a frutificar, do exerc\u00edcio quotidiano do minist\u00e9rio um modo e um sinal onde o povo se regenera, se reconcilia, se anima, se fortalece e se alimenta pelos sacramentos. Tudo isto s\u00f3 se obt\u00e9m, continua a ora\u00e7\u00e3o consecrat\u00f3ria, se unidos em comunh\u00e3o presbiteral e eclesial invocarmos em prolongada e persistente ora\u00e7\u00e3o a miseric\u00f3rdia de Deus em favor do povo a n\u00f3s confiado e em favor do mundo inteiro. N\u00e3o permitamos, car\u00edssimos padres, que o tempo que tudo envelhece, a rotina que tanto desgasta, o des\u00e2nimo que fragiliza, a solid\u00e3o que avilta, o medo que anula tantos rasgos de generosidade ou o individualismo que nos isola dos outros e desmorona a comunh\u00e3o, nos retirem a alegria da primeira hora, desvirtuem o encanto de sermos \u201csacerdotes do Senhor\u201d ou maculem a beleza que se espelha no rosto ungido dos \u201cministros do nosso Deus\u201d. Em cada um de n\u00f3s deve transparecer a alegria, o encanto e a beleza do sacerd\u00f3cio de Cristo. 4. \tAo dom e \u00e0 gra\u00e7a recebidos no momento da ordena\u00e7\u00e3o juntam-se agora o valor e a b\u00ean\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia pastoral e de um minist\u00e9rio de entrega \u00e0 Igreja e ao mundo que tem a idade do tempo que passou, as marcas dos trilhos dos caminhos percorridos, os sofrimentos de horas de incompreens\u00e3o e de projectos n\u00e3o cumpridos, as alegrias in\u00fameras de ver crescer na f\u00e9, na esperan\u00e7a e no amor de Jesus, o Salvador, um povo de irm\u00e3os. Quero agradecer-vos e assumir este itiner\u00e1rio por v\u00f3s j\u00e1 realizado ao servi\u00e7o deste Povo de Deus a que o Esp\u00edrito agora me envia, e que alguns dos irm\u00e3os do Presbit\u00e9rio diocesano servem desde o dia primeiro da nossa Diocese. A sedimentar este caminho est\u00e3o particularmente aqueles a quem a doen\u00e7a atingiu e as prova\u00e7\u00f5es da vida mais fazem sofrer. Quero que sintam a presen\u00e7a da ora\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s e a proximidade da minha solicitude fraterna. 5. \tSe, por v\u00f3s, celebro e proclamo a alegria da gratid\u00e3o, porque o Senhor nosso Deus nos chamou a sermos \u201cseus sacerdotes\u201d, quero convosco ser incans\u00e1vel semeador da esperan\u00e7a de que novas voca\u00e7\u00f5es, generosas e decididas, h\u00e3o-de surgir na nossa Diocese. Animado pela esperan\u00e7a crist\u00e3 convido-vos, irm\u00e3os sacerdotes, a revelardes ao mundo, como presen\u00e7a viva do Esp\u00edrito, a gra\u00e7a, a alegria e a beleza que Deus inscreveu na nossa vida de padres; a anunciardes Jesus Cristo com uma f\u00e9 ardente e com um infatig\u00e1vel entusiasmo; a encarardes sempre a vossa miss\u00e3o como um servi\u00e7o; a procurardes uma percep\u00e7\u00e3o atenta e constante das verdadeiras prioridades pastorais; a respeitardes os ritmos de viv\u00eancia crist\u00e3 e do aprofundamento do sentido da f\u00e9 das comunidades, dos grupos e das pessoas. Vivamos atentos \u00e0 voz de Deus. Sejamos sol\u00edcitos disc\u00edpulos de Jesus, o Mestre. Deixemo-nos iluminar pelo discernimento e pelas intui\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito. Procuremos a lucidez da sabedoria e a coragem da humildade que nos coloca no cora\u00e7\u00e3o do mundo para a\u00ed plantarmos a loucura da Cruz e a alegria da P\u00e1scoa. Este \u00e9 tamb\u00e9m o milagre e o mist\u00e9rio que a Eucaristia, a Reconcilia\u00e7\u00e3o e todos os sacramentos diariamente celebrados operam nas comunidades e nas pessoas que amamos e servimos. A nossa miss\u00e3o consiste em falar de Deus ao mundo e n\u00e3o em queixarmo-nos do mundo a Deus. O padre que \u00e9 homem de Deus dado \u00e0 Igreja e ao mundo nunca pode ser um paladino do lamento e do pessimismo mas uma sentinela da esperan\u00e7a, da f\u00e9 e da vida. Pertence-nos como dom e como miss\u00e3o oferecer \u00e0 sociedade e ao mundo um olhar de esperan\u00e7a sobre os acontecimentos, realidade e situa\u00e7\u00f5es, um sinal de luz sobre a alegria e sobre a dor, um gesto de perd\u00e3o sobre o pecado e sobre o medo e palavras e sacramentos de amor, de acolhimento e de vida aos que procuram Cristo e a tantos que se sentem famintos de Deus. Pensemos emtantos outros que est\u00e3o no limiar do regresso \u00e0 comunh\u00e3o da Igreja \u00e0 espera que lhe franqueemos as portas do nosso cora\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o sempre portas de verdade e de fidelidade mas tamb\u00e9m de compaix\u00e3o e de perd\u00e3o. Cumpre-nos, sermos nas nossas comunidades pontes que consolidam o di\u00e1logo fraterno e suavizam tens\u00f5es. Importa sabermos testemunhar a urg\u00eancia e a profundidade de uma vida de ora\u00e7\u00e3o para que a nossa entrega ao an\u00fancio do Evangelho sejam reflexo do Divino que nos habita. Lembro-vos, irm\u00e3os sacerdotes, uma oportuna exorta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco de Assis que diz assim: Onde h\u00e1 amor e sabedoria n\u00e3o h\u00e1 medo nem gan\u00e2ncia. Onde h\u00e1 paci\u00eancia e humildade n\u00e3o h\u00e1 ira nem perturba\u00e7\u00e3o. Onde h\u00e1 pobreza e alegria n\u00e3o h\u00e1 cobi\u00e7a nem avareza. Onde h\u00e1 paz e medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 desassossego nem dissipa\u00e7\u00e3o.  Onde o temor de Deus guarda a casa o inimigo n\u00e3o encontra portas. Onde h\u00e1 miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 excesso nem dureza de cora\u00e7\u00e3o  (S\u00e3o Francisco de Assis, Exorta\u00e7\u00e3o 27)  6.\t\u00c0s Comunidades crist\u00e3s da nossa diocese e a todos v\u00f3s irm\u00e3os e irm\u00e3s, di\u00e1conos, consagrados, seminaristas, leigos e leigas convido-vos a este testemunho de comunh\u00e3o eclesial de estima fraterna, da colabora\u00e7\u00e3o constante e da ora\u00e7\u00e3o ass\u00eddua com e pelos nossos sacerdotes. A vida dos sacerdotes, o seu testemunho apost\u00f3lico, a sua alegria de servir, o dinamismo do seu trabalho pastoral e o surgir de novas voca\u00e7\u00f5es para a vida sacerdotal dependem muito do modo como as comunidades os acolhem e da intensidade, da estima, da ora\u00e7\u00e3o que os envolve. Renovamos hoje as nossas promessas sacerdotais. Fa\u00e7amo-lo com verdade e com alegria. Deus n\u00e3o falta. Deus antecede-nos no caminho. Coragem. Vamos juntos. Com Cristo ao leme. S\u00f3 com Ele seremos santos como Deus \u00e9 santo e servidores fi\u00e9is e felizes do seu Povo. 7.\tLembrai-vos, M\u00e3e de Jesus Sacerdote e M\u00e3e da Igreja \u201csinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o\u201d, dos sacerdotes que o vosso Filho concedeu \u00e0 sua Igreja. V\u00f3s sois a Senhora do Cen\u00e1culo, da Cruz e da P\u00e1scoa. Acompanhai-nos com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de M\u00e3e para que sejamos sempre fi\u00e9is e generosos e convosco possamos proclamar com a alegria da gratid\u00e3o e a certeza da esperan\u00e7a: A minha alma glorifica o Senhor\u201d.  + Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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